Arcise Câmara

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Ele me deu um beijo de leve

Eu não costumo comer tão tarde assim, mas fiquei pensando até tarde da noite naquele beijo, na forma como a conversa foi conduzida, no esforço de suas palavras sobre ter um amor para toda vida.
Um piriri tomou conta de mim, mil emoções se misturando, o tempo de solteirice havia ultrapassado todos os recordes, temos diferença nos ritmos, eu me sinto uma velha ao seu lado, porém temos os mesmos objetivos de vida, de gostos e preferências...
Eu não sabia como agir, sério. Parecia uma preparação mental e nervosa para o primeiro beijo, fiz movimentos súbitos, não me sentia livre para errar, eu precisava agradar quem tanto me agradou. Só isso!
Ele se expressou bem, culto, educado, gentil. De uma hora para outra, ambos nos parecíamos íntimos demais, velhos conhecidos, mas eu tinha medo, eu tinha muito medo. Nos meus relacionamentos anteriores (inevitável comparar) as minhas características que antes não incomodavam passaram a ser desagradáveis, ultrajantes. Mas resolvi arriscar e ser eu mesma.
Passei por momentos difíceis no amor, mas reconheço ter sido por falta de maturidade, a gente passa tempo sem ter alguém e fica espantado com o nosso crescimento afetivo, com o envelhecimento de velhas ideias, de regras e joguinhos que não cabem mais.
Muita gente diz que o tempo cura tudo, mas não é tão verdade assim, a gente traz coisas de uma “cura passada” para o relacionamento presente, inclusive os baques e os traumas.
Sou educada, trato todas as pessoas o melhor que posso, mas não sei me cuidar de possíveis cicatrizes, não consigo agonizar no presente e esperar na esperança que “um dia ele vai amadurecer”, não sei levar as coisas na barriga. Aqui ó, tem cem.
Papai sempre me incentivou a tudo na vida, leitura, cursos, liberdade, independência, mas eu não aprendi a lidar com as injustiças, eu só consigo ser eu se eu me dedicar ao parceiro.
Fico feliz com as minhas conquistas, fico feliz em perceber que o cara não aguenta ser amado, que não entende as energias, não sabe recompor o equilíbrio, não consegue fazer com que eu me sentisse importante demais.
Os machucados emocionais influenciam nas suas decisões, hoje eu exijo tudo em troca do amor, não amo gratuitamente, meu amor é exigente, precisa ser correspondido e normal. O sentimento precisa levantar o moral, algo que não me faça tomar remédio para dormir depois de chorar a noite toda ou de ficar dependente de ligações escassas.
Amar é nunca se acomodar, nunca voltar a sua vida a uma vida sem amor, é dominar a conversa quando o assunto é oportuno, é matar o tédio, é o desejo de agradar de alguma forma, é tentar avisar o que te maltrata, falar do mal-estar que sente quando as coisas estão saindo da linha.
Eu sei que é bastante compreensível sentir tudo isso, ter dúvidas, engolir as mágoas passadas e não falar nada a princípio, eu sei que é comum fazer cara de paisagem quando o outro continua errando com você, quando ele cultua o corpo a ponto de te incomodar.
As vibrações positivas, no todo o saldo é positivo, o sentimento é maduro, talvez tudo o que eu tenha relatado seja uma deformação de caráter da minha parte, um medo de amar, um pavor de deixar mais claras minha vontade.
Depois de um namoro sólido, voltei a casar, casei pela segunda vez e estou levando muita fé nessa história, há algo que me diz que dessa vez é pra valer, algo que me fez perceber que tudo é bem diferente, inclusive eu mesma, pasmem, até o jeito dele olhar e se solidarizar com um mendigo de rua faz meu coração saltar de emoção.
Depois de um tempo brotou dentro de mim um sentimento de carinho e gratidão, um sentimento menos avassalador e mais moderado, mas não menos feliz, uma intuição de caminho certo. Olhar para trás só me faz pensar em distúrbios mentais de como eu era despreparada.
Ele confortou o meu coração oprimido, ele não se confundiu em saber que não tenho mania de limpeza, sou barulhenta, exigente, gorda e chorona e que vez ou outra falava besteira sem pensar, ele me aceitou com meus defeitos de fábricas, mas é claro que farei revisão sempre que precisar. O mundo mudou, eu também, ele também, nós juntos também e o futuro reservou a felicidade que já sabemos e sentimos.

Inserida por Arcise

Eu fiz tudo pra essa mulher, mas ela só lembra dos erros

Minha vida havia mudado radicalmente, eu estava com olheiras imensas, óculos escuros todos os dias, incluindo dias nublados, eu me sentia suja por dentro, o meu lado egoísta estava aflorado e não gostava nada disso.
A vida tem sabedoria, faz tudo certo, mas nem todo mundo tem a capacidade de compreender, eu não tinha. Sempre antecipei o que ia acontecer, eu me fechei no rancor, no ódio, na descrença. Eu havia cantado a pedra que nada do que ele fizesse ou dissesse mudaria com o tempo.
Ele se tornou uma pessoa super dedicada e fiel e do jeito que eu o tratava parecia algo injusto, ele estava estagiando temporariamente numa multinacional, desejava ardentemente trabalhar, ajudar nas despesas, se sentir útil, nada mais justo para si mesmo, não para mim que sempre arquei com tudo sozinha.
Ele estava desesperado, sem saber aonde ir, o que fazer como me reconquistar, eu era o tipo de mulher que só contabiliza coisas negativas, o que há de positivo não era mais do que obrigação.
Não estou aqui para agradecer tudo que fez por mim, passei por momentos tristes na minha vida em que não consigo apagar, eu chorava ao invés de sorrir, as brigas vinham naturalmente e rotineiramente, as ilusões nunca pareceram boas, não aprendi a lidar com sentimentos ruins. Hoje acho tudo isso uma grande perda de tempo.
Eu não vou mais me deixar enganar pelas aparências, pelas promessas de que dessa vez vai ser diferente, a bondade está durando por causa da minha descrença, basta eu dar uma chance para que tudo volte a ser como antes.
Diante da minha passividade, ele foi se sentindo cada vez mais à vontade para trair, humilhar, desprezar e mostrar para todo mundo o seu lado escuro. Eu sei que nem sempre é assim, mas sei que tudo continua igual.
Bem-vindo ao pé-na-bunda de quem acordou para a vida, de quem passou a si amar, de quem prefere estar só a sua companhia. Não tenho pressa em ser feliz acompanhada, o meu esforço agora é apenas para me manter equilibrada.
Talvez fosse a virada que qualquer mulher esperasse pacientemente, talvez essa felicidade tardia estivesse escrito nas estrelas, talvez fossemos felizes para sempre, mas eu continuo acreditando em seus maus hábitos.
Isto pesa mais que tudo, pesa a falta de perdão, a falta de credibilidade, a falta de boa vontade até em dar chance, já dei duas, pra quê mais, não dizem que um é pouco, dois é bom e três já é demais.
Se eu não posso fazer nada, é melhor deixar como está, se nada vai mudar esse sentimento de descontentamento em relação a você é bem melhor cada um por si. A vida é muito mais do que parece ser, as pessoas vão bem além das aparências, depois de tudo isso ele me lançou um olhar com ódio e se virou para ir embora.
Percebi que era impossível conviver, imagina, eu voltando com alguém que tem ódio nos olhos, e que não passa a ver a vida de uma forma melhor assim da noite para o dia.
Assumi a situação com coragem, não olhei para trás, não queria mais uma boca para alimentar, nem brigas por ciúmes. Isso não faz de mim, melhor ou pior que ninguém, isso faz de mim uma pessoa que não quer arriscar a sua paz de espírito tão pouco compreendida.
É difícil conviver com alguém que pensa muito diferente de nós, alguém que se acha certo, alguém que debulha um grande rosário de prós e contra que eu não entendo nada, alguém que não me deixa reagir nem para opinar, alguém que não me liberta emocionalmente.
Viver junto traz oportunidades, ferimentos, alegrias, mágoas e incompreensões, mas conviver com algum algoz torna impossível a felicidade mínima e o sentimento de impunidade, de revolta, de chateação é o que toca a vida para frente sem muito sentido.
Olhei o céu, admirei a lua, minha terapia favorita, admiti ser um animal incompreensível e não muito convencional, afinal sofri a tempestade e quando a bonança chegou desisti desse caminho e de uma hora para outra tudo mudou.

Inserida por Arcise

O tempo vai dizer

Será que podemos corrigir os outros?
Será que somos extremamente generosos?
Será que dá para esquecer 37 anos de casamento?
Será que eu distorço as coisas?
Será que eu posso começar agora a minha história?
Será que dá pra fazer estrago para o outro corrigir?
Será que sempre escolho as situações difíceis?
Será que serei uma cabeça distraída para sempre?
Será que infidelidade é totalmente perdoável?
Será que meus filhos vão deixar a minha casa para se casar?
Será que meu descuido gera prejuízos?
Será que coração feliz é coração coerente?
Será que diluirei as coisas que eu não aceito bem?
Será que viverei por conta própria?
Será que meu esforço vale a pena?
Será que um dia saio do ciclo de relacionamentos desequilibrados?
Será que tenho o direito de expressar meu inconformismo?
Será que posso parar de falar sem freios?
Será que o ser humano um dia deixa de fragmentar pessoas por posição social?
Será que posso olhar as situações desagradáveis de forma superficial?
Será que questões mal resolvidas só são curadas em consultórios psicológicos?
Será que estou vivendo por convenções sociais?
Será que estou transferindo sentimentos?
Será que existe confiar desconfiando?
Será é possível não vê-lo nunca mais?

Inserida por Arcise

Quando a gente percebe que o outro não vai mudar


Você só tem duas alternativas, ou resolve amá-lo apesar das falhas ou deixa de amá-lo. Não sei quantas vezes desisti de amar, eu me chateava em dar opinião, ele se tornou exímio em críticas, eu passei a só dar opinião se fosse solicitada.
Quando eu resolvi terminar acabei me livrando de um peso imenso e abri caminho para construir uma vida melhor. Não chorei, não briguei, não demonstrei tristeza, não dei motivos, não justifiquei, não senti pena, não desconstruí suas qualidades que ficaram dentro de mim, não fiquei brava. Eu só resolvi terminar para voltar a ser quem eu sempre fui.
Eu fui a pessoa mais forte que eu conheço, eu decidi não vou mudar minha forma de ser, eu apenas pedi a Deus que abençoasse o meu novo caminho, eu tinha me organizado mentalmente para ser feliz nesse relacionamento, mas infelizmente a gente não consegue programar certos acertos na vida.
O dia estava lindo, eu me sentia bela, linda, sofisticada, cheia de atitude, eu queria ir comigo ao infinito, eu estava fascinada por viver minha vida de forma única, sem contemporizar tanto, sem ser doadora demais. Chega de sofrer por um homem que não sabe valorizar a mulher que tem.
Faltava paixão, sobrava interferência na minha vida, por vezes avancei com a ideia de terminar, outras recuei, me perdia em promessas, desviava com as esperanças, batia uma moleza de começar do zelo, eu estava me fechando nas buscas parecia mais cômodo ser uma infeliz na zona de conforto.
Só lamento que tenha demorado tanto tempo para me libertar, tudo havia acabado há muitos anos, não havia sensação de bem estar, nada mais era interessante e divertido, era inútil a insistência.
Eu tentava relembrar aquela moça bonita e segura que era eu, as tantas coisas que detestávamos um no outro, eu preferia a companhia do livro a dele, eu me permitia chorar escondido. Eu também errei bastante, eu agia de uma forma específica para moldá-lo e transformá-lo, acho que eu tinha transtorno bipolar.
O engraçado é que eu conhecia os fatos, eu não vivia na ilusão, eu entendia seus presentes excessivos, eu percebia a vontade de brigar espocando nas veias, eu sempre achei que a fidelidade é uma obrigação de ambas as partes, mas me fingia de cega.
Sua atitude foi nobre o que me deixou aliviada. Ele não implorou, não me desejou mal, não forçou, não foi absolutamente agradável e incentivador, mas demonstrou plena consciência que eu estava agindo certo diante de tanto equívoco na relação.
Ele jamais brigaria por mim, apesar de ter me confessado que se deixou acreditar no pra sempre, fez um “mea culpa” e disse ter sido egoísta. Ele tinha um amor por Deus inabalável, mas não sentia amor pelas pessoas, elas eram muito idiotas e preconceituosas, cheias de arrependimentos e isso não o admirava.
Tenho medo do ego dele explodir, tenho pavor por ele não saber lidar com os acontecimentos, penso que um dia ele possa se comprometer com ele mesmo, enfrentar os desafios, vencer os obstáculos, acreditar que vale a pena se sacrificar por quem se ama.
Tudo tem solução, tudo tem seu cheiro, seu modo de ver o mundo, sentir eu mesma depois de muitos anos foi no mínimo libertador, é melhor calar para não chorar. Uma coisa eu tenho certeza dessas incertezas da vida, nós nunca vamos nos unir novamente, nós não combinamos, não defendemos os mesmos interesses, nada nos pertence, nem as filosofias espirituais.
O lero-lero de casal precisa de conteúdo, demonstrar essência, fazer feliz, eu sou de um temperamento que só faço coisas que me deixam bem, o meu maior tesouro é me sentir livre, o milagre da liberdade infelizmente só é conquistado por poucos.
Nos beijamos no rosto com todo amor que sempre desejei viver, com o carinho do desejo de felicidade, com a inteligência simples e sincera de resguardar a pouca coisa boa que nos restou, que o lado mau nunca ofusca o lado bom.
Por várias vezes eu disse uma coisa e fiz outra, ou ainda, me doei de forma limitada, pouco admirável e nada nobre, deixei no ar que não havia nada a ser mudado em mim e pago o preço das minhas escolhas porque nessa relação nenhum dos dois quis mexer um músculo sequer para fazer o outro feliz, para tentar o encaixe.

Inserida por Arcise

Quando a gente percebe que o outro não vai mudar

Você só tem duas alternativas, ou resolve amá-lo apesar das falhas ou deixa de amá-lo. Não sei quantas vezes desisti de amar, eu me chateava em dar opinião, ele se tornou exímio em críticas, eu passei a só dar opinião se fosse solicitada.
Quando eu resolvi terminar acabei me livrando de um peso imenso e abri caminho para construir uma vida melhor. Não chorei, não briguei, não demonstrei tristeza, não dei motivos, não justifiquei, não senti pena, não desconstruí suas qualidades que ficaram dentro de mim, não fiquei brava. Eu só resolvi terminar para voltar a ser quem eu sempre fui.
Eu fui a pessoa mais forte que eu conheço, eu decidi não vou mudar minha forma de ser, eu apenas pedi a Deus que abençoasse o meu novo caminho, eu tinha me organizado mentalmente para ser feliz nesse relacionamento, mas infelizmente a gente não consegue programar certos acertos na vida.
O dia estava lindo, eu me sentia bela, linda, sofisticada, cheia de atitude, eu queria ir comigo ao infinito, eu estava fascinada por viver minha vida de forma única, sem contemporizar tanto, sem ser doadora demais. Chega de sofrer por um homem que não sabe valorizar a mulher que tem.
Faltava paixão, sobrava interferência na minha vida, por vezes avancei com a ideia de terminar, outras recuei, me perdia em promessas, desviava com as esperanças, batia uma moleza de começar do zelo, eu estava me fechando nas buscas parecia mais cômodo ser uma infeliz na zona de conforto.
Só lamento que tenha demorado tanto tempo para me libertar, tudo havia acabado há muitos anos, não havia sensação de bem estar, nada mais era interessante e divertido, era inútil a insistência.
Eu tentava relembrar aquela moça bonita e segura que era eu, as tantas coisas que detestávamos um no outro, eu preferia a companhia do livro a dele, eu me permitia chorar escondido. Eu também errei bastante, eu agia de uma forma específica para moldá-lo e transformá-lo, acho que eu tinha transtorno bipolar.
O engraçado é que eu conhecia os fatos, eu não vivia na ilusão, eu entendia seus presentes excessivos, eu percebia a vontade de brigar espocando nas veias, eu sempre achei que a fidelidade é uma obrigação de ambas as partes, mas me fingia de cega.
Sua atitude foi nobre o que me deixou aliviada. Ele não implorou, não me desejou mal, não forçou, não foi absolutamente agradável e incentivador, mas demonstrou plena consciência que eu estava agindo certo diante de tanto equívoco na relação.
Ele jamais brigaria por mim, apesar de ter me confessado que se deixou acreditar no pra sempre, fez um “mea culpa” e disse ter sido egoísta. Ele tinha um amor por Deus inabalável, mas não sentia amor pelas pessoas, elas eram muito idiotas e preconceituosas, cheias de arrependimentos e isso não o admirava.
Tenho medo do ego dele explodir, tenho pavor por ele não saber lidar com os acontecimentos, penso que um dia ele possa se comprometer com ele mesmo, enfrentar os desafios, vencer os obstáculos, acreditar que vale a pena se sacrificar por quem se ama.
Tudo tem solução, tudo tem seu cheiro, seu modo de ver o mundo, sentir eu mesma depois de muitos anos foi no mínimo libertador, é melhor calar para não chorar. Uma coisa eu tenho certeza dessas incertezas da vida, nós nunca vamos nos unir novamente, nós não combinamos, não defendemos os mesmos interesses, nada nos pertence, nem as filosofias espirituais.
O lero-lero de casal precisa de conteúdo, demonstrar essência, fazer feliz, eu sou de um temperamento que só faço coisas que me deixam bem, o meu maior tesouro é me sentir livre, o milagre da liberdade infelizmente só é conquistado por poucos.
Nos beijamos no rosto com todo amor que sempre desejei viver, com o carinho do desejo de felicidade, com a inteligência simples e sincera de resguardar a pouca coisa boa que nos restou, que o lado mau nunca ofusca o lado bom.
Por várias vezes eu disse uma coisa e fiz outra, ou ainda, me doei de forma limitada, pouco admirável e nada nobre, deixei no ar que não havia nada a ser mudado em mim e pago o preço das minhas escolhas porque nessa relação nenhum dos dois quis mexer um músculo sequer para fazer o outro feliz, para tentar o encaixe.

Inserida por Arcise

Ter bajuladores ao redor

Não quer dizer ter um ombro para se apoiar.
Não quer dizer que você usufruirá para sempre de generosidades.
Não quer dizer que você pode desabar no choro.
Não quer dizer quer o seu ego era satisfeito a troco de nada.
Quer dizer que você causa inveja.
Quer dizer que você está rodeado de pessoas que valorizam as aparências.
Quer dizer que os sorrisos não são honestos.
Significa que nos tempos de glória você terá muitos “amigos” ao eu redor.
Significa que você ainda se magoará muito.
E muitas lágrimas rolarão.
Seu ser e seu caráter não têm a menor importância, o que vale é seu dinheiro, sua beleza, seu status.
Confie nessa teoria e não se deslumbre.
Sinta-se um estranho no ninho quando tudo for perfeito, legal e agradável.
Cedo ou tarde você terá sua vidinha de volta, bajuladores se cansam quando não conseguem tirar vantagem.
Eles estarão presentes nos momentos inadequados.
Não suportam o fato de você ter conseguido fama, sucesso e dinheiro por talento e dignidade.
Não se influencie e continue pensando e sendo você.
Sua humildade é discutida como falsidade.
Seja lúcido e coerente na hora de presentear bajuladores.
Aprenda o que a vida ensina e os sinais que ela emite.
Não vislumbre o reino encantado do seu mundo particular.
Cuidado ao frustrar bajuladores eles sabem muito da sua vida, você contou.
Se precisar recomece do zero e filtre sempre que puder as amizades.
Tudo que ele fala acontece, ele está acostumado com essa vida, não são previsões.
O humor dele não flutua, está sempre ótimo, mas não esqueça os humores é “planejamento estratégico”.
Feche a porta para nunca mais colocar de volta bajuladores em sua vida.
Não seja ingênuo e influenciável.
Bajuladores têm ciúmes e baixa autoestima.
Aprenda a valorizar a vida.
E sempre que receber propostas e convites, alguns até podem parecer bons e inocentes verifique se não há interesse por trás.

Inserida por Arcise

Uma personalidade parcial

Aprendi a conviver bem, a respeitar os outros, a não me levar pelas aparências. Eu não usava aliança no dedo, apesar de me sentir casada por inteira. Ali ou acolá a inveja rondava, eram alfinetadas de todas as ordens de quem acreditava que eu fingia felicidade.
Segundo os plantonistas eu precisava de um pouco de vida social e ainda de tratamento psicológico por ter conquistado muitas coisas com facilidade, na opinião de muitos o meu jeito caloroso era apenas artificial.
O mundo é maldoso, julgador, preconceituoso, nem sempre eu dava de ombros, muitas vezes me incomodava saber que na opinião das pessoas eu ter casado com um executivo lindo de morrer não estava ao meu alcance, inalcançável ainda mais era ele me amar e sermos felizes.
A vida tomou os rumos de tudo o tempo todo, sofri por amor como qualquer pessoa, escolhi errado, até que me senti elogiada e amada, eu sei que é perigoso negligenciar um casamento com sucesso financeiro e posição social, mas na minha opinião amar e ser amada é sempre fácil.
Sou radicalmente contra o aborto, ele também, optamos por não ter filhos, ainda sou fértil biologicamente, mas minha cabeça entrou na menopausa há pelo menos cinco anos.
Choramos juntos quando a nossa relação precisa aliviar a tensão, não somos adeptos ao ciúme e podem falar que é falta de amor que não estamos nem aí. As mais variadas situações pelas quais passamos conseguimos resolver de forma que ambos ficássemos satisfeitos
Estou aprendendo alguma coisa todos os dias, apoio, deixar pra lá o que os outros dizem, acalmar o coração, declarações mútuas de amor romântico, fraterno, familiar, individual, humanitário...
Ele me conheceu e gostou de mim assim, ele sobreviveu aos meus defeitos, eu era dura em relação a mim mesma, ele me fez entender a preciosidade que era o meu ser como um todo. Estar com ele é evaporar as horas.
Chego em casa com um ou outro presentinho, é fácil agradar quem te trata bem todos os dias, ele nunca teve vergonha de mim por estar acima do peso, eu nunca duvidei da minha capacidade de amar, ele sempre enxergou os seus defeitos e não os meus.
Ele é predominantemente mais bonito, mais educado, charmoso, boa conversa. Ele é sempre meu ponto de partida para qualquer debate, ele não se importa se eu falo alto, eu jamais desistirei dele.
O amor é distorcido, os ensinamentos que nos passam é que eu preciso merecer, falta autoconfiança de que as coisas vão dar certo, ao seu lado nunca tive a sensação de vazio que me atormentava em outras relações.
Apesar da decepção rotineira de ambos, continuamos a nos amar infinitamente, apesar dos erros somos parcialmente em favor do outro, a afinidade que nos une é eterna.
Não somos de compras, achamos dignos viver a vida sem excessos, não hesitamos em apontar os erros para que a nossa relação não venha a ser um faz de conta, onde eu finjo que não me atinjo pelas imperfeições do outro, ou ainda, que finjo ser feliz.
Nosso amar não se trata apenas de uma questão emocional, é escolha, é decisão, é entrar na estrada para nunca mais voltar, é não conseguir se libertar por puro sentimento agradável. Não seguimos posturas defensivas nem a tendência de se justificar culpando o outro, acho que nosso amor é um progresso científico.
Alguns têm pena de mim, tentam me maltratar com discurso de deslealdade, que a reação dele em ser maravilhoso é fruto de infidelidade, radicalizam que duas pessoas não possam se amar de verdade.
Hoje preciso de coisas que não precisava antes, hoje preciso de bens não compráveis, preciso de planos, de estar aberta em mim mesma, de não ser egoísta. A rotina me equilibra, as fortes emoções me encantam, tenho vontade de ser boa para o mundo porque o mundo foi bom para mim, não que tudo seja perfeito, mas conseguimos controlar todos os obstáculos.

Inserida por Arcise

A humildade é a corrente que eu abraço

Sem generalizar é a qualidade mais admirável, assim como o bom-humor. Conseguir enxergar o lado bom das coisas mesmo na dificuldade é um surpreendente gesto.
O medo não deveria me dominar, mas tenho medo de parecer arrogante, prepotente, nariz empinado. Tenho medo de estar no biombo da hipocrisia, viver uma vida com autonomia e sem os agradecimentos necessários.
Tem muita gente que acha que essa conversa não leva a nada, que devemos ser nós, e até com certa frequência não se importar com o que os outros acham ou pensam.
Bom, o meu processo de evolução diz que cada um é diferente, temos uma mistura de sentimentos no coração e muita teoria na cabeça, aprendemos lições de tolerância e cumplicidade e devemos ter simplicidade nas atitudes. Existe até adjetivos favoráveis e desfavoráveis, como sendo bom ou ruim.
Por um tempo sofri a ausência de paixão, achava que era normal na minha idade, nada me motivava, nada me empolgava, nada me satisfazia a me mexer, eu não queria conviver com pessoas lentas, eu não tinha a estatura da paciência, eu sempre achava que a vida sabia o que faz.
Mentia para mim mesma, era só uma aperitivo para enganar a minha inquietação, buscava respostas na internet, cheguei a perguntar ao google o que era ser feliz, por que eu estava presa ao passado ou tentando imaginar o futuro.
Não gosto de generalizações, bato firme nessa tecla, nem todo homem é pagador, nem toda mulher é mal comida, casamento para uns é maravilhoso, para outros uma dificuldade a ser superada, nem todo mundo sabe domar o seu leão.
Tive várias relações que acabaram bem, várias relações em que meus exes me odeia e outras duas em que eles querem reatar. Por conta disso fiquei sem comer desde ontem. Eu não servia, eu não prestava, eles não me amavam, e após eu ter conseguido vencer cada obstáculo, sou a pessoa mais honesta e linda do planeta.
Ex para mim não se tornam inimigos em potencial, mas minha extema generosidade não inclui dá chances a relacionamentos que já fracassaram uma vez, mesmo que a humildade seja meu mantra, mesmo que vez ou outra eu desconte minha raiva nos fracos.
A gente percebi o zum zum zum de como as pessoas julgam nosso comportamento, a gente sente as certezas possíveis, a gente sabe lá no fundo do coração quando está perdendo o nosso maior tesouro.
Eu sempre mostrei sinais de ansiedade, não é à toa que engordei 30 quilos, não é à toa que só eu me sentia radiante depois de comer uma caixa de chocolates, mesmo com muitos quilos a mais sempre me achei com uma aparência boa o suficiente, meu peso nunca influenciou em minha autoestima, para mim era uma lenda gordas não se acharem lindas e sensacionais. Cadê minha humildade gente?
As cobranças são os grandes, gordas terão problemas nos relacionamentos, gordas acabarão solitárias e tristes, gordas serão rodeadas de gente que suga ainda mais sua insegurança.
Meu sorriso era lindo apesar do meu corpo, meu rosto bonito apesar do meu corpo, aos poucos fui domestificando fantasmas, as emoções que eu sentia e precisava administrar me tornou única, aprendi rapidamente que o céu me pertencia, tinha nascido para ser feliz e para ser humilde.
Vivenciei traições, vivenciei momentos tensos e resolvi que era hora de pensar em mim, fiquei com medo da solidariedade disfarçada de pena em cima dos gordos, fiquei com receio de abraços mágicos.
Eu estava mais uma vez pensando pequeno, eles eram inteligentes, interessantes e carinhosos, eu tinha esgotado os meus recursos naturais de força de vontade em emagrecer.
Fiquei feliz em conhecer a verdade e poder seguir em frente, fiquei feliz em me aceitar e lutar por qualidade de vida, fiquei feliz em tirar das mãos o passado e o futuro, fiquei feliz em não me importar com amores não correspondidos. Mas a humildade eu só entendi verdadeiramente quando deixei de julgar.

Inserida por Arcise

Essa é a parte que me cabe

Tem gente que nunca vai saber o que é esse sentimento chamado amor, tem gente que vai além do vínculo emocional, faz a gente viver uma história particular, um conto de fadas.
Estava super estressada com os últimos acontecimentos, estava presunçosa, indignada, sem direção e com muita sinceridade em agredir e magoar. Estava sem ter direito de defender a própria vida.
Era um ataque a minha credibilidade, uma influência até certo ponto, um status, uma imagem social. Queria me sentir importante, não tinha tempo para ele e muito menos para mim.
Ele cuidava de mim, ele tinha a capacidade de fazer as pazes, ele me amava e eu sentia isso, mas um dia ele perde o interesse e vai embora, eu fiquei sem cor, sem vigor, sem esperança.
Passei a discutir a relação sozinha, deixei de atazaná-lo, os meus pais pediam uma explicação, eu acabara de ficar sozinha sem saber muito bem o que estava acontecendo.
Enchi meu corpo com endorfina, ele foi o melhor acontecimento da minha vida e agora estava destruindo a minha vida. Eu era contra a traição até que trai, então me dei um milhão de justificativas.
A gente em casa falava de tudo: liberdade, responsabilidade, comportamento e consequências, o casamento nos dá oportunidades de lutar juntos, eu não queria perdê-lo de jeito nenhum, mas foi inevitável.
Eu me irritava com a ideia de alguém se achar meu dono, querendo mandar até nas minhas amizades, nos meu jeito de fazer as coisas na cozinha, no me jeito carinhoso com os amigos. Quando um homem ama outra mulher desinteressa pelos filhos, quando uma mulher ama outro homem ela se interessa muito mais pelos filhos.
Passei a vida vivenciando relacionamentos frustrantes, achava o diagnóstico absurdo: orgulho ferido. Tentei proteger-me desse piripaque, desse sentimento de inferioridade e insegurança eu que sempre fui uma amante da lógica.
Muitas pessoas só valorizam quando perdem, eu estava nessa estatística, o tempo passa e as pessoas esquecem eu jamais esquecerei o quanto não fui honesta , o quanto me deixei envolver pelo amor ao dinheiro, o quanto deixei de estabelecer um vínculo emocional.
Sentia-me relativamente equilibrada, precisava acreditar que estava sempre certa, eu tinha a necessidade neurótica de me sentir útil e reconhecida, eu faria qualquer coisa, qualquer coisa, para tê-lo de volta.
Homens não perdoam traição como as mulheres, homens gostam do que é bom, do que vira rotina, do que é confortável, gostam do que não causa surpresas desagradáveis.
Ele estava lá, mas eu não percebia, ele era um pai maravilhoso, comprometido com a família, mas cometia os erros comuns de deixar nossa relação morna, com a honestidade suficiente para poupar elogios.
O compromisso nos leva a prova definitiva, a traição faz sofrer uma família inteira, traz vergonha, indignação, revolta. Ele pôs a minha mala na porta do elevador, mudou meu estilo de vida para sempre.
Estava cansada demais para pensar nisso, eu queria me tornar um ser humano melhor, sem o aperto no coração, sem o medo do que as pessoas iam pensar, uma vontade de chorar me invadiu por dentro.
Enxergar as coisas como elas são foi duro, não entrava mais em embates com facilidade, as lágrimas aumentam, o amor se torna mais nobre, pratiquei esporte, dormi bem, nutri-me das melhores intenções, mas a dura verdade é que ele não me perdoou.

Inserida por Arcise

Um mundo sem dor, sem doenças e sem injustiças

Interessa essa objetividade?
Só porque usamos aliança não significa que estamos seguros, que o parceiro não vai nos trair, que não existem atalhos para o “paraíso”, ou atos praticados pelo amado que dão prejuízos ao nosso coração.
Seria tão bom morar numa cidade civilizada, sem ansiedade, sem pouca concentração, sem raiva e arrependimentos, sem coração rebelde, sem orgulhoso e instabilidade financeira.
Você nem sonha com tanta coisa boa assim junta, com união eterna, sem dificuldades para pensar e falar, onde o outro só enxerga a verdadeira beleza, aquela que não se exibe.
Aquela cidade onde o amor não esfria, onde não se derruba coisas, onde não existem pessoas desajeitadas, onde o perdão não pode ser exigido, mas é doado facilmente, onde é fundamental que os pais desliguem a tv e não permitam o uso de dispositivos eletrônicos durante as refeições.
Priiiiiiiiiiiiiii é sonho eu sei, mas vamos continuar sonhando num mundo com aceitação, com compromissos as circunstâncias e fatos, ao não atrevimento, aos bons instintos, a uma vida cheia de surpresas, ao bom e velho você sumiu, não aparece nem telefona e a comemoração do reencontro.
Ao mundo imperfeito onde é possivelmente possível juntar os pedaços, onde é possível manter a aparência equilibrada, onde eu mesmo não amando você, me importo com você, onde realidade é realidade e fantasia romântica é fantasia romântica.
Um mundo justo, onde tudo que você tem e não valoriza a vida tira, onde aceito-me plenamente, incondicionalmente, uma vida sem pressa incessante e sem trabalho contínuo minando nossas forças vitais.
Nem todo mundo é igual, Ainda bem! Na arquibancada da vida uns preferem sentar, outros vibrar em pé e não há nada de errado nisso. Quando as coisas ficam difíceis é quando você é levado a checar os seus reais motivos de sobrevivência, ou quando a respiração falta por algo que incomoda e perdemos nossa paz e estabilidade, ou quando desaparecem os sentimentos e ficamos sem ação de como continuar, entendendo o outro e a si mesmo.
Suspiro e reavalio sentimentos, analiso o próprio corpo, presto atenção aos comandos da saúde, podemos nos separar se quisermos, mas podemos seguir em frente mais felizes e mais fortes, tomando a decisão de amar, você merecendo ou não, sendo divertida e simpática, entregando-me sem medo, sem relutar em fazer o outro feliz. Ahhhhhh fazer o outro feliz!
Você já sentiu o desejo de não se envolver com pessoas que pensam de maneira diferente, nesse mundo isso também é possível pois antes do amor vem a aceitação e o respeito.

Ninguém é perfeito, quem quiser gostar de alguém tem que aprender a gostar das qualidades e tolerar os defeitos, tem que aprender a discursar sem ladainhas, entendendo que a vida vai piorando à medida que você cresce.
Eu não posso me contentar com ninharia, também não posso ter uma mente inquisitiva, uma mente que não aceita as coisas com facilidade, ou ser aparentemente superficial.
Eu nunca notei falta de interesse dos meus amigos, mesmo quando eu fazia um gesto vago, eu também entendi que algumas situações eu nunca poderei mudar, não cabe a mim escolher o que a vida me apresenta. Cabe a mim aceitar ou recuar.
Não sei confortar os outros, não tenho um estilo de vida certinho, com a saúde regrada, não cursei faculdade por superinteligência, não sei se demonstro interesse pelos outros e seus problemas, mas tenho muita força e sei assumir o controle da minha vida sem ficar pensando nos obstáculos.
Pois é! Ninguém é culpado de nada, o mundo muda, eu demonstro amor de um jeito diferente do que demonstrava no passado, nem por isso amo menos, eu acho que algumas coisas acontecem por força do puro e simples destino, eu gosto de valorizar o modo de ser de cada um.
Eu me sinto estranhamente nervosa quando julgo, as pessoas tem direito de errar, de dar um passo em falso, nem todo mundo é formado nos rigores da disciplina, nem todo amigo tem a atitude que se espera, a vida é um constante exercício.
As coisas às vezes ficam diferentes, sinto que alguma coisa mudou, outras perdem o senso do ridículo, as dúvidas sempre existem e no meio de tanta coisa tem frieza, conflitos emocionais, descontrole e coisas que põe em risco a continuidade da relação.
Às vezes a gente descobre verdades que abalam a estrutura, uma traição por exemplo, outras estamos cansados para amar, estamos sempre conectados, estamos sempre rodeados de amigos. No fundo eu sei que eu não poderia ser quem sou se você não fosse tão claramente quem é.
Eu já tive a incomoda sensação de ter nascido fora da época, eu já desisti de muita coisa, eu já deixei que o mundo discuta essa questão de certo e errado, de inferior, de hierarquia, de relacionamentos, de felicidade, coração...
Já roubaram me brilho especial dos olhos, já ganhei vantagem por ser branca do qual nadam e orgulho, já fiz coisas que pareciam impossíveis, já ouvi diversas vezes “ você não quer nada com ninguém porque tem o rei na barriga” depois daquele encontro que escapei.
Enfim, muitos dedos na cara, poucos sentimentos e a gente revendo a vida a cada instante.

Decidimos nos casar

Uma recepção preparada por nós.
Nos encontramos nas redes de relacionamentos, depois de alguns minutos de conversa, um beijo na boca, e muita felicidade ele falou que teria que voltar para sua terra natal, estava de passeio.
O desejo de ir junto foi imediato.
Mas faltava nos conhecer melhor, não podia me jogar de cabeça como nas outras vezes, julguei a nossa relação como superficial e parcial.
Conviver com ele foi benéfico, sem obrigações, foi simplesmente uma bonita história pra contar. Não contávamos com a saudade, com as mãos frias de nervoso e com o frio na garganta.
O nosso coração estava sereno, com cada coisa em seu lugar, o tédio ficou distante, a vida ganhou outro sentido, éramos nós e mais ninguém, parecia que todo o resto era figuração.
O churrasco em família no qual fui obrigada a comparecer com aquela sensação de todo mundo te olhando, todo mundo discutindo teorias de que você tem dois filhos e que você tem uma relação pacifica e cordial com seu ex-marido.
Com o tempo fui ficando seletiva e eu comecei a reconhecer as pessoas que merecem fazer parte da sua vida e as que merecem pular fora.
Gostei de primeira daquela cara redonda e risonha, daquela sensibilidade de homem moderno, do destrinchar dos papos. Há um motivo para tudo que acontece na vida eu acreditava nisso.
A temperatura só aumentava entre nós, era um fogo sem chamas, os pensamentos pareciam reflexos de nossas almas unidas, resolvemos entrar num projeto de vida inteira: o casamento.
Não basta sonhar com as coisas que desejamos, é preciso agir, fazer acontecer, é preciso estar preparada, ficar alegre com o bem do outro, este mesmo bem já lhe pertence. Entendi o amor que ele sente por mim e compreendi que não precisava prolongar a felicidade, ao pensar nisso fui chamada de doida por Deus e o Mundo, mas eu tinha certeza, eu tenho certeza e o que faço com essa certeza? Ponho no bolso e espero esfriar?
Não sei se quero continuar solteira nesse mundo porque estou agindo com o coração, sempre fui uma pessoa bastante solitária, alguns filmes foram espirados em mim, na minha descrença em casa, na minha autoestima pequena, vazia.
Uma dose de normalidade nesse momento ia bem, mas e ele? Eu tenho toda uma carência afetiva, tenho dois filhos para sustentar, tenho um turbilhão de mágoas referente a casamentos e ele? Ele tem as circunstâncias, o foco e os detalhes de querer eternizar logo nossa união, ele quer logo mais.
Eu não seria capaz de deixa-lo ir, eu vou com ele na certeza que mais felicidades me espera.

Inserida por Arcise

E o resto será fácil

Ana criticava os outros no passado por precisarem estar presos nas religiões, ele dizia que era preciso aprender adentrar águas profundas e desconhecidas e que os indivíduos morriam pelo grupo.
Joaquim dizia que a “bagagem” da vida é a sabedoria, que precisamos encostar o dedo no machucado do outro com firmeza.
Antônio falou que precisava preencher o vazio da alma, que não queria mais me satisfazer com coisas temporárias, que não é possível viver desconsiderando o outro, andava sentindo tudo triplicado, com intensidade e tristeza.
Caio está namorando a Miss Universo, enfrenta qualquer situação para ela e por ela, ambos se comportam de maneira tão nobre.
Amigas se desentendem ás vésperas do Natal, é apenas o fio da meada, estão decididos a romper para sempre sem a menor boa vontade do mundo uniremos uma amizade que se desvalorizou.
Raquel deseja algo que pertence aos outros, uma tarefa nada fácil.
Toda atenção foi desviada para o TER e não o SER, quando um casal se separa os amigos do casal escolhem com quem querem ficar.
Quando eu te vi e você me viu, sabíamos instantaneamente que estávamos destinados a ficar juntos, mesmo que ele não tivesse um lar ou uma família “normal”.
Nem sempre agimos de maneira nobre, mas pode haver outros lados, podemos descobrir pedras preciosas mesmo nas pessoas desonestas, desleais, rudes e egoístas.
Não sou mais tão jovem, já nem sempre faço o social, já percebi que a maioria de nós prefere colocar a culpa nos outros, mas eu garanto, não dê ouvidos aos que te põe para baixo, vá em frente e seja um terror de bondade para o mundo.
Com o tempo a gente sente menos com o que os outros acham, não se incomoda de ter um gênio difícil. A gente se resgata da própria existência, percebe que até mesmo os melhores cometem erros, aceita as transformações.
Vai nem ligo, diz ao Moisés, mente sem a menor cerimônia, fala em dinheiro o tempo todo, um perfeccionista e um bocadinho pedante, sente inveja, raiva, cobiça, luxúria e é manipulador.
É difícil ser gente grande, é difícil ficar indiferente, refazer as aparências ou ainda viver com sérios problemas pra resolver, é difícil casal pós separado se quererem por perto, por amor aos filhos, é difícil ser chamada de burra ou retardada, ou ainda ofender algo que é sagrado pro outro, vamos aprender a viver bem.

Inserida por Arcise

Algumas possibilidades que possam ser válidas para uma vida mais contente

Seguir meu próprio conselho de dormir o suficiente, mínimo oito horas por dia, ou por noite como preferir.
Reconhecer amizades pela lealdade trocada.
Tomar decisões centradas no outro e em si. Sempre olhando bilateralmente.
Evitar a dura e problemática comparação.
Ser uma mulher/homem diferente.
Não ter limites para autoconfiança.
Assumir mesmo embaraçada a possibilidade de ter entendido errado e pedir desculpas por isso.
Conseguir tudo o que quer, sem pisar em ninguém.
Viver intensamente o seu tempo.
Sonhar sem perturbar a alma.
Excluir a ideia de que mulher boa tem como destino ser abandonada pelo parceiro.
Evitar arrumar encrenca.
Não Julgar coisas que parecem absurdas.
Amar a si e aos outros.
Decidir quase tudo.
Silenciar.
Curtir a vitória alheia com alegria.
Cultivar esse sentimento misterioso chamado Amor (só curto escrever Amor com A maiúsculo).
Estar prontos um para o outro.
Ver amigos.
Curtir óculos de sol e proteger a retina.
Costurar a amizade até virar uma coisa só.
Tornar-se uma figura elegante nas palavras e gestos.
Desapegar de coisas ruins.
Andar para frente.
Deixar de ser maldosa.
Selecionar o que é bom e justo.
Ter Fé, mesmo que não tenha nada a ver com religiosidade.
Manter a palavra.
Aprender culinária.
Sentir-se livre e triunfante.
Evitar berrar insultos e sussurrar elogios.
Ser capaz de desligar o celular e recarregar as baterias do corpo quando necessário.
Falar hum-hum para evitar brigas.
Torna-se uma pessoa melhor e mais atenciosa.
Abraçar as histórias que não são suas.

Inserida por Arcise

Alguém tem medo do ridículo?

Nem sabia do meu sentimento por ele, não sabia ser portadora de uma paixão, uma fé, uma esperança, um amor, uma certeza da legitimidade desse sentimento. Ainda alimentava a raiva e a mágoa pelo outro, pelo primeiro, pelo pai da minha filha.
Estava zonza, imaginando coisas, vivendo momentos de mulher, sonhos, cores, flores, felicidade. Eu estava atraindo o que estava transmitindo aos quatro ventos do universo.
Saí de um relacionamento em que tinha que fazer tudo o que o meu marido dizia e entrei no mundo em que eu era paparicada e tinha minhas vontades atendidas sem questionamentos.
No primeiro momento estava com pé e mão nos freios, eu não sai correndo atrás dele como meu coração desejava, eu estava sozinha há três meses, tinha superado um sofrimento em tempo recorde, mas não saia da minha cabeça a ideia de que estávamos destinados um ao outro, que tinha chegado a minha vez, que eu não deveria ter subestimado o amor de Deus.
Eu era o passado vivendo no presente, tive um ano difícil, mas provavelmente vivi muitas coisas perfeitas pelo mundo, sem nenhuma justificativa intelectual e psicológica, coisas que continuarão registradas no meu currículo, na minha vida.
Encontrei um Homem cada vez mais raro, gentil, educado, moderno, fofo, lindo, com exageros a parte e com sentimentos serenos, ternos, fraternos, maduros, uma verdade eterna em sentimentos descomplicados.
Foi difícil entender que meu marido amava outra pessoa, que o pai da minha filha sempre amou outra e quis se unir a mim para não ficar distante da filha apaixonante, abraçando o pesado fardo de uma gravidez indesejada com um serzinho desejado dentro da barriga.
É isso que se faz por alguém que se ama, pensava eu comparando os relacionamentos, fiquei chateada com as comparações que fazia, mas parecia inevitável, pareci que eu queria provar para mim mesma as escolhas erradas do passado e apostar todas as fichas no valioso, belo, flexível Homem Atual.
Amigos, vocês podem acreditar, comparar fez com que eu ficasse segura, feliz, centrada, me sentisse amada, mesmo em situações ou circunstâncias adversas a maneira como ele se manifestava me apaixonava e foi por ele e por amor a ele que aceitei o fim do meu relacionamento anterior.
Nos conhecemos pela internet, que foi para mim a mais nova lâmpada de Aladim, eu não acreditava em internet, nunca me animei para isso, mas segui os impulsos da harmonia, deixei a guerra da tristeza fora e cheguei ao denominador comum de tentar e assim a vida me presenteou.

Inserida por Arcise

Eu preferia correr

Ainda não aprendi a correr, dói tudo, corro para chegar no objetivo, para terminar a corrida, para pensar enquanto o vento me refresca, para vivenciar pensamentos com maior ou menor intensidade.
Corro atrás dos meus pais em atenção que a terceira idade requer, corro para equilibrar a grosseria que nasceu comigo, corro de tentar um novo amor, corro de fundamentalistas sem certificados, de sociólogos sem vivência, de historiadores sem conteúdos e de políticos corruptos.
Corro quando minha vida está fora de controle, quando a paixão está diminuindo, quando o relacionamento começa a crescer em cobranças, quando deixo as coisas como são, sem questionar.
Corro quando perco alguém para a morte, quando penso em tudo que ela tinha para viver e não viveu, corro para evitar doenças, corro atrás de filhos, de profissão mais bem pago, corro atrás de possibilidades.
Corro atrás de segurança no relacionamento, corro em definir a vida da maneira que me faz mais feliz, corro para excluir da minha vida motivos fúteis e desafetos, corro para ser leal e inteligente.
Corro de medo de banheiros públicos, de repetir o repertório, de ser chato, de dormir mal, de casamento ruim, de absorver ruindade, de extinguir o amor, a bela imagem que faço de mim mesma.
Corro do cansaço, de quem fica contemplando o umbigo, de fazer vontades, de sair de casa sem motivos, de práticas ruins como a fofoca. Corro para ser quem sou de verdade, corro atrás do que quero para mim, corro longe da destruição emocional.
Corro quando não consigo revelar que sou, quando preciso defender o Brasil dos próprios brasileiros, corro da compulsão alimentar, das contradições, das minhas limitações, corro de ser mãe e fazer disso o único papel principal.
Corro do estresse, do ataque cardíaco, do mau funcionamento do meu sistema imunológico, de perseguir ideias que ninguém acredita, de se importar muito, corro para vencer a timidez, a traição, a dificuldade de comprometimento, corro de medo de aceitar tudo.
Corro de promessas não cumpridas, corro de crueldade implícita, de cabeça de recém-separado, corro sim atrás de sabedoria e equilíbrio, corro para enxugar as lágrimas, corro para desviar caminhos que não me fazem bem.
Corro atrás de paciência e humildade, corro para sentar na cama e escrever mais, corro para que casamentos durem hoje em dia, corro para aceitar o pacote completo, corro assim como vivo. Mas ainda não sei correr.

Inserida por Arcise

Agora ele se foi e eu também

Quantas vezes o ofendi gratuitamente? Quantas vezes procurei outras pessoas para conviver? Quantas vezes senti vontade de vingar o que ele disse e não me entrou muito bem?
Tudo isso acabou em divórcio, tomei minhas próprias decisões, agora as cicatrizes ainda não cicatrizadas continuam na alma, tento ser guerreira, mas quando olho para trás desabo, se eu tivesse maturidade de observar tudo seria diferente, já li que a culpa faz parte e que ele não era tão maravilhoso assim.
Eu não me contento com a vida, não temo mais a própria vida, passa coisas horrorosas pela minha cabeça, inclusive interromper a vida que não é tão bela ou colorida como antes.
Eu encasquetei que ele me traia, estava muito carinhoso ultimamente, levantou suspeitas imediatamente, era um terreno perigoso descobrir traição quando na verdade você não sabe o que vai fazer com aquela informação.
Vivia num estado de pique o tempo todo até desabar, decidi pela mudança, mas a adaptação não é fácil, perdê-lo transformou-o num príncipe, mesmo que lá no fundo eu saiba que não é bem assim.
Eu precisava de desafio, precisava ingerir açúcar, aumentar o ritmo, fortalecer os ossos com cálcio. Eu precisava de razão, de coração, de vontade, precisava deixar claro uma coisa eu não era mulher de aceitar tudo passivamente.
Nunca mais ele teve brilho nos olhos, nunca mais o seu pobre coração acelerou, ele sofreu demais, mas foi responsável pelas suas escolhas, ele estava bruto, chato, relaxado e justamente à época em que eu estava organizada em tudo, coisa que nunca fui.
A vida deu uma virada absurda, ele não fazia objeção à coisa alguma que eu pedia, mas não era sincero, não era por vontade, ele apenas não queria levar um pé, não queria discutir com minha ansiedade, meus medos e a perda do marido perfeito.
Tive a oportunidade de aprender a ter mais autoestima e amor próprio, a pensar mais em mim mesma, a conhecer as contradições internas, a não ter ódio e complexos.
Comecei a ter aquele jeitão de dona do mundo, de viver a minha maneira, de evitar o longo processo de amadurecimento. Havia mil formas de relacionamento, poderíamos morar em casas separadas ou agir como se atitudes alheias não me afetassem.
Não preciso lidar com nenhuma desculpa, o meu maior bem-estar, minha maior sabedoria, a minha própria admiração e doação me diziam para ir embora, para sair do caminho, para encontrar alguém que me ame sem fugas, eu me permitia olhar para o futuro sem medo. E assim foi.

Inserida por Arcise

Água

Tentando parecer conformada em ter que tomar dez copos por dia, mas vamos lá, vamos acreditar no poder de cura da água para o resto da vida, o coração pulsa melhor, a gente depois de um tempo acaba curtindo a água geladinha ou a modinha do chá de hibisco.
Quando estamos em dieta, ficamos inseguras, dói evitar coisas muito doces, gordurosas e gostosas, comer é um prazer com culpa. No início a gente dorme muito para o nosso próprio bem-estar. Ou a gente dorme ou a gente come.
Para quem decidiu pela reeducação alimentar não custa nada lembra o: Até que a morte nos separe. Significa não fazer concessões, significa curtir grão-de-bico, significa se surpreender e perceber que a vida de lá cheia de gorduras e limitações que era uma vida infeliz.
Para quem como eu não consegue viver com tamanha rigidez, tenho uma dica: Liberdade com moderação, muita moderação, pensar sempre na mulher com a saúde maravilhosa que você quer se tornar. Trocar comida por teatro, por cinema, por esportes.
Saber que as comidas certas funcionam bem dentro de mim acaba me tornando subserviente e focada. Estou curtindo cada dia minhas escolhas, ver resultado me deixa com aquele sentimento de: sou foda.
A gente precisa aprender a reconectar-nos com nós mesmos, a gente precisa aprender a ter os melhores sentimentos e as mais belas palavras, a gente precisa deixar de ser orgulhosos e teimosos. Precisamos gostar de ser humildes.
Todas as coisas que ninguém quer pensar quando faz dieta é em comida e acreditem a comida não sai da sua cabeça, a gente quer saber o próximo horário da refeição, a gente fica com frio no estômago.
Esse foi o início do fim para mim, sentir a ilusão do que nos parece bom, e aprendendo a reconhecer os sentimentos que te levam ao bolo de chocolate. Precisei desligar os dispositivos onipresentes no doce, minhas engenhocas para engordar, na verdade para comer, engordar era consequência. O que me machucava era olhar o celular ou tablet, verificar minhas redes sociais e pensar que eu tinha que editar todas as fotos, eu não gostava de mim. Cansei de foto 3 x 4.
Suavemente abandonei tudo que se referia a alimentação nos meus últimos 39 anos, sim a vida toda, porque mesmo quando eu era magrela eu ainda sim comia errado, muito errado. A diferença entre gorda e magra era o metabolismo. Comecei a me apegar aos resultados, então chorei quando me vi com menos celulite, fazendo pilates com menos esforço, abdominais sem me sentir sufocada.
A gente começa a ser mais gentil e atenciosa, a gente consegue tudo o que quer inclusive estudar para concurso. A gente para de ser o gordo da roda, a gente sabe muito bem o que está fazendo.
Feliz água! Feliz dieta! Feliz vida nova!

Inserida por Arcise

Achei-me sozinha, no meio da multidão

Mesmo aborrecida não perco a capacidade de amar, sei fazer o jantar para o irmão que não está falando comigo, sei distinguir o que é superficialidade e valores, sei ficar atormentada por uma tristeza pungente.
Não me arrependo um segundo das coisas que faço, isso é ruim, não tenho alma nobre e sempre acho que mereço ser resgatada. Tem dias que me sinto muito melhor, outros estou bem impaciente.
O sorriso só me faz recordar tudo que eu perdi, o sofrimento da derrota é sempre mais avassalador e infindável que a alegria da vitória, a gente se esquece dos momentos felizes e foca nas tristezas.
Não vou forçar nada, nunca fui de forçar, nunca fui de proibir namorado de sair, nunca fui de colocar ordens no amado, eu apenas gosto de me sentir respeitada sem precisar cobrar por isso.
Muitas pessoas, quando passam por um evento profundo e traumático, como ter a vida em risco de alguma maneira, mudam sua escala de valores, mas eu continuo minimizando as coisas, continuo maximizando os problemas, continuo achando que eu me sinto só por culpa do mundo.
A vida da gente muda de repente, é pra frente que se anda, apesar de tudo. Coloco-me no lugar do outro, tornei-me sincera para mim mesma, estou longe para entender porque me sinto só, mas sei que o problema está no meu mundo.
Mantive o perfume, não sei, mas quando me sinto cheirosa a autoestima aumenta. Vivi situações de estresse e acabei me fechando simetricamente, fiz de cada dia um dia especial, existem maneiras diferentes de viver eu teria que a prender pelo menos uma delas. O meu sentimento era olhar fora, quando na verdade deveria está olhando dentro.
Uma forte razão sentimental me fez me sentir só, não somente só, explorada, triste, totalmente desamparada, sem inspiração para escrever, sem reformulação de perguntas, sem caridade. Estava olhando para a própria barriga.
Eu estava muito bem dias atrás e estava mesmo, eu era aquela brasileira que acha que já nasce sabendo de tudo, mas faço de qualquer jeito o que amo fazer, até aquela receita de amêndoas com avelãs que os filhos adoram comer no parque eu ando desistindo.
Eu quase tive uma overdose de carinho e mesmo assim me senti só, eu não sentia falta do material, eu sentia necessidade de afeto, eu estava interessada na felicidade, mas essa felicidade tinha que ser coletiva.
Eu me importo com vocês e queria apoio, sou uma pessoa imperfeita buscando algo perfeito, Por que eu estaria fora do eixo? Por que eu estava empolgada na fútil argumentação? Assumi a situação com coragem e internalizei que aquilo ia passar. E, Passou!

Inserida por Arcise

Todos tentam entender o que aconteceu com você

Sempre fui àquela gordinha de bem com a vida, que comprava tecidos para a costureira porque estava cansada de ouvir das vendedoras que as lojas não tinham o meu número. Olha que meu grau de obesidade era um, imagina! Daí passei a ter roupas exclusivas e do meu estilo próprio intitulado carinhosamente por mim de Princesa Libertadora do Amazonas.
Uma vez ou outra a vista começava a escurecer, uma vez ou outra me sentia sufocada por estar deitada sem travesseiros, parecia absurdo, mas meu orgulho de ser gorda e quem me ame me aceite como sou foi para o ralo quando vi minha saúde abalada.
Mas o que me levou a malhar foi uma tristeza profunda beirando a depressão, já tive uma vez e reconheci os sinais, eu estava com uma sensibilidade exagerada, parei de gastar por falta de vontade de sair de casa, ver pessoas juntas, reunidas e felizes me deixava com um pouco de inveja. Passei a ficar nervosa, tensa, uma lagoa emocional.
O remédio receitado por mim mesma se chamava serotonina e adrenalina, já que todos falavam que era o hormônio da felicidade quem era eu para discordar. Como num clique percebi as mudanças positivas em meu corpo, minha mente.
Eu chorava quando dormia, não tinha um referencial de mim mesma, eu me achava obtusa e sem forma, ninguém se importava com aquele aperto na alma quando precisava conviver com os outros. Eu tinha a grande responsabilidade em me salvar.
Foi à época que eu mais me amei mesmo inconsciente, não tenho palavras para descrever aquele momento, eu estava à beira do precipício e aprendi a lidar com isso, eu estava no abismo da minha tragédia pessoal e estava lutando para sobreviver.
Os meus choros eram silenciosos, as lágrimas escorriam sem parar, eu era muito insegura, logo eu a gorda que se amava e dava até beijinho no ombro? Cada um de nós está extrai algo diferente dessa experiência, meu esforço constante era para me manter equilibrada.
O desejo de recriar algo maior em mim que me tornasse forte, que me deixasse de molho na piscina quando precisasse, que me fizesse refletir sobre as minhas certezas, que me deixassem longe do estereótipo de pele e osso.
Passei a viver cada dia como se fosse o último, encontrei amigos por aí, aprendi a curtir cereais, enganar a tristeza e não ceder aos meus caprichos camuflados de doenças.
Passei a ser mais controlada, algo me trouxe plenitude, uma compulsiva paz, um acreditar em Deus, um tchau para a culpa. Não desafiei a eternidade e o excesso de gordura dentro de mim, cedo ou tarde cobrou o preço.

O que é superinteressante?

Aceitar o que a vida te apresenta
Usufruir os capítulos dessa vida
Impedir mágoas no coração
Evitar agradar o mundo
Entender os sentimentos
Ser responsável pela própria felicidade
Saber o que vai fazer
Sentir emoções
Acreditar e viver uma crença
Imaginar alcançando metas
Suprir suas próprias necessidades
Negar o eu
Servir e mimar quem amamos
Retribuir as gentilezas
Sentir a solidão com ferramenta para autoconhecimento
Manifestar amor de todas as formas
Convidar o outro a compartilhar conosco uma vida saudável
A presença de um grande amor
Carinho e respeito
Restringir os falsos
Casar
Alcançar uma graça
Relacionar-se com interação e qualidade
Ouvir aquela composição de Herbert Viana
Agradecer a Deus

O que é superinteressante para você?

Inserida por Arcise

Becos sem saída

A vida nos impõe certas coisas desde o século passado, desde que o mundo é mundo, desde o tempo em que a disciplina lá de casa era a peia.
A sociedade nos diz que é triste viver sozinho, que não é legal viver num quartinho simples e cheio de livros, que o mundo é mais amplo e que as alternativas, as melhores alternativas é tudo que envolve grana, riqueza, família feliz e amamentação, nessa última parte eu concordo.
A gente vai vivendo a vida depressa demais, a gente se pergunta se tem tempo para se acalmar, curar as feridas abertas, surpreender a si mesma. Às vezes tudo parece nublado, tudo é muito eterno para um mundo de passagem, a gente não precisa viver como outras pessoas, a gente pode e deve aceitar nossas falhas e limitações, a gente pode melhorar e até gostar da nossa trajetória.
Nossa história é única nessa terra, a gente não pode ter uma vida como se fosse viver eternamente, temos que encaixar felicidade mesmo que não esteja mar de rosa, temos que ter plenitude sem dinheiro, segurança sem um amor, aprender as lições que a vida nos oferece sem a dor da existência.
Quando há dúvidas... precisamos seguir, quando há conflitos... precisamos seguir, quando de repente a gente recebe um e-mail dizendo: 'olha, não dá mais'... precisamos seguir, quando não tenho dinheiro para a matrícula na academia de ginástica... precisamos seguir.
A gente vai achando relacionamentos ruins como essenciais, a gente quer reconquistar de qualquer jeito porque no fundo achamos que a culpa foi nossa, a gente larga emprego, muda de ramo, desiste fácil de tudo que sonhou a vida inteira para que ele volte.
Quando percebi o beco sem saída, dei meia volta, ele não tem saída para frente, mas tem saída para trás. Adaptei-me exclusivamente a minha própria companhia, resolvi viajar por vinte dias, conheci lugares e pessoas geniais, controlei minha ansiedade de estar longe de casa e dos bichos.
Eu me sentia mais culta e mais vivida, eu estava falando mais alto que de costume, ele nem se importou, nem deu sinal de vida, nem se incomodou com as minhas fotos realmente felizes no instagram.
Sempre que alguma coisa ruim me acontece: corto o cabelo, é tão fácil mudar estilo, dar uma repaginada no visual, se achar linda e pronta para outra, essa parte de pronta para outra eu apertei no pause, vamos esperar um pouquinho, não sou tão forte quanto as minhas palavras acham que sou.
O tempo passou, um belo dia eu acordei me sentindo bonita, entendida que nascemos e morremos sós, depois de tantos natais, depois de conhecer novas maneiras de ser feliz, aprendi a me amar, passei a compreender meu mundo, minhas falhas, a importância das dores, aprendi a chorar e respeitar meu espaço, minha vida, meu eu.
Talvez eu diga o que já disse antes, talvez tenha vencido a ilusão, talvez o amor me aperfeiçoe, talvez o raio de sol que tanto eu aprecie entre pela fresta da janela, ilumine o que tiver que iluminar e basta isso para que eu possa diminuir a distância do discernimento que ninguém é feliz o tempo todo, que cada dia é um recomeço.

Inserida por Arcise

Chateada e Feliz, dois polos da mesma raiz

Eu não quero usar nada nem ninguém, eu não quero a busca insana por lipoaspiração, não quero encontrar culpados, não quero detestar minha autoimagem.
Não quero enlouquecer na dieta, não quero a obsessão da magreza, curto a disciplina, curto o ritual de malhação, curto o amor cafona e duradouro, curto ser ridiculamente boba.
Ainda não administro bem as rugas e o envelhecimento, sonho com a velhice tranquila, com o sucesso na escrita, sonho com menos consumo, sonho em refletir minha imagem com mais simplicidade, sem preocupação com estética, medidas, beleza, academia.
Importa-me os sentimentos, me importa a amizade, me importa o coletivo, me importa a fé, o bom senso, o cheiro das estações, o por do sol, me importa desacelerar, não me preocupar em aparências legais.
Às vezes sinto a sociedade doente, deixamos de querer ser naturais, gostamos de discutir assuntos, gostamos de apontar as mudanças para o mundo, gostamos de acalmar nossos egos, eu nem sei como o Amor consegue sobreviver em meio a tanto caos.
Chega de sinceridade perversa, chega de críticas, chega de trabalhos sem amor, chega de cabelos platinados, chega de corridinha ao cabelereiro na hora do almoço, chega de viver com nostalgia, chega de correr pro espelho, cansei de me preocupar com o belo, chega de ouvir opiniões de quem nada me acrescenta.
Amo meus amigos sinceros, amo pessoas de fácil perdão, amo quem me ajuda a rever condutas, amo cortar o cabelo, amo frases enriquecedoras, gosto de fugir de polêmicas.
Gosto de ingenuidades gratuitas, evito velhas rixas, não gosto de viver situações parecidas, passar por coisas que já passei, mesmos erros, mesmas expectativas, mesmos caminhos...
Gosto de sapatos e estradas novas, gosto de estar rodeada de pessoas especiais, gosto de observar, gosto de coisas que me acrescentem, gosto de namorar, gosto de olhar para dentro.
Sou cheia de descobertas, sei me aprovar, sei aquilo que me faz bem, sei meu valor, sei me manifestar contra a inveja, sou sensitiva, sei reconhecer uma inveja tipo “natural”, sei reconhecer desconfortos causados pelo meu sucesso, sei reconhecer discursos de inveja branca, sei ficar alerta contra as armadilhas.
Amo o sabor da conquista, curto acalentar fel alheio, sou vocacionada a resolver problemas que não são meus, mas que me afetam.
Sou juíza de mim mesma, acho que todos somos desiguais na aparência e no conhecimento, mas cada ser é único e a tua bagagem jamais será melhor ou pior que a minha.
Sou paciente, mentalizo ser paciente, tenho como mantra a paciência, a trajetória é longa e penosa, mas cada dia venho me aproximando dos meus objetivos, seis respeitar minhas diferenças, meu humor oscilante, meu plano de vida sempre foi e sempre será o equilíbrio.
Sou segura, estudo o outro, leio livros, acabo deixando passar o tempo, muito tempo, esqueço-me de comer e até de dormir, uma fuga a realidade alguns dizem, mas para mim é hobby misturado a diversão.
Sou de disputas, cedo ou tarde acabo enfrentando-as, acho que particularmente nasci para cutucar feridas, dar chacoalhões. Nada tenho contra quem cuida da própria vida, o problema é deles, mas ver os próximos dando passos em falsos, segundo minha teoria protetora não me deixa de mãos atadas.

Inserida por Arcise

Feliz Páscoa!

Soluçando feito sei lá o quê...
Eu sempre me emociono com a passagem de Jesus, um dia lindo e reflexivo, um dia de dor e o dia mais rico de emoções, o dia em que ele renasceu em cada um de nós e nos salvou.
Por alguns anos eu não compreendia o poder do abandono na frase “Meu Deus, Meu Deus! Porque me abandonaste”. A frase parecia incerta. Infelizmente, demorei a aprender a lição, a lição da maior dor de Cristo, a lição de se sentir humano na última categoria, a da dor, a lição de transformar dor física e espiritual em Amor.
Tolerância foi seu ponto forte. A paixão de Cristo sobrevive de sentidos profundos a nossa existência e o amor sobrevive da realidade de que Cristo é Deus. A Paixão de Cristo traz suas lições, traz o amor à vida, aos relacionamentos, a coerência entre o discurso e a realidade.
Somos nada, somos o ideal, somos uma lista interminável da vontade de Deus sobre nossas vidas, somos a felicidade imensa do poder do Criador, somos o conceito de perfeição, mesmo que não estejamos prontos para isso.
Deus no faz estabelecer nas relações humanas a experiência de amor eterno, do infinito, do desconforto da dor em sua duração, um sentimento de se sentir nas nuvens mesmo com os pés no chão.
E a vida ganha nova forma, novos tons, novos sons. Você começa a acreditar que tudo tem um significado e uma resposta bonita, você perde a mania de julgar, você não precisa de muita coisa para ser feliz.
Você precisa do Amor, da completude, dos bichos, da natureza, dos livros, de tudo que te liga ao infinito, sem esperar nada, sem se sentir derrotado. A vida é um Identificar-se com Ele.
A gente opta pelas coisas do bem, a gente aprende que orgulho e teimosia não leva a lugar nenhum, a gente não se deslumbra facilmente aos prazeres ou ilusórias crenças. E quando o poço seca não há desespero, o preço da vida é a morte, o preço da saúde é a doença, o preço da juventude é a velhice, momentos que ricos e pobres passarão. A vida é um eterno renascer. Que jesus renasça em nossos corações.
Feliz Páscoa!

Era gentil e bondoso com os outros

Ele era um lorde, tinha uma postura importante, era de alma temporária, não sabia muito o que queria da vida, o que o satisfazia, o que o deixava feliz, estava em busca para entender o eu.
Ele queria que eu fosse de outro jeito, queria que eu fosse o que não sou e nunca serei, queria que eu “morresse” para satisfazer seus desejos preciosos, ele queria que eu nunca me acostumasse com sua ausência.
Para ele era inconcebível a gente se separar sem eu me matar, literalmente falando... A fronteira entre mim e ele e a forma como víamos a vida era louca. Enquanto eu estava sempre presa ao passado ele estava sempre focado no futuro, nem ele, nem eu vivíamos realmente.
Matheus era universitário, estudioso e parecia ter paz no coração, ele também era um bom profissional, descomprometido às vezes, mas suficiente bom para dar ideias brilhantes que alavancavam as vendas da empresa. Era o queridinho, o melhor.
Eu o achava inseguro, ciumento, crítico, exigente, imaturo, egoísta e um solteiro solto, aquele que acha que pode namorar com liberdade e fazer o que quiser da própria vida, aquele que poderia me largar a qualquer hora do dia ou da noite ou sumir sem dar satisfações a ninguém.
Era cheio de amigos, uns insatisfeitos com a vida, outros descompromissados com o amor, outros que só pensavam em si, Matheus se encaixava nessa última categoria, dava trabalho pro meu coração vagabundo e traidor.
Alguma coisa me dizia que eu tinha que salvá-lo, que eu tinha que fazer parte do processo evolutivo dele, como assim? Era uma desculpa que meu coração insistia em dar para que eu entrasse fundo nessa história.
O risco era grande, duas pessoas juntas que perdiam o foco o tempo todo, duas pessoas que se agarravam em expectativas, muitos projetos inacabados, modos diferentes de agir.
Ele tinha uma vitalidade, uma criatividade, uma tolerância, mas não era com todo mundo, na verdade, era com todo mundo sim, menos comigo, ele me achava infantil, não cansava de dizer isso.
Ele ficava me pedindo evolução de pensamentos, de posturas, de emoção, ele me achava egoísta, justo eu que pensava mais nele que em mim, ele queria que eu pensasse como ele, mas nossos pensamentos não se cruzavam em lugar nenhum.
Para eu ser boa o suficiente eu precisava nascer de novo, eu vivia por conta disso em constante ansiedade, numa agitação interna, numa dúvida do ser, então resolvi mudar e entre ele e eu resolvi me aceitar só por hoje do jeito que eu sou e fui tão cruel quanto ele, não abri mão de ceder e preferi seguir em outra direção, depois percebi que já estávamos em outras direções havia algum tempo e que só faltava decidir novos caminhos.

Inserida por Arcise