Arcise Câmara
As pessoas não podem viver um dia de cada vez porque se tem pressa, eu me agrido quando machuco os outros, sofro por tudo de ruim que faço, mesmo assim tenho pressa e atropelo as coisas.
Atencioso e possessivo, a gratidão em pessoa, porém só sou o que sinto e por isso sinto muito. Acabou.
A duração do relacionamento não está relacionada ao apoio da família e dos amigos, aliás, certas coisas não estão relacionadas a ninguém, a eternidade da relação só depende de mim e de você.
Sabotamos nosso relacionamento de forma sutil ou explicita, não nos habituamos a enxergar o que fazemos de pior, mesmo quando a atmosfera está insalubre.
Talvez eles não sejam capazes de perceber o que você viu no seu namorado, ninguém acredita que você não escolheu o dinheiro, a beleza, você escolheu o Amor.
Tome distância do que lhe acontece, olhe com o olhar dos outros, na briga das reações anormais existe o caminho do equilíbrio.
Nos deixamos dominar pela raiva, mágoa e revolta
No momento em que estamos vivendo algumas situações me levam a reflexão:
Alguns que só consegue emprego com privilégios;
Um país que não pensa no todo;
As mudanças que precisam ser feitas;
As apostas em casos perdidos;
A militância em causa própria;
As diligências para uma reforma política;
A verdadeira liberdade do povo brasileiro com saúde, educação, infraestrutura, emprego e moradia;
Assumir a própria idade e liberta-se do “rouba, mas faz”;
Remediar a política brasileira;
Fazer por merecer tudo que se tem;
Teimosia não é independência.
Os tempos precisam mudar, não se promove medo, insegurança, preocupações e ansiedade, não se aceita as coisas como elas são, poderia ser perfeito, poderia dar orgulho, poderia ser simples e fraterno, lamento como as coisas andam acontecendo dos dois lados, na verdade é tudo um lado só, está na hora do povo assumir o poder, ser fiel ao seu país, contaminar a nossa vida com o bem, o respeito, a luta por dias melhores, amar o Brasil na prática, vamos nos manter com a fisionomia calma, vamos lutar por antigas ou novas ideologias sem desrespeito, vamos deixar na gaveta a sensibilidade, vamos sentir o coração bater com mais força.
Absorva informação, mas não acredite em tudo que se diz ou lê, transforme em praticidade o que você observa, fale menos, não seja cruel nem agrida ninguém com posicionamentos diferentes, ajeite tudo, eu e você também somos povo, somos Brasil, somos raça, somos credo, somos som, somos vida, eu e você podemos dirigir a nossa vida com mais amor, mais ética, mais cumplicidade ao próximo, eu e você poderíamos evitar bares e tabernas, salões e jogos e nos concentrar numa reforma política que fosse boa o suficiente para todo o povo brasileiro, independente de filosofia partidária.
Uma expressão de já chega está estampada nas pessoas que vestem vermelho e verde amarelo, que vestem preto ou branco, azul ou rosa. Recuse-se a tomar partido, tome partido pelo seu país, observe que o dinheiro é nosso, a riqueza é nossa, o país é nosso. Olhe igual os desiguais e não desanime nós vamos mudar, vamos crescer e vamos nos orgulhar de um país LIMPO.
Eu estava ali, de certa forma, representando um papel
Senti minha mente se abrindo a novas ideias e possibilidades, estava gostando da ideia de mudar de ideia, tornei-me inseparável de alguns livros, de algumas lições aprendidas, estava ressentida, ok, mas era algo tão interno, tão escondido que ninguém precisava saber.
Coisa boa é ser você. Pois é! Estava tão difícil ser eu ultimamente, vivia encafifada, cheia de grilos, perguntava-me se era amor ou carência por beijinhos, perguntava se realmente ele satisfazia meus rigorosos padrões. Diacho! Porque amar é tão complicado.
Lamento a indelicadeza quando fui rude com ele, eu não gostaria de retribuir favores, nem um jantarzinho a dois para conversar sobre um passado tão remoto para mim, eu estava me sentindo maravilhosa, om mais de trinta amigos, estava amando com a naturalidade jamais alcançada, eu realmente tinha botado o passado em seu lugar, eu não sabia o que tinha dado em mim, meu amor por mim mesma era superior a tantos sofrimentos amorosos do passado.
Sei que precisava viver isso, amadurecer, sentir que estava perdendo pessoas importantes, me sentir louca por não lutar pelo amor errado, pela insensatez, jamais admiti, mas tinha e tenho medo de ficar sozinha, os pares parecem mais felizes.
Não havia uma ameaça evidente em meu coração, ultimamente ele estava batendo mais forte por homens errados, num destino óbvio de sofrimento...
À pressão da opinião pública para que eu construísse um lar de verdade era sem tamanho, as circunstâncias me incentivavam a reagir ou reclamar, eu não tinha essa eterna preocupação com o futuro, mas tinha medo de deixar escapar.
Eu tenho o péssimo costume de comer comidas diferentes, amo experimentar, amo a realidade da culinária local, amo o jeito novo de cada prato delicioso, eu evidenciava alguém que não evidenciava a si mesmo, eu saía de casa com um certo pressentimento e não dava em outra coisa a não ser tristeza.
Agora sou bastante seletiva na hora de escolher um par, não fiquei amargurada como dizem, mas certos perfis não combinam comigo nem para um beijo de selinho, não sei gostar de quem não gosta de si, não tenho um projeto sem base alguma, estou apenas mais preocupada com minha própria felicidade do que atender expectativas esquisitas.
Por vezes fiz vistas grossas a relacionamentos politicamente incorretos, por outras tantas interpretei os sinais de decepção com serenidade, eu sei que muita gente me fala que vou me arrepender se não for mãe, eu sei que muita gente me avisa que eu preciso de alguém para cuidar de mim, mas eu sei também que não posso colocar um bebê inocente no mundo sem ter certeza plena.
Insinuações tortas são apenas exageros de quem ver a vida de outro jeito, ameaça de infelicidade são apenas sua ótica sonolenta de “talvez isso dê certo para você”.
Ainda consigo ver a bondade e felicidade em seus olhos de quem não amamentou, ainda consigo entender que ter compromissos não faz a vida completa, ainda aprendi que algumas coisas são prêmios outras são zebras caídas de paraquedas.
Enquanto isso eu resolvo o que fazer com a minha vida, enquanto isso eu finjo que esse discurso único não me atinge, enquanto isso me sinto impotente com a idade chegando, enquanto isso eu preciso me sentir valorizada em outros aspectos.
Talvez a única explicação lógica permitida seria eu entender que o tempo não chegou, que não adianta eu me arrumar para algo que talvez nem aconteça, que nenhuma cartada de mestre traz resultados iguais para todos e que há outros meios de ser feliz.
Eu vou te dar um cansaço
Do amargo gosto do presente eu sou a causa, o efeito, os erros, os acertos, a infelicidade roubando a minha vida, eu sou a pouca demonstração de intimidade, os segundos infinitos, as ideias que perturbam...
Como se fosse um deles, eu sou a pessoa que perde o embalo, que odeio cenas e amo formalidades, sou desrespeitosa e descontrolada, sou ansiosa e nervosa, sou o que deveria ser, calma, quieta, centrada, sou do tipo que morro pela boca, pelas palavras.
Comporto-me de forma inquieta, às vezes acredito em mim, outras não, tem dias que obedeço, outros, peço desculpa, tem noites que faço baderna, outras fico em cima da cama fazendo nada. Mas eu odeio me sentir pressionada. Ah isso eu odeio.
Desdenha-se de mim só uma vez, meu potencial é excluir da minha vida, é enquadrar a pessoa na minha pirâmide do desprezo. Uma ova que vou dá chance para ser magoada outra vez.
Nunca sinto certo remorso, meu vocabulário é cheio de palavrões, reconheço meus erros, peço perdão quando convém, lamento por coisas que eu disse ou deixei de dizer, por vezes quis falar da minha doença, do meu pânico, do meu dia lindo que acaba em desespero.
Sei ignorar as regras básicas, sei investir nos meus talentos, sei publicar a mesma notícia com pontos e vírgulas, sei ser imediata e satisfeita, sei ser alguém sem novidades, sem respostas, sem coração.
Tudo que fizemos com o outro estamos fazendo conosco, isso não é tão fácil de aceitar, espalho a desordem, nem tudo desperta meu interesse, mesmo duvidando ainda tenho fé no ser humano, no coração que bate mais forte por uma boa causa.
É fundamental fazer pessoas felizes incontáveis vezes, é importante ter uma ideia melhor, fingir que se enganou, ser mais competente, sem desconfiar de nada, pegar a sobra para si.
Se eu reclamo é porque me sinto incomodada, se fico chata é porque já estou exausta, se estou morna é porque cansei do abuso. Odeio liberdade que ofende, ansiedade que fazem os segundos virarem dias, sustos inevitáveis.
Eu me sentia muito amada, mas não desejada, eu me sentia desleixada e era um desleixo de dentro para fora, eu queria ser amada do tamanho do universo, essa era a minha carência, a bomba sempre estourava na mão de quem quisesse me dar amor.
Que coisa horrorosa, eu passei a conter despesas, passei a ser o topo das regras, passei a ferir os corações que tentavam me dar apoio, passei, como de costume a desacreditar em mim.
Não me sinto bem, necessito de folgas e férias merecidas, mereço assiduidades em praias e corpo fechado para o cansaço. Agora ri de mim mesma, acredito em muitas coisas, menos nessa de corpo fechado, mas também não duvido de muita coisa.
Julgamentos de hoje não são válidos amanhã, a gente tenta entender essa vida maluca, embora ainda compenetrada a muitas heranças mal ditas e coisas estranhas vindas de gerações.
Se não pode ser esperado é porque não é para ser, eu sempre achei esse negócio de sexto sentido uma verdade absoluta, sempre fui feliz acreditando nessa intuição, sempre sonhei coisas malucas que me deixaram com medo ou pé no chão, sempre me comuniquei com telepatia com quem amei. Mesmo me sentindo ridícula, essas teorias fazem parte da minha vida.
Sou um diferencial
Fiquei feliz com o convite, madrinha de casamento de ex-amor não é para qualquer uma, eu tenho outros segredos além desse, sou movida a paixões arrebatadoras seguida de amizades malucas das quais ninguém entende.
Jamais quis sabotar a felicidade de nenhum ex-amor, eu sei muito sobre mim e uma das coisas que sei é que se acaba é porque chegou ao fim, se acabou por capricho é porque chegou ao fim, por imaturidade, chegou ao fim, por ciúmes, chegou ao fim.
Muita gente fica curiosa, e uma loucura desejar o bem a quem fez seu coração de alguma forma sofrer, eu não consigo lembrar do primeiro beijo, nem dos estragos da relação, não consigo me lembrar de que alguém precisou ser solidário comigo para eu não morrer sufocada no próprio choro.
Acredito em alma gêmea, muitas mulheres quando se casam deixam de lado outros interesses, eu não acho isso saudável, pois bem, o que aconteceu entre mim e meus ex-amores foi lindo, mas sempre tive medo de me envolver.
Dei um aviso, dois, três, falei dos meus descontentamentos, nunca quis o papel de mulher indefesa, nada que passasse perto disso, nunca imaginei ser tão amiga de quem convivi intimamente, uma feliz coincidência porque aberração para mim é ter ódio de alguém que um dia você amou.
Eu credito em coincidências, convenhamos tem coisas que sem esforço nenhum acontecem, faz nosso coração vibrar, são muitas evidências dessas coincidências na minha vida, a vida zomba dos nossos sonhos, dos nossos desejos.
Não preciso explicar o óbvio, nota a ironia, a loucura, vejo coisas onde não existe, mas mulher tem que ser independente, estudar, ter vida profissional, ser louca de paixão por alguma coisa que não seja família.
Ser propriedade de sua própria vida, amar uma boa conversa e muita música, amar o que é verdadeiro e deixar ir o que por um tempo foi eterno, não dá para misturar os sentimentos.
Hoje tenho tempo de sobra para tudo ou nada, seria muito atraente resolver os mal-entendidos dos nossos últimos encontros, rezar, sem ter realmente necessidade de pedir algo.
A vida não é justa, nunca foi, vivia sob empurrões até que um homem bem-sucedido me pediu em casamento e esse sentimento se sustentou sem a ressaca do fim, sem o disparate de duvidar que não seria possível.
O olhar vazio deu lugar a sorrisos largos, um homem humilde como eu sempre sonhei, eu vivia rindo que nem uma boba, achando-me paranoica por ter um homem inteligente, feliz, boa praça ao meu lado.
Estou me sentindo péssima em não me achar digna desse amor, a gente não deve questionar os desígnios de Deus, pelo menos sob esse aspecto estou muito feliz, tenho um marido interessado em me fazer feliz, não me leve a mal, mas eu amo o fazer feliz também.
Sou filha única temporã em tão você já sabe que todas as expectativas foram holofoteadas em cima de mim, não por mero acaso, afinal a causa era justa, minha mãe já tinha desistido da maternidade tardia, seu coração estava encharcado de desesperança.
Ninguém aprovava muito nossa intimidade, era estranho alguém se dar tão bem com um ex-amor, mesmo que eu arriscasse dizer que não sobrou mágoas entre nós, ninguém se convencia. As pessoas me diziam que em qualquer casamento só há espaço para duas pessoas. Ok. Entendi. Mas sou amiga e não concorrente.
Não vejo alegria no seu olhar
É difícil interpretar o outro, é difícil entender um pseudo-religioso, é difícil fingir ser séria e incontestável, a verdade antes vem à tona, nenhuma palhaçada é eterna, eu nunca me dei ao trabalho de questionar se as pessoas são felizes de verdade.
Ela está sempre crivada de hematomas, não esquenta com nada, seus pontos e vírgulas estão no mesmo lugar, sente-se orgulhosa demais para a família que construiu.
Deixou aos poucos de ser jovial, tornou-se passível de investidas desumanas, socos, pontapés, chutes na barriga, nunca decidiu se libertar, evitava participar de confraternizações com os olhos roxos, estava sempre com o sorriso maravilha de sempre.
Todo mundo comentava que homens traem, que homens desrespeitam, que homens mandam ver, mandam brasa, cresceu com a percepção distorcida de igualdade e justiça.
Durante as férias eu quis distância dessa amizade, sofria com suas mentiras, suas desculpas, seu jeito de honrar a família, dói em mim ver a vida passando para ela, dói a ver passando e você representando o papel de mulher perfeita, de sabedora da moral e dos bons costumes.
Me explica essa história direito que eu não estou entendendo, o que faz um “felizes para sempre” desse jeito, para mim felicidade é igual passagem de ano novo, um ritual igual para todo mundo, mesmo com expectativas diferentes, sentimentos bons ou ruins, sensação de reflexão ou não, parte da rotina ou incutida pela sociedade cheia de regras.
Sei lá, não consigo conviver com sujeitos de lua, ou de gente que acha que não foi amada suficiente quando criança, ou ainda que precisa superar a ingerência de alguém, ou homens que acham que podem fazer tudo, inclusive bater e as esposas tem que aceitar.
Amor ambíguo, todo mundo feliz, pretextos para cada perdão, enquanto você é tratava com pétalas de rosa após um surra horrorosa. Calma! Calminha! Faz parte de sua natureza se arrepender e fazer de novo, se arrepender e mais uma vez, se arrepender e ouvir caladinho um sermão de que aqui não é casa da mãe joana e que as coisas serão diferentes de hoje em diante... Até a próxima porrada.
Desculpa se fui indelicada, todo dia eu me perguntava cadê a coragem de dizer as minhas verdades, cadê a minha humildade em aceitar o que de fato ela aceita para si mesma, cadê o meu inconsistente que não me deixa deixar pra lá.
Às vezes a sinto pela metade, por vezes descarregou suas necessidades em mim, jogava a sujeira no ventilador quando estava saturada, mas depois contava outras versões e jurava de pé junto que jamais falou algo do tipo e é capaz de me chamar de louca.
Por motivos que eu desconheço ela vive essa vida e garanto que ela não é infeliz o tempo todo, mesmo desse jeito amador, mesmo sendo grossa comigo, mesmo me mandando eu não me meter eu matava no peito e engolia o sapo.
Ela era uma mulher forte e não se deixava vencer, era uma decisão para peixe grande colocar a família em primeiro lugar, sem rifar ninguém ou rifando a si mesma. O sangue ferve para defender o amado, cheiro forte digno de amor me invadiu, sendo freada o tempo todo é assim o que ela sente por felicidade.
Já me poupei de crises de nervos, as coisas não são oito ou oitenta, podemos muito bem separar as coisas, sem nos enfezar ao extremo, sem gesticular bastante, sem jogar um jogo de vida ou morte em que a pancada possa ser irreversível, sem achar que nunca vai morrer, sem acreditar que aos poucos ele se cansa de bater e principalmente sem fingir um sorriso que não convence ninguém, nem a si mesma.
Feliz Dia das Mães!
Toda mãe queria ter umas horinhas a mais do dia para dar conta do recado. Eu sempre acreditei nisso. Mãe se doa, se doa e se doa, esquece-se do tempo, mãe coloca acelga e espinafre no prato do filho como se ela não gostasse de um belo e grande hambúrguer.
Mãe é histérica e bipolar, pragueja com os olhos quando o filho é mordido pelo coleguinha da mesma idade, mascara a cebola na comida para que ninguém sinta, mãe esquece-se de comer.
Mãe não são negociáveis. Que história é essa! Faça o que eu digo e pronto sempre ouvi e ouvia mais, é pro teu bem menina. Ser Mãe é ter momentos simples cheios de entusiasmos, mas também um mecanismo de autossabotagem, o filho é desculpa para preguiça em se arrumar, cortar o cabelo, usar salto.
Ser Mãe é fazer uma lista de todos os seus desejos e nele não incluir nenhum para si, a lista carrega coisas boas materiais e espirituais para os filhos. A mãe sempre antecipa o que vai acontecer. E não é praga, é sabedoria materna.
Mãe que fica com a cabeça em outro lugar por poucos minutos se arrepende pro resto da vida, crianças surpreendem, adultos também, a desgraça é sempre certa quando há muito silêncio com filhos pequenos.
A resposta frequente para todos os convites para uma mãe é o: Se der eu vou! Mãe não se cansa de externar com carinho o quanto gosta da cria, mãe jamais se cansa, mãe não tem a chance de cansar sem remorsos.
Mãe vira capacho dos filhos sem se dar conta, mãe não desiste do apego mesmo que eles estejam grandes, casados e com filhos, mãe é um corta-tesão mais eficaz no mundo.
Situações colocam à prova a força de uma mãe, mãe não precisa está em forma, mãe se comunicam por sinais, olhares, reconhecem-se. Mãe são todas as dádivas do universo personificadas em uma única pessoa.
Mãe nunca diz: Se você for embora, não precisa voltar nunca mais, mãe sempre diz: a casa será sempre sua, a porta tá sempre aberta, se não estiver feliz, mamãe tá aqui. Mãe tem sentimentos similares a que temos em velório quando os filhos se casam com alguém não muito compatível com o que elas sonham.
Mães pregam o amor e não a intolerância, mãe odeia filhos mentirosos, frouxos, debiloides, ignorantes, pés-rapados, mas às vezes contribui mimando-os demais e sendo responsáveis por suas responsabilidades.
Mães não ficam enferrujadas, mães berram, atacam, mandam, mas são bondosas,
Mães não estão muito a fim de comemorar seus aniversários, mas guardam cada centavo para os temas dos filhos. Mãe não fica chateada por mais de dois minutos, mãe se dá bem perto ou longe, mãe controla os impulsos para não bater, mães sempre acham que tem sérios problemas para resolver quando na verdade é uma besteirinha.
A vida não acontece do jeito que a gente quer, mas ser mãe é DIVINO.
Mesmo exausta eu não conseguia pegar no sono
Eu não consegui dormir revivendo o que eu disse e não deveria ter dito, a situação pouco agradável, eu tinha sofrido emoções fortes demais nas últimas duas semanas, tinha me apaixonado perdidamente por um cliente, tinha terminado um relacionamento de cinco meses, tinha um orgulho cravado no peito, tinha uma religião arraigada desde criança, tudo parecia tão desigual, tão diferente.
Eu estava me sentindo bonita, mas não confiante, eu estava na verdade seguindo um rastro na rotina, os meus olhos arregalaram-se diante dos meus conflitos internos e a minha cabeça não parava de funcionar enquanto ela deveria estar descansando.
Cheia de ideias até o pescoço, nenhuma prova concreta que eu conseguiria dormir pelos próximos dias, eu tinha o desejo de contar a minha paixão a primeira vista, sim eu desistira de alguém para amar outro alguém, apesar de cinco meses juntos tivemos a intensidade de poucos relacionamentos e éramos considerados modelo de casal para todos, apesar dele ser retraído e quieto demais para o meu gosto.
Boa oportunidade para unir o útil ao agradável, não queria demorar em relações que me geravam dúvidas, ri muitas vezes dessa minha pressa em dar certo, provoquei o destino que sempre foi danado comigo, fiquei curiosa em saber o que eu tinha visto nele e ele em mim já que minha autoestima não era grandes coisas.
Voltei cheia de ideia mirabolantes, estava ficando a cada dia mais apaixonada e pensando em união, coisa que nunca pensei de fato direitinho, essas coisas não passavam tanto pela minha cabeça, talvez a sabedoria, talvez a força de um divórcio, talvez o colo amigo que nunca veio quando me senti só, traída e sem expectativa.
Meu coração não tinha necessidade de um amor tão rápido, meu corpo queria apenas dormir, eu estava arrependida por algo que não voltaria atrás, você realmente diz algo que não queria e se arrepende na mesma hora, mas e o enquanto será que acabou por causa disso.
Não sei em que acreditar e em que duvidar, aprendi que não dá para se envolver e ficar aglutinando pensamentos por várias madrugadas, sei que isso não é bom, tinha que ter um meio termo, a minha teoria e prática em dormir, dormir muito, minha cabeça não poderia se transformar numa máquina registradora.
Esse relacionamento todo arrumadinho não me convence, não é que eu curta uma briga, não é que eu desafie teorias, não é que eu me sinta perdida, é que relações sem divergências é escravidão para um dos lados.
Nem sempre conseguimos o objetivo, às vezes sinto vergonha de ter sido trocada pelo marido, outras, fico a contragosto de ser flagranteada trocando de namorado, mas ele é tudo que eu queria para mim.
Nem sempre a nossa cabeça trabalha em vão, eu era do tipo de pessoa que desistia por muito menos, francamente eu ainda não recuperei a autoconfiança, não é que me sinta incompetente, nem tenho provado o gosto amargo de tomar foras ou me achar desinteressante, não é que eu esteja agindo ou reagindo de forma exagerada, ou que estivesse deprimida ou infeliz, eu estava apenas agitada demais, em duzentos e vinte volts como dizem.
Eu faço parte de um núcleo que sente e vive o amor sem julgamentos, eu descubro a cada dia que tudo vale a pena, eu não finjo ser o que não sou, não perco o controle psicológico da relação, eu não sou muita coisa, mas não me acuso de coitadinha.
Coloquei meus questionamentos contra a parede, fui digna em assumir o que me tirava o sono, contei os dias para me restabelecer e descansar a mente como me convém, dei sumiço aos problemas, desapareci de mim mesma, evitei pensar... Busquei alegria e a serenidade em entender que nada volta atrás, nenhuma palavra dita ou maldita, nenhuma atitude construída ou impulsionada, nenhum contato íntimo ou superficial. Adivinhem, após entender esse universo de tempo, espaço, pensamento e atitudes a única alternativa era apagar a luz e relaxar.
Feliz Dia do Trabalhador!
Feliz Dia de levar comida na marmita.
Feliz Dia de colocar a paixão em cena.
Feliz Dia de falar besteira com os colegas de trabalho.
Feliz Dia de ser generosa com as palavras e com a escrita.
Feliz Dia da vontade de desaparecer na segunda-feira.
Feliz Dia do "cansei".
Feliz Dia do "tá tudo errado".
Feliz Dia do apesar dos pesares, estou empregada.
Feliz Dia da selvageria por um cargo de destaque.
Feliz Dia do agir certo.
Feliz Dia de sair da zona de conforto.
Feliz Dia de família reunida em torno da mesa, já que é feriado.
Feliz Dia do não dei importância pela injustiça.
Feliz Dia de evitar brigas e explosões.
Feliz Dia das armadilhas.
Feliz Dia do chefe desmancha-prazeres.
Feliz Dia do não me importo, se importando.
Feliz Dia da crueldade da demissão que não foi a sua.
Feliz Dia de não julgar ser maior do que ninguém.
Feliz Dia do Trabalhador é um bicho gozado.
Feliz Dia das justificativas prontas e palpáveis.
Feliz Dia de fazer parte do mundo corporativo.
Feliz Dia do sou muita areia para seu caminhãozinho (assédio existe, sim).
Feliz Dia do não assisto Big Brother, nem a Fazenda, muito menos novela.
Feliz Dia do eu já tinha ouvido falar isso na Copa.
Feliz Dia da privação do sono, da inteligência emocional, da autoestima e da assertividade.
Feliz teu dia! Feliz meu dia que já passo por isso há 25 anos.
Não me peça presentes
Acontece comigo direto, pessoas das quais não tenho nenhuma intimidade, pessoas que eu não gastaria nem um real com elas, pessoas que são apenas conhecidas, colegas de trabalho, pessoas que eu apenas trato bem por educação, mas sem qualquer afinidade me pedem presentes e acredite, pessoas que nunca me presentearam, telefonaram, ou fizeram qualquer gestos de carinho.
- Gosto tantos dos seus colares, meu aniversário está chegando.
- Poxa, soube que você viajou e nem trouxestes um presente para mim.
- Quando é que vais me trazer um presente.
Atualmente substitui o sorriso amarelo e a cara de paisagem pelo “Estou em crise rsrs”.
Mente em confusão ou agitação
Tenho andado nervosa, insatisfeita, não durmo direito, estou explodindo a cada cinco minutos, logo eu que sempre acreditei que felicidade significa paz de espírito, bem-estar.
Ando preocupada com meu casamento, tenho sete anos de casada, passamos por inúmeras crises, talvez essa fosse mais uma, mas minha intuição diz que tudo está próximo do fim.
Meu marido é muito assediado, no entanto, ele não corresponde e isso sempre foi motivo de alegria para mim, porém eu dou muita liberdade para ele e nesses tempos eu me sinto insegura se ele realmente sabe usar a liberdade que tem em mãos.
Não espero traição, mas também o nosso relacionamento não está mais em estado de serenidade, perceber que as outras se atraem por nosso amor e que não há nenhum respeito pela aliança que ele usa desorganiza minha autoestima confiante.
Eu me sinto responsável quando as outras se comportam mal é como se eu precisasse me impor, apesar de não pensar desse jeito, quem precisa de um freio imaginário e real é que está sendo assediado.
Desde jovem gosto de conversar com pessoas simples, esse é meu mundo particular, meu desejo crescente em ajudar, cultivando a intimidade a aprendendo o valor das coisas não pagas.
Eu tento tratar qualquer pessoa que eu conheço como um velho amigo, sou de agradar, fazer aos outros aquilo que gostaria que fizessem a mim, uma íntima decisão em cultivar amor igual.
Atualmente não há apoio na minha relação ao invés ele me desestimula, sei que sinto amor, apego, medo, mas continuo interessada que o amor persiste, quero transformar essa insegurança em mais amor.
Não quero vincular meu marido a maridos que traem, eu apenas quero compartilhar do mesmo pensamento que nos uniu em casamento: A família sempre em primeiro lugar.
Não gosto de exageros ou bajulações, não curto aventuras extraconjugais de quem não se importa com os sentimento dos outros, insisto em mudar pelo bem da família, insisto em tornar séria a nossa relação, com as expectativas da reciprocidade.
Muitas pessoas trabalham duro, sozinhas por um casamento feliz, por uma vida mais confortável, por se sentir grata, pelas afinidades, e assim, continua mantendo outros interesses além do casamento, não abandonam amigos, lazeres, hobbies, eu sou assim, uma dessas pessoas que para se sentir feliz precisa não só de uma pessoa, mas de um conjunto de coisas que me dão prazer.
É durante as fases de maior adversidade que surgem as oportunidades de fazer o bem aos outros, não tenho respostas profundas, não devemos pensar só em nós, não quero distorcer tudo que já disse aí em cima, mas ficar pensando no "se" não me tira do lugar, e se meu marido me trair, e se minha liberdade o fizer ter outra, e se ele deixar de gostar de mim...
Quero vencer as distorções e aflições, quero curar minhas neuroses de amor, quero ter atitudes que corrijam erros, quero crescer no amor não escravizado, curto o amor independente.
Talvez eu tenha um espírito ignorante e indisciplinado, um cultivo a alegria, uma visão de amar que supere todos os obstáculos, a arte de escutar, talvez eu possa entender que eu não tenho nada a temer e que minha maior riqueza é amar, cabe o outro valorizar ou não.
Ora vejam só!
Deixa eu me organizar, organizar os pensamentos, organizar o coração, espantar a dor, é difícil viver sem seu pai sorridente, é difícil viver sem um pai que teve colhões para ser firme e enfrentar a educação com maestria.
O tempo passa e as pessoas esquecem, mas eu jamais esquecerei de ti, jamais esquecerei das joias que me dava todo dia com as suas conversas fiadas, com os ensinamentos de que eu deveria ceder, você me dizia que eu pisava no calo de muita gente com meu jeito espontâneo e que eu tinha muito charme e carisma.
Quantas discussões salutares tivemos sobre grupo evangélico que protestam contra pesquisas de células tronco, sobre o meu jeito de andar tão parecido com o da minha mãe, que a gente não trabalha só por questões financeiras, que a família não se resume a filhos, que a aparência não é o mais importante, mas que eu deveria emagrecer para ter mais saúde.
Choro sem parar e não me conformo. Por que tudo que é bom dura tão pouco, por que minha vida comum se transformou num inferno, por que é importante se fingir de forte quando as coisas começam a piorar. Não sei manter as aparências, não consigo ser generosa quando estou com a dor a ponto de explodir, perdi a confiança no caminho, não queria enfrentar o que estava por vir.
Não me senti bem pelo resto do dia, não me senti bem por semanas, meses, anos, não há alternativas lógicas para curar a dor da perda, é preciso enfrentar esse momento com coragem, abreviar a história que poderia ser mais longa, entender o meu lugar nesse mundo sem perder a fé, sem ofender ou pisotear em solo sagrado.
Tem mil coisas que eu deveria ter feito e não fiz, mil palavras que poderia ter sido ditas e não foram, mil abraços apertados e beijos contados. Pai afasta de mim esse cálice era a frase que eu repetia mentalmente todas às vezes que eu estive no fundo do poço.
Depois da perda nada ficou sob controle. Opa, foi mal, desculpa ser tão fraca aos seus olhos, não sou de me gabar por nada mas teria ganho o Oscar de sofredora do século, uma experiência de vazio sem sucesso de preenchimento. O meu coração se despedaçou em infinitas partículas invisíveis
Perder alguém que se ama é como sempre olhar para o passado, para as lembranças, ao longo desses anos eu não me acostumei, você era tão firme, enfrentava com forças qualquer situação, eu repasso aquela noite na minha cabeça todo santo dia, perdi a mania de ser feliz sem a sua companhia.
Por vezes preferia não contrariá-lo porque a sua cabeça era tão dura quanto a minha, eu nunca estive preparada e sempre estive paranoica com a possibilidade de te perder, eu já tinha sido alertada da possibilidade, mas a gente acredita até o fim, acredita em cura, em milagres, em força de vontade, em medicina alternativa e em Deus.
Ele sempre foi desprovido de preconceitos, conheci suas verdades, seus fracassos, suas decisões e aguentei as consequências de algumas delas, era um artista na arte de falar, não era tão paciente, mas tinha sutilezas.
Não dou nenhum passo em falso sem acompanhamento de uns calmantes, estou correndo riscos de adoecer, minhas feridas estão abertas e longe de serem cicatrizadas. Deixa estar, tudo vai passar, menos essa saudade infinita.
Fui direto para o quarto dormir, tentar dormir, fazer um ensaio geral do sono profundo, aquele que você deseja dormir para não acordar nunca mais, ou melhor ainda, aquele que você pretende acordar acreditando que tudo aquilo era apenas um pesadelo.
Ninguém suporta o menor sofrimento provocado pelos outros, somos por vezes intolerantes e grosseiros, usamos o nosso sorrisinho de praxe para os pontos fracos dos outros e nem sempre exaltamos suas qualidades, às vezes no máximo sorrindo de orelha a orelha. Tento me recompor, despistar a dor de alguém é relativamente fácil, mas quando a dor é nossa, quando a separação é nossa, fica tudo incompatível.
Prefiro sempre estar na companhia de alguém, tenho todo o tempo do mundo a perder, desisti de projetos dos quais ele não se orgulharia, fazia movimentos bruscos na cama a fim de afastar o pesadelo. Já não me importava com absolutamente nada, porém todo mundo me dizia: isso-vai-passar.
Nenhum deles é melhor que o outro
Tenho quatro animais de estimação, uns são carentes demais, outros precisam de atenção, um se sente sozinho no mundo, outro é tão fofo que você ama de primeira. Abri meu coração para os pets, chorei sua dor, desabafei em sua causa, fiz o bem a mim mesma e a eles (mais a mim).
Eu não fico atrelando sentimentos aos atos mais banais de dois gatos e dois cachorros, meu amor é forte, calmo, maduro, talvez o amor não devesse ser assim tão protetor, tão incondicional, talvez você esteja coberto de razão quando se tem animais a gente fica mais equilibrada, vê tudo com naturalidade, perde o limite das forças.
É impossível entender as mulheres que amam bichos, eles vêm em primeiro lugar, a gente fica de cara boa só por eles existirem, mesmo eu que já fiz de tudo nessa vida, eles não nos roubam a feminilidade, não faz nosso coração doer, não devasta nossa vida e nem se preocupam com a cor das suas unhas.
Eu quero um homem que os trate bem, os respeitem, um homem que não fica com fisionomia tensa toda vez que um deles chega perto, não me venha olhar meu bichos com ar de superioridade que tanto me irrita, não me venha com julgamentos que preciso de pets porque sou solteira e sem família.
Nada de cochichar que minha casa tem muitos pelos, nada de olhar a casa com aquele olhar inquisidor de poderia ser mais clean, não volto atrás, quando se ama de verdade não se volta atrás.
Meu bichos não são robotizado ou estereotipados, são agradáveis em quaisquer circunstâncias, quando saio de casa sempre me deparo com a falta de noticias que acaba sendo um sinal de que nada grave aconteceu e que eles estão bem.
Deslembro da era antes de bichos, não sinto culpa em tê-los adotados por mais que alguns pretendentes queiram que eu escolha entre eles e os bichinhos, nada era tão bom sem eles, também não tenho arrependimento algum, aliás no topo da minha lista de exigências está um homem que ama e respeita os animais.
Que várias pessoas me ouçam, eu odeio aquele carinha de “odeio gatos, amo cachorros”, odeio aquelas atitudes que a pessoa já vai pedindo perdão porque detesta animais, odeio ouvir as entrelinhas de que meus bichos não são meus filhos, que os dou mais atenção que eles merecem.
Coitada! Nunca está satisfeita, adotou um, depois o segundo, levou o terceiro para casa e agora com quatro, é o que dizem alguns, outros dizendo que curo minhas amarguras com bichos. Eu me sinto tão bem resolvida para ouvir esses discursos que associam amar pets com carência. Discordo, mas fazer o quê, cada um pensa como quer, eu que não vou gastar meu precioso tempo explicando sentimentos. Aliás como disse aí em cima sou uma moça muito equilibrada.
Tenho mil reclamações e queixas de como é complicado viver com pets, são xixis e cocôs fora do lugar, são passeios diários matutinos e vespertinos quando às vezes estamos sem um pingo de vontade, brigas entre eles, mas nunca reavaliei minhas escolhas porque o amor que sinto por ele faz com que eu supere suas imperfeições e eu supero a minha preguiça em amá-los de vez em quando.
Sou mãe de bichos nos moldes tradicionais, eles não tem roupinhas no calor infernal de minha cidade seria um sacrilégio, eles não usam frufrus, a criação é na base da ração, carinho, amor, caixa de areia e higienização, hora do banho é hora de careta, eu fico até descrente, pois um dos meus gatinhos ama banho.
Com eles os dias não são todos iguais, preciso sair correndo para comprar a ração que acabou, preciso ensiná-los a ficar de boca fechada para não incomodar os vizinhos, sei adivinhar pensamentos do que eles querem e necessitam, astral murcho com eles não existe mais. Tudo preenche, tudo se resolve.
O saguão do prédio fica cheio de crianças apinhadas para acariciá-los, perco preciosos minutos conversando com estranhos que elogiam meus dois cachorros sem raça definida, não há um único dia que eu não pense ou me preocupe com eles, para mim eles estão sempre bonitos, são sempre simpáticos e cada dia isso me atrai.
Os bichinhos nos ajudam a enfrentar sofrimentos e tentar manter nossa vida de pé, são bem-apessoados em serem ombros amigos, cabe a eles sentir que não estamos bem quando ninguém notou, cabe a eles me acordar com miados e latidos quando a preguiça nos dominou. Todos têm lugares únicos em meu coração e não há preferência.
Sentimento incompatível
No início senti culpa, culpa por me sentir responsável, culpa por não fazer dar certo, eu me sentia inteiramente arrependida de não tentar só mais essa vez, eu assumia a responsabilidade pela incompatibilidade.
O sentimento cavoucou, estava cada dia menos apaixonada, nosso namoro aos olhos dos outros era uma superembalagem, mas para nós, um vazio interno. Reconheço suas qualidades, reconheço sua generosidade sem limites, mas não consigo ter um namoro convencional que não me causa alegria, excitação, paixão...
Vejo o casamento como uma profissão, algo que te faz feliz, motivada para estar presente todos os dias, para acordar sorrindo e bem disposta, para lutar com garras, atravessar uma parede, conquistar o amado a cada dia, ter saudade a cada hora e pra quê eu ia continuar esse namoro sem graça.
Eu adorava lembrar os momentos de felicidade, porém eu pressentia o perigo, eu sabia que tudo havia passado, que não estávamos muito próximos como antes, faltava de capacidade de percepção e estávamos interpretando de forma errada a realidade.
Superei o sentimento de culpa, apeguei-me a fé, talvez me arrependa amargamente por conta de sua generosidade, conduta ética, tolerância, alegria, concentração e sabedoria, mas no momento esses adjetivos só serviam para os outros, comigo eram quatro pedras na mão.
Deixar as coisas como estavam não é um assunto que não me pertence, viver na mentira, com a tendência para discórdia, com palavras cruéis em uso, com discursos incoerentes dentro e fora de casa não funciona comigo.
Eu não cobiçava seu prestígio, não tinha más intenções, não fazia juízos equivocados, mas era assim que ele me via e foi por isso que meu coração desistiu de tudo.
Qualquer coisa que eu dissesse ele se contradizia, senti que chegava a hora de o abandonar, senti que tinha que ser mulher para sair fora e evitar passar as noites em sua companhia em silêncio.
Minha aparência ficou diferente do mundo, não escolhi um namoro fracassado, ele aconteceu e por mais que eu quisesse me livrar daquela situação, isso me fez sofrer, por mais que existissem sucessivos ciclos de problemas eu preferia a felicidade.
Sou muito equilibrada, vejo tudo com naturalidade, mas deixei de comer, deixei de dormir, deixei de me arrumar, os acontecimentos estavam influenciando minhas ações e eu me perguntava sobre o futuro eu estava com quarenta e dois anos querendo recomeçar do zero e aparentemente o problema dos meus relacionamentos era eu.
Não disse tudo que eu queria dizer, achei que não cabia, se eu estava desistindo porque magoar o outro, ferir em demasia, não fiz muitas concessões, deixei ele livre para ser meu amigo se assim desejasse, desejei do fundo do meu coração felicidades, mas omiti e não verbalizei.
Ao término fui correr para nenhum lugar, sacudi os ombros, alonguei, me senti impotente diante da vida, diante das minhas escolhas, todos os casais ao meu redor pareciam felizes, somente eu tinha um bichinho dentro do peito com exigências supremas.
Eu me empenhei, correspondi esse amor à altura, ele continua a me amar (palavras dele), sou audaciosa e moderninha, sei levar a vida muito bem sozinha, acredito que a bondade deve vir de dentro e quando acho crueldade nas palavras e ódio nos olhos não consigo recomeçar.
Vez ou outra nos beijamos loucamente, nada fica sempre igual, é uma esperança para ele, mas aparentemente não quero nada, não sinto vazio a ser preenchido, apenas vontade de beijar, beijar, beijar...
Todos sonham e poucos conquistam seus sonhos
A gente nasce, envelhece, adoece e morre e nem sempre conquistamos nossos sonhos, é sensato preparar-se para a conquista, juntar dinheiro, apostar nos estudos, fazer o que ama, descobrir aptidões, colocar amor nas coisas sem amor.
Eu não me senti bem o resto do dia quando resolvi pensar na vida, sempre amei doces e engordei vinte quilos o que me deixa triste, sempre fui forte, mas em momentos de fraqueza preciso de colo e aconchego, sempre fui saudável, mas perco o compasso com algum familiar doente, muitas vezes perco o interesse e só o nada me cativa.
Tenho um coração aberto, sincero, satisfeito e confiante, sou honesta e tenho um bom coração, nunca senti dificuldades em amar meus semelhantes, nunca senti dificuldades em preservar minha identidade doa quem doer, nunca lutei eternamente entre ciência e religião, cada uma é importante para mim e as duas se complementam e o mais importante: minhas-feridas-sempre-cicatrizam.
Sempre quis melhorar o mundo, sempre contribui de maneira peculiar e mínima para isso nunca beleza e prosperidade foi meu alvo, não abono inveja e não as tenho.
Alguém como eu só quer ser feliz, ser generosa e ter paz de espírito, um dia amadureci, evitei sofrimentos fazendo o bem, desejei felicidade com oração, fui ética e positiva e superei meu extraordinário medo de não agradar.
Amei e vivi plenamente, desfruto a liberdade como o meu maior tesouro, aprendi a amar a mim mesma, eu me conforto, às vezes me oprimo.
Mantenho as aparências para os distantes, ausentes e sem importância, pessoas que apostam que sou sofredora, que nunca consigo viver um amor, que vêm te abraçar e dizer “coisas certas”.
Poucas vezes perdi o foco para dentro de mim, sou inteligente, engraçada e sexy, eu tenho o direito de ser sexy sem julgamentos, sou caridosa e de boa índole, na linguagem universal sei amar meu semelhante.
Talvez esse texto pareça sentimentaloide, ou um problemão, talvez eu esteja o escrevendo para seguir minha vida, buscar e resgatar minha generosidade, aprender a lidar com os babacas, acreditar na justiça e na humanidade, talvez porque eu tenha desistido de alguns sonhos dos quais hoje me arrependo.
Hoje eu te chamei aqui, queria conversar sem ter planejado, queria dizer que me enganei com as aparências, queria te falar que tive problemas de fertilidade e que por mais triste que isso possa ser eu saltitei feito um canguru de felicidade, não precisava explicar para o mundo que desejava ser mãe, mas nunca tive coragem e que essa falta de coragem era que no fundo eu não desejava ser mãe.
Eu me senti muito comum revivendo o passado, olhando os pontos que ficaram sem serem preenchidos, as coisas andavam estranhas entre nós, mas havia intimidade para um desabafo, uma conversa amiga.
Muitas pessoas buscam o amor silencioso, a busca por status, muitos casais passam por isso, querem mudar de situação, casados querem ser solteiros, solteiros querem ser casados, poderíamos desencanar.
Eu me sinto velha demais para ficar alimentando hostilidades, eu quero ser apenas verdadeira e coerente, vejo tantas mulheres que querem engravidar e não conseguem, ao mesmo tempo parece que todas as mulheres do mundo estão grávidas, é tão incoerente quando temos um sonho e vemos outra pessoa o realizando de forma sublime.
Tudo que fazemos na vida são escolhas, conseguir engravidar nem tanto, a não ser que seu único problema tenha sido deixar os óvulos envelhecerem, não preciso provar ao mundo que minha vida vai muito bem obrigada, mesmo sem tantos progressos e materialização dos sonhos.
Vale a pena arriscar?
Sempre tive uma cabeça aberta, facilmente mudo de ideia, sempre ouço disparates sobre a genética traidora dos homens, para mim é problema sim ter alguém que não me respeita.
Não sou de rememorar o passado, mas todos os caras que me traíram foram também péssimos amantes, na verdade eles queriam me deixar sempre com a sensação de culpa, porém sempre deixei limpo meu coração de culpa.
Você pode reavivar sua relação com novas ideias, novas energias, novas esperanças, mas não com novo amor, a não ser que você se separe antes, não que seja pecado, talvez seja mesmo, mas por amor a você mesmo, por respeito, por consideração.
Insultar ou maltratar os outros de propósito é algo ridículo, fazer sofrer quem se ama ou quem já se amou não se sustenta para sempre, odeio ter que dizer isso, mas muitas pessoas só se arrependem depois que perdem, só largam o osso de ter duas, três, quatro mulheres depois de serem descobertos.
O melhor mesmo é ir tentando ser honesto, é ir conversando e refletindo sobre o que se quer, sei que não é fácil aceitar que a vida não tem garantias e o amor é totalmente sem garantia, mas eu posso ser leal no mínimo.
Não considero amor os lances rápidos e descomprometidos, talvez exista várias formas de amar, mas é facilmente confundida com egoísmo quando amar significa preencher o meu vazio, os meus desejos, a minha necessidade, eu, eu, eu e eu.
Não gosto de pessoas que se comportam de maneira maldosa, evito essas companhias, não gosto de quem se gaba por trair, não gosto de discursos do qual se afirma que a carne é fraca, gosto de proibições de territórios, não invada meu espaço, respeite meu namoro, sou do tipo que amo tudo ou nada, nada de migalhas, não nasci para isso.
Conheço meninas ávidas por encontrar um amor que lhe renda destaque e posição social, não importa se é feio, se é 40 anos mais velho, se trai, se tem mil mulheres, ou se não é boa pessoa, para essas meninas tudo tem seu preço.
No meu aprendizado em perdoar não inclui traição, amo o algo a mais, curto pessoas com benevolência, odeio quem culpa o destino, Deus ou o Diabo por seus escorregões.
Amar é estabelecer vínculo de porto seguro, amar é ter um pedacinho do outro morando em ti, amar não é estar só de passagem, amar é te acrescentar em todos os planos que estão em minha volta.
É claro que os sentimentos oscilam, mas a certeza permanece, mesmo nas incertezas, há expectativas, excitação, nos achamos dona do mundo quando amamos.
O amor te ensina a ter ideias práticas para resolver os problemas, deixa o mundo mais colorido como nunca havíamos percebido antes, mas cuidado, não confunda amar com agir de modo meio subserviente. Há pessoas que pensam que amam, mas só amam a si próprios.
Avalie a própria atitude, avalie a atitude do parceiro, não se entregue totalmente, sem defesas e sem receios, isso não é amor, é paixão, no amor precisamos apontar o dedo para nós mesmos, preparados para conhecer nossos erros e corrigi-los.
Exercício de paciência é necessário para os defeitos da relação, negar o que somos só faz perder a confiança, esperar que as coisas se encaixem, que o amado deixe de trair, que o tumulto das emoções e pensamentos negativos liberem o verdadeiro amor é como acreditar em ficção. Não arrisque perder quem talvez tenha nascido para te fazer feliz.
A vida só faz o melhor
A vida sana nossos próprios conflitos.
A vida não se curva a ninguém e nunca pede favores.
A vida remove a quantidade de lixo das nossas mentes.
A vida às vezes é difícil, mas te ensina a enfrentar.
A vida te dá um casamento com muito amor no coração.
A vida te exige fazer uma higiene mental pelo menos uma vez por ano.
A vida também te faz sentir injustiçada, mas isso é aprendizado.
A vida apresenta a homossexualidade e as diferenças.
A vida é arte.
Às vezes a vida se arrasta, mas é por sua culpa.
A vida te pede para esperar antes de ter filhos.
A vida aponta nossos pontos fracos e nos diz que podemos errar.
A vida nos ensina que as pessoas não são iguais.
A vida nos faz viver um daqueles minutos “me belisca que eu não estou acreditando”.
A vida não se conforma.
A vida não acumula tensões.
A vida te dá frutos incríveis.
A vida faz perceber que o que era bom nem era tão bom.
A vida te dá medo de ser feliz no relacionamento pela intuição.
A vida faz perder aquele ar maldoso que tanto incomodava.
A vida nos faz seres humanos por bem ou por mal.
A vida traz gente boa para perto.
A vida ensina a não justificar seus fracassos apontando o dedo.
A vida te tira da zona de conforto.
A vida às vezes te deixa exageradamente carente.
A vida guarda segredo.
A vida responde com tanta certeza sobre nossos atos.
A vida é a liberdade para questionar.
A vida é culta e admirável.
A vida é interpretações e intervenções.
A vida é você, suas escolhas, seus anseios, seu jeito de viver, suas crises, seu passado, seu futuro, a vida é o seu melhor, a certeza das cicatrizes, dos choros, do aprendizado, a vida é o tempo que não volta nunca mais.
Amar é transformar a escravidão em liberdade
Quando se ama não há tendências suicidas, nossa ansiedade fica controlada, enterramos dentro de nós nossas dores, mágoas, aflições e dúvidas, o estresse pós-traumático desaparece como uma alta do consultório psicológico.
Levei quatro anos para entender essa frase, dormi por várias vezes pensando nela, virei à página por inúmeras vezes no amor, rompi ciclos, já me senti escrava quando meu parceiro deixava bem claro que estávamos juntos apenas por sua generosidade.
Tantas outras escravidões senti na pele, coisa pra gente grande: amor ilusório, baixa autoestima, enfrentar o mundo sozinha mesmo estando acompanhada (a falta de apoio é o pior dos males).
Passei por privações religiosas, em que a minha fé era atacada como farsa, anormalidade, mundana, falava de anjos com desdém, as lágrimas rolavam com tanta frequência que às vezes eu nem sabia por quê.
A escravidão traz pequenos ressentimentos, eu sei que tudo tem remédio nessa vida, mas não se sentir livre parece não ter vacina que te proteja ou cure desse mal, de um jeito ou de outro adquiri ou herdei o comportamento que me escravizasse.
A maternidade muda uma mulher, a maternidade me libertou, agora aquele filho era a coisa mais importante da minha vida, o João merecia uma boa mãe, uma mãe de coração enorme e que não tivesse medo em ser ela mesma. As mudanças foram gritantes, eu até esqueci a data de aniversário do nosso casamento em que o deixou bem abalado, minha relação não era benéfica então eu me agarrei a única relação saudável que existia, a minha e do meu filho.
Comecei a usar roupas menores sem me preocupar com o que ele achava, os caminhos de libertação foram tortos e errados, inseguros e aparentemente ineficazes, mas funcionou.
Fiz coisas que ele jamais aprovaria se eu pedisse sua autorização, expressei-me da forma que bem quis, evitei conflitos familiares e permiti que ele brigasse sozinho, jogasse sua ira ao vento enquanto eu me mantinha inexpressiva. Ele fingiu uma depressão para recuperar o posto de general, eu sabia que as minhas atitudes me levariam a alguma coisa boa, pois no lar de lama eu já me encontrava.
Quando eu mudei, tudo mudou. Fomos casados por seis anos, os três últimos anos muito bem obrigada, quando eu me apaixonei por outra pessoa o fato de ter sido escravizada por longos três anos me fez tomar a decisão de partir. Decisão errada para noventa por cento das pessoas que eu conhecia, decisão acertada para mim. O que todo mundo pensava era: ele já mudou, vocês finalmente se encaixaram, pra quê se arriscar ao desconhecido?
Acontece que eu não perdoei o tempo em que eu era escrava daquele sentimento, eu não o amei suficiente, eu sei que a falta de amor era minha, que as coisas chegaram a certo ponto que eu permiti e por isso mesmo me sentia fracassada em ter sido vítima de mim mesma.
Não sou de uma geração que culpa os pais por toda e qualquer infelicidade, não sou do tipo que culpa as companhias do filho pelo mau comportamento deste, cada um com suas escolhas e eu havia escolhido mal.
Eu deixei passar questões que me desagradavam como se estivesse tudo bem, eu queria ser modelo de elegância, de bom comportamento, de caridade e de boa índole, eu queria meu filho louco pelo pai dele, eu me esforçava para não ser rotulada de patricinha ou mimada, eu andava para frente até que entrei na zona proibida de me apaixonar perdidamente por outro homem e decidi mudar de vida radicalmente.
Eu adorava a companhia do Moisés, eu tinha mil razões automáticas para me envolver e mil e uma para ficar na defensiva, apesar de todas as críticas, de todas as insanidades que eu ouvi eu acreditei que era responsável pelas coisas ruins que tinham me acontecido e por conta disso eu queria viver uma outra história, eu não queria uma história em que eu tinha que resgatar alguém, eu queria escolher a felicidade, a maturidade, o envolvimento, o respeito, o companheirismo desde sempre.
Por nada deste mundo eu não sobrecarreguei meu filho com meus conflitos internos, disfarçava minha ansiedade, levei a serio minha própria vida, colei o coração rachado por dor e humilhação, fiz amor como nunca tinha feito na vida, não para satisfazer alguém, mas para trocar energias intensas. Ai! Meu Deus do Céu! Olhar para trás só me dá um aperto no peito, um grande incômodo, um abandono de mim.
Hoje sou vista como uma esposa digna e dedicada, sem crise de pânico, em constante processo de amadurecimento, com meus próprios interesses em seguir adiante, cuidando para não me deslumbrar com as conquistas de um casamento satisfatório e cheio de amor.
