Antonio Montes

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DICIONARIO

Deu bote
fez o rombo
saiu no tombo.

Boto desafiado
redondo embotado
absolto abobado.

Rotulo, rotundo rombudo
abotoado operante, tem de tudo
cego obtusado, agudo sem fundo.

Obtuso estúpido rude
tolo arredondado grude
ignorante desafinado funde.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

VENTO ANDEJO

O vento que por aqui passa..
Venta a venta de todas ventas
venta e sibila na praça...
Venta o cambaleio do ébrio
e o cheiro da cachaça.

O vento que por aqui passa...
Venta flores do jardim
venta a menta do antídoto
as lagoas dos anfíbios
e os dentes da jumenta.

Venta para o lado do sul...
O vento vindo do norte
venta os passos dos fracos
o meridiano do agreste
e a esperança do forte.

Venta a moça na janela
e a serenata lá no chão
venta o desespero do adeus
a costela do primeiro Adão
e as lagrimas da solidão.

O vento que por aqui passa...
Venta o cisco no meu chão
venta, com vento da saudade
as vezes espanta a verdade
e o pulsar do coração.

O vento ventou a chuva
e molhou sem dizer não
ventou semente germinando
menino na biqueira banhando
na cumeeira do sertão.

Ventou o pasto do gado
no curral e lá no cercado
ventou o leite da vaca
o plantar com a matraca
p'ra criar o seu criado.

Ventou a marcha do cavalo
em ploc, ploc no caminho
ventou a densa solidão
o escuro do Lampião
quando ele estava sozinho.

Ventou a linda rima
do poema com calor
a prosa o vento ventou
a areia no deserto soprou
junto as estrofes do amor.

O vento que por aqui passa...
ventou nuvens e os escarpados
ventou o rumo do caminho
as letras dos pergaminhos
e os passos lá do passado.

O vento que por aqui passa
já ventou na cor escura
no mourão e nas correntes
nas chibatas das serpentes
e nos pulsos das criaturas.

Vento andejo, vento andejo
vento andejo sim senhor!
Já ventou n'aquele carvalho
inventando todo entalho
para a cruz do redentor.

O vento que por aqui passa
já ventou tudo sim senhor...
Ventou o inicio do mundo
as pedras das manjedoura
e o choro do criador.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

UM RISO NA FOTO

Você não vê fotos...
Infelizes ou fotos de discórdia
nos álbuns das fotografias,
no álbum de fotografia...
Só se vê fotos felizes
sorrindo
emitindo alegria
ou uma áurea de amor em volta.

A cada pagina do álbum, um
sonho, um riso, no dia da foto...
Uma expressão de esperança
um sorriso meu...
É um bom registro em sua
confiança.

Quantos focos! Quantos sorriso"
isso ou aquilo
na hora da questão
eu só preciso de um riso
para abrir meu peito...
E abraçar o seu coração.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

DUAS PALAVRAS

A sua frente ,
como gente
que sente,
que mente
conscientemente
a frente
e todavia
é inocente.

Gente
contente
sorridente
pé quente
as vezes se enrola
da o bote bem na hora
eficiente...
Como se fosse
serpente.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

AÇOITE DE UMA NOITE

Em dia de feriado
e em fim de semana
zanza gente pelas ruas
dando uma de bacana...

Embrenham-se em suas hipnose
com seu cheiros, agulhas e dose
e como foguetes pelas ruas
descontrolam-se na velocidade
demarcando com as peles suas
os asfaltos das cidades.

Veículos se tornam ameaças...
Pelas mãos das suas burrices
em momento, todas alegrias
em segundos... Mundo triste,
o choro agora é tardio
o descuido é só um pavio
para a vida que não existe.

Se vai o custo de alguns anos
no preço poker de uma noite
se vai o viver de muitos planos
no cachê do plano torpe.

agora, cadê fulano...
Tornou o piscar em foice
a saúde ficou na lembrança
do seu tempo de açoite.

O futura agora é lagrima
vestindo suas vestes branca
a confiança esta nas farmácias
poupança, da sua herança.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

ACORDADO

Penso acordado e me vejo dormindo
penso dormindo e me vejo acordado
... Durmo todos os dias
quando é noite, esteja quente,
esteja fria.

Sonhando pela noite
não me vejo dormindo
quando eu penso que vou acordado
o sono esta voando... Vindo, vindo...
Ele vem me trazer sonhos
do meu tempo acordado
mostrando-me o abandono
nos momentos, dos olhos fechados.

Dormindo amanheço acordado
acordado amanheço vivo...
Tentando se manter olhar aberto
e olhos fechados me traindo,
e o sono me envolvendo em sonhos
para mostrar-me todavia...
que eu vivo dormindo.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

GAVETA DA LEMBRANÇA

Fechei os olhos em meu sentido
e vasculhei a gaveta das lembranças
e sob as quinquilharias das recordações
... Nos meus guardados passado, estava lá...

Você, em noite de lua...
A prata orvalhada, do nosso amor,
o céu estrelado sob a, brisa romântica
o nosso cristalizado momento
e o blue límpido do nosso tempo.

Estava lá... O poste que iluminava
... O brilho dos nossos risos
as gargalhadas escancaradas
da nossa fiel juventude,
a altivez dos nossos rostos
a ausência das rugas e das verrugas
ao amanhecer cheio de gosto!

Estava lá... Aquele fôlego incansável,
saudável, afável todo jovem
a esperança e os planos palpitáveis
a alegria da vida
a vontade de vencer
a pureza de um meigo olhar
e todos os sonhos com você.

Estava lá, os planos inocentes
o lenço com rasto de lagrimas
o bilhete de um tempo onipotente
o guardanapo com o tom do beijo
a saudade nítida do presente
e o abraço cheio de desejo.

Estava lá... A vontade
que nunca deixou de ser
a seta da grande saudade
sob o alvo do alvorecer.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

CÉLULAS

Vamos, vamos células minhas...
Vocês que todavia são eternas
encha a minha taça de vida
eu quero brindar, a terra o sol o ar
permeia-me sob o tempo...
E veja ate aonde o viver,
poderá me levar.

Vamos, vamos células minhas...
Vocês que foram o inicio
o big-bem do mal e do bem
dá alegria e agonia de todos os trens
... Me transcenda essa fenda do futuro
assim com essa forma esculpida
no núcleo de um, universo seguro.

Não me deixe nessa fagulha estomacal
... Aonde tudo é comível e perecível
nesse mundo oriundo e defecal.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

MUVUCA DA VIDA

Meus deus acuda!
Te peguei com suas rugas
jogadas em mim como fuga
dando-me, idade sinuca.

Um marco na pele, muvuca
me saldam n'essa vida infunda
nossa senhora, nossa senhora...
que seja minha a sua hora
e minha hora seja agora.

Não chegue em meu chegar
o chegar é terra do nunca
um dia chega para grande vida
em outro dia caduca.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

AMOR DE ONTEM

Aquele amor d'aquele ontem...
Era santo
era totem
era tanto
hoje com esse pranto...
aquele amor de tanto espanto
deixou de ser santo...
Desceu do totem,
saiu do canto,
causando desencanto.

Aquele amor de ontem, hoje
tem sabor de miojo
não contem mais volts
seu cheiro por inteiro,
é escabroso, dá... Nojo!

Antonio montes

Inserida por Amontesfnunes

VAMOS

Vamos que vamos!
Vamos todos, todos...
Todos os dias
todos os anos...
Vamos com sicrano
com beltrano e com fulano,
vamos com velha, com a, veia
e vamos com tutano.

Vamos que vamos!
Vamos por qualquer semana...
Do mês...
do milênio, do ano
dos tempos dos planos
vamos por enganos
e desenganos...
Vamos, que vamos.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

QUADRO DA MINHA JANELA

Diante da minha janela aberta
eu vejo olhos, olhares...
Jardins cheio de flores,
dia completos, horas certas
vejo, seu olhar que me olha
permeando-me seu ar, com amores.

Vejo beija-flores pairando sob ar
como se fosse helicóptero, voando e...
Revoando, em volta da felicidade
vejo acesas, as estrelas das cidades,
movidas pela alta camada de eletricidade.

Da fresta da minha janela...
Eu olho, e vejo, você como se fosse,
um diadema colorido, ou...
O totem da minha futura alegria...
vejo, todo o amor que ronda, a magia...
Permanentemente o fluxo
de todos os meus, queridos dias.

Do quadro da minha janela
eu vejo o quadrado do mundo redondo
o luar de prata em noite harmônica
raios de sol sob o alvorecer...
Vejo tudo, vejo o fundo do fundo!
de tudo aquilo que você...
Possa me oferecer.

No quadro da minha janela...
Tem um olhar para arandela
para ela, para aquela
que um dia pode ser rainha dos meus dias
ou flor das flores...
Minha, singela cinderela.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

FLATULÊNCIA

Compridor do seu desejo
olhe o traque... Traque, traque
tarde ou sedo,
com jeito, ou sem jeito
deixa troncho insatisfeito,
as vezes em surdina, ou...
Feito um desafinado realejo
em sua flatulência, fute...
Seu cheiro desanima o enredo
mesmo que tente nunca!
nunca consegue manter segredo.

Peido, peido...
deixa bronco todos os feitos
lá vem ele com seu enredo
com sua bufo... Afinado, grosso
feito raio em lampejo
com seu despejo, todo insosso
espanta velho,
espanta moço
com espantos, espantosos.

De aroma indesejoso, sem jeito
o ar sem nem um colosso
sai por ai, todo poroso
com desrespeito insatisfeito .

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

TRÁGICO VOAR

Vou ingerir e infligir
vou me esbaldar, eu vou p'ro ar...
Vou chapar n'essa chapada
em horizonte de chuvisco
cambaleios, nunca visto.

Eu vou chapar, eu vou chapar...
Com meu chápisco, meu belisco
sim! Eu tropico, quando trisco
corro risco pelo risco
depois caio no meu cisco.

É nesse circo que sempre fico,
bom, não é...
Mas, te indico como pacífico
e no primeiro bico...
Com tantas águas, nas deságuas
é tudo seu, somente seu
o seu fim sísmico.

Depois na hora do seu adeus
o que adianta, gritar velei-me...
Valei-me meu Jesus Cristo.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

AGONIA DE MARIA

Maria...
Nesse dia de frenesia,
deixe de agonia...
Peque logo a sua filha
que esta cheia de pilha
... E faça uma visita a tia
moradora d'aquela ilha.

Mas, não de o bote!
Vá de bote se quiser...
Peque o remo e vá remando
pelo remanso navegando
seja lá o que vier.

Veja, o tempo esta passando
e o José, pobre Zé...
Já perdeu o seu encanto
não saiu nem do seu canto
e esta, tomando o seu café.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

NOBEL COM FEL

A historio faz sentido,
a ciência, pensa tensa...
E sai por ai fazendo bomba
p'ra exterminar as quizombas
mata, homens mulheres e crianças...
E estronda, tudo quanto há de fel!
Derruba cidade e historia
depois sai colhendo gloria
e recebendo o Nobel.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

INGNÁVIA

Vocês que já viram tanto!
Esperem até verem, aquele menino que eu vi...
De alpargatas, vestes rasgadas, todo sujo,
tomar banho... Até queria
mas... Nunca encontrava água,
alem, do chafariz.

Um dia aquela mulher, toda saia,
rodada em seus sentimentos
passou pelo reduto, d'aquele menino
o medo expelia n'aquele breve momento...
A fome, esticou a mão do pedinte...
'Dai-me um pão, apenas um pão'
para que eu possa, burla a minha fome
que da forma que me vem...
Muito breve ela me atalha,
e eu assim... nunca! Nunca conseguirei,
chegar a ser homem.

A mulher, por ser pedida
e com medo todo d'aquela vida
tremia n'aquela avenida...
O menino por sentir-se frágil
e com a fome em espantalho
tremia em seu medo 'no medo
de nunca conseguir ser grande.

O medo ali, espalhava-se...
Nos olhares,
nos passos sob a multidão
na aglomerações dos ônibus
e no, estiramento das mãos.

Tudo era medo n'aquela cidade
até mesmo a vaidade...
Sorria com medo de um dia,
minguar, e ficar mesquinha.

O medo, estampava-se...
Nos sentimentos das autoridades
nos amores dos namorados
nas intensidades dos telhados
e pelas ruas dos bairros alagados.

Pela noite de blecaute, medo
... Medo pelas sombras das calçadas
pelas portas abertas das casas
e pelos contos falsos das fadas.

Era medo em cada esquina

em cada quina em cada rima
nas ordens dadas de cima
e medo por ser, menina.

O medo cresceu ficou bruto
passeava pelos viadutos
pelas pontes e pelas placas
e pelas caixas de papelão.

O medo ficou de ressaca
se deitou na classe alta
e foi tremer o coração.

Antes o medo era pobre
aumentou como se fosse preço
e tomou conta da nação.

Agora todos estão com medo...
O mundo, não tem mais segredo
e o povo, não é mais irmão.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

LEIO ENLEIO

Leiam, leiam!
Eles lêem...
Eu leio o alheio...

A encomenda do correio
os enleios do meu EMAIL
o velho com meu hashtag
o link dom meus selfs
o meio que me deixa cheio
que me seque, que me segue.

Eu leio... A hora do agora
no tempo que me apavora
o momento de ir embora
a velha cola, da escola
o minuto do decola
e os últimos segundos da bola.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

DIA DE FRIO
No dia de frio...
Eu parei para ver o rio
o rio se quer parou
lavei o rosto nas águas
as águas não me lavou.

Depois visualizei a onda
que as ondas de mim levou
na mansidão do remanso
nos trilhos do meu tamanco
nos polens da minha flor.

No dia de frio...
eu contemplei o estio
no intimo do meu tremor
os passos de todos os trilhos
os descarrilhos dos meus trilhos
e os abraços de todo amor.

Em dia de frio...
Ai, ai meu senhor!
Quantas vidas pelas ruas
que morre no treme, treme...
Com frio que vai no osso,
e um amor todo insosso
que almas por ele geme.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

O BABADO

O babado do babado, babou
babou a baba de babá,
babou a baba do bode
babou com o ovo da baba...
Na baba que ninguém pode.

O babado do bobo, baba?
não baba o babado de um vestido
mas baba a imagem do babão
pelo babado do vidro.

O babado daquela criança
babou no babado d'ela
e o babado do bandido
não ficou tão ofendido
com o babado da janela.

Lá na esquina da vida
em noite de saramandaia
O bêbado também babou
pela moça que passou
com aquele babado na saia...
Na saia que o boto babou.

Boto babado, babão
lobo que urra na lua
noite escura ladra cão
no canto d'aquela rua.

Antonio Montes

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REZA DE OUVIDO

Rezar eu rezo...
Todavia tenho rezado muito
... Rezando tantas rezas!
Tornei-me um ser rezador
e rezo sempre para o meu santo
que ele reze para meu encanto
e eu, aprenda a rezar pelo o amor.

Eu vou rezar com toda calma
para um santo menos atrevido
para que ele não, engasgue com a reza
desse mundo todo perdido...
E que não seja pervertido
e ouça o povo todo rezando...
Aquela reza do pé do ouvido.

Antonio Montes

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EFEITOS DA PEDRA

A pedra poderia voar
se tivesse asas com penas
mas tudo que a pedra fez, foi leis...
Aquelas leis que nos condena.

Editou com seus rabiscos
a condenação dos pecados
depois de cima do muro
ouviu o amor ser jurado.

A pedra, ainda em seu feito...
foi tumulo do salvador
estatuas de: Vênus de Milo, e Zeus.
e a topada dos ateus.

Deixou tudo satisfeito...
Quando o gigante tombou
e o Davi com sua pedra
o seu estima selou.

Do Drummond, foi o poema
da pedra de pedra e pedra
a pedra lá da calçada
a pedra lá do caminho
a pedra de todas as pedras.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

NA LATA

Deixe de grassa...
Fale na lata!
Antes que amasse a massa,
se amasse ao pé da letra
teria dono
teria a massa para pão
... Não teria treta
nem abandono
e nada não seria de graça
se perdendo pelo chão.

Se falasse na lata...
Coisa preta não seria
E a vida seria tingida
com a beleza da vida.

Antonio Montes

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A MÃE

Mãe não é manha que:
A palavra arranha...
Que o mundo reganha.
Mãe é amor, paixão
simplicidade e coerência
é a semente de Deus
o abraço, o dar as mãos
é a flor que floresce
colorindo o coração.

Mãe é aquela que te cria
que te dá, alegria durante o dia
que sana a sua fome
te mostra o jardim de ser mulher
e o caminho de ser homem.

Mãe, abriga os seus sonhos
espanta seus pesadelo
ama suas bestagens
e te acredita, pelo mundo inteiro...
mãe, te fala a verdade
quando a sua felicidade
tem efeito passageiro.

Todos do mundo
não chega aos pés de uma mãe
por um misero segundo.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

SALA E AULA

Na sala de aula
eu ouço a fala...
A fala que fala
e embala sob sala
estrondando o silencio
que a tempo se cala.

Na sala de aula
a fala embala
com expressão da cara
parecendo um carma
que o mundo resvala
em sala de aula.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes