Antonio Montes
AMOR DE GRAÇA
Se o amor é troca
nada mais se faça...
Aonde esta a graça
dizer que acha...
Que amor não é cachaça...
O amor não cobra tacha,
e também não é faceta!
Porque, alem de ser graça
o amor... É de graça?
Não contem cor preta
não roda na carrapeta
nem faz parte do capeta
o amor é toda cor...
Zombando da cara preta.
Antonio Montes
REMÉDIO, REZA
Não tente acabar a dor
com a reza...
A reza não é remédio.
A reza só faz saltar
o amor...
Quando esta amarrado,
ao tédio.
Antonio Montes
CÔMODO
Eu me incomodo...
Com dragão de cômodo
que incomodou seu povo
e também me incomodou.
Um bicho todo malhado
arrastando a barriga no chão
com veneno avançado
mata mais que filho do cão.
Dragão, dragão...
Não assombre o meu coração
que a tempo vem assombrado
já estou envenenado...
Por uma terrível paixão.
Antonio Montes
ENGAIOLADA PAIXÃO
O passarinho escapou...
Ficou a gaiola fechada
seu dono, com amor
a saudade engaiolada.
O amor bateu as asas...
O peito tombou paixão
cheio de lagrima d'água
se afogou o coração...
Volta, volta passarinho
a voar nos olhos meus
não me deixe aqui sozinho
volte pelo amor de Deus.
Não vá embora, não vá...
Fique comigo, meu amor
se você for eu vou chorar
na solidão do meu pavor.
Antonio Montes
MEU MUNDO
No meu mundo,
Existe um universo perdido...
Cheio de rimas
cheio de versos,
cheio d'aquilo que eu duvido.
No meu mundo...
Eu procuro o fundo atrevido
... Cheio de mundo
seco de fundo
desprovido de ouvido.
Antonio Montes
APORTA TICTAC
Que tic,tac importa
se o coração esta na porta
dando adeus a velha horta?
Pra voar p'ro nível azul
importa ou desentorta...
Qualquer coisa, não importa.
Se o tic, tac da voltas
já não porta jardas nenhuma
por um tic esta na rua.
E se a vida fosse comprida
p'ra passar por essa lida
... Valia toda essa vida?
Será que valia os dias
se os dias a revelia
fossem revelia de dias?
Antonio Montes
AMOR PENDENTE
A parte pendente do nosso amor,
Sente dor...
Uma dor cociente
pelo ranger de dentes
presente do vil pavor.
Ou, ou nosso amor...
Não deixe assim ausente
esse amor quente pendente
se esbaldar no inconsciente.
A nossa paixão já sente,
gentilmente inocente...
A nossa lagrima descontente.
Ou, ou nosso amor...
Um dia a lua floriu
aquele livro no rio
com paixão nos endossou.
Hoje as águas passou
nosso amor vive o estio
d'aquele rio que secou.
Antonio Montes
UNIVERSO CEGO
Existe um universo perdido
no entroncamento d'aquela rua...
na faixa... Estrelas cintilantes
piscando cores, minhas e suas.
Vermelho, pare... Atenção!
Amarelo, consciência...
Verde, pulsar de coração
passos para vida intensa.
Existe um universo perdido...
Alem d'aquela esquina
janelas, portas abertas bandidos
na placa, uma frase que rima.
Aglomeração do outro lado
copiando impedimento
o mundo esta fadado
com esquema fraudulento.
Existe um universo perdido
no mundo em que vivemos
viríamos se estivéssemos vivos
observando a verdade e vendo.
Antonio Montes
PREOCUPAR
Eu não preciso
me preocupar com o olfato
nem com os ratos...
O olfato pertence ao nariz
os ratos pertence ao país.
Antonio Montes
PAGINAS DA VIDA
Nas paginas da vida,
eu te li...
Com a minha vida,
nunca lida.
A lida da vida aqui
não lida para partir
nem muda nada da ida.
Nas paginas da vida,
eu te li...
Li o dia, mês e o ano
do nascimento de ti
do vento, vida soprando.
O seu estado de vida
aqui esta na partida
e seus dias só tem planos.
Antonio Montes
ELIDIR
Eliminamos... Eu sei,
o quanto tempo eliminamos
o barulho da goteira
o velho canto do galo
o sino d'aquela torre
o reio e seus estalos.
Eliminamos, sim...
O ranger da velha porteira
o trupe d'aquela boiada
o pingar d'água na goteira
a paixão apaixonada
a farofa na algibeira.
Eliminamos, eliminamos...
Flores nas margens da estradas
vidas que cruzam caminhos
saudades do primeiro olhar
o chilrear das passaradas
enigma dos pergaminhos.
Eliminamos, sim, sim!
Os dízimos dados aos gostos
os gostos do mês de agosto
o tutano do velho osso
o endosso do insosso.
Eliminamos os risos...
os dois mais dois igual cinco
... Espalhados pelas ruas
a lua de tudo aquilo
que não precisa da lua
Eliminamos todos os erros...
O bater de assa e voar,
do que sinto ou não sinto
o desvio de entidade
a ganância de tudo isso...
P'ra não desviar aquilo.
Antonio Montes
PORÃO DE NAVIO
No porão d'aquele navio..
Quantas lembranças de dor!
Choros contidos a noite...
Saudades, distante do amor
e as, esperanças em açoite.
Pesadelos das chibatadas
marcas pressão e correntes
a fome ali, quieta é mata
as abrangentes cascatas
das incoerências, aos inocentes.
No porão d'aquele navio...
Quantas lagrimas derramadas!
amor ali, tornou-se pavio
com a ganância desenfreada.
Até o mar rangeu de dor
em meio a lamuria das águas
nem os sonhos confortou
a dor infindas das lagrimas.
Antonio Montes
MOCO BROCO
Com esse sopro
e esse mal gosto,
soprando sob agosto...
O degustar fica insosso
... O reto fica torto
o outro, coloca-se roco...
Enquanto um escorrega e cai
... O moco fica broco.
Antonio Montes
NA TELHA
Lua cheia
lobo na telha
urro no mundo...
O medo em cima do muro
vento na areia.
Maré com sereia...
Farol encandeia,
sombras no escuro...
O fim, não faz corpo duro
e a peia, rodeia.
Antonio Montes
ALPENDRE
Do alpendre...
Uma lua, uma rua
a brisa da noite se estende
... E as recordações se entendem
com todas saudades sua.
A quanto tempo ficou!
A corda que voce pulava...
Os sorrisos e o anel da noite
que pelas mãos, inocentes passava...
Aquele primeiro beijo...
Dado com tanto tremor!
Depois do temporal da chuva
o arco-íres e suas cores
em meio a ciranda da roda...
Trazia, jardins e amores.
O sonhar com tanto amar
propagava-se cantando versos
o tempo era de cirandá
os versos, eram de confesso.
Hoje, d'aquele alpendre
a lua te faz recordar
d'aquela infância encantada
que encantou-se no tempo
levando-te, sem avisar.
Antonio Montes
DECRETO
Se decreto decretasse, a mim...
Para decreto fazer, eu decretaria
e um decreto, eu, iria fazer...
Decreto para servir a todos
a mim, a ti, e a você.
Um decreto de liberdade
que causasse euforia
decreto, que podes-se, ir e vim
servindo João, José e Maria
Eu decretava que desvio
não seria permitido
exceto, desvio de estrada
ou de rios poluídos...
Estrada para passadas
e rios, para sorriso.
Decretava que os desvios
feitos por mãos de bandidos
recebessem, os castigos das leis
e nunca mais fossem envolvidos.
Antonio Montes
FARRAPO DE AMOR
Não me disse adeus, e se foi...
E eu, afogado pelas lagrimas da despedida
não esbocei, uma só palavra!
Parei no tempo...
Viajei sentido em sentimentos
te encontrei em meus sonhos, ali! bem ali
... Nos meus despedaçados momentos.
Todavia, você colocava-se calada
enquanto abanava a mão por aquela estrada
... Eu naveguei em minha loucura,
perdi o sono, em desatino...
Fiquei a noite inteira acordado!
Buscava-te a todo canto do meu ser
e só a sua presença,
encontrava-se do meu lado.
Quanto desespero...
Quanto mais o tempo passava!
Mais e mais! Despencava-me lagrimas...
E essas, turvaram meus olhos chorosos!
Enquanto a sua presencia se fazia ausente...
a minha visão intensa, pressentia você.
Você estava li, você se fazia presente,
como encanto, no canto do meu coração...
você me sorria, você adentrava na minha dor
se propagando por todo meu consciente...
Estou aqui, farrapo humano...
Escravo desse imenso amor.
Antonio Monte
COBRA NO FENO
Cobra com guizo
com malha
com lista, lisa
ajuíza sem juízo...
Escandaliza, escandalizo.
Cobra...
Escondida no feno
com nervos, tremo
perene condeno,
por ser pequeno...
Muito veneno.
Antonio Montes
MAR BRAVIO
O mar bravio estendeu,
o mar bravio estendeu...
Nas águas das esperanças
no amor de você e eu...
Eu joguei minha tarrafa
na saudade que passava
achei as malhas das lagrimas
e a esperanças, em fornalha.
Queimei de amor a distancia
... Que de ti me separava
me perdi, na vil lembrança
do abraço que nos faltava.
A mar bravio estendeu,
o mar bravio estendeu...
nas águas das esperanças
no amor de você e eu.
Sem você eu perco sono
e me afundo no pesadelo
sou ancora em abandono
pedra no desfiladeiro.
Antonio Montes
PAREDE VERDE
Parede verde...
Não tem folhas
não tem sede...
Parede verde,
é uma rede...
Para os olhos secos de cor
e sentimentos molhado de amor.
Eu vi a parede verde...
Sem ventos,
sem chuvas, sem rios
sem mares, marés...
Aroma de flores navios
sem amores...
Sem passarinhos e sem ninhos.
Parede verde, eu vejo...
Sem musicas de realejo
sem gosto e sem desejos,
tristeza que enseja...
aos olhos do sertanejo.
Antonio Montes
SEU FILME
Olhos, olha... Olhem?!
Vocês estão sendo filmado...
De cima,
de baixo
do alto
do lado...
Para cima concreto
para baixo asfalto
paredes... Muros em sua volta
quanto tato se perdeu...
Observem, o que não é janela
é porta.
Mundo gago
mundo sarro
mundo te engole...
Não faça corpo mole,
não tente seu escapole
se escorregar, não corre
se cair, morre.
Antonio Montes
NO QUILO
Estou no quilo
por aquilo
que eu comi
lá no almoço.
Dias dóceis
dias de sal e outros
mas muitos desses
... São insossos.
Estou no quilo
desse grilo
que me íntica
até o pescoço.
Lá em cima
é só desvio
e para baixo...
A sobra é osso.
Antonio Montes
SE ACABOU
Ele foi de tal enfarte
ou na parada cerebral...
AVC levou a marte
em nave estomacal.
Dor no peito, de jeito
circulação toda tona
pressão e seus trejeito
futuro que te arromba.
A noite te foi insônia
manipulada cafeína
fantasmas e suas sombras
ao amanhã desanima.
E esse colesterol...
com a banha que arranha
saúde em bi menor
o coveiro faz barganha.
Antonio Montes
DISFARÇADO
Minhas pernas tremulas,
na taberna, beira
Inverna, anima
poemas e rimas
assina, assassina mina...
Na sina que ensina.
Sina que condena
milhares, centenas
com sua antena encima
sem pena sem medida
pela vida, plena mídia
treina, trena na despedia.
Treina, penas para cima
renas para baixo
Uma novena em março
uma trova em cacho
na arena, remo rema...
Canoa, resma remado
reinado todo cansado.
Antonio Montes
DISFARÇADO
Minhas pernas tremulas,
na taberna, beira
Inverna, anima
poemas e rimas
assina, assassina mina...
Na sina que ensina.
Sina que condena
milhares, centenas
com sua antena encima
sem pena sem medida
pela vida, plena mídia
treina, trena na despedia.
Treina, penas para cima
renas para baixo
Uma novena em março
uma trova em cacho
na arena, remo rema...
Canoa, resma remado
reinado todo cansado.
Antonio Montes
