Arrepio
O peregrino e o pássaro.
.
E, se fossemos tradutores do frio?
Esse arrepio teria tradução?
Dizia, o pássaro ao viajante,
-- Eu vejo eternidade nas tardes,
nas manhãs relembro as estações
-
Em viagens distantes,
conhecerás a esperança,
experiência de imensidão
cláusulas de vida,
despedidas e lágrimas,
mas também recomeços
cantos e confrontos
florestas e lagos,
é o preço que pago
e ainda pagarei
por continuar
caminhar
Querer-te todos os dias é sofrer a cada instante a tua ausência
Sentir na pele, o arrepio que vem da alma
Imaginar a cada sentimento meu, um desejo seu
De retornar ao tempo, ao qual estávamos juntos em pele
Recordo o poema que te compus
As noites em que te amei
Você tatuou o seu nome em mim, arquitetaste coisas às quais ainda não tive dimensões
Dimensões essas do espaço-tempo
Infinito desde as pirâmides do Egito...
"O vento soprou e
logo veio a sensação
de arrepio, lembrei
dos momentos fortes
que passamos, de seus
maravilhosos lábios a me
beijar, isso me fez delirar"...
No princípio, o som não era som.
Era uma intenção tímida,
um arrepio do nada
suspeitando que poderia ser algo.
Então veio o ritmo —
não por desejo de música,
mas por saudade de ordem.
O caos teve inveja da simetria.
E dançou.
Deus ainda não era Deus.
Era apenas um ponto de interrogação
com vertigem de consciência.
Questionou-se. E isso foi luz.
Foi quando o tempo,
esse estagiário do eterno,
decidiu andar.
Um passo por dúvida,
dois por desejo,
e tropeçou — na matéria.
A primeira pedra?
Era um pensamento que esqueceu de ser leve.
A primeira árvore?
Uma ideia enraizada por engano.
O primeiro corpo?
Um gesto que ficou preso num espelho.
A carne não veio com manual,
mas veio com sono.
E o sono inventou o sonho,
só pra que o impossível tivesse um lugar onde ensaiar.
A mente surgiu tarde,
mas fez questão de parecer a autora.
Ela colecionou razões,
explicou a morte antes de entender a manhã,
escreveu manuais para sentimentos
que só se abriam com lágrimas.
Enquanto isso, o coração,
esse motor sem engrenagens,
continuava batendo como se soubesse de algo
que ninguém mais lembrava.
Veio o amor —
não por nobreza,
mas por falha no código da solidão.
Uma rachadura bem-vinda.
A gente se olhou,
e isso nos doeu.
Por isso continuamos.
Vieram as cidades.
Empilhamos medos e chamamos de prédios.
Cercamos a dúvida com concreto
e demos ao absurdo o nome de “rotina”.
Mas dentro, bem dentro,
sempre havia um pássaro —
não uma alma,
mas um instinto de verticalidade.
Você já sentiu isso?
A sensação de que esqueceram de te explicar o essencial,
mas mesmo assim você continua,
como quem sabe de um segredo
sem saber qual é?
Então, veio a poesia.
Não a que rima.
Mas a que lembra.
Veio para dizer que o invisível é real,
mas tímido.
Que o silêncio é uma linguagem antiga,
e que toda saudade é, na verdade, memória de algo
que ainda não aconteceu.
E é por isso que escrevo:
porque talvez alguém — você —
esteja à beira de se lembrar.
…o que chamamos de “eu”
é só uma assinatura mal lida,
rabiscada por um autor que escreve com luz
mas esqueceu as vogais.
Toda identidade, no fundo, é empréstimo.
Uma roupa vestida pela consciência
só pra ela poder brincar de “gente”.
Mas e se o nome que repetes todos os dias
não for teu verdadeiro nome,
mas o eco do chamado que ainda não respondeste?
E se teu rosto for apenas uma metáfora
que teus ancestrais esculpiram com medo de se perder?
E se você for mais próximo da dúvida do que da certeza?
Os deuses…
ah, esses velhos astros aposentados
que agora moram em memes e marketing —
eles não morreram.
Eles viraram neurotransmissores.
Marte é um pico de cortisol.
Afrodite, uma oxitocina bem colocada.
Hermes, um pensamento acelerado demais para dormir.
E você os invoca sem altar, sem saber.
Cada impulso teu
é um mito em versão beta.
Já percebeu?
O inconsciente é só o backstage onde o Real tira os sapatos.
Ali, o medo faz cafuné na tua coragem
e o amor veste a roupa da raiva só pra testar tua escuta.
E o tempo?
Ah, o tempo nunca andou pra frente.
Ele é circular,
como uma desculpa elegante que o universo encontrou
pra você rever suas lições com disfarces novos.
Por isso os encontros se repetem.
Por isso você sonha com coisas que não viveu.
Por isso certos olhares te dizem “voltei”
quando tudo ao redor insiste em “prazer, quem é você?”
Há uma memória antes da memória.
E é ela que este poeta tenta tocar.
"" Surge entre os montes um sorriso seu
aurora que incendeia o viso
arrepio saudável de prazer
posso ver seu brilho
mesmo sem querer
é que ouso tornar-me seu
e movo de novo até a exaustão
de querer ficar para sempre
até a luz da manhã nos acordar....""
E fez-se a primeira noite
E desde a primeira noite, o frio
E fez-se o arrepio e nascem os sonhos
Em algum momento perdido, o calor
Inventando um novo invento
E veio o rio das horas
E veio a demora
Com o tempo que passa depressa a flutuar
E a folha que cai e que vai-se à toa
Ao arrepio da hora boa
E nasceu assim a lembrança
E o medo do fim
Como receio da noite vindoura
E da dor a lição
Assim fez-se a pressa, a que cessa num momento
Que é coisa a aprender-se depressa
A vida que escoa entre os vãos
Mãos vazias que acenam
O sempre olhar pra trás antes da curva
Até o dia de não nunca mais se ver esse olhar
Assim fez-se a madrugada, a alvorada
O outono que chega
A bruxa do tempo que ri só pra si
E assim fez-se a noite e a escuridão
Tão negra quanto o coração que era
Esperar no portão pelos passos que não mais escuto
E assim se fez a última noite
O longo tempo, que afinal
No final se fez tão curto.
Edson Ricardo Paiva.
AO ALÉM
Meia noite e meia, de repente um arrepio
Não é febre, não é frio
Sei perfeitamente o que conduz a lua cheia
Essa abstração aos meus medos, alheia
É a intimidade entre mim e o além
Quem sabe os meus segredos
Sabe que um dia eu já morri também
Ah, eu amo vocês!
Vocês que já foram, mas vigiam os meus passos
E os passos que ouço, a cortina que balança...
Os sussurros no ouvido...
São todos os que me amam e se importam comigo
Quando sentir um arrepio ou uma emoção de tristeza ou medo, seja o que for que estiver fazendo ou indo ou mesmo próximo de um estranho, para tudo e vai embora, muitas das vezes os anjos nos avisa dando um sinal ou uma sensação, é hora de colocar a cabeça no lugar e buscar segurança.
Fecha teus olhos pra uma viagem incrível... respiração ofegante, arrepio... aquele beijo no pescoço que já conhece o caminho... aquela pegada gostosa que tira do sério, deixa sem rumo, sem roupa, sem culpa...
A gente é conexão de almas, de outras vidas... sei lá a gente é de vidas passadas, de amores antigos... de verdades guardadas, secretas, proibidas... a gente é paixão ardente, desejo, loucura ou amor se assim cabe dizermos... só sei que te conheço a décadas, anos ou meses mas conheço na palma da mão...
Poesia pra mim é arrepio...
Pele na pele, lábio no lábio...
Coração batendo em compasso...
Poesia pra mim é olho no olho...
Sussurro ao pé do ouvido...
Fogo, paixão, desejo, gosto...
Poesia pra mim é o ato... o fato consumado.. o tal do ver pra crer...
O arrepio na minha pele quando você me toca é sinal que meu corpo já se preparou todo pra te receber denovo... vem fazer morada no meu eu... fazer tua alma a minha casa ..brincar de amor, brincar de amar, dar um nó, ser um só...
Ele passa por mim..
sinto frio.. um arrepio..
sinto minhas pernas tremendo..
meu Deus.. ele e meu mundo..
e nao sabe disso..
ele passa por mim.. e leva com ele..
toda minha esperança.. todo meu amor..
e eu fico aqui sonhando acordada..
esperando que um dia ele perceba ...
ele repare.. ele se toque..
que ele e meu mundo.. minha vida...
Você sussurrou baixinho ao pé do meu ouvido ... o arrepio veio na hora ...meu bem , meu bem ... minha pele não suporta teu toque .. imagina essa cafungada tua no meu cangote.. meu corpo pira ...
Arrepio bom é aquele que começa na pele ,no toque ... transpõe o corpo e marca profundamente a alma ...
E toda mulher causa algo nos homens ... arrepio na pele , perca de fôlego, dores de cabeça ou borboletas no estômago...mas todas causam algo ... todas , sem excessão!!!
O amor é uma viagem louca , intensa ... de pele na pele , arrepio , toque ... beijos na boca... de estações dos pés a cabeça..com destino final , a alma ...
Eu me arrepio todo de alegria, quando alguém diz uma arbitrariedade espiritual, pois é dali que nasce uma oportunidade para a verdade ser manifestada como juiz da ignorância.
