Abismo
A Chave e o Abismo
Na teia das palavras, um livro se ergue,
Sagrado texto onde a alma converge.
Mas quando a mente tateia, a visão se turva,
A interpretação falha, a intenção se curva.
Se o entendimento erra, por má-fé ou pressa,
Um grande risco à frágil fé atravessa.
Vidas de esperança, em terreno incerto,
Veem seu porto seguro virar deserto.
A verdade é um farol, não é uma chama breve,
E a leitura do texto, que a alma eleve,
Jamais poderá ser um capricho pessoal,
Para que o seu valor real resplandeça, afinal.
Que a Bíblia, fonte clara, em si se explique e mostre,
Onde o sentido é puro, e não onde o eu se prostre.
Pois na verdade una, a essência se revela,
Luz que a todos guia, fiel e singela.
ass Roseli schionato Ribeiro
Entre o Marasmo e o Abismo
O instante em que percebemos que a vida vai além do piloto automático nos causa um estalo, um quase colapso. Ficamos divididos entre o marasmo da zona de conforto e o abismo do novo. Mudar assusta; a incerteza gera insegurança. Mas existir na nossa mais pura autenticidade exige o salto. E se o salto causar instabilidade? O remédio é tentar, falhar, aprender e evoluir. Esse é o propósito.
Se para morrer basta estar vivo, para viver é preciso coragem para acreditar em si mesmo. O amor traz o risco do sofrimento, e amar exige a força de saber que ele permanece, mesmo nos dias mais cinzentos. Às vezes, porém, amar significa desapegar. Deixar ir para um lugar distante, um recomeço silencioso.
A grande virada de chave é a autossuficiência. O amor-próprio não nos fecha para o mundo, mas nos acolhe. Ele nos lembra que somos dignos do afeto alheio, mas, acima de tudo, que fomos feitos para ser o grande amor da nossa própria vida.
Eis que eu me questionava o que é a vida então? A vida é uma ponte suspensa sobre o abismo do desconhecido. O seu escultor é o tempo inerente das passagens, de quem parte sem bagagem no último trem da existência. A memória é um jardim de folhas douradas, do verde que já é passado. A esperança é uma estrela distante. O amor é uma constelação errante que brilha a cada instante. A consciência é um farol na neblina, só se pode ver a pouca luz que ilumina. O destino é um rio subterrâneo, que nos leva e nos trás, nos dá e nos tira. A saudade é um oceano sem margens, que transborda em nossas almas. A existência é uma chama exposta ao vento, que trás alegria ou sofrimento. Mas sejamos amenos. O tempo recolhia as flores do verão e a madrugada abriu lentamente suas pálpebras. Na terra, uma montanha carregava segredos milenares, enquanto a chuva escrevia cartas sobre os telhados. O tempo carregava confidências antigas sussurradas em silêncios. A memória chamava meu nome, e eu seguia esquecida de mim. O crepúsculo despia seus mantos dourados na eternidade silente. O perfume da existência se vestia da voz aveludada do vento, que tinha o sabor cristalino da esperança. O silêncio azul da madrugada ouvia a melodia prateada da chuva. Ao amanhecer, a claridade macia da paz se fez nos jardins floridos, e se sentia o aroma luminoso dos lírios. A doce tristeza da saudade era o brilho perfumado das lembranças. E eu construia minha morada entre a luz e a sombra. E entre o ruído e o silêncio eu encontrei sentido, pois o princípio e o fim habita a existência. A luminosa escuridão da alma divagava no silêncio que gritava na paz inquieta dos sábios.
A CERTEZA DA FÉ
"Ter fé não é ver a ponte antes de atravessar o abismo; é sentir o chão firme de Deus sustentando cada passo seu, mesmo quando tudo ao redor parece incerto."
Lucia Reflexões &Vida
Existe um abismo entre o desejo de viver e a capacidade de atravessar a soleira da porta.
Não é medo da rua, é pavor de ter que carregar esse peso diante de quem não entende de gravidade emocional.
SerLucia Reflexoes
Ó Absoluto, escuta o brado do espírito ao abismo lançado,
rompe a Cama infernal, trono do Pecado profundo;
arranca-me do sono onde meu nome é sepultado,
antes que a sombra me consuma e me apague do mundo.
29-05-17
Não quero..
Desatinado, à beira de um abismo, quase no fundo do túnel, falei com Deus!
Não quero Sr. minha mente para projetar coisas ruins! E sim fazer o bem!
Não quero Sr. os meus braços para violência, agredir e machucar! E sim fazer o bem!
Não quero Sr. minhas pernas para correr, fugir da polícia! E sim fazer o bem.
Sou perfeito físico/mental, e só o que eu quero Sr. é saúde para reencontrar minha auto-estima e poder correr atrás dos meus objetivos sem ter que prejudicar ninguém.
Entre as coisas mais semelhantes é onde é mais bela a ilusão: porque é sobre o abismo pequeno que se torna difícil lançar uma ponte.
A Invocação do Abismo
Será... que terei a sorte de tê-la em minha vida envolta em amarguras?
Eis a lua. Eis o fôlego da minha essência.
Eis a partitura do meu corpo, que ecoa e clama por amor.
Eis o esplendor, oculto neste mundo de horror.
Onde já não há amor.
Apenas dor.
Caminho e pisoteio os meus próprios cacos.
Oh... abismo, olhe para mim!
Pois agora vive em mim
A dor que eu jamais ousei sentir.
A Súplica ao Abismo
Diga à terra, diga ao sol,
Diga ao mar para gritarem aos quatro cantos,
Até que a lua pare para escutar:
E o abismo, no qual me reflito, por fim volte a me encarar.
Puxe-me... Rasgue-me!
Quero arrancar de mim este egoísmo humano.
Derramo o meu sangue sob o céu que agora escurece.
A morte, da qual tanto fujo... fugir dela de nada importará.
A morte virá, e toda a existência despencará.
Perecerei. Apodrecerei. E à terra eu voltarei.
Então, ao mar eu clamarei:
Afunde-me! Guarde-me e traga-me o amor!
Pois, neste peito em ruínas, eu suplico por esse vazio esplendor.
Gaza Livre
Entre eu e o abismo,
Pasmem o que descobri.
Existe uma vontade
Que não posso alimentar.
Entre eu e a vida,
Pasmem o que descobri.
Existe uma vontade
Faminta que me devora.
Essa vontade se chama
Sonho.
Carregamos o próprio abismo e as próprias asas, o tamanho de cada um depende de qual deles você escolhe dar de comer hoje.
Observa-se em certos indivíduos, notável escassez de profundidade moral e intelectual, abismo paradoxal à envergadura desmedida de suas aspirações.
''O Cataclismo Iminente''
No abismo interno ou mar infinito,
São várias emoções misturadas,
Fazendo-nos ficar sobrecarregados e aflitos,
Um colapso iminente, como uma bomba-relógio.
Se permanece no mesmo lugar,
Até um momento explodir,
Gerando uma catástrofe enorme.
E mesmo reconstruindo os edifícios,
A população afetada,
Ainda terá sido a afetada,
E a nada que possamos fazer,
Que mude isso.
Mas podemos ao menos,
Reconstruir com mais cuidado,
E ficarmos sempre preparado,
Se acaso vier um abalo sísmico.
Há amores que não pedem casa, pedem abismo. O nosso foi assim: intenso, especial, mas inabitável. Não por falta de sentimento, mas por excesso de medo. Não por ausência de amor, mas por incapacidade de o sustentar no mundo real. O que existiu entre nós nunca foi pequeno... apenas nunca encontrou chão.
Nós nos amamos no território onde tudo é permitido: na palavra, na promessa, na eternidade abstrata do “para sempre”. Ali, o amor era livre, belo, absoluto. Mas quando se aproximava da vida concreta (do tempo, das escolhas, das consequências) ele recuava, tremia, se escondia. Amar, para nós, não era encontro: era vertigem.
Você me amou sem me escolher. Eu te escolhi sem poder te ter. E nesse descompasso, criamos um laço feito de presença e ausência, de retornos e fugas, de silêncios que gritavam mais do que qualquer declaração. Não foi mentira. Também não foi completamente verdade. Foi sentimento sem morada.
O que nos uniu não foi a possibilidade de ficar, mas a impossibilidade de partir por completo. Eu fui o lugar onde você sentia sem precisar decidir. Você foi o lugar onde eu esperava sem poder avançar. Um amor clandestino não por traição apenas, mas por existir fora do tempo certo, fora da coragem necessária.
E ainda assim, isso não me diminui. Nem te transforma em vilã. Mas nos impede de seguir.
Porque há amores que não adoecem por falta de afeto, e sim por falta de destino. Eles não morrem... suspendem. Ficam pairando como uma música bonita demais para ser interrompida, mas dolorosa demais para ser repetida.
Talvez seja isso que fomos: um amor real demais para ser esquecido, e impossível demais para ser vivido. E amar assim é belo, mas ninguém mora no abismo.
