Abismo

Cerca de 2396 frases e pensamentos: Abismo

Há uma luz antiga no fundo do abismo,
não chama, mas acolhe.
Quando os pés param à beira,
é a terra que respira sob eles,
lembrando:
nenhum salto é sem mãos invisíveis.
Que o vento venha,
não para derrubar,
mas para sustentar.
Que ele ensine o corpo a confiar
no movimento que não fere.
O erro não é maldição.
É abertura.
Ferida por onde o amor esquecido
retorna ao sangue e faz pulsar o coração.
Que aquilo que sangrou
seja lavado não pelo medo,
mas pelo tempo certo.
Que essa pele nova endureça.
As defesas podem descansar.
Que as muralhas se tornem portais,
que os fantasmas dissolvam seus nomes.
Coragem não é ataque:
é permissão.
Que o amor seja lembrado.
Não como promessa,
mas como presença.
Que o sol não seja negado
mesmo quando a noite ainda pesa.
Que os ossos desaprendam a dor
que não lhes pertence.
Se houver sombra,
que ela seja abrigo,
não prisão.
Que o silêncio não engula,
mas escute.
E ao caminhar,
mesmo sem mapa,
que cada passo seja bênção.
Que o passado não seja apagado,
mas se torne aprendizado.
E que novos e bons caminhos surjam
onde antes só havia medo.
Assim seja no corpo.
Assim seja no fôlego.
Assim seja no agora.

⁠A alma encontra sua verdade no abismo entre o que deseja e o que teme.

⁠Existir é estar sempre diante do abismo, sabendo que o salto não tem garantias, mas é o único caminho.

De abismo em abismo constrói teu pináculo.

Não olhe para o amanhã como um abismo, mas como um horizonte que só existe porque você tem a coragem de caminhar em sua direção. O futuro não é algo que acontece conosco; é algo que criamos com o fogo da nossa decisão.

A Ponte e o Abismo


Todo ser humano, em algum momento, encontra diante de si um abismo — não apenas de pedra e profundidade, mas de medo, limite, solidão e escolha.


Alguns recuam. Outros permanecem anos contemplando a distância entre onde estão e onde desejam chegar. Há também aqueles que, depois de muito preparo, concentram toda a coragem que possuem e saltam.


Quando conseguem alcançar o outro lado, o mundo os chama de vencedores. Celebram sua força, sua disciplina, sua coragem. Mas existe um silêncio que acompanha certas vitórias: o eco de olhar para trás e perceber que ninguém mais conseguiu passar.


Porque atravessar sozinho pode ser um triunfo, mas também pode ser apenas uma forma elegante de isolamento.


Foi assim que um homem, após vencer o abismo com o próprio salto, percebeu que sua conquista ainda carregava uma ausência. Do outro lado permaneciam os que também sonhavam atravessar, mas não tinham o mesmo impulso, a mesma força ou as mesmas condições.


Então ele compreendeu algo que poucos entendem: há vitórias que pertencem apenas ao ego, e há obras que pertencem ao tempo.


Voltou ao abismo.


Com as próprias mãos, feridas pela pedra e pelo peso, começou a construir uma passagem. Cada pedaço de madeira colocado era mais difícil do que o salto havia sido. Porque saltar exigira coragem por um instante; construir exigia renúncia por muitos dias.


Quando a ponte ficou pronta, outros passaram: os cansados, os inseguros, os lentos, os que jamais conseguiriam saltar.


E naquele momento sua vitória deixou de ser apenas um feito pessoal para tornar-se transformação histórica.


Porque quem apenas vence prova a própria força.
Mas quem constrói caminhos altera o destino de muitos.


No fim, o abismo continua existindo — porém já não decide quem fica para trás.


Autoria: Gildo Ferro Barbosa ✍️

Findas as eras num só pulsar: que a vida não seja abismo, mas o solo fértil onde a alma planta seu próximo caminhar diante da morte.

A bordo de mim
Trancafiada em mim,
no abismo, vi:
o mar se revelou.
Oculta,
embalo o fim,
estou a bordo.
O inundar do mar, sôfrego mar,
vem se lamentar.
Pálido.
Gélido.
Seco.
Escureceu,
não sou mais eu:
o mar sou eu.
Fugi sem ar,
pra me enclausurar
num olhar sombrio.
O medo embarca,
revira marcas
do meu pesar.
As ondas vêm,
molham meus pés,
e eu, mergulho.
Vento bravio,
calafrio
me faz chorar.
Tempestade à vista:
o barco vira,
e eu me embaraço
no relembrar.
Aos prantos, grito:
sou eu o mito
desse tal amar?
Ouço gemidos
do fundo do mar.
O horror me chama,
me mostra além
um antigo olhar.
Quando era ardor,
quem sabe amor
levou o mar.
À deriva,
na noite,
tento me refugiar.
E a negra vem
me acompanhar.
Seus braços frios
acariciam
meu perturbar.
O barco vira.
O retrato quebra.
Meu pesar, disperso.
Corta meus pés.
Ao chão, debruçada,
sangro, sem dor.
Junto os pedaços,
varro os cacos
de um amor opaco.
Mas a água vem.
As correntes vêm
me soterrar.
O barco alaga,
afunda lento,
o vento consente
meu naufragar.
E a brisa leva
o que restou de mim.
Meu ser se afoga.
O sal corrói
esse sôfrego amor.

Um covarde teme o abismo.
Um corajoso pula sem perceber que não há chão.

Um covarde teme o abismo.
Um corajoso pula sem perceber que não há chão.

Eu Quiseras

Eu quiseras amar, sem medo, sem fim,
Mergulhar no abismo que leva a ti.
Eu quiseras voar, tocar o luar,
No brilho dos sonhos, contigo estar.

Eu quiseras me entregar ao teu calor,
Perder-me inteira no teu amor.
Eu quiseras delirar, me dissolver,
Ser tua sombra, teu ar, teu ser.

Eu quiseras morrer no infinito,
Ser brisa leve no teu suspiro.
Eu quiseras, eu quiseras sem temer,
Ser tua, ser nós, ser só prazer.

A fome empurra o caçador à beira do abismo,
onde o risco dança com a necessidade.
Seus passos não são feitos só de coragem,
mas de urgência —
de quem não pode voltar de mãos vazias.
Do outro lado, a caça pressente o vento,
lê no silêncio o sinal da ameaça.
Carrega nos olhos o instinto antigo,
o chamado bruto da sobrevivência.
Não é fraqueza fugir —
é sabedoria guardar o próprio sopro de vida.
E nesse encontro invisível,
não existe vilão nem herói.
Apenas a lei crua da existência,
onde um precisa viver…
e o outro luta para continuar sendo.
Talvez a vida seja isso:
um equilíbrio inquieto,
entre a fome que nos move
e o medo que nos protege.

A maré subiu. O homem agora é a onda e o abismo. E vocês deverão ser, a espuma nos tímpanos deles.


Rosário Bissueque

Quando a coragem é grande, o abismo
acobarda-se e você ganha asas.

Quando o medo é o motorista, a estrada sempre o levará em direção ao abismo.

Protegemo-nos tanto pela tecnologia que, muitas vezes, já não percebemos o abismo de insensibilidade e desconexão emocional que se alarga entre nós.

Distraídos com a paisagem, as escolhas não parecem importantes; mas, quando o abismo chega, o desvio pode já ter ficado para trás.

No abismo do meu peito havia um coração.

⁠“Mesmo no abismo do medo, há uma luz sutil apontando o caminho. Mude o foco do olhar.”

Eu tô num abismo,
num abismo frio e sem cor…
sem amor.


Amor… aquele que me prometeu amor,
onde foi parar o seu?
Se perdeu de mim
ou nunca foi meu?


Amor… palavra tão cheia,
hoje ecoa vazia,
bate nas paredes do peito
e volta… fria.


E eu fico aqui,
tentando entender
se o amor acabou…
ou nunca chegou a nascer.