Abismo
ABISMO
Demétrio Sena - Magé
É amar esquecido, feito inexistente;
aguardando a centelha de alguma saudade;
crendo numa verdade afetiva sem fundo,
na semente que um dia julguei tornar fértil...
Definhar no meu sonho de ler nos teus olhos
a menor sintonia; um carinho disperso;
não achar um só verso daquele poema
que julguei ter composto em nossa construção...
Um amor dado inteiro sem pedir migalha
começou a sentir a solidão inteira
sob a falha da força que devia ter...
Eu te amo sem fim, entretanto me sinto
encolher feito folha e me desidratar
sem saber me tratar desse abismo profundo...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
O problema não é o tamanho do abismo à sua frente, mas o tempo que você gasta olhando para baixo em vez de construir a ponte.
RELEVO SENTIMENTAL
Às vezes, sou um abismo tão profundo,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Sinto vertigem – caindo-me nas entranhas do mundo.
Às vezes, sou uma planície tão extensa,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Perco-me num horizonte vago – sem fim.
Às vezes, sou um deserto tão escaldante,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Não sei se paro ou sigo adiante.
Às vezes, sou um planalto tão irregular,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Embrenho-me em depressões cheias de espinhos e cipoal,
Cercadas de montanhas difíceis de escalar.
No mais das vezes, apraz-me ser este relevo,
Pois, ao olhar para dentro de mim,
Sou nova paisagem a cada dia,
Não conheço monotonia:
Se hoje sou depressão;
Amanhã, sou majestosa montanha,
Com meu olhar otimista,
Olhando o mundo a perder de vista;
Depois de amanhã, sou verdejante colina.
Com flores, pássaros e rios de água cristalina –,
Sou vida que não conhece rotina.
Recomeço
Depois do abismo, ainda há chão.
Mesmo ferido, pulsa o coração.
Cada lágrima caída em silêncio
rega uma semente de renascimento.
Não se apaga o que se viveu,
mas também não se apaga quem sobreviveu.
Você está aqui — cansado, eu sei —
mas estar aqui já é prova de lei.
A dor te moldou, te feriu, te fechou,
mas não levou tudo, não levou o amor.
Talvez escondido, talvez sem cor,
mas o amor por você ainda vive e tem valor.
Ninguém precisa correr para curar,
recomeçar é apenas respirar.
É abrir a janela mesmo sem vontade,
é permitir-se um pouco de liberdade.
Aceitar que foi difícil, aceitar que doeu,
mas dizer com firmeza: "Eu não me perdeu."
Não há pressa no tempo de florescer,
há apenas o compromisso de não mais se esquecer.
De você. Da sua essência. Da sua luz.
De que a vida, embora dura, ainda conduz
quem tem coragem de tentar mais uma vez,
de recomeçar… mesmo sem talvez.
A Essência do Raro
Por William Teix
O que os olhos rasos viram como abismo, era na verdade, nascente.
Onde leram falta, havia uma urgência de transbordar o que é único.
Não era o eco de um peito vazio, mas o silêncio necessário para que o raro pudesse escoar.
A carência é sombra que busca a luz;
A raridade é a própria luz que, de tão intensa, cega quem não está pronto para ver.
Um dia, o tempo — o senhor de todas as situações e verdades — dirá que não havia carência alguma,
Apenas uma alma que, por ser uma joia rara, não aceitava o entendimento de mentes comuns.
O Equilíbrio do Abismo
O Nada é o silêncio onde a visão se cria,
No tecido invisível, o Algo se faz notar.
Mas o mundo se perde em sua própria agonia,
Por ter medo do que o espelho tem a revelar.
Mergulhei no DNA, na tinta da medula,
Desconstruí o templo para o ser libertar.
Pois quem segue os escritos, na cela se imobiliza,
E esquece que a verdade só o coração pode ditar.
Não tema o delírio, nem a voz que te guia,
O perigo é o naufrágio na margem vazia:
A gente só fica louco quando não sabemos distinguir
Entre a realidade e a fantasia.
O silêncio era ensurdecedor...
E poucas palavras foram o suficiente para dar lugar a um abismo em meu peito...
"O corpo sem Deus é uma máquina em busca de combustível; a alma sem Deus é um abismo tentando se preencher com o que é raso."
-Dr. Diogo Sena
A FARSA DA VAIDADE
O ABISMO DO INVALIDADOR
Quando o trabalho de um indivíduo nasce da tentativa de diminuir o de outro,
em sua origem o invalidador já é uma farsa.
Usurpador que tenta galgar atenção com a ilusão do esforço alheio,
mentiroso sem escrúpulos que sustenta um corpo oco,
voando na brisa da própria enganação.
De todas as vaidades,
quem flutua em ilusão é sempre o primeiro a colidir com o muro da realidade.
Atravessam o tempo apenas aqueles que cultivam o esforço e, sem intervalos,
falam a verdade no silêncio, sem necessidade de cúmplices ou testemunhas.
Nirvana dos escombros
Este nirvana é um abismo calmo,
um silêncio que abafou o grito.
É a raiz que sonda o vazio
na terra árida e tolhida.
Sob a lâmina das cobranças,
cresci em solo de desamparo,
e o colo que a noite pedia
virou pó dentro do peito amargo.
Na adulta que não conquista,
só resta o sabor letárgico
de tentar ser o que esperam
e ainda carregar o fardo.
É o nirvana da decepção,
da alma inquieta e torta,
um céu de nuvens pesadas,
um porto que não aporta.
É raiva que não se grita,
desamparo enraizado.
É buscar um pouco de abrigo
e achar o mundo trancado.
E se paz existe em algum lugar,
não é aqui, não é nesta dor.
É só o vestígio da ressaca
de um amor que não veio, doutor.
É tão difícil olhar para frente quando o abismo te olha de volta.
Difícil é olhar para dentro — e ver-se sangrando em silêncio,
gritando em ecos que o mundo não ouve.
Há um choro que não cessa,
um grito que não morre,
um dilacerar lento que se repete em cada amanhecer.
E mesmo assim, sigo.
Não disfarço.
Deixo que a dor me atravesse, que me rasgue, que me ensine.
Deixo que o pranto limpe as feridas,
que o grito me devolva à vida.
Porque há beleza no que despedaça,
há verdade no que queima.
E talvez seja só no fundo do abismo
que a alma, enfim, aprenda a respirar.
“Marchei resoluto em direção ao abismo, para evitar que aquela apetitosa fruta se perdesse em seu vazio.”
Ah...minha sombra que surge por trás, atrás de desfazer a lacuna, o abismo que criei entre eu e você. Sombra minha, meu eu emoção, meu coração quer ficar vazio de dor, vazio de amor. Lado caprichoso de minha alma, que não me deixa, que não te deixa do lado de fora.
Flávia Abib
Amor é isso: é segurança, é apoio, é solo,é firmeza e é ponte quando o abismo permanece aberto.
╰☆╮
FranXimenes*
01*08*2013
Saudade
A ausência —
essa forma delicada do abismo —
habita-me.
Faz falta o que fui
quando me reconhecia em teu corpo.
Nunca imaginei sobreviver ao sem,
mas o sem revelou-se lâmina:
rasgou-me no limite do grito,
no atrito exato do desespero.
Por quê?
Que gesto foi esse
contra um coração ainda intacto,
tão ingênuo quanto fiel,
que já te sabia amor
antes mesmo do início?
A tua falta ecoa.
Ecoa como febre.
Desespero.
Paixão.
Delírio contido.
Imobilizo-me
para não ir atrás de ti,
para não desfazer o pouco
que ainda me sustenta.
O que era tudo
aprendeu a chamar-se nada.
E no centro desse vazio
tento reaprender o hábito de existir,
entre ruínas silenciosas
e consequências que fogem.
Estou morta —
não por ausência de vida,
mas por excesso de perda.
Morta estou.
E não posso
ter-te de volta.
R.Cunha
Te amo
como quem respira fundo no abismo:
com medo,
mas sem recuar.
Te amo
não pelo corpo que caminha ou não,
mas pelo fogo que carrega
e que me incendeia por dentro.
Amar você é mergulhar
num oceano sem mapas,
onde cada toque,
cada olhar,
é descoberta e entrega.
E mesmo que o mundo veja limites,
meu coração não vê nada além de você.
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