Voo
Voo noturno
Sonhos precisam de asas
Acontecem durante o sono
E também estando desperto
Noturnos descansam a mente
Diurnos alimentam a esperança
Acalentados para se tornarem certos.
Sonho para menos saudade
Acordo para te ver de perto
Voo noturno, encontro etéreo
Pouso diurno, teu amor na realidade.
O Vôo da Fenix
Eu acho que sempre soube que seria assim, mas nunca quis enxergar. Sabia que eles estavam lá em fila, esperando para me ver quebrar a cara. Mentindo quando tudo que eu precisava era a verdade. Estou cansado disso. Viver, me aborrecer e continuar nesse sofrimento sem fim. Preciso me libertar, fazer a dor cessar. Tudo está caindo em pedaços, eu continuo a me obliterar dia apos dia. O céu está sangrando, sinto suas lagrimas silenciosas, sinto o gosto amargo da perda e nela, seu inadiável fim. Fui despedaçado como um pedaço de vidro, fui amassado e queimado como um frágil pedaço de papel e ainda deixado para perecer no deserto, no entanto, lutei por uma saída, briguei por outra chance e assim consegui me reerguer. Ascendi aos céus de maneira que jamais imaginei que poderia, superei os limites tornando-me implacável e destemido. Mas para que se a vida ainda assim depois de tantas vitorias insiste em me derrubar. O que eu fiz de errado? Não sou merecedor, é isso? Infundados obstáculos já superei, mas admito que estou farto. Farto dessa infundada luta sem fim. Em breve entregarei os pontos, em breve não mais existirei. Achei que seria forte para todo sempre, mas a quem estou tentando enganar, pois o sempre sempre acaba quando menos se espera, puf... Era uma vez. Nada mais.
Estou caindo e caindo sem mãos para me resgatar. Estão todos lá a beira do precipício assistindo, esperando a hora fatídica e nada pretendem fazer.
Estou no meu limite, seja da razão ou da sanidade. Só sei que já chega, já deu. O show acabou e as cortinas estão prestes a se fechar. A fumaça se dissipa calmamente. Vou me perdendo pouco a pouco. Preciso desligar, fazer parar essa dor que me atormenta e quem sabe assim renascer das cinzas como um super nova de amor e compaixão. Uma explosão de coisas boas que a humanidade a tempos já se esqueceu. Como um pássaro de fogo rumo ao novo mundo seguirei. Um lugar mais digno sem tanta injustiça, onde se prevaleça a verdade, eu espero. Onde se possa viver em paz, se e que isso seja capaz.
Podemos correr ou fujir a vontade, mas a verdade estará lá. Esperando...
Ela não irá apenas dizima-los, mas sim transcende-los! Irá fazer do ordinário algo extraordinário. Achará amor em um lugar onde nunca houve se quer, esperança.
"A um pássaro verde na minha alma, e uma aurora em cada amanhecer, voo a caminho dos bosques de quimêras a procura de novas alvoradas."
Ponto de partida
Sou um ponto de partida
desde onde as pessoas alçam voo,
decolam.
Quando alcançam altura,
olham para baixo e ali estou
um ponto… um simples ponto.
Um ponto de partida
Talvez se esqueçam de mim,
talvez nunca regressem.
Entretanto,
o que sou jamais deixarei de ser:
seu ponto de partida.
Há também os que regressam,
porque para eles,
além de ponto de partida
sou uma parada de descanso.
Pouso: o momento mais decisivo do voo
Pouso: o momento mais decisivo da vida
Chegue bem, termine com honra!
Onde há asas
a poesia ecoa
a emoção voa
a vida ganha formas
a natureza se transforma
num voo de borboletas...
O pouso e voo
O poema pousa no peitoril da janela
O poema respira e me olha arfante,
trazendo consigo um ar distante,
que logo deixo entrar pelo meu olhar
Eis que trocamos de lugar num instante:
Ele fica na minha cadeira de vigia
E eu saio pela janela a viajar...
Sou leão e não gosto de jaula.
Sou águia que olha pro horizonte e ganha vôo…
Sou animal que ama a liberdade !!!
Minha alma é livre...
Meu corpo também.
Meu vôo é distante,
não me prendo a nada
a ninguém!!
Hoje sou mar...
amanhã posso ser deserto.
Comigo tudo é incerto!!
Minhas asas são de ferro...
E assim mesmo voo para
aonde quero...
Meus ossos são repletos
de sonhos e pesadelos...
E isso me incita a continuar
com dor e lágrimas...
Meus pés são carne e sangue
que deixam versos em
planícies de fogo e espinhos...
E nunca olho pra trás...
Porque adiante outros tantos
caminham na mesma ou
contraria direção...
Com ou sem objetivos
semelhantes...
Meus olhos são vidro...
E assim reflito sobre as
sombras e eu nesta jornada...
Já fui humano...
Me tornei deus...
E mesmo assim meus
sentidos continuam
existindo...
Neste mundo de carvão
e luzes que rasgam as
nuvens..
Soslaio juvenil
Um olhar
Uma pena
Um punhado de terra
Um voo de balanço
Trançando as próprias pernas .
Veio a vontade de voar, então...
Preparei meu plano de vôo,
vesti minhas asas da imaginação
e lá vou eu em tua direção.
ESPERANÇA
Sou pássaro.
Voo longe... Nas ideias, nas distâncias, nas ausências...
E sempre pouso ao teu lado
E mesmo quando viajo para longe, quando dias longos distante fico; É para teus braços que volto, é em teu ninho que descanso, mesmo achando tantos outros pelos meus caminhos. É sobre seus cuidados que recupero as minhas asas quebradiças e em teu colo macio que curo o meu cansaço...
E assim como todo e qualquer pássaro preciso voar... Necessito sentir a brisa entre minhas asas e perceber minhas penas tremendo com o vento, me levando para longe.
Mantenha a serenidade... Mantenha a calma, amado meu
Pois logo volto!
Sempre amor meu, sempre volto!
E de repente, quando vi, meu pássaro voou p’ra longe e se foi...
Foi ser feliz, foi viver, foi recarregar suas forças longe de mim.
Lá longe, num lugar onde ficam meus sonhos, onde sempre povoou meu imaginário...
E eu fiquei imaginando que meu pássaro levou meu coração junto.
Torcendo para que, antes de voar bem alto, tenha deixado um pedacinho dele naquele santuário escondido, secreto. Perto daquela singela arvore, com aquele chão de pedra um tanto empoeirado, onde ainda jaz o seu outro coração, bem ao lado daquelas flores que com todo cuidado meu pássaro deixou!
Esperando que meu pássaro volte lá p’ra me buscar! Quem sabe? E se ele esquecer?
E de tanto gostar, quem sabe até amar; decidi por bem deixar meu pássaro voar. Sei que ele tinha que ir... Por que também sou um! E eu o entendo...
Por isso, minha amada, que decidi deixar-te e esperar você voltar p’ra mim.
E embora minha vontade seja de voar até ti, vou deixar você decidir quando vai querer me encontrar.
Mesmo correndo o risco de nunca mais em mim você pousar. Porque você é livre para escolher se é comigo que irá repousar. Imaginando que esteja me levando junto também!
Então de longe, fico imaginando meu pássaro! Batendo suas asas, essas asas tremendo com o vento e levando-o p’ra longe... E no meio dessa minha inquietação, surge um sorriso nos lábios; porque meu pássaro, lá longe, está feliz!
Então o que fazer? Como dessa saudade me curar?
Esperar...
E ter esperança que aquele pássaro decida, mesmo sendo singelo, que seja nesse ninho, nesse abrigo, que ele queira ficar...
Para os que resistem ao amor...
Como não sucumbir ? Permitir o coração num voo descontrolado recusar o pouso? Como se o bater das asas não cansasse o corpo... Ilusão da mocidade que ainda não conhece o conforto do ninho.
