Viver em Sociedade
Sim, é verdade: um sistema social doente, maluco ou inadequado — cheio de vícios, mentiras, ganância, bagunça, traições, violência, suicídios, transtornos mentais, e muitas formas de covardia — cria pessoas doentes, malucas ou inadequadas.
Sobre casamento:
Casar?
Eu!?
Sinto muito, mas se eu tivesse uma sádica vontade de iludir alguém e a mim mesmo,
seria político.
Se eu tivesse vontade de gastar dinheiro para tornar minha vida miserável,
usaria crack.
Se eu tivesse vontade de passar anos e anos fingindo um amor para uma criança,
entraria numa série.
Se eu tivesse vontade de ter alguém dividindo o teto que no futuro falasse mal de mim pelas minha costas,
viveria num albergue.
E se eu procurasse aprovação da sociedade,
eu não seria eu mesmo.
Sinto muito mas tenho a honestidade de assumir que não posso dar um paraíso,
não sou nenhum deus ou entidade Tanática para tal.
Sou apenas um ser humano que compreende que o amor é um fogo que pode ser aceso por apenas dois acendedores cegos pelo mundo,
dois que podem nunca se encontrar.
Como era fácil tirar proveito da tendência de uma pessoa à autodestruição; como era simples empurrá-las para a inexistência, depois recuar, dar de ombros e concordar que este fora o resultado inevitável de uma vida caótica e catastrófica.
Pior que reconhecer as nossas falhas, é conviver com pessoas que no nosso lugar, jamais falhariam. É necessário paciência, acima de tudo, para manter-se em harmonia no convívio social.
A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim
Na pastelaria defronte à casa vazia de mim
onde habito
distraio-me nas gargalhadas imbecis
das gentes rotineiras que absorvem meias de leite e galões
fazendo uma espécie de orquestra
com o autocarro parado adiante
falando da vida alheia
com a boca tão cheia
que chegam a cuspir “gafanhotos”espaciais
apanhando os mais incautos.
São raras as vezes que passo por lá,
mas gosto de observar o saltitar dos pardais em busca de migalhas.
Na pastelaria defronte à casa
onde ainda habito
o álcool ameniza as mágoas,
a marijuana devolve-lhes
os sonhos mais banais
e as crianças vagueiam soltas sem jantar
brincando e comendo gomas e chocolates.
Se ao menos fossem como os pardais da manhã a saltitar entre as mesas,
se ao menos fossem como alguns cães que certas senhoras
levam a passear aos quais compram bolos de arroz ou com eles dividem a tosta mista!
Quão estéril é a pastelaria defronte a esta casa vazia de mim!
A política o ajudará a entender o mundo até você não entender mais e, em seguida, o colocará em um campo de prisioneiros. A religião também.
Quando você passa anos sem saber se estará morto daí a cinco minutos, não há muita coisa com a qual você não possa lidar.
É uma constante da História que as nações que começam guerras descubram que é muito difícil pará-las.
E se o mal não existir, de fato? E se o mal for uma coisa concebida pelo homem, e não houver contra o que lutar, a não ser nossas próprias limitações? O constante combate entre a nossa vontade, nossos desejos e nossas escolhas?
Vai, Brasil? Só de juros estamos pagando 1,5 bilhão por dia. Acordem o Gigante, por favor, meus amigos Zé Cariocas! E o avisem que a dívida pública está impraticável. Por favor.
O "Gigante que acordou"... voltou a dormir e quando se deu conta estava sonhando que sua causa era só um mundo de ilusão.
