Versos de Solidão
A vida nos quebra
O tempo nos monta
O amor nos dá vida
A morte nos convida pra dançar com ela
E quem dança somos nós sozinhos.
SOLITÁRIO
Um solitário dirige-se a algum lugar,
Está tão taciturno em seu caminhar,
Que parece perdido em pensamentos,
Fico um breve instante a imaginar,
O peso de seus tormentos.
O semblante dele tão carregado,
Que esqueço de meus sofrimentos,
Ainda que por um breve momento,
Me deixa de certo modo aliviado.
A rua deserta o torna mais solitário,
E nesse imaginário,
Me pus a divagar,
Quais planos está a sonhar?
Nunca vi antes esse homem,
Mas me lembrou alguém,
Talvez a mim mesmo em outro lugar.
Não sei se passado ou futuro,
Mas neste caos do presente,
Prefiro estar ausente,
Do meu eu inseguro.
O solitário a esta altura,
Já dobrou a esquina,
E encerro essa rima.
Eu sonho com a senhorita todos os dias
Em uma densa floresta
Com seu caderno escrito a mão
Escrito em vermelho sangue
Como a poça que eu deixo pra trás todos dos dias
Em um cômodo do meu apartamento que se encontrava branco
Hoje ele é vermelho
Em homenagem a linha escrita meu nome em seu caderno
Não esqueçam de ler as linhas pontilhadas, eles dizem.
“Sua hora não chegou, para de chamar minha atenção”
Eu incômodo até a própria morte...
Vou tentar não chama lá dessa vez...
“Sua hora chegou, vamos criança você aprendeu sua lição”
Era o que dizia aquela maldita linha pontilhada.
Esgotada
Já esgotei todas as palavras de amor.
Hoje meu dizer diz apenas da dor.
Tristeza destes dias tão maus.
Foi-se pro fundo do mar minha nau.
Navego nesse oceano sem fim.
As estrelas do céu, alguém as roubou de mim.
O tempo passa... leva junto nossos momentos.
Tem deixado em seu lugar apenas sofrimento.
Miro o céu... que azul tão bonito.
A claridade do dia desanuvia meus pensamentos.
Singro os mares...
Velejo a favor do vento... nos dias alegres, suaves, claros e bons.
Me empurra ao contrário a noite com sua escuridão.
Abrumasse de novo meu coração.
Nada há que me aqueça
Gotas de chuva vêm me molhar.
É o céu a chorar.
Pequeninas lágrimas a escorrer.
Um mundo inteiro quer ver florescer.
O céu.
Azul.
Imenso.
A me cobrir.
Um amor intenso me faz sentir.
Eu e meus pensamentos, apenas.
Na solidão das horas...
No silêncio da solidão.
O sol não aparece.
Nada há que me aquece.
O céu.
A chuva... gotinhas pelo meu corpo a escorrer.
Minha garganta queima e quer gritar.
O vento começa a uivar.
Sinto-me pouco a pouco nos meus pensamentos a me afogar.
Triste fim
Um dia vou jogar no mar minha vida.
É o mar minha única saída...
Tentei viver uma vida normal...
Mas estou tão imersa em minha dor
Que mato todo sinal de amor...
que de mim se aproxima.
Triste mesmo esta minha sina.
Tenho meus segredos.
Tenho meus planos.
Tento viver meu lado mais humano...
mas meus atos são sempre tão desumanos.
Hoje não está nada bem.
Trovões e solidão povoam meu coração.
Um dia eu mato essa dor.
quem não me conhece, talvez vá chorar...
vai pensar: 'por que será que ninguém fez nada pra ajudar?'
É... ninguém fez...
ou... fez sim...
quem podia ajudar me empurrou ainda mais para esse triste fim.
E fim!
Vida em escuridão
Em momentos de descontrole
O mundo dele virava do avesso...
E por mais que as pessoas orientassem
Ele sentia como se coisa alguma tivesse fim... nem mesmo tinham começo.
Ele dizia que o que via era só escuridão.
Sob seus pés areia movediça.
Na boca um gosto de fel...
Um castelo sem ponte levadiça.
Ele sentia bater acelerado seu coração.
O mundo girava sem parar...
Sentia-se tonto, desnorteado.
Como se tudo estivesse fora de lugar
Alone again
Alone again...
como é possível
viver sozinho?
Viver sem alguém
pra segurar a mão... e pra preencher
o espaço vazio do coração?
Viver assim,
viver bem mal assim bem não faz não...
Por que meu coração
teima em me desobedecer?
Agora sou eu que tenho de sofrer...
pois foi embora meu bem querer...
Triste sina
Imagino-te entre lágrimas.
Triste tua sina.
Por que tanto choras, menina?
Escolheste o amado errado.
Não sabias desde o primeiro momento
que ele era desonesto...
tu estarias sempre entre dele os restos.
Na hora da prece
Tua dor desaparece.
Nasce um fio de esperança:
que ele te tome pra sempre nos braços e sejas só tu a ouvir sua fala mansa.
Que sejam só teus os carinhos e beijos.
Que sejas só tu a saciar-lhe o desejo.
sem esperança
Nuvens de indecisão toldam o horizonte.
De novas ideias secou a fonte.
Indefinição... indecisão...
Não sabe pra que lado segue o coração.
Tropeços demais pela vida.
Sozinha... completa solidão sem guarida.
Longe de todo acolhimento.
A falta de um ombro amigo virou um tormento.
Sem esperança... só desesperança há.
Como então continuar?
Onde buscar força e coragem?
Difícil está se manter em viagem.
Se as palavras fossem música
eu pra sempre cantaria...
mesmo sabendo que
você jamais as escutaria.
Já não tenho ilusão,
nem mais sofre meu coração,
palavras vou escrevendo
como se fossem canção.
E de palavra em palavra,
meus dias vou seguindo
na mais completa solidão,
sigo só... e só fingindo.
Isolou-se...
como uma ilha no meio do oceano
isolada...
isolado..
nada em todos os lados.
Decepção, dor...
dormência total,
torpor.
Dorme seu coração
só, sem ninguém,
sem nada no meio do nada.
É isso que faz uma vida sem amor.
Do amor
Amor é coração aos saltos.
é salto no escuro
é admirar com cérebro e coração
é companhia
é solidão
é coração apertado
é frio na barriga
é a mais inexplicável explicação
é pregos na estrada
é duelo de espadas
é começo, meio, fim
é solução.
Amor verdadeiro
Hei, garota, não existe um amor pela metade.
Amor chega inteiro
quando é amor verdadeiro.
Amor é coisa de eternidade a eternidade
Hei, garota, não existe amor que não luta.
Amor não aceita talvez.
Amor não deixa pra próxima vez.
Amor não espera o destino fazer acontecer... ou não.
Amor põe em primeiro lugar as coisas do coração.
Hei, garota, não existe amor que não sabe o que fazer.
Não existe amor na indecisão.
Não existe indecisão no amor, não.
Amor non trova scuse...
Amor não vem com meias palavras
Nem vem pela sombra.
Não é coisa de momento.
E quando parece durar, não causa tormento.
Amor acalma o vendaval... as tormentas, as ventanias...
Amor lembra a rota, o caminho.
Aponta o Norte.
Não desnorteia.
Não enreda na teia.
Amor é conexão.
... não é dúvida nem confusão.
Amor, não segue sozinho.
Amor aponta o caminho.
Pega na mão.
Torna tudo mais leve.
Acaba com a solidão.
Aproxima-se a noite.... abrem-se as cortinas escuras, deixam entrar fios de luz escurecidos pelas trevas....
Aproximo-me da noite... silenciosamente, recolho-me como um poente.
A solidão acorda do seu longo sono diurno
fustiga minha alma com um açoite
faz tudo virar mais noite...
E de noite em noite,
nas enlutadas mãos da solidão,
eu luto pra me livrar da escuridão
da noite... da solidão... da escuridão...
da noite...
Retirou-se pra bem longe...
feito um monge.
Subiu ao mais alto pico...
o ar rarefeito o tonteou e ele voltou.
Retirou-se silenciosamente
acalmou a mente...
feito um monge
foi pra bem longe.
A solidão mais pungente
feriu-lhe o coração...
e ele voltou afligido,
o coração partido.
Então ele ficou,
no plano mais plano.
dobrou os joelhos
e chorou...
Aí ele se encontrou.
E a vida o encontrou :)
Vejo muitas pessoas
Que não assumem
Ter ao seu lado alguém
Vejo do outro lado
O alguém tentando
Finge estar tudo bem.
Flerte
A bebida flertou comigo
Estamos tendo um caso
Ela me faz esquecer
Sentimentos do passado.
Cada gole, como um beijo
Quanto mais ela me embriaga
Mais eu sinto desejo
Só eu e ela, mais nada.
A única conversa
São meus pensamentos
Os quais eu guardo intimamente
Tristes sentimentos.
A bebida, assim como uma dama
Embaralha meus sentidos
Aguça meus desejos
Aflora meus instintos.
Já que a bebida mata
Eis aqui um oportunista
Que se entrega aos copos
E termina onanista.
O homem procura na bebida
O que não sente na vida
Anestesia, fuga da rotina
Um breve momento de alegria.
Toma erradas decisões
Pra iludir a mente
Passa um tempo solitário
No meio de um monte de gente.
