Verdade
A verdades e certeza que as pessoas têm de você saíram de você nas vezes que você falou mais que o necessário
Viva de verdades e sem remorsos ou ressentimentos! Consciência tranquila te proporciona paz de espírito e mente saudável
Ser professor é enxergar na falta de estímulos, a força para continuar acreditando em suas verdades quanto educador.
Eu ando muito cansado
de viver neste mundo
tão carente de verdades
Este mundo tão lotado
da ausência de qualidades
Um mundo feito de olhos grandes
e almas cada vez mais diminutas
Um mundo de cabelos bonitos
Ornamentando cabeças vazias
Um mundo onde há poucos maestros
e muitas batutas espalhadas
Essa gente toda
Tornou-se uma orquestra horripilante
Será que fui eu quem mudou
Ou esta coisa que se escuta
Vem mesmo da Humanidade
Será que este mundo deixou de ser
Um lugar bom de se viver
Como a gente o via antes?
Talvez sejam apenas os meus ouvidos
Me fazendo ouvir
O Céu se rachando,
Temporais de vidro,
A antiga pureza se vendendo
em troca
de umas poucas moedas
Um mundo de poucas vitórias
e muitas...muitas quedas.
Ontem eu comecei
a cultivar um jardim
Um roçado
Ou algo assim
Plantei verdades
das mais diversas
variedades
Nasceu discórdia
em formato de pimenta
A terra onde plantei
Não era boa
As pessoas se alimentam
de ilusão
Verdade dá indigestão
E hoje de manhã
Plantei meias-verdades
Qual não foi minha surpresa
Ao ver que ao final da tarde
Havia brotado tristeza
Com cheiro de hortelã
Mas o formato
daquilo que nasceu
Tinha assim,
Uma certa beleza
Que nem sempre
A gente enxerga na franqueza
As pessoas não gostam muito
do sabor da sinceridade
Preferem viver à toa
Uma vida vã
Pra amanhã
Já deixei aqui separado
Vou plantar
Um monte de mentiras
Com sementes
da pior qualidade
que encontrei
Vai nascer felicidade
Com aroma de canela
e sabor acentuado
de Glória vermelha
As abelhas virão ajudar
E então vai dar
Favos
Com gostinho de ilusão
Daqueles que a gente
tanto quer
e sonha
Um dia mastigar no pão
O triste pão da vergonha.
As verdades.
Eis-me aqui outra vez
Permanece uma pergunta
E esta vida, o que me custa?
A resposta imprecisa
Nem vasta, nem concisa e nem bonita
Basta ser aquela
Que o coração queira ouvir
Quando a alma acredita
Será bela eternamente
Verdades são mais profundas
O mundo anda meio sem tempo
Sem crédito e nem provas
E tem sido assim
Desde que o tempo
Descobriu que move o mundo
E nenhuma nova luz brilhou
E o céu se abriu
Para a nuvem que passou bem perto
Mas, que por não saber que era nuvem
Não choveu
É pra isso que servem os sonhos
Pra sonhar saber
Ilusões, decerto
O que lhes custa a vida
E o tempo de espera gasto
Atroz e nefasto
Não era meu e nem era vosso
Nosso algoz
Sem tempo prescrito
Para exceções ou balões de festa
A velha pedra de moinho, desgastada
Pelo bico de um pequeno passarinho
Nobre viajante do tempo
Rico andarilho do espaço
Há somente os excessos
O atraso se apressa
Há a ferrugem que se expressa
Em corroer estradas
e os trilhos do expresso de 2002
A solidão do pobre rei
Sem direito a admirar
A ninguém que não seja rei.
São cobranças da vida
Que a gente ignora, ocupados
Contando as horas
Sem tempo pro abraço indolente
A velha idade
Cidades inteiras felizes
Pois nada muda
Deslizes de terra e conduta
Tudo de acordo com os planos
Verdades são mais profundas
Pra que sabê--las, se em nada ajuda?
E assim passaram-se os anos
Na vida, medida justa
Tanto faz o que não nos custa
Só nos basta esquecer
É pra isso que existe o tempo
Que a tudo ajusta.
Edson Ricardo Paiva.
Luz do Sol que se vai
E a que veio
As verdades da vida
São imagens disformes
Peças finas, delicadas
Desbotadas, distorcidas
Cristalinas e reais
A que vieram?
Vieram
De um translúcido quebra cabeças
O berço rude do universo
Um peso de papel
E uma tormenta pra se atravessar
A opinião diversa
Ausência de atitude
Mais nada, além do tempo e do lugar
A fala do engano
Se finge calada
E abrange a todas as cadeiras
Da fileira lá da frente.
É se afastar do tempo
Um mantra, uma oração pungente
Um pensamento na hora certa
Pode ser que seja o último
Olhar atento ao destino
Pode ser que dois
Num primeiro momento bate palmas
Pra depois, então, dançar
Um sorriso canino em primeiro plano
Um só momento e a tudo desmancha
Não basta segurar um mar nas mãos
O mundo descontenta
E o medo aflige
E exige a lágrima também
Pra abrir teus olhos
Puros e exigentes
Sempre
A mínima simplicidade
Ausente
O maior enigma da vida
É o que revela a verdade
Guardada em segredo ainda
É uma caixa que já foi aberta
Tanto barulho ela fez
Que quando era a da vez
Ela passou despercebida
A cara calcinada à luz do Sol
Tanto a que foi
Quanto a que veio
E que passou e que se foi
No meio
Entre o começo e o fim.
Edson Ricardo Paiva.
Os Felizes.
Eu atravessava um mar de verdades
Embarcado numa nau de fantasias
Sendo apenas um cara comum
Assim era a rotina
Eu assim cuidei de mim
Deixando a alma lá no alto da colina
Descia pra vida
Eu era só mais um
Num mar de avenidas
Um avião de papel
Num céu verdadeiro
carregado de mentiras
Esse era o segredo
Era assim que eu vivia
E chegava inteiro, lá no fim do dia
e voltava pro mesmo caminho
Repleto de maldades e inverdades
No íntimo, outro nenhum
Eu tive que aprender a diferença
Entre concreto e quimera
Caminhar descalço e sem nada nas mãos
Somente o latido de um cão eu sabia legítimo
Primaveras verdadeiras
Flores falsas. sóis fingidos
Qual de nós soubera
Decifar seu brilho entre os olhares
Se eles foram milhares?
Subir no trem devaneio
Deslizar em meio aos trilhos
Assim, quando o dia termina
Regresso à minh'alma, lá no alto da colina
Sem pressa, dormir
Comigo ao meu lado
Repleto de calma
Sonhar um mundo perfeito
Nas ruinas do ruido do silêncio
Do imperfeito que me atinge
Saber que é apenas um sonho
Que me aflige e não me fere
Todo dia era do mesmo jeito
Hoje eu vejo olhares vivos
Ativamente em desacordo
Conhecem os segredos do mundo
Tem até vontades próprias
Pensam preferir
Preferem
E seguem sendo enganados
Fingem de outro modo
Atolados no lodo
Felizes
Perdidos na vida.
Edson Ricardo Paiva.
Algumas religiões pregam as "verdades" criadas por seus idealizadores e cobram a fidelidade cega de seus adeptos.
