Vento
Um belo dia estava apreciando o vento e percebi o quanto o vento pode ser leve.
O vento é capaz de levar a carga que carregamos em nosso corpo sem percebermos.
Enquanto muitos perseguem milagres, eu cultivo fé. E como o vento que sopra sem alarde, as bênçãos me alcançam naturalmente.
Tramas tensas sob o teto claro
Vento vem varrer vago vazio
Rastro curto e ralo
Tecendo em silêncio o nosso fio
Ninguém repara no brilho
Quase invisível na mão
Fia trilha do destino
Poeira vira uma canção
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio
Sol toca as pontas do papel
Céu emaranhado cai
Voo leve sem chapéu
Tudo que é bonito logo sai
Ninguém repara no brilho
Quase invisível na mão
Fina trilha do destino
Poeira vira uma canção
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio
Sem peso nenhum
Sem rastro algum
Seda que some
Muda de nome
Esquece de ser
Somos de seda pura
Nascidos do cansaço e da ternura
Respirando entre as frestas
Onde a luz faz as suas festas
Fio a fio
Branco frio
A alma é uma chama que não pertence ao corpo, mas o habita como peregrino; cada dor é apenas o vento que a faz tremular, e cada alegria, o clarão que recorda sua origem no fogo divino que jamais se apaga.
Que a poesia da vida te encontre hoje
nos pequenos detalhes:
no canto dos pássaros,
no vento que acarinha,
no sol que aquece
e no amor que floresce.
“ Tentar se vingar de quem está longe é como lançar uma flecha contra o vento — o esforço parte de você, mas o retorno da energia negativa e o desgaste acaba voltando para você também "
“O vento do tempo pode até baixar a chama, mas basta um pouco de calor para que ela reacenda na mesma altura”
Letra original da música Náufrago no Pensamento
[Verse 1]
Nos murmúrios do vento domino o silêncio,
A saudade é brisa presa no pensamento.
Trago das eras a missão de um poema,
Erguendo pirâmides dentro do teu ventre.
[Pre-Chorus]
Tenho asas mas não sei voar,
Tenho guelras mas não sei respirar.
Só vivo nas palavras, nos verbos que invento,
Naufrago perdido no meu pensamento.
[Chorus]
Nos teus olhos há peixes há rios e mar,
Arco-íris nas pálpebras prontos a brilhar.
E eu, como um cacto perdido no deserto,
Procuro um caminho que nunca foi certo.
[Verse 2]
Nas falésias entrego-me às marés,
Como caravelas que não voltam outra vez.
Nem sereias, nem canções para me salvar,
Só versos e silêncio onde posso naufragar.
[Bridge]
Ser poeta é definhar lentamente,
É morrer um pouco a cada verso que se sente.
Como um gato vadio perdido na imensidão,
Espumando palavras contra a força do mar.
[Final Chorus]
Tenho asas, mas não sei voar,
Tenho guelras mas não sei respirar.
Se a vida é um poema que ninguém escreveu,
Então cada palavra é um pedaço de quem sou eu.
[Outro]
Quem nunca se perdeu para se encontrar?
Quem nunca amou sem poder ficar?
Quem nunca...
QUEM PLANTA, COLHE?
Se ao semear vento colhemos tempestade, indago o que plantaram aqui no RS para colhermos tornados e furacões!
Tracei rotas para cruzar horizontes juntos, mas o vento soprou sobre caminhos que não haviam sido desenhados.
Mente Calma
Uma mente calma não corre atrás de vento.
Não grita pra ser ouvida,
não empurra o rio pra ele correr mais rápido.
Ela entende que provar cansa,
que controlar machuca,
e que paz não se conquista na força.
A mente calma é como água:
se adapta, contorna a pedra,
mas não perde a essência.
Ela sabe que o mundo lá fora pode gritar,
mas por dentro... por dentro escolhe silêncio.
Escolhe limite.
Escolhe leveza.
Porque quem está em paz com si,
não precisa vencer discussão.
Precisa só continuar inteira.
Quando Aprendi a Ajustar as Velas
“Não podemos escolher a direção do vento, mas sempre é possível ajustar as velas.”
Durante muito tempo, eu quis negociar com o vento.
Queria que a vida soprasse exatamente na direção dos meus desejos. Fazia planos, criava expectativas,
imaginava caminhos e, silenciosamente, esperava que Deus concordasse com todos eles.
Eu dizia que confiava.
Mas, no fundo, queria controlar.
Queria escolher o vento, a velocidade, o caminho, o momento da partida e até o porto onde deveria chegar.
Talvez uma das minhas maiores dificuldades tenha sido compreender que fé não é receber de Deus o controle sobre o oceano.
Fé é continuar navegando mesmo depois de descobrir que nunca tivemos esse controle.
Demorei para entender isso.
Quando as coisas aconteciam como eu desejava, era fácil agradecer.
Quando o vento estava favorável, eu chamava aquilo de bênção.
Quando as águas estavam tranquilas, dizia que Deus estava comigo.
Mas bastava o céu escurecer para minhas certezas começarem a desaparecer.
Se alguma coisa dava errado, eu perguntava:
“Deus, onde estás?”
Hoje percebo a contradição daquela pergunta.
Eu reconhecia Deus na calmaria, mas tinha dificuldade de reconhecê-Lo na tempestade.
Talvez porque eu ainda acreditasse que a presença de Deus deveria significar ausência de sofrimento.
A vida me ensinou outra coisa.
Existem tempestades que acontecem mesmo quando Deus está no barco.
Existem perdas que a oração não impede.
Existem portas que permanecem fechadas.
Existem pessoas que partem.
Existem sonhos que não se realizam da maneira que imaginávamos.
Existem perguntas que atravessam anos sem encontrar resposta.
E existe um momento em nossa caminhada em que precisamos decidir:
ou passaremos a vida inteira brigando com o vento, ou aprenderemos a ajustar as velas.
Foi então que comecei a compreender a maturidade de outra maneira.
Maturidade não é ter domínio sobre aquilo que acontece.
É possuir humildade suficiente para reconhecer aquilo que não podemos controlar.
E talvez a fé comece exatamente nesse lugar.
Na fronteira entre aquilo que posso fazer e aquilo que preciso entregar.
Posso ajustar as velas.
Mas não posso ordenar ao vento que sopre.
Posso segurar o leme.
Mas não posso acalmar todos os mares.
Posso escolher algumas direções.
Mas não posso conhecer antecipadamente todas as tempestades.
Posso fazer planos.
Mas não posso exigir que o amanhã os obedeça.
Essa descoberta poderia parecer assustadora.
Curiosamente, para mim, começou a se transformar em liberdade.
Porque percebi o quanto estava cansado.
Cansado de tentar controlar pessoas.
Cansado de querer controlar acontecimentos.
Cansado de imaginar o futuro.
Cansado de discutir mentalmente com coisas que já haviam acontecido.
Cansado até de tentar explicar Deus.
Havia transformado minha vida numa embarcação pesada demais, carregada de culpas,
expectativas, medos e perguntas.
E talvez Deus nunca tivesse pedido que eu carregasse tudo aquilo.
Talvez Ele estivesse apenas esperando que eu soltasse algumas coisas.
Foi quando comecei a entender que entregar não significa desistir.
Entregar significa reconhecer limites.
Há uma diferença enorme entre abandonar o barco e confiar enquanto continuamos navegando.
A fé não me ensinou a ficar parado esperando milagres.
Ensinou-me a fazer aquilo que está ao meu alcance e entregar a Deus aquilo que minhas mãos não conseguem alcançar.
Eu ajusto as velas.
Ele conhece os ventos.
Eu seguro o leme enquanto posso.
Ele conhece o oceano que eu ainda não atravessei.
Eu vejo alguns metros à minha frente.
Ele conhece aquilo que existe depois do horizonte.
Talvez seja por isso que algumas coisas que considerei derrotas tenham acabado se transformando em caminhos.
Algumas portas fechadas me obrigaram a procurar outras.
Algumas quedas diminuíram meu orgulho.
Algumas perdas me ensinaram a amar melhor.
Alguns silêncios me ensinaram a escutar.
Algumas tempestades arrancaram de mim certezas que talvez nunca tivessem sido fé.
E alguns ventos contrários me levaram para lugares onde eu jamais teria chegado por vontade própria.
Hoje olho para trás e percebo quantas vezes reclamei da direção do vento sem perceber que estava sendo conduzido.
Nem sempre para onde eu queria.
Mas muitas vezes para onde eu precisava ir.
Essa talvez seja uma das maiores confissões que posso fazer:
eu quis controlar a vida porque tinha medo de confiar.
Controle, muitas vezes, é apenas o nome elegante que damos ao nosso medo.
Queremos garantias porque temos dificuldade de caminhar pela incerteza.
Queremos respostas porque o silêncio nos incomoda.
Queremos mapas porque o desconhecido nos assusta.
Mas Deus raramente me entregou o mapa inteiro.
Quase sempre me mostrou apenas o próximo passo.
E talvez seja justamente isso que torna a fé tão difícil e tão bonita.
Se eu conhecesse todo o caminho, talvez não precisasse confiar.
Se soubesse antecipadamente cada resposta, talvez não precisasse esperar.
Se pudesse controlar todos os ventos, talvez nunca aprendesse a rezar durante a tempestade.
Hoje já não peço apenas:
“Senhor, muda o vento.”
Algumas vezes ainda peço, porque continuo sendo humano e existem tempestades que realmente assustam.
Mas aprendi também outra oração:
“Senhor, se o vento não mudar, ensina-me a ajustar as velas.”
Essa oração mudou muita coisa dentro de mim.
Porque existem momentos em que Deus não muda imediatamente as circunstâncias.
Muda o marinheiro.
Fortalece as mãos.
Acalma o coração.
Ensina paciência.
Diminui o orgulho.
E nos faz perceber que aquilo que imaginávamos ser o fim talvez fosse apenas uma mudança de rota.
Continuo não sabendo para onde todos os ventos da minha vida me levarão.
Ainda tenho medo.
Ainda faço planos.
Ainda me decepciono.
Ainda gostaria que algumas coisas fossem diferentes.
A fé não retirou de mim a humanidade.
Mas hoje existe uma diferença.
Já não preciso exigir que o oceano inteiro obedeça à minha vontade para acreditar que Deus continua comigo.
Se vier a calmaria, agradecerei.
Se vier o vento favorável, abrirei as velas.
Se vier a tempestade, tentarei permanecer no barco.
Se precisar mudar a rota, mudarei.
Se tiver de esperar, esperarei.
E quando minhas forças já não forem suficientes, procurarei lembrar aquilo que levei tanto tempo para aprender:
eu nunca fui o senhor dos ventos.
Sou apenas um homem navegando.
Talvez amadurecer seja finalmente aceitar isso.
Fazer o que podemos.
Entregar o que não podemos.
E continuar.
Porque a fé não consiste em acreditar que todos os ventos soprarão a nosso favor.
Fé é descobrir que, mesmo quando o vento muda, Deus ainda sabe onde estamos.
E talvez a verdadeira paz comece no dia em que deixamos de pedir o controle do oceano e aprendemos, finalmente,
a confiar n’Aquele que enxerga além do horizonte.
Quando um cabeça de vento se encontra com um boca de esgoto contaminam o ambiente e espalham mal cheiro e excrementos sobre tudo!
Por que ansiamos ser superiores ao outro, se perante a lei da vida somos apenas pó ao vento?
Se acreditas que tua opinião, tua crença e tua verdade são as únicas certas, isso não é superioridade; é arrogância aliada a uma mente tacanha.
Desfaz-te dessa prepotência. Procura conhecer o mundo e os seres que nele habitam.
Só então enxergarás a verdade, não a tua verdade, mas a que nasce da humildade.
E perceberás o quão insignificantes somos quando anelamos ser melhores do que outras almas.
-Kaiane macedo
