Vento

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A bússola gira e não aponta; o vento traz memórias que se despedem como barcos. No centro de um lago imaginário, a flor de lótus abre feridas de luz e guarda perguntas antigas. Um espelho quebrado espalha reflexos que insistem em voltar para casa, cada estilhaço um mapa de escolhas não feitas. Chove sobre o mar — água da chuva no mar — e as gotas se dissolvem numa conversa com o horizonte: lembranças que se perdem para se tornarem sal. Sete de copas dança nas mãos de um jogador sem rosto, oferecendo espelhos, sombras, promessas de estrada. A ampulheta de açúcar pinga lentamente, cada grão doce um minuto fugindo para a língua do tempo. Nada é coerente; e por isso tudo existe, coerente na sua falta de explicação. Aqui o sentido se esconde nas pequenas falhas: no estalo de um reflexo, no sabor de um minuto, no sopro que desloca a bússola. O acaso organiza-se em silêncio, e a flor fecha-se como se guardasse um segredo que só se conta quando ninguém mais acredita em mapas. Ainda assim, tudo tem o real sentido de ser.

Deus está no vento que sopra a minha pele?

Baile na Floresta

Quando a lua sobe alta e branca,
e o vento faz a folha balançar,
a floresta toda fica pronta
para o grande baile começar.

O violino é feito de galho fino,
o piano é o riacho a correr,
toca a música calma e divina,
que faz a natureza se comover.

O veado dança com passos leves,
o macaco gira devagar,
a coruja bate as asas breves,
como quem sabe a melodia cantar.

O coelho salta em passo de valsa,
a raposa desliza com elegância e cor,
até o besouro, na sua pequena dança,
segue o ritmo com muito amor.

Cada nota toca o ar e a mata,
clássica, bela, cheia de emoção,
é a floresta que, alegre e grata,
faz da música o seu coração.

Noite adentro, dançam em harmonia,
animais, sombra, luz e canção,
um espetáculo de pura poesia,
onde a vida é a própria perfeição.

⁠Vivo a vida, sem amarras...
Sinto o vento, sinto a liberdade...
No silêncio, encontro meu ser...
Vida introspectiva, momentos de saber...

Não quero perder a espontaneidade,
Deixar que a vida se torne rotineira.
Lanço olhar para o horizonte,
E vejo um mundo cheio de possibilidades...

São tantas as aventuras, tantos os sonhos...
São tantas as camadas, tantos os mistérios...

Coração alegre, alma livre.
Vivendo no abandono imposto...
Melhor assim...
Não sinto o pesar dos anos...

Sigo em frente, com liberdade e ousadia...
Porque a vida é um presente,
Um labirinto, cheio de desafios...

Mas não me perco, não me desvio...
Não me preocupo, não me atenho...
Possuidor de um coração contemplativo...
Nunca desisto...

Sandro Paschoal Nogueira

Muitos cercam o vencedor por interesse e o abandonam no primeiro vento contrário.

O vento não sabe para onde sopra, e as nuvens, essas viajantes indecisas, vagueiam sobre montanhas que já nasceram velhas. Gigantes caminham por um mundo pequeno demais para seus passos, deixando marcas que se confundem com vales. Os moinhos giram, mas quem move a pedra? A ampulheta de areia farinha mede tempo que não existe, enquanto um girassol, tolo e fiel, dança para um sol que nem sempre comparece. Sobre tudo isso paira um corvo de asas coloridas, único espectador que entende a piada: vivemos presos a rodas que inventamos, a contadores que esvaziamos, a gigantescas ilusões de grandeza dentro de horizontes que cabem na palma da mão.

⁠As palavras, vem como vento e com o vento vão-se as palavras.

A felicidade pode estar num sorriso. Numa brisa leve, no vento que embala as folhas. Pode voar com um beija-flor, ou repousar na companhia de um pet. Pode estar num simples bom dia, numa boa tarde ou boa noite.
A felicidade pode viver num singelo — mas verdadeiro — abraço.

As palavras atravessam a rotina como vento leve que sopra entre becos sujos; recolhem sentidos e sentimentos, sem pressa, em meio à vida comum e seus ruídos. Algo simples transforma instantes em pensamento — aquilo que chamamos de ideia.

Pare. Leia. Respire. Releia.

Quando sinto o vento,
sinto o sentimento
que o vento sente
ao sentir meus sentidos
sentirem o sentimento
do vento.⁠

Pergunto ao vento onde está o meu amor, na esperança de que ele sopre a resposta direto para os meus braços.

É com o coração exposto, como quem oferece a última folha ao vento, que lhe venho
pedir perdão. Se, na cegueira da minha imaturidade, lhe causei uma só dor,
uma única lágrima... Sinto-o. Sinto-o profundamente.
Mas, apesar do naufrágio e de todos os erros, jamais me arrependerei
do instante sagrado em que os nossos caminhos se cruzaram. Foi a minha maior, e talvez única, fortuna.
​A lembrança daquela Sexta-feira no Parque Treze de Maio... Ah, ela não brilha;
ela arde, como uma chama solitária num quadro de escuridão.
Foi uma tarde em que fomos eternos. Rimos e caminhamos lado a lado,
jovens, tolos e invencíveis, bem no centro de Recife.
A magia daquelas poucas horas foi a verdade absoluta.
Sua voz, seu olhar, seu sorriso... cada detalhe, cada sombra,
está gravado em mim como a caligrafia indelével da alma. Tivemos, sim, uma conexão que transcende a carne e o tempo. E isso faz de você, para sempre, a minha dor inesquecível.
​Receba a minha admiração, o meu eterno respeito e este derradeiro pedido de desculpas.
Ele não é feito de palavras; é feito da sinceridade da minha perda.
É a prova de que eu amei o que você poderia ter sido.
E agora, sou forçado a aceitar a dolorosa realidade que nos separa: A pureza do nosso encontro não foi capaz de vencer o ranço da sua crença

Às vezes, as palavras faladas se perdem no vento, mas o que sinto por você merece ficar registrado. Dizem que o amor está em todo lugar, mas hoje compreendo que ele também habita todos os tempos: ele é a saudade que honra o nosso passado e a esperança que sustenta o meu presente. Demorei para entender o que isso significava de verdade, até o silêncio da sua partida me ensinar que o amor não depende da presença física para transbordar.
​Hoje, sinto a sua falta e a sua essência em cada detalhe. Sinto a vida mais vibrante quando penso em você; sinto o ritmo do meu próprio passo guiado pela lembrança do seu sorriso e, principalmente, sinto você no vazio do travesseiro. Seu rosto é a última imagem que guardo antes de fechar os olhos e a primeira que me traz paz ao despertar. Amar você se tornou o meu modo de ver o mundo.
​Minha mente já se decidiu. Não há mais espaço para dúvidas ou incertezas. Eu escolhi você ontem, escolho hoje e continuarei escolhendo todos os dias da minha vida. Quero que saiba que pode confiar cegamente no meu sentimento; ele não tem um ponto de partida definido, pois parece que sempre esteve gravado na minha alma, e garanto que jamais terá um fim.
​O amor verdadeiro é assim: ele é paciente, sobrevive à distância e se fortalece na saudade. Você tem a minha palavra, assim como eu guardo a sua como se fosse o tesouro mais precioso da Terra. Em tudo o que eu fizer daqui por diante, buscarei a sua mão — mesmo que em pensamento ou em sonhos — para seguirmos em frente.
​Se o amor está escrito nas estrelas e por onde quer que eu vá, é porque você não apenas passou pela minha vida — você se tornou o meu mundo.

Ontem senti o vento soprando frio, e aquele arrepio me trouxe uma percepção silenciosa: o tempo está passando e eu sinto que estou ficando mais velho. Mas, engraçado... por mais que os anos avancem e que o mundo tente mudar quem eu sou, eu ainda não consigo esquecer o seu rosto.
Estamos separados por esse oceano imenso, por quilômetros que parecem infinitos, mas a distância é apenas um detalhe geográfico. Meu coração ainda sente a mesma emoção de sempre. Mesmo aqui, neste lugar solitário, você é a presença que preenche o vazio.
Sabe, eu me pego olhando para nossas fotografias antigas. Elas são como brasas que se recusam a apagar; estão queimadas na minha alma. Já caminhei por "rodovias cravejadas de diamantes" e vi o brilho de muitos lugares, mas nada se compara às nossas pistas de terra, aos nossos caminhos simples. É o pensamento de você que me faz desejar, desesperadamente, estar em casa.
Ultimamente, minha mente vive perdida em sonhos. Fico fazendo planos e "conspirações", tentando encontrar um jeito de encurtar esse caminho e voltar para os seus braços. Às vezes, no fundo, sinto que essa estrada é interminável e que cada um de nós precisa subir suas próprias montanhas sozinho... mas a esperança de te ver de novo é o que me mantém em pé.

Uma mulher consciente de seu próprio poder não espera o vento mudar; ela reconstrói o cais e redefine a direção do próprio mar.

Caminha com passos de graça e de vento,
A força do mundo guardada no peito,
Nenhum vendaval apaga o intento
De ver cada sonho enfim escorrer perfeito.
Pelos versos que deixam o rastro na areia,
Ela escreve a história que o tempo sagrou.
Pelo olhar de loba, firme e sereno,
Mostra a coragem que nunca murchou.
Pela alma de anjo que a fé incendeia,
E faz o gigante parecer bem pequeno,
Ela enfrenta a noite, a tempestade cheia,
Com o dom de quem torna o destino ameno.
Não houve barreira capaz de parar
A rota traçada por suas próprias mãos.
Mulher que renasce se o chão desabar,
E faz dos tropeços seus firmes degraus.
Seus olhos miram o horizonte sem fim,
Onde a linha da vida encontra o amanhã.
Uma flor de aço em um belo jardim,
Eternamente forte, guerreira e guardiã.




------------------- Eliana Angel Wolf

Lá fora,
o mundo chora
em pingos de cinza e vento.
Aqui dentro,
o coração transborda
no silêncio do momento.
A chuva lava a rua,
o peito acolhe a paz:
quando a alma se inunda,
o barulho não

Obrigado, Senhor, por este manto de paz,
que o calor sufocante enfim desfaz.
Pelo vento que sopra, divino e certeiro,
limpando o suor do corpo inteiro.
Cada gota que cai é um "obrigado" do chão,
que acalma a sede e o meu coração.
Pelo toque gelado que a brisa conduz,
troco o peso do arca pela leveza da luz.
A natureza sorri, o verde se anima,
sob a chuva abençoada que o céu aproxima.
Sou grato pelo alívio, pelo som, pelo bem,
que a chuva nos traz e a alma mantém.

**Cinco dias.
E bastou isso para que tua presença tocasse algo em mim,
como um vento leve que muda o rumo sem fazer alarde.
Depois veio o silêncio —
um silêncio que pesa,
mas que também guarda o que foi verdadeiro.
Mesmo assim, teu “bom dia” ainda aparece na minha memória
como um sol calmo, desses que aquecem devagar
e deixam marca.
Eu te vi, linda,
de um jeito simples e inevitável.
Não tentei te prender —
quem tem asas merece espaço.
Te ofereci minhas palavras mais sinceras
e deixei que o destino seguisse o próprio caminho.
Hoje, com a alma mais tranquila,
entendo o tamanho da mudança:
você despertou algo em mim,
me fez olhar para quem eu sou
e para quem posso me tornar.
Sinto tua falta
com uma delicadeza que não sei explicar,
mas guardo, com carinho,
os cinco dias que ficaram para sempre
gravados no meu coração.**

O vento que sopra , faz sentir numa fração de tempo , que modera e tempera cada instante do seu momento !
João Batista Barbosa