Vento

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Não me julgue. Não tentes entender-me. Sou como o vento, não tenho destino. Apenas passo... Aproveita a brisa! Não me prendas, não me possuas. Sou como água, se presa, evaporo. Mate apenas tua sede! Não tente guardar-me. Não me aprisiones, sou como flores, colhido, fenecerei. Guarda-me o perfume! Não me descrevas. Não me modifiques. Sou como um sonho, uma ilusão. Não me acompanhe, não tente seguir-me! Sou como um cometa, solitário, apenas admira-me... Neste momento, então, serei poeta.

O Voo do Esforço

Não trago o dom que nasce pronto e leve,
Nem a palavra fácil que o vento atreve.
Minha escrita é caneta que risca o papel,
É o suor da terra que mira o céu.

Dizem que a poesia precisa de asas,
Mas eu construo as minhas nas noites rasas.
Lápido cada rima com calma e insistência,
Fazendo do meu esforço a minha essência.

Abro as páginas deste novo caminho,
Nenhum verso nasce perfeito ou sozinho.
Sou o AnjoPoeta que pousa no chão,
Se não tenho a mágica, me sobra o coração.

Eis que um novo tempo se aproxima, e no passado o vento ainda varre as folhas de outono num chão onde deixei marcas das pisadas de meus pés e que ainda estão cicatrizando dos ferimentos de espinhos em tempos de outrora onde observava no recôndito de minha existência Aquele que em silêncio de seu sofrimento percorria aos sons estridentes de risadas e chibatadas o caminho da Luz e da Salvação.

Rompe-se o elo
Filho um mundo só seu
Vento de maio

Lu Lena / 2026

Vem o vento frio,
Leva a saudade pra longe,
Lágrimas no mar.

Lu Lena / 2026

Vento forte leva,
A imagem lúgubre,
Flores do luto.


Lu Lena / 2026

​JANELAS ABERTAS

​Abri a janela e o vento bagunçou meus papéis. Os versos caíram, mas o mofo do passado voou com a correnteza. Respirei o aroma de flores. Juntei as letras e, hoje, a poesia sorri para mim.

Lu Lena / 2026

FOLHAS DO TEMPO.


Como um vento a soprar sobre uma pradaria, assim perecem os sonhos do homem, que ele tanto queria.


A vida é como um vento que vai, que passa tão rápido e não volta mais.


Assim, nas folhas do livro do tempo, vamos escrevendo a história.
Não nas folhas que já se passaram completamente, mas na de agora — esta folha chamada presente.


Cícero Marcos

A vida é movimento, como as quatro estações em eterno retorno.
É vento que semeia caminhos invisíveis, sol que desperta a terra adormecida, primavera que rompe o silêncio em flores.
É chuva que cai sem pressa e nunca regressa sem antes transformar o que toca.

⁠Respira fundo.
Sente o vento —
é Deus te lembrando, em silêncio,
que você nunca andou só.

Tem cuidado soprando por dentro
e amor guiando os teus passos,
mesmo quando tudo parece incerto.

— Edna de Andrade.

A bússola gira e não aponta; o vento traz memórias que se despedem como barcos. No centro de um lago imaginário, a flor de lótus abre feridas de luz e guarda perguntas antigas. Um espelho quebrado espalha reflexos que insistem em voltar para casa, cada estilhaço um mapa de escolhas não feitas. Chove sobre o mar — água da chuva no mar — e as gotas se dissolvem numa conversa com o horizonte: lembranças que se perdem para se tornarem sal. Sete de copas dança nas mãos de um jogador sem rosto, oferecendo espelhos, sombras, promessas de estrada. A ampulheta de açúcar pinga lentamente, cada grão doce um minuto fugindo para a língua do tempo. Nada é coerente; e por isso tudo existe, coerente na sua falta de explicação. Aqui o sentido se esconde nas pequenas falhas: no estalo de um reflexo, no sabor de um minuto, no sopro que desloca a bússola. O acaso organiza-se em silêncio, e a flor fecha-se como se guardasse um segredo que só se conta quando ninguém mais acredita em mapas. Ainda assim, tudo tem o real sentido de ser.

Deus está no vento que sopra a minha pele?

Baile na Floresta

Quando a lua sobe alta e branca,
e o vento faz a folha balançar,
a floresta toda fica pronta
para o grande baile começar.

O violino é feito de galho fino,
o piano é o riacho a correr,
toca a música calma e divina,
que faz a natureza se comover.

O veado dança com passos leves,
o macaco gira devagar,
a coruja bate as asas breves,
como quem sabe a melodia cantar.

O coelho salta em passo de valsa,
a raposa desliza com elegância e cor,
até o besouro, na sua pequena dança,
segue o ritmo com muito amor.

Cada nota toca o ar e a mata,
clássica, bela, cheia de emoção,
é a floresta que, alegre e grata,
faz da música o seu coração.

Noite adentro, dançam em harmonia,
animais, sombra, luz e canção,
um espetáculo de pura poesia,
onde a vida é a própria perfeição.

O vento não sabe para onde sopra, e as nuvens, essas viajantes indecisas, vagueiam sobre montanhas que já nasceram velhas. Gigantes caminham por um mundo pequeno demais para seus passos, deixando marcas que se confundem com vales. Os moinhos giram, mas quem move a pedra? A ampulheta de areia farinha mede tempo que não existe, enquanto um girassol, tolo e fiel, dança para um sol que nem sempre comparece. Sobre tudo isso paira um corvo de asas coloridas, único espectador que entende a piada: vivemos presos a rodas que inventamos, a contadores que esvaziamos, a gigantescas ilusões de grandeza dentro de horizontes que cabem na palma da mão.

⁠As palavras, vem como vento e com o vento vão-se as palavras.

A felicidade pode estar num sorriso. Numa brisa leve, no vento que embala as folhas. Pode voar com um beija-flor, ou repousar na companhia de um pet. Pode estar num simples bom dia, numa boa tarde ou boa noite.
A felicidade pode viver num singelo — mas verdadeiro — abraço.

As palavras atravessam a rotina como vento leve que sopra entre becos sujos; recolhem sentidos e sentimentos, sem pressa, em meio à vida comum e seus ruídos. Algo simples transforma instantes em pensamento — aquilo que chamamos de ideia.

Caminha com passos de graça e de vento,
A força do mundo guardada no peito,
Nenhum vendaval apaga o intento
De ver cada sonho enfim escorrer perfeito.
Pelos versos que deixam o rastro na areia,
Ela escreve a história que o tempo sagrou.
Pelo olhar de loba, firme e sereno,
Mostra a coragem que nunca murchou.
Pela alma de anjo que a fé incendeia,
E faz o gigante parecer bem pequeno,
Ela enfrenta a noite, a tempestade cheia,
Com o dom de quem torna o destino ameno.
Não houve barreira capaz de parar
A rota traçada por suas próprias mãos.
Mulher que renasce se o chão desabar,
E faz dos tropeços seus firmes degraus.
Seus olhos miram o horizonte sem fim,
Onde a linha da vida encontra o amanhã.
Uma flor de aço em um belo jardim,
Eternamente forte, guerreira e guardiã.




------------------- Eliana Angel Wolf

Lá fora,
o mundo chora
em pingos de cinza e vento.
Aqui dentro,
o coração transborda
no silêncio do momento.
A chuva lava a rua,
o peito acolhe a paz:
quando a alma se inunda,
o barulho não

Obrigado, Senhor, por este manto de paz,
que o calor sufocante enfim desfaz.
Pelo vento que sopra, divino e certeiro,
limpando o suor do corpo inteiro.
Cada gota que cai é um "obrigado" do chão,
que acalma a sede e o meu coração.
Pelo toque gelado que a brisa conduz,
troco o peso do arca pela leveza da luz.
A natureza sorri, o verde se anima,
sob a chuva abençoada que o céu aproxima.
Sou grato pelo alívio, pelo som, pelo bem,
que a chuva nos traz e a alma mantém.