marcio germano
Bem maior que a areia que escorre entre meus dedos, são as águas do oceano que inundam a minha alma.
De um charme indescritível, um sopro de liberdade misturado à gratidão. São Vicente, a primeira cidade do Brasil, guardada como um relicário no quintal de casa.
No tumulto da vida, que corre apressada e ruidosa, nasce um silêncio raro, quase sagrado. Uma brisa atravessa o tempo, trazendo o teu perfume e me conduzindo a um mundo que desacelera, tornando-se mais suave. Ainda assim, o que me resta é um vazio delicado, já escrito pelo nosso destino.
Apesar de nossos sentimentos florescerem no verão, havia um vazio neles. Não resistiram ao duro inverno — e, no fim, o mais difícil foi como tudo começou.
Junho chega manso, quase em silêncio, acendendo fogueiras e aquecendo corações. Entre bandeirinhas coloridas e estrelas no céu, ele pinta a alma com uma alegria simples e verdadeira. É o perfume do milho cozido no ar, o som envolvente da sanfona, o aconchego de um abraço apertado.
No frio de junho, a gente descobre que o calor mais bonito não vem do fogo, mas do coração. É poesia vestida de festa, iluminada por chamas dançantes e sorrisos sinceros. O amor entra na roda, dança quadrilha sem pressa e encontra sempre um motivo para ficar.
Junho é tempo de raízes, de reencontro com o que realmente importa. Um convite suave para voltar ao simples, valorizar o essencial e celebrar a vida em sua forma mais pura.
Que este mês te presenteie com noites iluminadas e dias cheios de esperança. Porque o verdadeiro som de junho não vem apenas da sanfona, mas da alegria de estar vivo. E assim, ele nos ensina, com delicadeza, que mesmo no frio, a vida pode ser quente, vibrante e cheia de cor.
Não é sobre escolher entre amar ou ser amado, mas entender que um dá sentido ao outro — é como perguntar a uma gaivota qual asa é mais importante: a esquerda ou a direita.
Além de você mesmo, não existe absolutamente nada: apenas um vazio, um espaço, um caderno em branco.
Só você pode fazer por você.
E isso não é um peso, é liberdade.
Porque, quando não há nada definido, tudo se torna possível.
Cada escolha sua é um traço. Cada atitude, uma linha que começa a dar forma ao que antes era silêncio.
Você não precisa esperar aprovação, nem o momento perfeito, nem que alguém venha te dizer o caminho.
O caminho nasce quando você decide caminhar.
Haverá erros, dúvidas e dias em que o vazio parecerá maior do que sua coragem.
Mas até isso faz parte do desenho.
Até o que parece falha é, na verdade, construção.
No fim, não se trata de ter todas as respostas — porque nem todas cabem em palavras.
Trata-se de transformar o silêncio em sentido
e o vazio em algo que só você pode preencher.
Éramos tão ingênuos que acreditávamos que algumas pessoas seriam para sempre. Confundíamos promessas com certezas. Achávamos que o mundo fazia sentido. Sorríamos sem desconfiar de nada. Pensávamos que crescer resolveria tudo.
Entregávamos o coração sem manual de instruções e acreditávamos que bastava amar para tudo dar certo. Fazíamos planos como se o amanhã fosse garantido.
Éramos tão ingênuos que não percebíamos a felicidade enquanto ela acontecia. Sonhávamos alto sem medo da queda. Achávamos que a maturidade vinha apenas com a idade.
O tempo passa, mas deixa marcas: um rastro feito de carinho, respeito, confiança e momentos que foram só nossos.
É nas imperfeições da vida que percebemos o quanto somos parecidos, porque nos encontramos nas mesmas dores, nas mesmas lembranças e nas mesmas histórias.
Mais importante do que ter é ser luz. Mesmo nos dias escuros, ser alguém que vale a pena lembrar.
Cultivar pensamentos saudáveis, preservar a essência e continuar acreditando naquilo que nos torna humanos.
Talvez seja justamente isso que nos faça eternamente ingênuos.”
Quando a solitude nasce da escolha e do equilíbrio, compreendemos que estar só é diferente de sentir-se sozinho. É nesse silêncio interior que passamos a valorizar ainda mais a presença, os afetos e as conexões humanas
Há um mistério no caminho dos teus olhos sedutores.
Eles atravessam a noite como quem conhece segredos que o coração ainda tenta esconder.
E os meus, assustados pela intensidade do sentir, me traem sem defesa, procurando os teus antes mesmo que o dia desperte por completo.
Continuo caminhando pelos corredores da madrugada, ouvindo pensamentos que ninguém escuta. É nessa delicada inquietação que vou colhendo estrelas pelo caminho — pequenas luzes espalhadas pela escuridão — para iluminar os teus sonhos enquanto o universo decide o destino inevitável e silencioso desses encontros que acontecem primeiro na alma, antes de acontecerem no mundo.
Há uma luz que atravessa a varanda.
Nos sonhos de infância, conto os passos para medir o tamanho dos meus sonhos.
Até hoje, damos os mindinhos para ficar de bem.
A gente cresce por fora, mas por dentro continua esperando o dia em que vamos crescer como os nossos pais.
Eu, tão imerso na corrente da vida, mal percebi que o passado é fugaz: escapa pelos dedos, atravessa os dias, costura memórias ao presente e, silenciosamente, escreve aquilo que chamamos de destino.
Somos tão passageiros que permitimos aos detalhes escapar em silêncio.
O tempo — esse abismo silencioso entre um lugar e outro — recorda-nos que talvez procuremos nos galhos aquilo que só pode ser encontrado nas raízes.
Como as águas escuras do Rio Negro, cheias de mistérios, assim eu te imagino.
Me desconcerto com teus encantos; beleza estonteante que me torna simples, e eu me deixo levar.
Pode até me chamar de Solimões — serei apenas o curso do seu prazer.
Ecos da alma, capazes de nos levar para tão longe, mas também de nos trazer para mais perto quando nos permitimos compreendê-los.
É verão de dezembro. O sol foi tão gentil enquanto eu buscava as palavras de alguns versos. Versos estes que mexiam com a minha inquietude — aquela que não doma esse mundo selvagem lá fora, mas que é suficiente para me fazer vagante.
Olhar para dentro de si é tratar-se com mais leveza, sem cobranças.
Se for para transbordar, que seja de amor...
Deixe a vida conduzir você, porque a vida é uma dádiva divina.
Em nosso coração existem duas sementes: o joio e o trigo. Você é quem decide qual delas irrigar.
Para entender a dimensão das águas, sua força e o curso de um rio, é preciso, primeiro, conhecer as suas nascentes. Algumas pessoas levarão dias, meses ou anos; outras, uma vida inteira.
Que sigamos nossos destinos incertos, mas, ainda que eu caminhe nos trilhos que a vida reserva para mim, não me surpreendo em sentir o perfume, vestígio sutil que você deixou no tempo e que o vento, às vezes, insiste em trazer de volta.
