Vento
Ouça o vento,
no prólogo
do encanto.
Tentativas vãs
de pequenos pecados.
Sutilezas sãs
de projeções recíprocas
e recados alados.
Carmen Eugenio
O Vento gelado de agosto em nossos rostos, tenta congelar nossos sonhos, todavia se estivermos bem aquecidos no olhar da fé, ele vem para nos refrescar.
Do alto um vento quente
Bate no rosto da gente
Um ar meio eloquente
É Deus inconsequente
Tomando tudo à frente
O sol se despede devagar,
tingindo o céu de ouro velho e sonho.
As nuvens, douradas, flutuam no horizonte,
e as sombras se esticam, preguiçosas.
O vento sussurra histórias antigas,
o dia se inclina, entregando-se à noite.
Tudo se banha em luz morna,
como um abraço que aquece a alma.
E ali, parado, contemplo o milagre,
uma obra que não pede aplausos.
Só o silêncio basta,
porque o ouro velho fala por si.
Me dê um sussurro, suave como o vento que carrega segredos. Me dê um sinal, algo que eu possa guardar quando a distância nos separar. Me dê um beijo, o último, cheio de tudo que fomos, antes que as palavras "adeus" rompam o que resta do nosso momento.
Há sentimentos que desafiam o tempo, sobrevivem ao vento impiedoso dos anos e se escondem nas sombras do inconsciente, florescendo inesperadamente em um suspiro ou em uma lembrança fugaz. O amor que carrego por ela é assim: uma chama que arde, mesmo sem combustível aparente, alimentada por memórias que já não sei se são reais ou apenas fragmentos embaçados pela saudade.
Não sei mais por que a amo, mas a verdade é que essa pergunta já perdeu o sentido. Amo porque é inevitável, porque está tatuado na minha alma, como um eco que ressoa mesmo quando o mundo silencia. Ela vive em mim, entre as palavras que não foram ditas, entre os gestos interrompidos e as promessas que ficaram suspensas no ar.
Há dias em que esse amor me aquece, envolvendo-me com um calor suave, quase nostálgico. Mas há outros em que ele me corta, trazendo uma dor sutil e persistente — a dor da ausência, da impossibilidade, daquilo que o tempo levou, mas jamais apagou. A saudade é uma presença constante, um fio invisível que me puxa para o passado, mesmo quando tento avançar.
Quase vinte anos se passaram, mas o coração não entende de calendários. Ele apenas sente. E eu sinto — o amor, a dor, e a saudade entrelaçados em um nó que me mantém vivo, lembrando-me de que algumas histórias não precisam de um final, porque continuam a ser escritas dentro de nós.
O vento lá fora não sopra, fere, ele vem cortante, como se quisesse arrancar da pele os nomes que o tempo tatuou em silêncio.
Amor. É mais dar para receber mas sem contar o tempo...consequentemente recebe se sempre mas no tempo do tempo....que é lento...nem sempre no nosso momento...se não pode evitar o rebento, afaste se e refresque se com o vento deixando passar o tempo."
Essas certezas sempre tão incertas me movem como nuvem ao vento, esperando tudo, pronto para nada, mas assim, em movimento.
Não desperdice o bom entendimento
Não é porque quer assim um fulano
Nem pela ordem ou o procedimento
É pela sociedade que te exige humano
Quem não quer são palavras ao vento
É, de qualquer jeito o vento vai soprar
Certa felicidade se elevará a esmo
De qualquer forma a vida continuará
Só não consigo mais ser o mesmo
Montanha não se sustenta sem o ajuntado de grãos, que se formam pedra. Sim, sois grão de areia. Há grão que não se junta, se desgarra e vive ao vento, disponível só para arranhar os olhos de um qualquer. Não é um grão maior ou menor que outro, mas a importância de cada um se dá pelas próprias escolhas naquilo que se dispõe a realizar.
