Vento
Tudo está onde deveria estar e ponto. Pessoas, fatos, circunstâncias, erros, acertos, lágrima, sorrisos, derrotas, vitórias, decepções, superações, tristeza, felicidade...tudo, exatamente tudo! Somos marionetes do tempo e nesse nosso suspirar da vida todos os dias, seguimos oscilando como o balançar das folhas ao vento...
Quando o corpo envelhece é nessa transição que a alma rejuvenesce para um novo despertar. Não tema a morte, a vida é centelha divina e estará sempre acesa, apenas oscila essa chama com o sopro do vento (ciclo) no tempo... mas saibas tu, que nesse instante é Deus que boceja para que um novo despertar se recrie e abre os braços de amor esperando por ti. Vida e Morte são um eterno despertar todos os dias.
Esperar no tempo é o mesmo que tentar tocar o vento... Portanto, não espere, ouça em silêncio o tic tac dos ponteiros do relógio da vida, respire fundo e voe o mais alto que puder e abra as asas de tua sina...
O galo canta, os ruídos incompreensíveis da vida lá fora que se espreguiça com o despertar de mais um dia. E nessa bruma que borda o amanhecer os ponteiros do relógio pendurado na parede esmaecida vão voando na obscuridade tentando decifrar esse enigma do tempo...E nesse instante um suspiro profundo da alma, onde o vento leva e traz mistérios do dia e da noite e todos os dias...
Quando caminhas encurvado de olhos para o chão, tua alma fica exaurida e presa num tempo curto e a vida se esvai... Mas quando tu olhas para o céu, tua vida te liberta das amarras da terra que pisas e tua alma rompe os grilhões, se torna leve e voa... Voa... voa até se perder na imensidão e ser soprada novamente ao vento num novo tempo que ressurgirá dentro de ti.
Pegue carona no cometa de vento e desembarque no arco íris se o encontrar, caso contrário continue a voar...
Não deixe que o relógio do tempo arranque as folhas em branco do calendário da vida, faça o que tiver que ser feito agora, pois a próxima o vento poderá levar embora...
Dúvida do ar
Duvido do ar,
que não circula,
por entre paredes.
O ar calmo, passivo,
não se tornará brisa,
tão pouco vento em rotação.
O ar reprimido,
deixará as paredes ruírem,
tornarem-se velhas casas,
com ervas crescidas no jardim.
Tenho receio deste ar,
que nos mantem sobrevividos,
mas que não nos permite,
experimentar a existência.
Indagação
E se todas as matas tombarem.
Todas as águas turvarem-se de fel e cinzas.
Todas as nuvens perderem o céu.
Se a terra for pisada pelo fogo,
E a lua, o sol, o vento, não mais encontrarem os homens.
Quando não mais amanhecer a natureza da vida,
Qual o dia que ficará, para os que perderam a memória do mundo?
Se me encontrares,
Na rua ou numa canção ao vento,
Deixa a semente de tua boca,
Tecida em mim num lampejo.
O MAR ENLUARADO
Contam que as ondas do mar queriam esvoaçar,
Por isso chamaram o vento para lhe moldar gotas de ar.
O mar também pretendeu se alargar,
Ir-se mais além do seu findar,
Então se fez água pela terra, a se adentrar.
Foi quando o mar se encantou com um luar,
E banhou as estrelas para poder lhe alumiar.
O mar desse encanto almejou ser maior,
Que a onda que lhe faz voejar.
O mar, desejoso de ser, quis fazer-se amar.
Vai vendo, vivente!
Vida vem, vida vai!
Vem valendo, vem voando,
Vida vento, vida vulto!
Vai veloz, vai voraz,
Vida vaivém!
Vento impetuoso
Soprou em nós um vento impetuoso
Trouxe medo, tristeza e incerteza
Deixou para trás o frescor habitual da manhã
Não senti o singelo abraço da noite ao relento grandioso
De sobressalto, inesperado, tudo arredou
Quão belo, quão meigo e estonteante é um afago
Um abraço apertado, um aperto de mãos
Uma pandemia veio nos ensinar
A amar e agir com prontidão
A partilhar o pão e a repartir a dor
A chorar com os que choram
A alegrar-se com os que se alegram
A gerar e gerir o amor sem medidas
Quero serenidade no olhar e aprender a cuidar
Quero chorar de rir e não de dor
Familiarizar e a saudade matar
Não queria tanto me preocupar
Queria sair com segurança
Abraçar e amar de novo
Quando a tormenta passar
Estarei aqui para te lembrar
E bradaremos que o amor venceu.
Quem espera sempre alcança
Já dizia o meu avô.
O vento e as ondas levam o barco para longe da praia. A vida vai junto - desbravando os mistérios do mar - ela avança sem medo. Ela não sabe voltar!
O som das ondas do mar quebrando, clamando por algum nome. O vento corre a superfície da terra, levando e trazendo nossos amores, nossas certezas e nossas perguntas. Ecoando todas as palavras sem sons, todas as pressas oradas ao ar livre. Afine seus ouvidos, escute o som que as folhas fazem nas copas das arvores, ou o som do vento levando as folhas secas que tiveram o chão como seu leito. Deite no chão gramado, olhe profundo o infinito estrelado, pense em todas coisas boas que fez, sentiu e ouviu, talvez assim verás o prestígio e a pequenez de fazer parte desse indistinto universo.
Pode fazer da minha pele
Teu único abrigo.
Só não se sinta presa.
Assim como os pássaros
Que voam de norte a sul.
Talvez o acaso do vento
Trague você a mim outra vez.
P.s. Amei te ver…
