Coleção pessoal de jairomielnik
Reencontro
Nos recônditos desta terra
Muito tempo atrás
Viviam bravejantes os povos
Lutando pela floresta.
A virgem na taba
Em formosura cantava.
No breu da mata,
O jovem guerreiro
Coragem esbanjava.
Sonhos de um reencontro.
As flores são palavras comunicadas, sem escrita ou fala, que viram, naturalmente poesia no jardim dos apaixonados.
Outono
Brisa suave
Sopra em nós
Acalenta,
Faz repousar.
Voam beija-flores
Noutros ninhos
E lá se deixam ficar.
Um colar floresceu.
Vida gerando vida.
Anunciam os pássaros,
Nas árvores frondosas,
Num canto unificado,
A celebração do Paraíso,
Sem dor,
Sem choro,
Sem morte.
Apenas um sonho realizado.
Além do rio da vida.
Não ser
Sementes eclodiram.
Misturadas na terra
Derribadas no chão
Pelo tiro do deus Agro
Certeiro e sem piedade
"Limpeza" étnica [ ]
Aumento da produção
Extermínio [ ]
Negócio da China.
Ao invés dos cristãos ficarem se preocupando em saber quando será o fim do mundo, deveriam preocupar-se no que poderiam fazer para salvá-lo.
Ação e reação
Novos ares, anseio.
Velhos hábitos deixar.
Tão sagazes esteios!
Marasmo,
Enfado,
Prostração,
Vencerei!
Sim!
Reajo, coragem!
Mexo, ânimo!
Luto, força!
Sim!
Vencerei!
Mais que um mero poema
Eu não luto...
Com uma pena no tinteiro
Com uma caneta no papel
Com um dedo no teclado do computador
Sim, eu luto...
Com as palavras em minha mente
Com os ruídos ao meu redor
Com os sussurros na alma!
Talvez eu lute...
Contra as palavras sem vocação,
Contra os desencontros sem noção,
Contra os desafetos pensamentos lineares,
Pois do contrário, numa folha qualquer...
Escreveria nada mais que um mero poema.
(H)aja!
No ambulatório
Vidas que lutam
Haja coração!
No laboratório
Cientistas que buscam
Haja cura, haja solução!
No labor diário
Pessoas que correm
Haja fome, haja o que for, haja o pão!
Em tempos assim
Não nos esqueçamos
Haja caridade, haja amor, haja compaixão! Aja!
Vento impetuoso
Soprou em nós um vento impetuoso
Trouxe medo, tristeza e incerteza
Deixou para trás o frescor habitual da manhã
Não senti o singelo abraço da noite ao relento grandioso
De sobressalto, inesperado, tudo arredou
Quão belo, quão meigo e estonteante é um afago
Um abraço apertado, um aperto de mãos
Uma pandemia veio nos ensinar
A amar e agir com prontidão
A partilhar o pão e a repartir a dor
A chorar com os que choram
A alegrar-se com os que se alegram
A gerar e gerir o amor sem medidas
Quero serenidade no olhar e aprender a cuidar
Quero chorar de rir e não de dor
Familiarizar e a saudade matar
Não queria tanto me preocupar
Queria sair com segurança
Abraçar e amar de novo
Quando a tormenta passar
Estarei aqui para te lembrar
E bradaremos que o amor venceu.
Quem espera sempre alcança
Já dizia o meu avô.
Sapucaí
Desliguei a TV
Meus ouvidos exauridos
entorpecidos
fatigados estão!
Meus olhos tão dúbios,
tão mitigados
desfocados então!
Ainda que espremidos pelo medo
Ainda que diante de arredada sorte
Voltarão a brilhar!
Mesmo que diante da temida morte
Como um samba-canção, enredo
Despertarão!
Na Marquês de Sapucaí
Aguardo ainda meu ensejo
Necessito apenas esperar!
Quarentenar!
A certeza que eu tenho
É que minha hora vai chegar
Por isso, canto...
Ó abre alas que eu quero passar...
Chiquinha Gonzaga na história
Eu também quero entrar.
Lapidação [sem epitáfio]
Lápide!
O que escreverão sobre minha lápide?
Que legado deixarei?
Será que isso importa?
Quero viver mas sem desperdiçar a vida
Por isso dito meu anseio presente
Longe de mim a rudeza
Palavras sejam sem aspereza
Cicatrizes na memória de outrem
Não vale a pena guardar rancor
Veneno que definha o amor
Não quero perder tempo com trivialidades
Nem com belas e rudes mentiras
Invejas, brigas, intrigas
Prefiro olhar o pôr do sol
Contemplar os pássaros
Ouvir as flores
Cantar sem rubores
Plantar as sementes do amor
Vestir os calçados da paz
Viver no dia a dia a alegria
Momentos não monumentos
Vida!
Prefiro lapidar a vida!
