Um para o outro
Não era uma distância longa entre um olhar e outro. Mas longe o bastante para que os olhares se deturbassem, uma distância suficiente para que fosse agregado ao olhar certa subjetividade e interpretação um tanto ousadas. E foi isso que aconteceu.
Dia após dia os olhares se encontravam, abraçavam-se, mas nada diziam. Talvez porque não achassem que ali estaria se criando visões de algo, de alguma coisa. E em linha reta, a conversa continuava. Não em palavras, mas na subjetividade dos olhares. Não é preciso dizer nada para que fosse percebido que ali por meio dos olhos a comunicação se fazia. E seus interlocutores sempre certos de que estavam sendo compreendidos. Será?
Talvez sim, talvez não. Os olhos não são muito claros, vejam o trocadilho, quando se trata de sentimentos. Alerta de espolie. Sim, um sentimento nascia por meio daqueles olhares. Pelo menos da parte do dono de um dos pares de olhos. De uma pequena semente por trás daqueles olhos nascia um sentimento. E alimentado pelo imenso terreno fértil da carência cresceu tanto que já não cabia mais no corpo. Começou a transbordar.
Saia por todos os poros da pele. Fugia pela respiração. Os olhos, porém, pareciam não saber transmitir essa mensagem. O olhar não tinha a força de levar à compreensão desse sentimento a pessoa a quem estava endereçado. E a dona do outro par de olhos não recebeu essa informação. Não imediatamente, apesar dos olhares continuarem ininterruptos.
E eis que entra nessa história um terceiro par de olhos. Na verdade, um par de ouvidos. Ao escutar a confissão do amigo, não crer. Ele que acompanhou e ouviu todos os cochichos daqueles olhares, percebeu de imediato que os olhos daqueles dois jovens não estavam falando a mesma língua. E a dona do segundo par de olhos ouviu da boca do amigo o que o dono dos olhares interpretou.
Ela não acreditou. Mas ficou calada, pois nada a boca tem a ver com a conversa dos olhos. E deixou então que os olhares fugissem e que ficassem calados para que não fossem mal interpretados. Mesmo assim, vez por outra eles se encontram, pois estão sempre no mesmo caminho, desviam-se e vão embora. E o terreno fértil da carência continua suprindo o amor que o dono de um dos pares daqueles olhos pensa existir. Olhares são perigosos. Eles falam muito, no entanto, nada escutam.
A ponte
A ponte estabelece a distância entre um ponto ao outro. Quando a distância entre pessoas é determinda por classe, padrões e preconceito então, podemos afirmar que existe mais frieza entre os homens do que entre o ponto concreto da ponte!
O frio é a forma mais rude de reunir a gauchada ao redor do fogo de chão e entre um mate e outro vamos aquecendo o coração. Ivens@breu
O Desafiado levando sorte.
Um certo dia...
Outro poeta me desafiou...
Disse-me que eu não seria capaz...
De fazer uma escrita nessa terra...
Trazendo então...
Alguns nomes de países
Olhei no fundo dos olhos dele...
E respondi....
____Caro poeta desconhecido...
Seu insulto para mim...
É vitamina para meu cerebro...
Só tem um pequeno detalhe...
Minha cabeça é uma fornalha...
E isso...
Você não percebeu...
Minha imaginação...
Ja passou pelo Afeganistão...
De lá...
Peguei um trem...
Fui bater na Alemanha...
E se não foge das minhas entranhas....
Ja era bem cedo...
Acordei na Tanzânia...
Tomei um café...
Fui a China...
E visitei o Japão...
E subi o morro...
E avistei o Cazaquistão...
Sou poeta voador...
Minhas asas são longas e vou até onde seus olhos não vêem...
Argentina , Iraque e Austrália...
Angola e também Itália...
Comi Poio na tigela...
Na parte Central de Caracas...
A famosa capital da Venezuela..
África do Sul, Albânia...
Armênia ,Paraguai e Uruguai...
Não contrabandiei nada de lá...
Aqui onde eu moro...
É crime e dói até os poros...
Escrevo pra ti oh Poeta desafiador...
Porque não quero lhe ver triste...
Só mostro o que gosto de fazer...
E vou continuando com o Chile...
Fiquei triste na Somália...
Lá...
A fome e pobreza ímpera demais...
Quem sabe Estados Unidos da América...
Suíça e Suécia..
E outros países também...
Se unem...
Para acabar com tanta coisa que não presta...
Sabe poeta...
Um lema eu trago comigo..
Coréia do Norte e do sul...
São coladas uma a outra..
O escritor que vos fala...
Pode até deixar algo para traz...
Mas não tem nada de trouxa....
Espanha e Jordânia são de um continente...
O Canadá é do norte...
Por enquanto...
Nesse desafio eu estou levando sorte...
Nessa pequena demonstração...
Por favor...
Não me leve a mal não...
Sou um inspirador Brasileiro...
Caso queira um trocado...
Fale comigo a sós...
Grite bem alto e se renda...
Deixo na tua face..
O meu verso entalhado...
Sou igual a qualquer outro...
E se essa escrita não te fez bem...
Saiba você e saiba o mundo...
Não fiz ela só pra você...
Fiz treinando meus instintos...
Falo a verdade e não minto...
Escrevi até aqui....
E se algo faltou em formalizar
Sinto muito...
Mas na arte da poesia...
Eu também posso errar...
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
toda vez que fixamos os nossos olhares um para o outro,eu sinto que o mundo pertence-se apenas para nós dois!
Eu vejo a forma como vocês dois olham um para o outro. É real. Vocês seriam tolos de deixar isso escapar.
Um, dois, um
Um encontrando o outro
Dois separados por delírio
Um em outro um, não se forma nenhum
Um e dois não são três, não é um e nem dois um's
Somente um
Somente um
Um e dois, dois em um
A metade de um dois não se forma um
Nem mesmo será menos dois
A metade de um é menor que zero
Não se soma e nem se compara
Um um, um dois, dois valores em comum.
Um, dois, um
O ser humano aceita com naturalidade falar, ouvir e mandar imagens de um lugar para outro do planeta pelo simples toque num celular, mas duvida do poder da própria mente humana que foi a criadora desta tecnologia?
Estudar não pode ser de qualquer jeito
A qualquer hora
Quando der na telha
Um tiquinho ali outro acolá
No dia da prova.
O estudo deve ser feito com inteligência
Tem que ter um método
Metas
Estratégia
Disciplina
Prática incansável de exercícios
Construído/fixado em cima de uma fé inabalável
Se preferir...
Uma quase obsessão
Lá fora a chuva cai.
Impiedosa e solene.
Intempéries?!
O tempo. A vida.
Um conjuga o outro.
Cai a chuva.
Bate o vento.
As gotículas atrofiam o olhar.
Esse olhar que deixa a chuva cair.
Esse momento que parece um redemoinho.
Tempo! Vida?
Pois...
É Dezembro. É Natal.
É tempo de solenidade.
Traz a vida pura saudade.
Tempo audaz.
Saudade inevitável.
Nascimento do salvador.
Que atenua um pouco a dor.
O nada e o tudo são inseparáveis.
Um precisa do outro para existir.
Um precisa do outro pra fazer sentido.
A guerra do corpo
Esquerda e direta vão se atracando
Cada um contrário ao outro.
A cabeça fica no meio,
deixando a boca falar...
O ouvido escuta o bonito e o feio,
pois sua função é escutar!
O nariz sem ter onde se meter
solta seus suspiros...
Já os pés precisam andar,
se corre o bicho pega.
O bicho come se for ficar...
O corpo está todo dividido,
mas se não houver unificação...
O coração fica aturdido!
Maria Lu T S Nishimura
