Um Estranho Impar Poesia

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A justiça jamais caminhou ao meu lado; observou-me de longe,
como um velho escriba que registra cada afronta
sem desperdiçar tinta antes da hora exata.


Chamaram-me de pequeno
porque confundiram silêncio com escassez,
e serenidade com rendição.
Mediram meu destino
pela estreiteza dos próprios horizontes.


O tempo, porém, não discute.
Lapida.


Quando seus ponteiros encerraram o julgamento,
não encontrei ruínas diante de mim,
mas espelhos.
E neles, cada sentença precipitada
retornava ao seu verdadeiro autor.


Não saboreio derrotas.
Saboreio a precisão.
Há um deleite quase sagrado
em assistir a arrogância descobrir,
tarde demais,
que a altura de um homem
jamais se mede pelo lugar
onde os outros insistiram em colocá-lo.


A justiça não me coroou.
Apenas removeu as sombras
que escondiam aquilo que eu sempre fui.


E esse veredito,
gravado pelo próprio tempo,
não admite recurso,
nem revisão.

Falsos profetas, tirando as esmolas de um povo que não tem o que comer. O que dirão a Deus quando Ele lançar vocês e sua casa nas fornalhas do inferno? Talvez respondam: "Bom, pelo menos tive uma vida terrena próspera."


Tolos. O fogo do inferno apagará a felicidade de cem anos em poucos segundos.

O Ídolo de Argila


Ergui um altar onde havia apenas barro.
Julguei encontrar um farol,
mas era uma chama alimentada pelo próprio ego.


Emprestei meses ao aço,
à disciplina,
ao silêncio que antecede o combate.
Cada golpe moldava meu corpo,
enquanto a admiração moldava minha cegueira.


Venci o ringue,
mas fui derrotado pela verdade.


Descobri que a força dos punhos
não redime a fraqueza da alma;
que cinturões não acorrentam demônios,
nem medalhas curam o vazio de quem vive escravo de si.


Há homens que tombam diante de um adversário;
outros desmoronam diante do espelho.


Aquele que eu chamava de mestre
era apenas um peregrino perdido,
vestido com a armadura da vaidade,
incapaz de sustentar o próprio espírito.


Então compreendi:


Minha vitória nunca pertenceu ao altar que construí.
Pertenceu ao sangue que derramei em cada treino,
à dor que suportei em silêncio,
à vontade que permaneceu de pé
quando a ilusão caiu de joelhos.


Os ídolos apodrecem.
A disciplina permanece.


E, quando a máscara finalmente se rompe,
não morre o discípulo —
morre apenas a mentira.

Amor Latente


Houve um amor tão imenso
que fez do meu peito um santuário
e dos meus olhos, devotos cegos da tua luz.
Amei-te com a força que antecede a criação,
com a fé insensata de quem acredita
que um único abraço pode ressuscitar a alma.


Entreguei-te tudo.
Até aquilo que eu jamais soube nomear.


Mas a verdade não anuncia sua chegada.
Ela rompe o silêncio como uma lâmina,
e o primeiro golpe sempre é nos olhos.


Quando enfim despertei,
o paraíso que eu jurava habitar
não passava de um templo erguido sobre ilusões.
Toquei tuas lembranças
e elas se desfizeram como cinzas entre meus dedos.


Então compreendi:


o amor e o ódio jamais foram inimigos.
São a mesma chama
condenada a mudar de cor.


O amor que um dia me deu fôlego,
que devolveu vida ao que havia morrido em mim,
foi o mesmo que, ao revelar seu verdadeiro rosto,
ensinou meu coração a sangrar sem morrer.


Hoje carrego apenas o silêncio.
Porque não existe escuridão mais cruel
do que a luz que revela
que todo o infinito vivido por dois
existiu apenas dentro de um.

Onde o Silêncio Reza


Havia um templo feito de pedra,
mas era o silêncio que sustentava suas paredes.
As velas queimavam lentamente,
como se soubessem que nem toda escuridão nasce da noite.


Os bancos antigos carregavam cicatrizes,
marcas de joelhos cansados e mãos unidas em oração.
Pediam apenas cuidado,
enquanto outros olhos enxergavam apenas cifras.


O ouro nunca brilhou mais que a fé.
Ainda assim, há quem troque a luz do altar
pelo reflexo frio das moedas,
esquecendo que toda riqueza roubada da esperança
cobra um preço que o tempo jamais perdoa.


Os sinos continuam a tocar,
mas seu som já não desperta apenas os fiéis.
Também desperta as consciências,
porque nenhuma sombra permanece escondida para sempre.


E quando a última vela se apagar,
não será a madeira, nem a pedra, que serão julgadas.
Serão os corações que confundiram o sagrado com interesse,
e fizeram do silêncio um cúmplice.


No fim, resta apenas a verdade:
ela caminha devagar, veste luto,
e sempre encontra o caminho de volta ao altar.

Onde a Sombra Faz Morada




Há vidas que parecem atravessar o mundo sob um céu que nunca amanheceu.


O destino lhes rouba nomes, abraços e futuros, e lhes da remédios para ser um Porto seguro ,
até que a memória se torne um cemitério onde o vento aprende a sussurrar.


Quem contempla tantas despedidas deveria entender
que toda existência é apenas um sopro, passa tão rapido,
uma chama vacilante que com o menor descuido o tempo se apaga.


Mas nem toda dor gera luz.


Há sofrimentos que, quando alimentados pelo vaidade,
deixam de ser cicatrizes e se tornam correntes;
aprisionam a alma, endurecem a voz
e transformam o julgamento em um altar de esquizofrenia.


É um paradoxo cruel.


Quanto mais a morte revela o valor da vida,
mais alguns insistem em desperdiçá-la medindo as falhas alheias dos outros, para Camuflarem às suas.


Esquecem que nenhum tribunal humano resiste ao relógio,
que toda sentença pronunciada hoje
amanhã será apenas poeira, palavras ao vento repousando sobre o cemitério de silêncio.


A maior tragédia nunca foi aquilo que o destino levou.


Foi permitir que cada perda apagasse, pouco a pouco,
a última centelha de lembranças de amor e, misericórdia vividas


Porque há um abismo mais profundo que o luto:


é sobreviver a tantas apocalipses
e, ainda assim, não aprender a ser guarda-chuva para quem também caminha sob a chuva.

Há um irmão cuja força rivaliza com a minha, mas que fez das sombras seu único refúgio. Não atravessa o caminho que leva até mim, não pronuncia meu nome, nem ousa romper o silêncio que ergueu entre nós. Ainda assim, sua voz encontra outra estrada: alcança os ouvidos de meu pai.


Ignoro quais palavras derrama. Talvez sejam preces, talvez veneno; talvez verdades mutiladas vestidas de luz. Apenas sei que, enquanto evita meus olhos, conversa com os fantasmas da minha ausência.


E nas noites em que o vento parece carregar segredos, pergunto-me se é a culpa que o oculta nas trevas... ou se as próprias trevas já aprenderam a chamá-lo de filho.

Dentro de mim moram dois sussurros:
um busca a luz, outro abraça a sombra.
Entre a razão e a loucura,
caminho sendo o próprio conflito que me habita.

A morte perguntou: _Quantas almas irei ceifar para poder trocar de Cargo ?


Cronos disse: _Um ano apenas depois aumentamos seu salário!

Um filho pode erguer impérios e ser aclamado por multidões, mas, se faz o coração do próprio pai sangrar, toda a sua glória pesa menos que uma lágrima silenciosa. Não há vitória capaz de preencher o vazio deixado pela ingratidão.


A dor de um pai não nasce porque deixou de amar, mas porque continua amando alguém que já não reconhece esse amor. E talvez a maior tragédia da vida não seja perder um filho para a morte, mas vê-lo vivo, distante e transformado pela soberba.


Honrar quem primeiro nos amou é a mais nobre das conquistas. Todo o resto é apenas poeira levada pelo vento.

QUANDO VOCÊ SORRI


Você sorri
e alguma coisa em mim desacelera,
como se o mundo, por um instante,
esquecesse de correr.


Há qualquer coisa no teu olhar
que eu não sei explicar,
um segredo que não pede palavras,
mas insiste em ficar.


E esse sorriso...
ah, esse sorriso.
Parece pequeno para quem vê,
mas dentro de mim
faz um universo inteiro nascer.


Talvez você nem perceba,
talvez nem saiba o que faz,
mas há beleza demais
na maneira como você simplesmente existe.


E eu, que sempre procurei
palavras bonitas para dizer o que sinto,
descobri que algumas pessoas
não precisam de poesia.


Elas são a própria poesia.


E você...
é daquelas que a gente olha
por alguns segundos
e passa o resto do dia
tentando entender
por que sorriu também.

Círculo de amor


Eu vivo um amor no plural, na singularidade e na covarde eternidade,


A proximidade que arrepia, o olhar de águia que atravessa pensamentos e aquele despertador que invade a alma gritando,


Curvas na estrada com neblina, vinho derramado após a quarta taça, sopro de um tal existir sem respirar,


O céu e o mar ficam sem vida no escuro até a lua aparecer mais uma vez,


A persistência trouxe a vitória, a coerência tem regado as rosas e a reciprocidade acontece todos os dias depois do meu achado de uma entre muitas milhões.

Pode um vaso de desonra se tornar um vaso de honra? A Bíblia responde:


"Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra." 2 Timóteo 2:20-21

Uma igreja sem o fogo do Espírito é como um altar sem o sacrifício aceitável.


Sermons on Various Subjects, Sermão XI, p. 230.

QUANDO FALTA FORÇA, A GRAÇA BASTA
Muitas vezes, esse versículo é usado como um amuleto para o sucesso financeiro ou a superação de metas terrenas. Mas a verdade bíblica é muito mais profunda e libertadora. Na perspectiva bíblica, a graça de Deus não é um salvo-conduto para o triunfalismo, mas sim a graça capacitadora (ou cooperante) que atua na nossa vontade e nos sustenta no sofrimento. É o poder de Deus aperfeiçoando-se na nossa fraqueza e nos capacitando para suportar as seguintes privações:
- Em Damasco, logo após a conversão, o apóstolo precisou escapar escondido em um cesto (Atos 9.25; 2Co 11.33);
- No início de seu ministério, enfrentou profunda desconfiança e rejeição por parte da igreja em Jerusalém (Atos 9.26);
- Em Antioquia da Pisídia, foi severamente perseguido e expulso da região (Atos 13.50);
- Em Listra, acabou apedrejado, arrastado para fora da cidade e dado como morto (Atos 14.19);
- Na Macedônia, especificamente em Filipos, foi açoitado com varas e lançado na prisão (Atos 16.22-24);
- Em Éfeso, enfrentou violentos tumultos incitados contra o seu ensino (Atos 19.23-41);
- Em Jerusalém, foi preso, espancado pela multidão e ameaçado de morte (Atos 21.27-36).
Assim, o "tudo posso" de Paulo é, na verdade, um "tudo posso suportar". É a firme convicção de que, seja na escassez, na rejeição ou na dor, a graça santificadora nos molda e nos mantém firmes. Você não é forte sozinho, mas o Espírito Santo habita em você para te dar resiliência.
Pense nisso e ótima semana,
Marcelo Rissma

Como um anfíbio que passou a vida inteira dentro d'água e descobre a vida terrestre. É como aquele que reagia aos impulsos dos pensamentos e depois experimenta os mistérios da meditação e a conexão presente com o silêncio criador.
NeoqJav

A Criatividade pode florescer com dificuldade em um lugar rigoroso, a Inteligência pode se desenvolver em um ambiente de conflitos. Mas nenhum dos dois é capaz de crescer em um ambiente que exala covardia ou medo.
NeoqJav

Reminiscências


Um dia,não vai mais ter brigas.
Nem alguém para te dar bom dia,ao acordar.
Ou precisar levantar correndo para fazer café,
se preocupar como está o cabelo ou onde a calcinha
foi parar.
Não vai ter toalhas molhadas em cima
da cama,alguém cantando no chuveiro,
roupas sujas pelo chão.
Um cheiro gostoso de homem para todo lugar.
Os gritos de gol,latas de cerveja pela casa,
E uma voz te chamando sem parar.
Vai chegar em casa e tudo vai estar
tranquilo e arrumado.
Mas,seu coração vai olhar com saudades o portão,
seu corpo vai implorar por ele e gemer de vontades,
numa febre de desejo e aflição.
Sua paisagem vai refletir a monotonia
da vida sozinha e vai se perguntar se valeu a pena
ter brigado tanto por coisas tão tolas,
se valeu a pena,ter sempre razão.
Sentimos saudades até do que nos incomodava
porque a ausência não sabe fazer distinção.
Acho que não.

O sol de hoje já se pôs
O tempo sem alarde voa
O que restou de ontem
Um sussurro que o vento leva.
Agora a noite desce branda
E a quietude me abraça
A vida passa serena
Deixando seu rastro de saudade.


Sidney BKara

Guardar quieto à noite, um coração cansado de lutar, é arar⁠ e adubar sua terra para nela plantar amor ao amanhecer...
LUCITA POETISA