O Ídolo de Argila Ergui um altar onde... KANGAL

O Ídolo de Argila


Ergui um altar onde havia apenas barro.
Julguei encontrar um farol,
mas era uma chama alimentada pelo próprio ego.


Emprestei meses ao aço,
à disciplina,
ao silêncio que antecede o combate.
Cada golpe moldava meu corpo,
enquanto a admiração moldava minha cegueira.


Venci o ringue,
mas fui derrotado pela verdade.


Descobri que a força dos punhos
não redime a fraqueza da alma;
que cinturões não acorrentam demônios,
nem medalhas curam o vazio de quem vive escravo de si.


Há homens que tombam diante de um adversário;
outros desmoronam diante do espelho.


Aquele que eu chamava de mestre
era apenas um peregrino perdido,
vestido com a armadura da vaidade,
incapaz de sustentar o próprio espírito.


Então compreendi:


Minha vitória nunca pertenceu ao altar que construí.
Pertenceu ao sangue que derramei em cada treino,
à dor que suportei em silêncio,
à vontade que permaneceu de pé
quando a ilusão caiu de joelhos.


Os ídolos apodrecem.
A disciplina permanece.


E, quando a máscara finalmente se rompe,
não morre o discípulo —
morre apenas a mentira.