Um Estranho Impar Poesia

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Deserta




Era madrugada, não tão tarde, o galo já anunciava o clarão de um novo dia...
Era na verdade já alta a alvorada, falando
sozinha, como é o meu costume, amando
o deserto que havia na estrada deserta.
Eu empolgada, fugi desbravando lugares,
a minha alma inquieta, querendo chegar
sem saber aonde, antes de mim. Enquanto
ela se agoniava, eu sorria dizendo - Calma
que hoje você não vai me trazer nostalgia.

Engano


Um dia eu já fui tão triste, e fui mesmo infeliz, por acreditar no amor verdadeiro, hoje sei que foi um grande erro, total engano. Em minhas ilusões ainda romantizo o amor, ainda acredito em algumas fantasias, mas já me dói a realidade triste de saber, que amor, amor mesmo, só de mãe... e nem todas são dedicadas.

Ciúmes




O que nunca pertenceu, mas que foi um sentimento de emoção profunda, quando transportei o brilho da lua cheia para iluminar os voos que minha alma alçou!


Aquele... que ultrapassou os limites distantes,
para equacionar a geografia das emoções
que um dia os meus lindos sonhos de amor impossível, nele encontrou.


Imaginei um momento que jamais aconteceria,
dos tantos planos que fiz, dos abraços seus que com intensidade desejei, não havia chance nenhuma, uma vida a dois, nem por um instante sei, nunca eu teria.


O amor é feito de vontades, sem realizações e nisso tudo apesar das negações na própria e solitária emoção buscar a alegria... Mesmo morrendo e vivendo desse amor, mais triste e só é a sua triste poesia.


No mundo das suas ilusões, uma frase de amor sequer, uma esperança desiludida... amar sozinha é caminhar para um precipício, e por lá morrer de tristeza, esquecida.

Diminuta.

Eu sustenido,
Você bemol.
Encontremo-nos em um tom,
Seja Lá ou cá,
Talvez em Sol.

Eu maior,
Você menor.
Será minha terça?
Procuro-lhe nas escalas
Por favor, apareça!

Eu grave,
Você aguda.
Nota que eu não encontro.
Talvez diminuta
Ou nota muda?

Quando for atravessar um rio, vá a favor da correnteza.
Vai economizar energia.
Vai aproveitar o impulso.
Mantenha firme na mente o objetivo: Sair do outro lado. ✅

Era ela
Estava triste, cabisbaixo, as lágrimas escorriam lentamente pelos meus olhos; um vazio profundo. Mas, de repente, uma voz doce e suave me perguntou: por que choras, poeta? Por que choras, poeta? Ah, meu deus, era a moça do sorriso lindo! A moça das flores, a musa dos meus versos. Ah, meu deus, era ela! Era ela! Era ela!

(Só lágrimas)


Hoje eu acordei só lágrimas,
Olhei para o céu, um vazio
Profundo.
Olhei para o jardim, não me
Encantei,
E chorei.
Será, meu Deus,
Que estou perdendo aquela
Essência bonita do poeta,
Ou será apenas um momento
De desilusão,
De desilusão?

Felicidade não é algo a ser adquirido,
para ser buscado,
mas um sentimento a ser experimentado,
logo exige atitude para ser vivenciado.

Para estarmos felizes,
por um número maior de vezes
em nossa vida,
é imprescindível que tenhamos
temperança com os nossos desejos.

⁠⁠Quando optamos
por viver uma personagem
fazemos de nossas vidas
um longa-metragem
no qual somos o roteirista
que não tem consciência
do final ao qual se propõe.

⁠Um domingo triste!
A tristeza dá-se pela a ausências do abraço, do cumprimento ao próximo, do bate papo com os amigos, do confinamento em nossas próprias casas. A dor que sinto é oriunda da incerteza e da sensação de impotência que emana do ser humano diante de um ser tão minúsculo , invisível, poderia dizer insignificante diante das extraordinários avanços que o homem já conquistou, mas somos frágeis e isso serve para que possamos retirar dessa experiência que não somos deuses, que a arrogância nada significa na presença da insignificância de um ser diminuto, que o dinheiro pode lhe proporcionar melhores tratamentos e profissionais de saúde, mas não evita-o de se curvar diante dele. Esse momento é importante para refletirmos que a ideia do capital é erronea, que o homem perfeito é um erro, que a mulher impecável é uma fantasia, que o dinheiro não compra tudo. A evolução do ser quanto humano é oriunda da aprendizagem que ele faz de suas experiencias vividas, mas que tipo humano somos nós que não conseguimos abstrair desses momentos atuais, tão difíceis para todos, ensinamentos que nos transforme???
Tenham um bom domingo e não esqueçam que uma de nossas caracteristica é adaptar-se às mais diversas formas de vida e o amanhã é a soluçao de todos os problemas, mas é importante sabermos aprender com o dia que passou.

Chegada ao Mundo

Na chegada ao mundo, um sopro de luz,
um caminho aberto que ninguém traduz.
Aprendendo a cada dia, sigo a caminhar,
o que nos livros jamais eu poderia encontrar.

Sem paredes para me agarrar,
descubro no vento o segredo de voar.
No botão de uma rosa, tão frágil, tão forte,
aprendi que o amor é quem guia a sorte.

Ali encontrei a vida em sua canção,
a fé que floresce no coração,
a força que ergue quando tudo desaba,
o poder que brota quando a alma se cala.

Sou aprendiz da terra, do céu, do mar,
na escola do tempo, venho me formar.
E cada dia é milagre, é eterno saber,
que a vida é um livro que só se escreve ao viver.

Onde a Fé Abre o Céu


​O céu das seis horas era um muro denso,
uma tapeçaria de chumbo e chuva
onde a luz já não tinha permissão para entrar.
Mas a alma, quando é tocada pelo invisível,
escuta o som antes da voz.
​Entre o ruído do mundo e a calmaria do louvor,
veio a ordem serena, suave como um sopro:
"Abre a porta. Pede para ver."
​Fui até o quintal da casa,
carregando a pequenez da minha fé
diante de um firmamento fechado e frio.
​E então, o impossível aconteceu sem alarde.
Diante dos meus olhos desacreditados,
a nuvem espessa se desfez como véu rasgado.
Um feixe vivo, um ouro puro e inacreditável,
atravessou a tempestade e entrou na minha sala.
​A luz banhou o chão, acendeu as paredes
e tocou o peito com a força de um abraço divino.
​Mesmo tendo visto, o coração estremece e duvida:
seria o sol abrindo espaço apenas para mim?
Mas a casa iluminada e a alma aquecida não mentem.
Há mistérios que Deus não explica;
Ele apenas escuta, abre o céu e acende a vida.

​A Fonte e a Origem


​No banho, a água murmura
um segredo que a terra guardou.
É a chuva de tempos antigos
na pele que o céu desenhou.
​Os cabelos descem sem pressa,
como rios de pouca vazão,
guardando o mistério da origem,
da força da primeira criação.
​Ela sabe o caminho das flores,
o momento em que a noite se faz;
traz nos fios a sombra da mata
e no peito um bocado de paz.
​Não é de brilho que se mostra,
é encanto que não se mede:
a mulher que conversa com o tempo
e que a água respeita quando pede.

Rasgou as velhas roupas do passado como quem corta cordas invisíveis. Cada fio que caía era um sopro de liberdade, uma promessa de si mesmo que não se enrolaria mais em nostalgias fáceis. O prazer momentâneo sussurrava em cada canto — o chamado das mesas cheias, dos abraços sem compromisso, dos consolos rápidos — mas ele fechava os ouvidos.

Escolher o melhor para si é coragem que não se veste de glamour. É se colocar inteiro diante do mundo e dizer: “Não mais me contentarei com migalhas, mesmo que doces.” Há uma dor doce nisso, um aperto nos ombros e no coração, porque renunciar é um rito silencioso que só o próprio corpo entende.

Mas há também poesia no sacrifício. Cada passo para longe do que não serve é um avanço rumo à plenitude que ninguém pode roubar. É o gosto de um vinho guardado, saboreado depois de anos, ou o perfume das flores que crescem em solo inesperado, intenso, solto, sem pressa.

Ser gentil consigo mesmo não é indulgência; é firmeza. É reconhecer que você merece o melhor, ainda que seja caro, ainda que seja solitário, ainda que precise atravessar tempestades interiores. É aceitar que a reconstrução dói, que a vida não se repete nem se empresta, e que a cada manhã há um pedaço de você que renasce.

Reviver é isso: um gesto íntimo, visceral e silencioso. É dançar com suas próprias feridas, abraçar a coragem que faz do abandono do velho uma vitória e da escolha consciente, o maior dos prazeres.

Caminhar lado a lado exige um gesto raro: deixar as ideias descansarem um pouco. As ideias são bonitas, mas traiçoeiras. Nelas, todos somos perfeitos. O filho ideal só existe no pensamento. A mãe ideal também. No mundo das ideias, ninguém falha, ninguém se desespera, ninguém diz a palavra errada na hora errada. É um lugar confortável demais para caber gente viva.

Viver de verdade com alguém é aceitar que o real é meio torto. Que há dias em que a voz falha, a alma murcha, o cansaço transborda. É ter coragem de amar o que existe, não o que imaginamos. E isso é mais difícil do que parece, porque a imaginação é uma costureira habilidosa: ajusta, corta, embeleza. O real, não. O real é áspero, às vezes. Mas é nele que moram os encontros que mudam a vida.

Cada um é o que é. Faz o que dá conta. Ama como aprendeu. E isso não é desculpa: é condição humana. Amar sem tentar caber no molde do outro é um ato de generosidade. Um jeito bonito de dizer: eu te vejo, não pelo que projetei, mas pelo que você realmente é — com suas frestas, suas travessias, suas partes desordenadas.

O amor verdadeiro não exige perfeição. Exige presença. Exige humildade para desfazer fantasias antigas e coragem para ficar, mesmo quando o castelo que imaginamos vira chão. Prosseguir amando, mesmo quando a realidade desmonta o sonho, é um gesto de maturidade que poucos sustentam.

São poucos os amores que suportam a pureza do real. A maioria prefere a maquete. Eu, não. Prefiro a casa habitada, mesmo com as rachaduras. O afeto que existe, mesmo com as falhas. O caminho compartilhado onde dois humanos, imperfeitos e inteiros, aprendem a caminhar juntos — não pela ideia do que deveriam ser, mas pela beleza do que são.

Não vou mais lutar comigo mesmo. Essa guerra íntima sempre foi injusta: eu de um lado, tentando caber; o mundo do outro, oferecendo moldes apertados demais. Passei tempo suficiente tentando negociar minha existência, arredondar arestas, suavizar excessos, traduzir quem sou para ver se assim eu era aceito. Não funcionou. Nunca funcionou.

Nunca coube nas expectativas porque elas nascem pequenas demais para o que pulsa em mim. Nunca me ajustei para pertencer porque pertença, quando exige mutilação, vira cárcere elegante. Aprendi isso do jeito mais cansativo: insistindo. E só agora entendo que insistir contra si é uma forma sofisticada de abandono.

Sou o que sou. Não por rebeldia, nem como defesa. Sou o que sou como quem finalmente pousa as armas no chão e senta. Há uma paz estranha nisso. Não a paz da acomodação, mas a paz de quem para de se ferir tentando ser outra coisa. Sustentar-se dá trabalho, mas lutar contra si cobra um preço alto demais.

Escolho, então, essa trégua radical comigo. Não para me tornar imutável, mas para mudar sem me violentar. Não para agradar, mas para existir com decência. Sou o que sou — e isso, hoje, não é sentença. É abrigo.

Há um ruído antigo em mim — não sei se nasce do peito ou das paredes internas. Um som que pergunta, sem mover a boca, se minha presença é respiro ou incômodo. Não pergunto aos outros; pergunto ao silêncio. E ele sempre responde: depende.

Depende de quê?
Talvez da sombra que ainda carrego — essa que aprendeu a duvidar do que é oferecido com ternura, como se o afeto tivesse validade curta.

E não é por falta de amor; não faltou.
É que, em algum ponto sensível da minha história, aprendi que tudo pode virar silêncio sem aviso. Cresci assim: não desconfiado das pessoas, mas das marés. Meio alerta, meio cético, inteiro faminto do que é seguro.

Há em mim um eco que hesita diante do amor mais evidente — não por falta de provas, mas por excesso de memória. Uma parte minha vigia a porta mesmo quando não há perigo.

E o curioso é que eu sei que sou querido.
Mas há uma porção antiga — leal às dores que sobreviveram — que pergunta: “e se for só gentileza?”

Às vezes imagino que essa dúvida é um animal. Mora em mim. Cheira o amor antes de deixá-lo entrar. Rosna quando alguém chega perto demais — não por recusa, mas por medo de desmanchar.

E a cura?
Talvez seja deixar esse animal cansar.
Permitir que o amor chegue devagar, até o corpo entender que não é ameaça: é colo.
Ou aceitar que essa dúvida é profundidade — alguns de nós amam em camadas, e o afeto precisa atravessar labirintos para chegar ao centro.

E no meu centro existe um lugar que sempre soube que sou amado.
Mas às vezes ele cochila — e o mundo fica estrangeiro.

Basta um olhar verdadeiro para tudo despertar.

E eu lembro, mesmo que por instantes:
não estou sendo tolerado, há morada nos amores que me abraçam.

(“O lugar onde o amor cochila”)

Mergulhar é decidir afundar acreditando que o corpo ainda lembra como voltar. Há um segundo em que o ar falta, o peito arde, a cabeça avisa que talvez seja demais. E mesmo assim, fica-se mais um instante. Não por coragem, mas por curiosidade. Depois, o impulso antigo reaparece, o corpo sobe, o ar entra desajeitado, e respirar volta a ser um milagre banal. Toda transformação começa assim: um quase-afogamento seguido de reaprendizado.

Tenho vivido o estado estranho de não ser mais quem fui. Um auto-estranheirismo. Há dias em que me entristece não dar conta do que antes era fácil. Coisas que fazia sem pensar agora exigem pausa, cuidado, negociação interna. É como acordar numa casa que sempre foi sua e precisar de segundos para lembrar onde fica a cozinha. Isso dói, porque a memória do que fui ainda mora em mim.

Mas há também prazer: descobrir habilidades que não existiam, aprender com o espanto de quem começa do zero. Errar sem arrogância. Esse estranhamento não é ruptura, é transição. Caminho por ele com angústia e curiosidade. Nem sempre sei quem sou hoje, mas começo a desconfiar de quem posso me tornar.

Talvez amadurecer seja suportar a tristeza do que não somos mais sem apressar a alegria do que ainda não sabemos. Permanecer nesse intervalo instável, onde o desconforto ensina e a surpresa salva. Aceitar que não reconhecer a si mesmo também pode ser sinal de que a vida está funcionando.

Há um alívio secreto em se jogar sabendo que existe chão. Não falo de certezas — certezas são para quem teme a vida. Falo do chão que nasce dos próprios pés, esse solo íntimo que a gente aprende a cultivar depois de tantas quedas que já nem sabemos mais qual doeu primeiro.

É libertador sentar no meio-fio sem medo de parecer deselegante. Elegância, no fim, nunca esteve na pose, mas na coerência interna. Prefiro o cimento quente da rua me lembrando que continuo vivo do que qualquer palco que exija um personagem. Às vezes é no meio-fio que o coração finalmente se endireita.

Vestir-se de si exige propriedade afetiva. É colocar no corpo — e na vida — as camadas exatas do que se é, mesmo quando isso desagrada expectativas alheias. Sustentar as próprias escolhas é um tipo de musculatura moral: dói no começo, treme no meio, mas mantém a coluna da alma ereta.

E nas crises, é preciso gentileza. Respeitar-se como quem protege algo precioso. Gritar pra dentro, chorar pra fora, respirar onde der. Permitir-se ser humano sem desmerecer a força que existe no próprio caos.

Nas dores, ser colo. Nas alegrias, ser testemunha. Em ambas, gostar de si como quem aprende, depois de tantas tentativas, que o amor-próprio não é um estouro, mas um sussurro persistente que nos chama pelo nome quando o mundo tenta nos esquecer.

A verdade é simples e devastadora: a vida não fica mais leve, é a gente que fica mais inteiro. E quando finalmente sabemos que há sempre um chão — mesmo que seja o das escolhas que sustentamos com o peito aberto — o salto deixa de ser risco e vira rito.

Rito de fé.
Rito de coragem.
Rito de ser exatamente quem se é.