Um Estranho Impar Poesia

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Hesitações proparoxítonas

Faz sentido o sacrifício defendendo um símbolo,
Receber pelo empenho um risível óbolo,
Entregar-se decidido ao embalo rítmico
Ao saber que o castigo será logarítmico.

Por temer que um abraço falsamente cálido
Há de me deixar na certa para sempre inválido
Hei de escafeder-me logo, evadir-me lépido.
Nada desse amor perverso, desse abraço tépido.

Tentação, hei de enfrentá-la num processo rápido.
Fico longe do encanto desse fruto vápido.
Sucumbir como se fosse simples erro médico.
Esse drama é da alma ou é ortopédico?

As paixões ou os credos têm algo exótico
Não se curam com sermões nem com antibiótico.
Deixam traços, cicatrizes, eis o lado cômico
Sem contar com sérios danos no plano econômico.

Eu que gostaria tanto de ser eutímico
Vivo em contradições, viro ciclotímico
Por um ideal difuso num ambiente tétrico
Tento conciliar opostos, tento ser simétrico.

E em vão almejo agora tornar-me apolítico
Já é tarde, fui omisso. Meu estado é crítico.
Colocado sempre á prova – me tornei litófago
Tudo engoli sem pena do meu pobre esôfago.

Indignado, mas nem tanto... Fúria ilegítima
Para que posar de mártir, não sou uma vítima.
Seja pois o desabafo um atalho lírico
Para o meu esconderijo almejado, onírico.

Pois política, amores são males análogos
Que jamais foram curados por meros diálogos.
Vislumbrar em tudo isso um aspecto lúdico?
Sinto falta para tanto de um saber talmúdico.

Inserida por celsocolunista

se eu for um anjo me pinte com asas negras.

sempre solitário, porém nunca sozinho. existem algumas poucas companhias na solidão que só quem também está só e tem consciência disso pode as encontrar de diversas formas.
sinto-me espalhado por ai, pelo mundo, pelos cantos, pelas noites. minha alma ambiciosa me faz ter sempre muitos excessos pelos meus caminhos, seja de asas negras ou claras por aí. estou menos aqui do que pode parecer; é algo fantasmagórico em mim que sou apaixonado; uma obsessão pelo que é incompreendido. nunca há algo que possa tirar meus demônios de mim e agradeço a existência por ter me permitido dessa forma.
minha alma é uma música que toco com meus olhares e canto com meus conhecimentos. vejo na melancolia uma beleza fúnebre que me seduz ficar acordado pensando "e se?". reconheço no meu vazio existencial uma liberdade imensurável, tal como tudo a minha volta é inalcançável pra quem pode compreender tais meios. eu sou um desejo que não queria existir; como numa forma poética de dizer que não estou nem aí.
sou duas crianças brigando por algo que nenhuma das duas querem.

Inserida por Elvoid

de estado estático contempla-se o caos
calmo como um inseto ao exercício de seu nicho
olhos espalhados por corpos em sinestesia
compartilho da vibração
tudo é energia que há de fluir incessantemente
o pulsar dos corações vazios
acompanharão as caixas em estresse
grave que estremece a areia
fechei os olhos...
e lá estavam sua cores em negativo
sua silhueta refletida em mim
minguante.

Inserida por Elvoid

O k interessa é o k tu sabes de ti
e não o que falam e dizem por ai.
Acredita em ti um dia vais brilhar
olha para mim só tens k acreditar.

Inserida por TiagoSuil

"ESTEPES" GOIANAS (soneto)

Mergulhei nas "estepes" goianas, por acaso
Foi um pulo no meu destino nunca imaginado
Cá vim, então, em missão para o cerrado
E aqui as quimeras ficaram fora do prazo

Um infinito onde o céu é bonito, fui abandonado
A poesia virou companhia, e o luar, com prazo
Pulsações e confusões no meu fado, um arraso
Onde amar e perdoar tornou-se hábito silenciado

A paisagem esfumou-se e confundiu-se no olhar gazo
De uma poeira fina, varrida do coração embaçado
Deixado de lado, sonhei, e com os sonhos desenhei parnaso

Assim, perdi-me nos atalhos do devaneio inquietado
Nas braçadas da saudade o ribeirão tornou-se raso
E nas "estepes" do Goiás, o meu lírico plangor foi dissipado

Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

SONETO DESCRENTE

Dor que amarga o ser contente
Ilusão tanta aos de expertise
Tanto, nada ou um só deslize
Para se desenhar o descrente

O legado é bom, infiel é a crise
Se no coração há brecha vertente
Que inflama a fé na crença poente
E aos sonhos leva pra uma eclise

A sós não se está sozinho, se crente
Pense com emoção, não só analise
A razão está em ser integralmente

Então, suporte, e o melhor avalize
Não se fica pior, a vida é discente
Num sobe e desce, ato e reprise

Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

MOMENTO DOCE

Contigo:
Eu queria um momento doce...
Para me lambuza em seu desenho,
me delirar em seu rascunho
e demarcar o tempo...
Com gemidos, e alucinações
dos ardentes desejos.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

Um poema por dia
uma história desmedida
para contar sobre o que sinto em minha vida.

Um poema por dia
assim minha alma aflita
explica cada sentimento desse coração que palpita.

Um poema por dia
nessa mente que a alma entende
inspiração existente,
a imaginação sempre cria
sobre essa vida que surpreende, poesia.

Inserida por DhioneTito

CONCRETO NAS NUVENS

Eu tenha um sonho
por dentro... Lá dentro
Como se fosse pó de cimento.

Que como pó voava...
Voava como se tivesse penas
Voava, como se batesse asas.

Mas o sonho de cimento
com o orvalho, virou grude
e veio as lagrimas d'água...
Fazendo concreto nas nuvens.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

VÍRGULAS

Entre um livro e outro
um recíproco silêncio,

entre um gole e outro
uma pausa de recesso,

entre um verbo e outro
apenas a palavra certa,

entre um beijo e outro
os lábios são saciados,

entre nós e os outros
a virgula é a diferença,

entre todas as histórias
não temos ponto final,

Inserida por PersioMendonca

Aporia...
(Nilo Ribeiro)

Aporia, palavra interessante,
significa dúvida constante,
é também um verbo marcante

a poria na minha poesia,
mas explicá-la não saberia

quando nada se cria,
a escrita não tem valia,
por isso aporia...

Inserida por NILOCRIBEIRO

FELICIDADE

Felicidade é um momento
no passado...
Rascunhado no presente.

Um sentimento sentido
no sopro do consciente.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

SONETO IMAGINÁRIO

Imagino um soneto do imaginário
Que escorra da doce imaginação
Com o seu ilusório jamais solitário
E cheios de quimeras e de emoção

Que tenha na sua existência itinerário
Não só formas, nem aparência, ação
Onde os sonhos são seu mobiliário
Aduzidos dos cômodos do coração

Quero com que seja o meu amuleto
Guardado no peito tal qual a oração
Em mantra, não como simples objeto

E se, assim, brotar do tal poço secreto
Dos poetas, que venha com inspiração
Imaginando satisfação por completo

Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

COM UM OLHAR

Um olhar... Um olhar!
Quando pequeno, bastava
um olhar!
Um olhar, para me represar.

Aquele olhar...
Direto como flecha no alvo
Direcionado por aquele arco
de carvalho calvo...
Aquele olhar único verdadeiro!
Era claro, suficiente para,
desvencilhar, os meus encravos.

Hoje, tudo acabou!
... Não vai...
_Eu vou...
Quem é o senhor
para me dizer...
Que eu, não vou!

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

GALHO TORTO

Insaciável ganância,
empoleirada no galho...
_ Um pássaro... _ Não!
Um fardo sem fundo o prazer...

Político dotado de infunda,
coerência e toda sede de
afluxo do mundo.

Esse poder aquisitivo,
que nunca para de crescer...
Essa fome de causar fome
sempre apta, a ver perecer.

Se ele se salva... Ok, ok
eu você, tu e todos...
Podem morrer.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

Quando criança eu tinha um mundo,
mas quando adolescente descobri
que o mundo é que me tinha.
Quando casei o mundo
não era mais só meu
e quando fiquei velho descobri que
o mundo não me queria.
Quando morri
encontrei um mundo
que me quis.

Inserida por alex_gabriel

SINAIS GRÁFICO

Sou maiúscula, sou minúscula,
vogal, sei lá... Consoante
sou um tanto, quanto caduca
mosquito, anta, elefante.

As vezes, sou imbecil...
dona de mim, na explicação
lousa giz, todos me viu
no bilhete do coração.

Ocasião, com circunflexo
acento... Grave, e til
quem sabe, trema apóstrofo
assim na gráfica... Quem não viu?

Você viu... Eu vi!
todos viram os sinais
que não obedeceu estão por ai...
Nos sinais das capitais.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

Cabanos hoje

Nós somos hoje herdeiros
De um povo valente e guerreiro
De ideias e bravura honrosas
Da nossa história tão gloriosa

Que viva em nossa memória
Nossa heróica trajetória
De luta árdua e revolução
Contra a voraz opressão

Então cantemos a liberdade
Calada ontem pelos covardes
Pelos agentes da submissão
Da bárbara exploração

Nós somos povo herdeiro
De heróis verdadeiros.
Que nos sertões da hiléia
Permaneça viva a ideia!

Inserida por kaio_nikolas

Olho no olho...
Um pouco enfadonho...
Então te proponho...
Boca na boca...
Mesmo que estejas rouca!
Pedro Marcos

Inserida por PMarcos

UM PEDIDO...

Por favor querido,
não faça de mim fragmentos...
Sou inteira demais para tal!

...Ou me tenha por completo
ou não me tenha
de forma alguma!

Em mim tudo é intenso
A alegria, a vida, a nostalgia.
...Até a dor precisa sem absoluta.

Então não me venha com metades.
Não suporto meados
... Jamais faça de mim restos.

E se não for para eu ficar,
não me chame!
Meu tempo é escasso.

Por favor,
faça isso por mim
...Não faça de mim fragmentos.

Inserida por elisasallesflor