Tragédia
A natureza ensina com tragédias, enquanto a escola, com estratégias, pelo menos velem as rimas! E salve a socialização.
Eu ensino quem quer aprender, lançar pérola aos porcos é atitude de professores mercenários. Em nome do domínio de classe, o coordenador opina pelo o segundo ato dessa tragédia. Já desenhada no caderninho de planos, enfeitado e abençoado pelos deuses da pedagogia!
Muitas tragédias causam marcas e dores que levamos para a vida toda. Ainda assim, a morte é a maior de todas as tragédias, pois além de ser uma tragédia natural, as marcas deixadas por ela ultrapassam gerações, são feridas que nunca se fecham, que não cicatrizam.
Eu?
Eu sou um enigma
O explícito do indecifrável
As chaves perdidas no bolso
O ''quiçá'' que precede a tragédia
Eu sou a tragédia!
Sou a tempestade que encanta pela avidez
E sou também os raios de sol que cessam a voracidade de céus aterradores
Eu sou o pulo do gato
E sou também a madeira bamba, afoita para forçá-lo
Eu sou a consequência de um caos certo e interminável
Tenho medo do vento que passa fechando as portas por onde entrei e saudades de cada uma das portas por onde eu não quis entrar. A tragédia da vida é nunca haver tempo hábil para desfrutá-la em plenitude. É estar diante de um banquete e ter de ir embora apenas com um tira-gosto.
Nunca fui tal pessimista, mas também nunca me deixei enganar por pensar que tinha asas para poder voar. Às vezes o mínimo esforço pode ser trágico.
Foi só graças ao espírito dionisíaco que os gregos conseguiram suportar a existência. Sob a influência da verdade contemplada, o homem grego via em toda a parte o aspecto horrível e absurdo da existência: a arte veio em seu socorro, transfigurando o horrível e o absurdo em imagens ideais, por meio das quais a vida se tornou aceitável. Essa transfiguração foi realizada pelo espírito dionisíaco, modulado e disciplinado pelo espírito apolíneo, e deu lugar à tragédia e à comédia. Mais tarde, Nietzsche viu no espírito dionisíaco o próprio fundamento da arte enquanto "corresponde aos estados de vigor animal". O estado apolíneo não é senão o resultado extremo da embriaguez dionisíaca, uma espécie de simplificação e concentração da própria embriaguez. O estilo clássico representa esse estado e é a forma mais elevada do sentimento de potência.
"A mais pequenina dor que diante de nós se produz e diante de nós geme, põe na nossa alma uma comiseração e na nossa carne um arrepio, que lhe não dariam as mais pavorosas catástrofes passadas longe, noutro tempo ou sob outros céus. Um homem caído a um poço na minha rua mais ansiadamente me sobressalta que cem mineiros sepultados numa mina da Sibéria".
Eça de Queirós, sobre as distâncias da dor
Parece que o sentimento de dor nos dias de hoje está diferente dos dias de Eça. Hoje, por qualquer catástrofe real ou imaginária divulgada pela mídia, as pessoas estão sempre dispostas a colaborar para amenizar a suposta dificuldade porque estejam passando nossos semelhantes dentro ou fora de nosso país. Por outro lado, para o homem deitado na calçada desnudo e com fome poucas pessoas se dispõem a socorrê-lo. E imaginando todos os indivíduos isolados nesta situação e fazendo deles um coletivo daria uma quantidade maior de pessoas que aquelas envolvidas nas tragédias divulgadas. Acho que nos dias de hoje não é a distância que determina a dor e sim o fato de ser individual ou coletivo. Socorrer o coletivo é socorrer a massa e a massa não tem rosto e dela não se espera retribuição. Já o socorro ao individual espera-se retorno e as pessoas não querem correr o risco de não serem retribuídas? Esta é uma questão para a qual ainda não obtive uma resposta. Por que as pessoas gostam mais de socorrer o coletivo desconhecido e muitas vezes longe, do que o individual, conhecido e próximo de nós?
Não foi quando te perdi que o mundo desabou, foi quando me perdi.
Não foi quando estive no fundo do poço que o desespero bateu, foi quando quis ficar lá.
Não foi quando meu bolso ficou vazio que afundei, foi quando meu coração esvaziou.
Não foi quando ninguém me quis que tudo ruiu, foi quando eu mesmo não me quis.
Não foi quando enxerguei a maldade do mundo que entrei em pânico, foi quando descobri minha própria maldade.
Conhecer a si mesmo é a pior das tragédias e a maior das dádivas.
Tenho lido alguns romances ultimamente e cada vez mais percebo que nunca chegarei lá.
Vejo isso ao ler as entrelinhas dessa tragédia romântica e me dói por saber que apenas que a reciprocidade não existe.
Assim como nos livros certos momentos ficaram marcados...
Mas feridas são só feridas, uma marca a mais não doi tanto.
Pelo menos não deveria...
Apenas um segundo
Foi naquele minuto que eu soube
Que não poderia mais te amar
Foi naquele minuto que eu soube
Que ao fechar meus olhos não poderia mais sonhar
Foi naquele minuto que eu soube
Que aquele abraço seria o ultimo
E que seu sorriso de esperança
Com o tempo se dissolveria
Seria apenas uma doce lembrança
Foi naquele minuto
Que cada dia da minha vida
Veio em mente
Cada sentimento, cada sensação
Estilhaçando como um copo de vidro
Caído contra chão
Mas foi naquele segundo
Que meu olhar se chocou contra o seu
Perdida em meio aquele falso mar
Confortada em seus braços
Parei de me preocupar
Ali, mesmo que por um milésimo
Seria meu lugar
Garotos cometem erros. Mas nós somos adultos, encarregados de uma grande responsabilidade. Uma criança foi morta. Não destruam a vida de outra criança tentando compensar. Isso não é justiça. É apenas outra tragédia.
Eu sabia como o sofrimento funcionava. A única coisa que adormece a dor é o tempo, preenchendo sua cabeça com memórias novas, criando uma separação entre você e a tragédia.
Tudo de bem ou crueldade que possas imaginar... inevitavelmente acontece, aconteceu ou irá acontecer
Tive que digerir a minha dor, não tive para onde escapar. A sua dor, era a minha dor. O que te machucava, era não ser amado por alguém, e o que me machucava, era não ser amado por você. Ambos perdíamos sempre o jogo... sempre perdíamos no início do jogo.
Em tempos de valores esquecidos, guerras, intrigas e trapaças; Em tempos de gente roubando e tirando de quem precisa; Em tempos de amizades desfeitas, amores traídos, distanciamento da família; Em tempos onde pessoas viram as costas; Em tempos onde a maldade está na moda; Em tempos onde não se importar está em voga; Em tempos que parecem o fim dos tempos, no limiar da esperança, hoje, na maior tragédia do esporte mundial, uma luz no fim do túnel brilhou. Gestos belos, atitudes maravilhosas, aconteceram durante o dia todo, vindos de todos os lugares, das mais diferentes maneiras. Hoje, no dia mais escuro do futebol mundial, não houve cores, não houve hino, não houve gols, hoje não houve futebol; hoje houve solidariedade e compaixão. De coração, hoje eu senti uma gigante tristeza pela perda de tantas vidas e tantos sonhos, e também senti uma enorme emoção a cada belo gesto fraternal para aqueles que se foram e àqueles que deixaram. Peço a todos que reflitam, que perdoem, que mudem, que digam "eu te amo" para quem vocês amam; que ajudem ao próximo; que apoiem quem precisa de apoio; que não abandonem aqueles que te amam; que vivam e amem como se não houvesse amanhã, porque você nunca sabe quando realmente será.
Duas tragédias em um só dia... Uma que acidentalmente tira a vida de diversas pessoas em seus momentos de auge; outra que de forma premeditada poderá interromper incontáveis vidas antes de nascer... E em meio a tudo isso mais tragédias descaradamente premeditadas, sobre as 10 medidas contra a corrupção, acontecendo enquanto ainda choramos as vidas perdidas.
No Brasil não temos direito nem ao luto. É só luta, luta, luta...
