Texto de Tragédia

Cerca de 192 texto de Tragédia

Que sorte têm os atores! Cabe a eles escolher se querem participar de uma tragédia ou de uma comédia, se querem sofrer ou regozijar-se, rir ou derramar lágrimas; isto não acontece na vida real. Quase todos os homens e mulheres são forçados a desempenhar papéis pelos quais não têm a menos propensão. O mundo é um palco, mas os papéis foram mal distribuídos.

E vocês sabem o que é um sonhador, cavalheiros? É um pecado personificado, uma tragédia misteriosa, escura e selvagem, com todos os seus horrores frenéticos, catástrofes, devaneios e fins infelizes... um sonhador é sempre um tipo difícil de pessoa porque ele é enormemente imprevisível: umas vezes muito alegre, às vezes muito triste, às vezes rude, noutras muito compreensivo e enternecedor, num momento um egoísta e noutro capaz dos mais honoráveis sentimentos... não é uma vida assim uma tragédia? Não é isto um pecado, um horror? Não é uma caricatura? E não somos todos mais ou menos sonhadores?

"(...) Dor, susto, drama e tragédia, a gente nasce sabendo.
Saber ser feliz exige décadas para entender e, ao mesmo tempo,
pede tão pouco. Muitas vezes,
se vive somente para relatar o quanto nossa vida é impressionante,
mas lá no fundo persiste uma mágoa desconfiada de não vivermos o que realmente desejamos.

- O que desejamos não se diz, se arde!"

✨ Às vezes, tudo que precisamos é de uma frase certa, no momento certo.

Receba no seu WhatsApp mensagens diárias para nutrir sua mente e fortalecer sua jornada de transformação.

Entrar no canal do Whatsapp

A vida é uma peça de teatro
A vida é uma peça de tragedia grega
Onde somos atores que usam máscaras
Máscaras de porcelana. Frágeis. Horas felizes,tristes outrora.
Não possui cortinas para abrirem ou fecharem
Toda hora é hora de atuar,e ninguém nos espera começar.
As cortinas jamais se fecharão.
Seremos observados,julgados e criticados.
E no final de tal tragédia cênica todos irão embora.
Os bancos serão desocupados para novos espectadores.
Para então tudo recomeçar...
E nessa peça chamada ' vida' - Seremos eternos atores de uma obra sem fim!!!

'TENTAMOS...'

Tentamos inesperadamente um significado para a vida, para a desesperança e tragédias constantes. Desperdiçamos tanto tempo. Engraçado que não pensamos o oposto! E se encontrássemos essa agulha tão desejada que buscamos por anos com afinco? Lembro-me de alguém [..] relatando que a felicidade estava na 'busca incessante'. Outro [...] dizia que a felicidade não estava no início, tampouco no fim, mas no 'meio'. Acho que eles têm certa razão. Eu sempre digo que a felicidade está ao lado. Sempre. Somos nós que não a enxergamos. Essa força constante de nos aproximarmos do que está tão próximo, do que já temos em mãos, trás essa recusa. A felicidade está ao teu lado. Tente olhar nos olhos de alguém por alguns segundos. Abrace uma criança. Fale que ame seus irmãos. Pai. Mãe. Desconhecidos... por quê não? A felicidade está em tantos lugares e formas... Nós que não a percebemos.

A liberdade do homem
“Hoje, mais do que nunca, o homem aprisionado está buscando sua emancipação e sua liberdade. Sua tragédia é que ele busca a liberdade por meios que o levam a uma escravidão ainda maior. A liberdade é uma coisa espiritual, uma realidade sagrada e religiosa, cujas raízes estão em Deus e não no homem, pois a liberdade do homem, que faz deste mundo imagem de Deus, é uma participação na liberdade de Deus. O homem é livre na medida em que é semelhante a Deus.”

The Inner Experience, de Thomas Merton

Os românticos chamariam isto de uma história de amor, os cínicos diriam que é uma tragédia. Na minha cabeça é um pouquinho de ambas, e no fim das contas qualquer que seja a maneira como você escolha encarar este relato, nada altera o fato de que ele abrange uma grande parte da minha vida e do caminho que escolhi trilhar.

Noah Calhoun
SPARKS, N. Diário de uma Paixão. São Paulo: Editora Novo Conceito, 2010.

Nota: Frase do personagem do livro "Diário de Uma Paixão" de Nicholas Sparks.

...Mais

Entendo que o amor e a tragédia andam de mãos dadas, porque não podem existir sozinhos, mas ainda assim me pergunto se a troca é justa. Acho que um homem deveria morrer como viveu; em seus últimos momentos, deveria estar cercado e ser confortado por aqueles a quem sempre amou.

(Ira Levinson - Uma Longa Jornada)

Nicholas Sparks
Uma Longa Jornada

Sinfonia dos niberlungos
vejo em ti a tragédia grega
Schopenhauer, já dizia que não devemos atar
atar em terras que não são nossas
O levante, cai-se a gota,
fecha-se os olhos e respira
cadê o prazer de cada momento
o prazer de cada momento é a sua dominação
Fechei os olhos,
me perdi,
cadê a semente que estava ali?
ah!
esqueci de regar.

Choro no pampa

Na vastidão dos pampas, onde o céu abraça a terra,
Eu vi a água subir, tragédia que desespera.
Rio Grande em pranto, suas lágrimas a correr,
Levando casas, sonhos, num lamento sem poder.

Chora o gaúcho, de bombacha e alma lavada,
Pela perda dos seus, pela lida inundada.
No galpão submerso, a tristeza era senhora,
E as fotos dos antigos, agora só na memória.

Sem teto, sem abrigo, sob o manto estrelado,
O peito da gauchada, de saudade foi cravado.
Perdido o que se tinha, construído com suor,
Restou só a esperança, e o peito cheio de dor.

Mas veio a solidariedade, de todos os cantos, a brilhar,
Brasileiros de mãos dadas, prontos para ajudar.
Do Oiapoque ao Chuí, um só coração pulsante,
Na tragédia das enchentes, somos todos irmãos, adiante.

E assim sigo campeiro, com o pala a me cobrir,
Na certeza que o Rio Grande, há de novamente florir.
Com a força do meu povo, e a ajuda nacional,
Reconstruiremos tudo, num esforço sem igual.

Esta poesia reflete a resiliência e a união do povo gaúcho e de todos os brasileiros
diante das adversidades, mantendo viva a esperança de que unidos venceremos todas as adversidades.

Roberval Culpi
08/05/2024

Há muitos anos, um hospital foi fechado após uma tragédia misteriosa: durante um apagão, vários pacientes desapareceram sem deixar

Outros relatam que, se você entrar no hospital depois da meia-noite, os elevadores funcionam sozinhos, abrindo as portas para andares que não existem mais.

Reza a lenda que quem ousa descer até o porão, nunca mais volta — apenas os gritos são ouvidos do lado de fora, pedindo socorro.

⁠A Indiferença é a Verdadeira Doença

“A maior tragédia da humanidade não é a dor, mas a indiferença.
Vivemos em um mundo onde curamos corpos, mas adoecemos almas.
O conhecimento avança, mas o coração esfria — e sem compaixão, nada resta. A verdadeira doença não está na carne, mas na mente entorpecida pelo egoísmo. Desperte antes que a apatia te transforme em apenas mais um espectador da vida.”

É uma tragédia sem vilões,
Que parte os nossos corações,
uma mãe que se consumiu a dar,
filhos que permanecem sem poder salvar,
e um mundo que assiste em silêncio.

Não é só tristeza.
É a respiração difícil da impotência,
quando o amor sobra

e a dignidade falta.


Janeck Tolentino

Tragédia dos que Chegaram Antes do Tempo

A evolução humana não ocorre por aclamação, mas por ruptura. Toda consciência que ultrapassa o limite do aceitável é, antes de tudo, tratada como ameaça. O pensamento que se eleva demais deixa de ser visto como virtude e passa a ser classificado como desvio. Assim, a história da humanidade não é apenas a história do progresso, mas também a história da repressão ao pensamento.
Houve épocas em que o poder decidiu o que era verdade. Não a verdade enquanto busca, mas a verdade enquanto norma. Quem escapava dessa moldura era enquadrado como perigoso. Não por errar, mas por deslocar o centro. O saber, quando não serve à ordem estabelecida, transforma-se em crime. E o crime, quando ameaça o poder, recebe o nome de loucura, heresia ou bruxaria.
Os que enxergavam além da caverna eram os primeiros a serem punidos. A luz que carregavam feria os olhos de quem havia feito das sombras sua morada. Ao retornar para contar o que viram, não eram recebidos com escuta, mas com riso e violência. O riso é sempre o primeiro gesto de quem teme perder suas certezas.
Chamaram-nos de doidos. Mas talvez fossem apenas homens que ousaram criar seus próprios valores, recusando-se a ajoelhar diante das verdades herdadas. A moral dominante sempre desconfia daquele que não pede permissão para pensar. Aquele que rompe não é compreendido; é neutralizado. Não porque esteja errado, mas porque revela a fragilidade do que parecia absoluto.
A sociedade, para preservar sua estabilidade, produz mecanismos sutis de exclusão. Primeiro o discurso, depois o julgamento, por fim o silenciamento. O corpo pode até permanecer vivo, mas a voz é retirada. Não é necessário matar quando se pode desacreditar. Assim, o poder se perpetua não pela força bruta, mas pela administração do que pode ou não ser dito.
Os chamados loucos talvez fossem apenas consciências fora de época. Espíritos que chegaram cedo demais, portadores de um excesso de lucidez insuportável para seu tempo. A humanidade precisa deles para avançar, mas os rejeita enquanto ainda vive sob o peso de suas próprias sombras.
O paradoxo se repete: o pensamento que hoje é condenado será amanhã ensinado. O herege se transforma em fundamento. O desvio vira método. O louco vira referência. O futuro sempre reconhece aquilo que o presente foi incapaz de suportar.
Talvez a verdadeira tragédia não esteja nos que ousaram ir além, mas naqueles que, por medo, escolheram permanecer acorrentados àquilo que já não era mais verdade.

QUIMERA FEMININA
O cruel coração sentiu toda a tragédia...
Sim! Ela me olhava com dois olhos brilhantes que armazenavam a luz, dois olhos ardentes de desejos, enquanto eu viajava deles para eles, fingindo estar calmo e adormecido, sentindo o calor do vulcão atrás deles...
Fitado ali, na profundidade, no vão da imaginação, vagueando o olhar na transparência ou opacidade de um vestido de organza, aquele tecido lhe tocando macio e vestindo aquela pele rosada e indefesa, tão singela, cobrindo a visão do céu em um ser tão hostil em sua essência, cheia de horrores...
Logo após, vagueei pelo deserto do sonho e voltei sem nada, apaixonado, suspirando, transpirando e apertando os espinhos...
Rosimara Saraiva Caparroz
copyright ©

⁠ A V C A

Só percebemos a fragilidade humana, quando a tragédia se avizinha, ou bate em nossa porta.
Pode ser que, os minutos gasto com este texto, sejam o suficiente para identificarmos o quão distante estamos de nós mesmos.

Não quero que você pense que sua vida está por um fio, mas preciso que tomes a consciência que a vida é uma incerteza constante, e o que temos para fazer, precisamos fazê-lo hoje!

Presenciei uma pessoa de meia idade com seus movimentos limitados em consequência de um acidente vascular cerebral, ahh! quanta vida pela frente, pensei, chorei por dentro, lamentei....

De fato, quando não dedicamos tempo para cuidar de nossa saúde, seremos obrigados a perder tempo com nossas doenças.

Não me prendo a junção dos fatores fisiológicos e emocionais que culminaram no ocorrido, mas reforço o sentimento de paz, por ter feito tudo o que se deveria, antes do mal que lhe sobreveio.

A importância de darmos nosso melhor, de priorizar aquilo que realmente importa, Criticar menos, abraçar mais, elogiar mais em vez de apontar falhas, e viver com capricho, faz toda diferença.

Capricho é fazer o melhor com as condições que se tem no momento.

Melhorar é uma meta vital, renovada a cada patamar alcançado, e viver com capricho torna o intangível uma realidade possível e agradável.

AVCA, a vida começa agora, sim estamos existindo, passamos a viver quando deixamos de agir no automático, quando decidimos o rumo que queremos, pois o futuro se torna muito agradável para aqueles que vivem extraordinariamente o presente.

Tragédia anunciada


Parece brincadeira,
brinca-se mal com as pessoas assim, porquê mesmo?
Joga-se riso onde devia caber abrigo,
faz-se piada com o que sangra por dentro.
Rasga-se a carta com a mão que jurou guardar,
e chama-se de leveza o peso que ficou no ar.


Que tristeza
ver o amor tornar-se moeda de troca,
ver promessas partidas como copo no chão,
e ninguém juntar os cacos.
Que tristeza
é esperar mensagem que nunca chega,
é dormir com o silêncio a fazer eco,
é sorrir na fotografia e chorar depois do clique.


Parece comédia,
os atos, as caras, o silêncio ensaiado.
Entrada, saída, aplauso na hora errada.
Toda a gente a rir da cena que me parte,
toda a gente cega para a faca que ficou cravada.


Vivemos nos últimos tempos
a falta de compaixão,
a falta de valores.
Ninguém se importa com o próximo.
Passa-se ao lado da dor alheia,
troca-se o abraço por uma notificação,
troca-se o olhar pela pressa.
O mundo gira depressa demais
para reparar em quem ficou para trás,
e chama-se de normalidade
à frieza que se tornou hábito.


Mas uma tragédia
é quando o pano cai
e só ficas tu no palco vazio,
a aplaudir sozinho a dor que ninguém viu.
É carregar o nome de quem te esqueceu,
é decorar uma despedida como se fosse verso.
É perceber que o fim não grita,
sussurra... e vai-se embora.


Parece brincadeira,
mas já não tem piada.
Parece comédia,
mas já não há plateia.
Só resta esta cena final:
eu, as luzes apagadas,
e o coração a tentar perceber
porque doeu tanto
aquilo que começou como nada
num mundo que se esqueceu de sentir.

Há perguntas que não têm remédio.
E isso não é uma tragédia. É uma libertação.
Passamos anos tentando consertar aquilo que nasceu para não ser consertado. Procuramos respostas como quem revira os bolsos de um casaco velho atrás de uma chave que nunca existiu. Enquanto isso, a vida passa pela porta da frente, acende um cigarro, sorri de lado e vai embora.
Há dores que não serão curadas.
Então estão curadas.
Porque a única cirurgia possível é aceitar que elas continuarão caminhando ao nosso lado.
A decisão sempre foi nossa.
Mas, por favor, caminhe com empatia. Todo mundo carrega um cadáver invisível nas costas. Uns escondem melhor. Outros bebem. Outros rezam. Outros escrevem. No fim, todos sangram.
O verdadeiro horror nunca foi sofrer.
O verdadeiro horror é morrer antes da morte.
É viver como uma máquina programada para acordar, trabalhar, consumir, dormir e repetir. É escolher a segurança como quem escolhe uma cela confortável.
Sempre imaginei a zona de conforto como um quarto mofado.
O cheiro de umidade impregnado nas paredes.
Uma luz fraca que nunca chega a iluminar nada.
Nenhuma janela.
Nenhum vento.
Nenhum risco.
Nenhuma possibilidade.
Só a lenta decomposição de alguém que ainda respira.
Não tente viver ali.
A vida não pede anestesia.
Ela pede presença.
Sem dor não existe profundidade.
Sem prazer não existe lembrança.
Sem paixão não existe história.
O fracasso nunca foi o inimigo.
O horror é nunca ter tentado.
Nada é tão urgente quanto dizem.
Nem dinheiro.
Nem prestígio.
Nem a opinião de quem sequer conhece o seu nome.
Urgente é viver.
Porque a mente humana é um universo sem cercas. Ela consegue revisitar o passado, inventar futuros, criar mundos inteiros enquanto o corpo permanece sentado numa cadeira qualquer.
Somos infinitos por dentro e temporários por fora.
Essa talvez seja a piada mais bonita do universo.
Então viva.
Até aquele instante inevitável que ninguém negocia.
Quando esse dia chegar, que encontre em você cicatrizes e não ferrugem.
Seja visceral.
Seja sanguíneo.
Não esconda as desilusões.
Não esconda as decepções.
Elas nunca foram o fim da estrada.
Foram o asfalto.
Talvez a missão que tanto perguntamos ao céu nunca tenha sido vencer.
Talvez fosse simplesmente atravessar.
Continuar andando mesmo depois de perder a fé nas placas.
Mesmo depois de descobrir que ninguém virá nos salvar.
Se as desilusões quase o mataram...
Acorde.
Quase.
Não mataram.
Você ainda está aqui.
Ainda respira.
Ainda pode amar.
Ainda pode quebrar a cara de novo.
Ainda pode rir alto de si mesmo.
Ainda pode incendiar esse quarto mofado e abrir uma janela.
E, quanto a mim...
Escrevo.
Porque existem coisas que não podem permanecer dentro de um homem.
Se eu não colocar para fora,
eu explodo.

Eu não pedi que você ficasse.
Há um momento exato em que o amor deixa de ser tragédia
e passa a ser apenas clima.
Como garoa em roupa esquecida no varal.
Como cheiro de cigarro preso no banco de um carro antigo.
Como aquela dor de cabeça que já não preocupa ninguém
porque aprendeu a morar no corpo.
Você arrumava as coisas lentamente
e eu pensei, com uma serenidade quase ofensiva:
ela finalmente cansou de mim.
Não de mim inteiro —
isso seria grandioso demais —
mas desse homem pela metade
que chega do hospital cheirando antisséptico e cidade,
que fala de literatura latino-americana
como quem tenta salvar alguma dignidade do mundo,
que coleciona moedas estrangeiras
porque nunca conseguiu pertencer completamente ao próprio país.
Escorei no Renault noventa e um.
O carro estalava baixo, esfriando o motor,
como um animal velho respirando durante o sono.
Acendi um tabaco ruim.
Misturei mate uruguaio no fumo.
Não por boemia.
Nem estética.
Por superstição.
Alguns homens rezam.
Outros adulteram o cigarro.
Você passou por mim sem dizer nada
e eu gostei disso.
As grandes despedidas são profundamente constrangedoras.
Ninguém deveria transformar amor falido em espetáculo.
Pensei em Manuel Bandeira olhando janela de pensão barata.
Pensei em Benedetti entendendo tarde demais
que Montevidéu sempre foi uma maneira elegante de sofrer.
Pensei em Clarice,
naquela coisa terrível dela de perceber a alma das coisas
até quando elas já estavam mortas.
E então percebi uma coisa pequena,
quase ridícula:
eu tinha sobrevivido tempo demais.
Sobrevivi aos problemas.
Às cobranças que pareciam ser infinitas.
À vergonha de pedir ajuda.
À escola sugando meus últimos gestos humanos.
À fumaça.
À exaustão.
À sensação humilhante de fracassar devagar.
Sobrevivi até mesmo à esperança,
o que talvez seja a forma mais adulta de tristeza.
Você abriu o portão.
O barulho do ferro ecoou na rua vazia
como ecoam certas decisões irreversíveis:
sem dramaticidade,
apenas definitivas.
Eu poderia dizer que ainda te amava.
Mas seria inútil.
O amor, às vezes, não acaba.
Ele apenas perde utilidade prática.
Então fiquei ali,
encostado naquele Renault cansado,
fumando um cigarro adulterado com erva estrangeira,
olhando você ir embora
como quem observa um país desaparecer pelo retrovisor.
Sem raiva.
Sem poesia suficiente.
Sem salvação.
Só aquela melancolia fronteiriça
dos homens que aprenderam tarde
que viver também é perder território.

A Tragédia dos Que Brigam Entre Si


É estranho pensar
que pessoas comuns,
que acordam cedo,
trabalham duro
e carregam as mesmas dificuldades,
acabam se tornando inimigas
por causa de guerras que não criaram.


Lá em cima,
os poderosos discutem seus interesses,
fazem alianças,
mudam discursos
e seguem suas vidas.


Aqui embaixo,
nós perdemos amigos,
rompemos famílias
e carregamos mágoas
por causa de uma disputa
que nunca esteve em nossas mãos decidir.


O vizinho deixa de ser vizinho.
O amigo vira adversário.
O irmão olha para o irmão
como se fossem de mundos diferentes.


E no final,
quem realmente ganha com isso?


Enquanto brigamos por aqueles
que nunca saberão nossos nomes,
continuamos enfrentando
os mesmos problemas,
as mesmas contas,
os mesmos medos
e as mesmas incertezas.


A maior tristeza de uma sociedade
é quando o povo esquece
que tem mais coisas em comum
do que diferenças.


Nenhuma opinião vale
a perda de uma amizade.


Nenhuma bandeira vale
o desprezo por outro ser humano.


Nenhum líder merece
que alguém destrua a própria paz
ou transforme amor em ódio.


Porque no fim da vida,
não serão as discussões da internet,
os discursos dos políticos
ou as brigas por ideologias
que ficarão ao nosso lado.


Serão as pessoas.


As mãos que seguramos.
As histórias que construímos.
Os momentos que nunca mais voltam.


A verdadeira tragédia
não é existirem pensamentos diferentes.


É permitirmos que eles sejam usados
para nos afastar daqueles
que caminham no mesmo chão que nós.