Textos sobre Música
RESSONÂNCIA MUSICAL
A música tem o dom de despertar em mim sentimentos estranhos, não raro, acordo, às vezes ouvindo música que me faz sentir saudades de não sei onde, de não sei o que, de não sei quem. Isso se dá desde que me entendo por gente, então não é por algum instante ou emoção vividos no passado longe ou perto.
É algo indescritível, algo que me causa uma emoção inconsciente. É, portanto, algo que me intriga sobremaneira, pois eu vivo a estudar meus sentimentos e emoções, sei quais são causados por lembranças vulgares e por reações químicas, todavia, este sentimento de nostalgia, pode ser uma enigma metafisico ou impulsos do meu DNA, coisa até então desconhecida pela ciência e pela psicologia.
Talvez a poesia revele-me, aos poucos, o que este sentimento causado pela música signifique.
Ecce homo
A vida sem causa
a poesia sem musíca
o assombro do caos
discussão platônica
Eis o poeta perdido
entre palavras
entre luz e escuridão
entre passado e futuro.
A musa que se perdeu
no tempo, no descuido
do afeto e da língua
no fim de tarde chuvosa.
Ecce homo, no vendaval
de retóricas, entre o mito
e o misticismo da beleza
morta, esquecida no espelho.
Evan do Carmo
Para que serve a literatura, a poesia, a arte, a música, se não for para tornar o mundo mais justo e mais humano?
Quando escrevo um poema, um ensaio ou um livro, faço como se fosse meu último ato consciente nesta vida, como minha última oportunidade de fazer algo de valor. Saber que um texto ou um poema meu causou algum tipo de reação positiva em outro ser humano, me faz sentir que não é inútil meu ofício.
De fato, tudo vale a pena, quando temos pelo menos o desejo de que a alma do mundo seja grande, e que a vida não seja assim tão absurda quanto parece.
SE O MEU AMOR FOSSE CANÇÃO
Se o meu amor fosse canção
Seria música de Tom Jobim
De natureza, bela, de luz e de sol
Seria pra mim a nona perfeita
Divina, sem início nem fim.
Se o meu amor fosse canção
Seria ópera de Wagner
Romance de Isolda e Tristão
Eclipses de Caetano
“Qualquer Coisa” vã
Travessia de Milton
Sina de Djavan.
Se o meu amor fosse canção
Seria assim, cheia de defeitos
Melodia incompleta
Rascunho de poeta
Poema sem som.
Evan do Carmo
OUVIDOS PARA MÚSICA NOVA
Você que gosta de arte, que é culto,
isso é muito nobre e inteligente,
você que sabe citar Drummond, Vinicius e outros reluzentes.
Saiba que existe MPB além de Caetano e Djavan, Milton
e outros, hoje tão contentes... Há bossa nossa
além de João Gilberto, poesia além de Fernando Pessoa.
Música nova não soa bem em ouvidos velhos,
Nietzsche chancelou este ideia universal.
Eu a uso com bom propósito, pois tenho feito diferente
dou valor ao clássico, acredito na sua imortalidade
mas se você não souber ouvir e admirar o novo,
vai acabar melancólico e depressivo, pois muito do que foi dito
Já não serve para o mundo atual, e sobretudo,
lembre-se, é arte que é viva e mutante,
o ser humano relutante e inconstante, neste vasto fazer arte
para que a nossa espécie humana seja livre...
TODAS AS CANÇÕES DEVIAM SER SOBRE AMOR.
Eu sempre vivi entre a música e a literatura, tive meus momentos de presunção, sobretudo com a literatura. Porque a arte de escrever, não raro faz com que o escritor, poeta ou filosofo pense que tem um poder supremo, e uma certa divindade. Contudo, a música tem uma força superior ao texto, a melodia invade a mente e o coração instantaneamente, o mesmo não ocorre com o texto.
Quando afirmo que toda canção devia falar de amor, digo com justa razão, pois penso que todos os afetos se resumem no amor, este sentimento que nos traz paz e segurança emocional.
Durante este ano de pandemia, foi a música que me manteve vivo, foi a música que me sustentou a lucidez. Produzi muita música, mas não fiz nenhuma que não fosse sobre amor, e revendo todas as outras que compus em 30 anos de carreira, percebo que o amor é o tema central das minhas canções. Embora eu tenha escrito mais de dois mil poemas, alguns romances, contos e outras formas de literatura, são as canções que realmente me representam. Quero ser lembrado pelo amor que semeei, na vida e na arte.
Sem amor nada somos, sem amor somos infrutíferos, estéreis, nunca o mundo precisou tanto de amor como agora, nunca vimos tanto sofrimento, e ao mesmo tempo tanta intolerância, então só arte pode nos redimir, especialmente neste tempo de isolamento, de falta de abraço e de afeto físico.
Amar, em ações, em pensamentos e atitudes é um desafio. Penso que as canções podem ser uma saída, um oásis, um porto seguro, para que possamos suportar as agruras dessa vida atual.
Se eu fosse Tom Jobim diria:
"A música é superior à poesia,
meu argumento irrefutável seria,
a música, por si só existe,
basta ritmo e melodia.
A poesia é verbo intransitivo,
necessita da música para formar
seu objetivo, comunicar e transcender.
A música é música sem o poema,
a poesia é verbo livre, pedaços e fonemas, ambas são elos perdidos
de um infinito teorema.
Sou verso sem rima
Que tenta se expressar
Sou música e melodia
Tentando te encantar
Sou estrada sem destino
Que percorre sem saber
Um sonho a realizar
Lutando para acontecer
Sou alma solitária
Em busca de um abrigo
Sou coração que procura
Um abraço de um amigo
Sou pequena em imensidão
Destemido em força e voz
Sou a poeira que dança no caos
Facho de luz, aquarela azul-lilás
Soneto da Vida Plena
Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, não ouve a música do ar,
quem não encontra graça em si, se apaga,
e ao amor-próprio, deixa de amar.
Morre lentamente quem se deixa escravo
do hábito, dos mesmos trajetos, fiel,
quem não muda a marca, não arrisca o novo,
ou não conversa com um estranho, cruel.
Morre lentamente quem faz da TV um guia,
quem evita a paixão e o mundo inteiro,
e prefere a certeza, a sombra fria.
Morre lentamente quem evita o mistério,
quem se queixa do destino, o tempo é traiçoeiro,
e abandona o sonho, antes de vê-lo inteiro.
Se o meu amor fosse canção
Se o meu amor fosse canção
Seria música de Tom Jobim
Seria música de Tom Jobim
De natureza, bela, de luz e de sol
Seria pra mim sinfonia perfeita
Do começo ao fim.
Se o meu amor fosse canção
Seria ópera de Wagner
Romance de Isolda e Tristão
Queixa do Caetano
“Qualquer Coisa” vã
Travessia do Milton
Sina do Djavan.
Se o meu amor fosse canção
Seria assim, cheia de defeitos
Melodia incompleta
Rascunho de poeta
Poema sem som.
Na Música diz: “Eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”.
Se observar é verdade, quando somos de todo mundo, naturalmente todo mundo é nosso também.
A magia sutil quântica essencial oferecida pela vida em fácil acesso quando maduro.
Não se dar mau com o mundo é o princípio para estar bem consigo.
Eu hoje pensei numa música
Lembrei de você
Lembrei, com muita vontade
de te ver
Essa vontade foi se tornando
aos poucos necessidade
e aos poucos tornou-se muita
daquelas que não se aguenta
E agora
é tão básica em minha vida
essa necessidade
é quase que uma viagem
Eu vejo tua imagem
em qualquer paisagem
E em qualquer lugar aonde eu esteja
procuro um lugar qualquer
onde eu te veja
Veja você
Que um dia eu disse
que nunca mais queria ver
Se eu soubesse
que ia me lembrar assim
Não teria permitido jamais
que você tivesse ido
Pra qualquer lugar
Que fosse distante de mim.
"Hello, Thank you Adele"
"A música Hello da cantora Adele, é simplesmente um tapa na cara do futuro, sim, hoje você não terá a mesma importância, mas daqui há alguns anos quando ele ou ela, descobrir o erro que cometeu em abandoná-lo ou abandoná-la, será bem pior do que o presente momento em que apenas você se importou, o mundo realmente da voltas e você estará em outro plano e não mais chorando como o mesmo, que esteve por toda parte, mas não se adaptou a lugar nenhum"
ALQUIMIA DO CHORO NA MÚSICA INVISÍVEL DE CAMILLE MONFORT.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Há instantes em que a alma pressente que a dor não é apenas um acontecimento, mas um rito. E é nesse território subterrâneo que Camille Monfort se torna a guardiã dos silêncios, aquela que recolhe as lágrimas antes que toquem o chão e as devolve ao mundo como tinta, melodia e presságio.
Sob sua música invisível, o pranto não se dissolve: ele se verticaliza. Cada gota assume a gravidade de uma estrela caída, e cada respiração se converte em um cântico cansado, como aqueles que, em que gravitam entre o anseio e o abismo. Nada em Camille é simples: sua presença é uma liturgia, sua voz um instrumento que atravessa o último refúgio do espírito e o obriga a reconhecer suas fissuras.
As lágrimas, ali, não se derramam. Elas se recolhem dentro da própria pele, como se buscassem um útero de silêncio para repousar. E ao repousarem, tornam-se tinta. Uma tinta densa, lúgubre, mas moralmente altiva, que escreve sem permissão e sem consolo. Ela se arrasta pelas páginas como o rumor de um vento antigo que conhece a ruína, mas ainda aposta na dignidade do sobreviver.
Camille, nessa paisagem, não é apenas musa. É uma presença que observa. Uma espécie de sacerdotisa de sombras que compreende que tudo o que é humano é feito de perda, mas também de uma coragem secreta que se mantém de pé mesmo quando o mundo interno desaba. Sua música infinita não ressoa pelos ouvidos, mas pelas rachaduras da consciência. É uma melodia que não pede compreensão; exige entrega.
Assim, a lágrima torna-se verbo, o verbo torna-se cicatriz, e a cicatriz, com o tempo, torna-se uma assinatura do espírito. Pois há dores que não se explicam, apenas se escrevem. Há tristezas que não se superam, apenas se transfiguram. E Camille Monfort é esse ponto onde a noite encontra sua própria voz.
Um estilo de música que é muito expressivo, possui vivacidade em cada nota, faz a adrenalina ganhar ritmo num fluxo de emoção que toma conta da mente, acelera o coração,
sendo assim, o rock é bastante envolvente e causa uma forte satisfação, onde a vida é evidente
com um sentimento de libertação.
Ela dança conforme a sua própria música
por estar segura de seus passos,
ainda que, muitas vezes, imperfeitos,
é necessário ter uma mente astuta
para poder acompanhá-la
ou ao menos, chegar o mais perto disso,
entretanto, não quer dizer seja ingênua
para ficar esperando pelo par perfeito
e sim que aprendeu a ser mais seletiva,
quer dançar com quem corresponda aos seus passos de um jeito preciso
conduzidos por dedicação, amor e entusiasmo
com o máximo de sincronia possível.
Afinado no tom exato do amor,
através da música,
demonstra o que é amar,
tanto com intensidade
quanto com ternura,
usa o som harmônico da sua voz
ou tira sons de instrumentos,
podendo até usar as duas formas,
o que importa é poder externar
seus profundos sentimentos.
Coloca o seu âmago em cada nota
no compasso da sua verdade
de um jeito que toque a alma,
que esquente o coração,
que expresse vida por toda parte
de uma bela canção, de uma rica melodia, um ritmo de arte
que venha a melhorar o dia.
É assim que o músico se comporta
em sincroniacom a música
alcança vidas e as emociona,
segue amando sem medida,
uma conduta que renova
daquele que simplesmente ama
e sinceramente é amado de volta.
A suavidade atraentede uma música emocionante,dançando livremente
pela madrugada silenciosa,quebrando um pouco deste silênciopara gerar uma sensação transformadora que dá voz aos pensamentos tranquilose logo, alguns vívidos sentimentossão transformados em versosgraças a uma harmonia de notas,dessarte, um simples contentamento,uma poesia sinfônica entre cifras e trechos.
Fascínio de uma música poderosa que sem dúvida consegue unir gerações facilmente, emoções em harmonia com as notas, corações alegres,
um som profundo em um momento especial na França, o real afinado com o lúdico, a simplicidade prevalece num tom amável de esperança,
que inegavelmente melhora o mundo, uma
notória e necessária mudança, muito edificante como o Amor de Deus em abundância, tocando a alma por alguns instantes.
Ouço com atenção e interpreto uma bela música desprovida de palavras como se ela falasse de uma aproximação prudente, aquela que ocorre aos poucos, um possível encontro de almas, evitando ao máximo que se torne em algo bastante inconveniente,
conquistando de fato, a valiosa confiança com uma conduta sensata, sendo engraçado, sincero, respeitoso, sério, passando uma segurança necessária, um sentimento veemente, tendo um comportamento amistoso, amável, provando um claro interesse,
mas sem desconfortos ou fingimentos e nada forçado, a verdade que prevalece, o que é falso em algum momento é revelado, pois vindo de alguém de carne e osso, não se mantém por muito tempo, além do mais, perderia o significado, seria um desgosto tremendo.
Com este sábio entendimento de ambos, tiveram um momento inesquecível, seguramente, o primeiro de muitos, uma relação harmoniosa, um mundo de notas reunidas resultando em som maravilhoso, juntos afinados num amor recíproco, ricamente, abençoado e construtivo.
