Textos de Paixão

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⁠Às vezes, a pressa em comprar Verdade Aveludada é tão grande que os Apaixonados já nem se importam com a Embalagem.


E talvez seja justamente aí que mora o perigo mais silencioso do nosso tempo: não na mentira escancarada, mas na verdade que se deixa moldar ao toque — macia, confortável, ajustável aos desejos de quem a consome.


Uma verdade que não exige esforço, que não confronta, que não pede revisão de rota.


Apenas acolhe, embala e confirma.


Em meio à pressa, desaprendemos o valor do desconforto.


Esquecemos que a verdade, quando genuína, raramente chega pronta para ser aceita; ela provoca, desloca e inquieta.


Mas o espírito apressado não quer esse atrito — ele busca a suavidade de narrativas que caibam perfeitamente em suas certezas pré-fabricadas.


E assim, pouco a pouco, a embalagem deixa de importar porque o conteúdo já foi previamente escolhido.


A polarização se alimenta exatamente desse hábito: não de discordar, mas de não querer sequer considerar.


Cada lado constrói sua vitrine de Verdades Aveludadas, expostas com brilho suficiente para seduzir os que só desejam acreditar.


E quem compra, não lê o rótulo — apenas reconhece o que já sente.


Nesse cenário, a manipulação já nem precisa ser sofisticada; basta ser conveniente.


Não é necessário esconder a incoerência, apenas envolvê-la em familiaridade.


Afinal, quando a emoção se antecipa à razão, qualquer embalagem parece suficiente — desde que o conteúdo não ameace o conforto de quem o consome.


Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja encontrar a Verdade, mas reaprender a desacelerar diante dela.


Ter a coragem de examinar o que nos agrada com o mesmo rigor que aplicamos ao que rejeitamos.


Porque, no fim, não é a embalagem que define o valor do que compramos — é a disposição de encarar o que há dentro, mesmo quando já não é tão macio quanto gostaríamos.

⁠A súbita e idealizada paixão política
faz quase tudo descambar para o esvaziamento medonho
do debate público.


Não é a paixão em si que corrompe o diálogo, mas a forma descarada como ela se instala: rápida demais, inflamada e, sobretudo, impermeável.


Quando a política deixa de ser um campo de construção coletiva e passa a funcionar como extensão da identidade individual, qualquer discordância soa como ameaça — não a uma ideia, mas à própria pessoa.


Nesse ponto, o debate deixa de ser uma troca e se transforma em confronto.


A idealização cumpre um papel ainda mais sutil.


Ela simplifica o mundo, reduz complexidades e oferece narrativas muito fáceis, quase reconfortantes.


Há sempre heróis irrepreensíveis e vilões absolutizados.


Mas o preço dessa simplificação é alto demais: perde-se a nuance, a ambiguidade e, com elas, a possibilidade de compreender o outro.


Sem isso, não há debate — apenas reafirmação.


O esvaziamento do debate público já não acontece por falta de opiniões, mas pelo excesso de certezas.


Quando todos já chegam convencidos, o espaço comum deixa de ser um lugar de escuta e passa a ser um palco de monólogos simultâneos.


Argumentos são substituídos por rótulos, e a dúvida — elemento essencial do pensamento — passa a ser vista como fraqueza.


Talvez o desafio não seja conter a paixão política, mas desacelerá-la.


Permitir que ela amadureça, que conviva com a dúvida, que aceite a frustração.


Uma paixão que não precise ser absoluta para ser verdadeira.


Porque é nesse intervalo — entre convicção e a escuta — que o debate pode, enfim, voltar a existir.

⁠Os negacionistas apaixonados ainda não se atreveram a negar o aluguel das próprias cabeças só porque ainda acreditam que pensam com elas.


Talvez esse seja um dos retratos mais perigosos do nosso tempo: gente que já não raciocina para concluir, mas conclui primeiro para depois procurar argumentos que sustentem a própria paixão.


E quanto mais apaixonada a cegueira, mais ofensiva parece qualquer tentativa de reflexão.


A polarização conseguiu transformar convicções em propriedades privadas.


Opiniões deixaram de ser ideias defendidas para se tornarem identidades superprotegidas.


Discordar passou a soar como agressão pessoal.


Questionar virou sinônimo de traição.


E pensar… pensar passou a ser um risco para quem se acostumou ao conforto das certezas inquestionáveis.


Os donos das narrativas entenderam isso antes de muita gente…


Descobriram que não precisam mais convencer multidões; basta mantê-las emocionalmente ocupadas.


Porque uma cabeça tomada pelo medo, pelo ódio ou pela idolatria dificilmente encontra espaço para a lucidez.


E assim seguimos assistindo pessoas abrirem mão da própria autonomia enquanto juram defendê-la.


Repetem slogans, acreditando formular pensamentos.


Compartilham produto de manipulações, acreditando espalhar consciência.


Atacam qualquer divergência como se proteger uma versão da realidade fosse mais importante do que buscar a verdade.


O mais trágico é que muitos negacionismos modernos não nascem da falta de informação, mas da recusa emocional em aceitar aquilo que ameaça os próprios interesses, paixões ou pertencimentos.


Há quem negue fatos só para não perder um líder, um grupo, uma ideologia ou a sensação de fazer parte de algum lado “certo” da história.


E talvez a maior ironia esteja justamente aí: enquanto acusam os outros de alienação, não percebem que terceirizaram o próprio discernimento.


Trocaram reflexão por torcida, consciência por conveniência e humanidade por pertencimento.


No fim, nenhuma prisão é mais difícil de romper do que aquela em que o prisioneiro acredita estar completamente livre.


Viva a todas as formas de Liberdade, sobretudo a de pensar por conta própria!

Não bastassem os bandidos políticos se digladiando e se acusando, ainda têm os asseclas apaixonados de ambos os lados prestando o desserviço de reproduzir as narrativas dos seus inquilinos mentais.


E talvez seja justamente aí que a degradação do debate público deixe de ser um problema dos poderosos para se tornar um problema íntimo, cotidiano e coletivo.


Porque o político profissional muito raramente briga por princípios; quase sempre briga por poder, proteção, influência e permanência.


A guerra pública costuma ser apenas o teatro elegante dos interesses privados.


Mas o mais curioso é perceber que os verdadeiros combatentes dessa arena nem sempre estão no palanque — estão nas mesas de bar, nos grupos de família, nas redes sociais e nos comentários apodrecidos pela necessidade quase religiosa de defender um lado.


O fanático moderno já não pensa: ele terceiriza.


Aluga o próprio senso crítico.


Entrega a própria identidade para que algum líder, partido ou ideologia pense por ele.


E então nasce o fenômeno mais perigoso da política contemporânea: pessoas comuns transformadas em extensões emocionais de projetos de poder que jamais as enxergarão como algo além de massa de manobra.


Os escândalos deixam de importar se forem “do meu lado”.


As incoerências passam a ser relativizadas.


A corrupção vira detalhe quase semântico.


E a mentira torna-se estratégia aceitável ao derrotar o “inimigo maior”.


Nesse estágio, já não existe cidadania.


Existe torcida.


E torcida é incapaz de construir país, porque toda torcida necessita de um adversário permanente para continuar existindo.


A política deixa de ser instrumento de administração da realidade e vira campeonato emocional de pertencimento.


Talvez por isso tanta gente esteja exausta.


Não apenas pela violência dos políticos, mas pela colonização mental promovida pelos seus seguidores mais devotos.


Gente que acorda e dorme consumida por defender figuras públicas como se defendesse a própria alma.


Enquanto isso, os problemas reais seguem intactos:
o trabalhador continua sufocado,
o jovem continua sem horizontes, a educação continua remendada, e a dignidade segue sendo artigo de luxo para milhões.


Mas o espetáculo continua.


E os inquilinos mentais seguem cobrando aluguel em forma de raiva, cegueira e obediência emocional.


No fim, talvez a verdadeira liberdade política comece quando alguém consegue olhar para qualquer líder — de qualquer lado — sem paixão, sem devoção e sem medo de enxergar nele apenas aquilo que quase todos inevitavelmente são:
seres humanos disputando poder.⁠

⁠A
Mentira repetida
só vira Verdade
para os apaixonados por ela.


Existe um tipo de cegueira que não nasce da ignorância, mas do desejo.


As pessoas não acreditam em certas mentiras porque elas são convincentes; acreditam porque elas confortam, alimentam ressentimentos, validam medos ou preservam interesses.


A repetição, nesse caso, não cria a verdade — apenas anestesia o senso crítico de quem já queria acreditar.


A descoberta da verdade costuma ser desconfortável.


Ela exige revisão de postura, humildade para admitir erros, coragem para abandonar narrativas convenientes.


A mentira, ao contrário, oferece abrigo emocional.


Ela simplifica o mundo, cria vilões fáceis, heróis perfeitos e respostas prontas para questões complexas.


Por isso, encontra terreno fértil nos apaixonados: aqueles que trocam reflexão por torcida.


O problema é que toda mentira sustentada coletivamente cobra um preço alto demais.


Primeiro, destrói o diálogo, porque quem questiona passa a ser tratado como inimigo.


Depois, corrói a realidade, até que fatos percam valor diante da narrativa mais repetida.


E, por fim, destrói a própria capacidade de discernimento de quem a retroalimenta, porque viver preso àquilo que se deseja ouvir é abrir mão da liberdade de pensar por conta própria.


Há uma diferença profunda entre convicção e fanatismo.


A convicção aceita confronto, suporta dúvidas e amadurece diante da verdade.


O fanatismo precisa sufocar perguntas, ridicularizar divergências e repetir slogans como mantras.


Quem ama a verdade procura evidências; quem ama a própria versão dos fatos procura plateia.


No fim, a mentira não se torna verdade.


Acreditar nisso é, sem dúvida, acreditar na maior das mentiras.


Ela apenas reúne devotos dispostos a defendê-la até que a realidade, inevitavelmente, cobre a conta.

⁠A moeda mais poderosa na política do espetáculo é o ruído que mantém a paixão e o aluguel das cabeças dos asseclas e ainda movimenta os algoritmos.


Ela banca dois amantes do barulho constante: a cabeça vazia e o algoritmo.


Já não importa a profundidade do debate, a coerência das ideias ou a honestidade das intenções.


O que sustenta o teatro contemporâneo é a capacidade de produzir barulho suficiente para impedir o silêncio que oportuniza a reflexão.


O ruído virou ativo político, combustível emocional e mecanismo de controle.


Na política do espetáculo, a indignação é industrializada.


Cria-se um inimigo por semana, uma crise por dia e um escândalo por hora…


Não para resolver problemas, mas para manter plateias permanentemente excitadas, cansadas e incapazes de distinguir realidade de encenação.


Afinal, quem pensa demais começa a perceber as contradições do roteiro.


Os asseclas apaixonados, muitas vezes sem perceber, alugam as próprias consciências em troca do pertencimento.


Passam a defender narrativas como quem protege a própria identidade.


E quando a identidade depende da manutenção do conflito, qualquer tentativa de ponderação vira ameaça.


O pensamento crítico deixa de ser virtude e passa a ser tratado como traição.


Enquanto isso, os algoritmos recompensam exatamente aquilo que degrada o debate público: exagero, simplificação, raiva e histeria.


O conteúdo que mais divide é o que mais circula.


Não porque seja verdadeiro, mas porque captura atenção.


E atenção, hoje, em meio a tanta carência, vale muito mais do que a verdade.


Nesse cenário, muitos líderes deixam de governar para performar.


Precisam permanecer em evidência constante, alimentando torcidas emocionais que já não exigem soluções concretas, apenas novos capítulos da guerra simbólica.


O problema deixa de ser a pobreza, a corrupção, a violência ou a desigualdade…


E passa a ser perder o controle da narrativa.


Talvez a maior tragédia desse modelo seja transformar cidadãos em audiência e democracia em entretenimento.


Porque quando a política vira espetáculo permanente, o país inteiro passa a viver entre aplausos automáticos, vaias previsíveis e distrações cuidadosamente calculadas.


E, no meio de tanto ruído, a lucidez se torna quase um ato de resistência.

⁠Não há desperdício maior que falar de civilidade para os apaixonados pelos que usam o nome de Deus e da igreja para se esconder, aparecer e se promover.


A civilidade exige algo que a idolatria jamais consegue oferecer: senso crítico.


Quando uma pessoa se apaixona por figuras, líderes ou discursos a ponto de abdicar da própria capacidade de questionar, a verdade deixa de ser um valor e passa a ser apenas um detalhe, e muito inconveniente.


Ao longo da história, muitos aprenderam que símbolos religiosos possuem um enorme poder de mobilização.


Por isso, não são raros aqueles que transformam a fé em palco, a devoção em marketing e a espiritualidade em instrumento de autopromoção.


Escondem interesses pessoais atrás de discursos piedosos, vestem a aparência da virtude e utilizam o respeito que as pessoas têm pelo sagrado como uma espécie de escudo contra críticas e questionamentos.


O problema se agrava quando admiradores confundem reverência com submissão intelectual.


Nesse momento, qualquer análise equilibrada passa a ser interpretada como perseguição, qualquer crítica se torna blasfêmia e qualquer evidência contrária é descartada em nome da lealdade ao personagem admirado.


A civilidade, que pressupõe diálogo, responsabilidade e coerência, perde espaço para a paixão acrítica.


A fé autêntica não deveria temer perguntas…


Pelo contrário, deveria acolhê-las.


Quem confia na verdade não precisa esconder-se atrás de slogans, nem transformar líderes em figuras intocáveis.


A maturidade espiritual se revela justamente na capacidade de separar a mensagem do mensageiro, os princípios das conveniências e a devoção sincera dos interesses disfarçados de santidade.


Talvez uma das maiores tragédias de qualquer sociedade seja quando a aparência de religiosidade passa a valer mais do que a prática dos valores que ela proclama.


Nesse cenário, a compaixão cede lugar ao fanatismo, a humildade dá lugar ao exibicionismo e a busca pela verdade é substituída pela defesa incondicional de pessoas e grupos.


A civilidade floresce onde existe honestidade intelectual.


E a honestidade intelectual começa quando alguém encontra coragem para admitir que nem todo aquele que fala em nome de Deus está a serviço dos valores que afirma defender.


Afinal, o sagrado não se mede pelo volume dos discursos, pela quantidade de seguidores ou pela visibilidade dos púlpitos, mas pela coerência entre aquilo que se prega e aquilo que se vive.

⁠Para aterrorizar livremente uma nação, basta convencer os asseclas apaixonados de que os terroristas são os “outros” crimes organizados.


A história nos mostra que o terror raramente se apresenta usando o próprio nome.


Ele quase sempre se veste de discursos nobres, causas urgentes, promessas de proteção ou narrativas de salvação.


O medo torna-se uma ferramenta de poder quando deixa de ser percebido como instrumento e passa a ser interpretado como necessidade.


Quando uma parcela da sociedade é convencida de que toda ameaça vem apenas de um lado, ela tende a fechar os olhos para métodos igualmente destrutivos praticados pelo lado que escolheu defender.


Nesse momento, a vigilância moral deixa de ser princípio e transforma-se em privilégio altamente seletivo.


O que antes seria condenado passa a ser relativizado.


O que antes seria considerado abuso passa a ser tratado como estratégia.


E o que antes seria reconhecido como intimidação passa a ser celebrado como justiça.


Os apaixonados por grupos, líderes ou causas frequentemente acreditam estar combatendo monstros, sem perceber que a ausência de senso crítico pode transformá-los em escudos humanos para novas formas de autoritarismo.


Afinal, o terror não depende apenas daqueles que o praticam.


Ele também depende daqueles que se recusam a reconhecê-lo quando beneficia seus interesses, suas crenças ou suas preferências.


Uma sociedade madura não identifica ameaças pela camisa que vestem ou deixam de vestir, pela bandeira que carregam ou pelo discurso que proclamam.


Ela as identifica pelos métodos que utilizam.


Intimidação, perseguição, manipulação do medo, silenciamento de dissidentes e normalização da violência continuam sendo instrumentos de dominação, independentemente de quem os empregue.


O problema não começa quando surgem os que desejam espalhar medo.


Ele começa quando multidões passam a acreditar que o medo é legítimo, desde que seja direcionado aos adversários certos.


E talvez seja justamente aí que resida uma das maiores tragédias coletivas: quando a paixão substitui a lucidez, os cidadãos deixam de enxergar o terror pelos seus atos e passam a reconhecê-lo apenas pelos seus rótulos.


Nesse cenário, o terror não apenas prospera — ele conquista admiradores.

⁠Para fazer frente à enxurrada de eleitores apaixonados, basta uma enxurrada de políticos-influencers igualmente apaixonados.


Talvez isso soe como ironia, mas talvez seja também um retrato fiel do nosso tempo.


Em uma era em que a atenção se tornou moeda de troca e a emoção passou a disputar espaço com os fatos, a política parece cada vez menos um campo de deliberação e cada vez mais um mercado de engajamento.


O eleitor apaixonado não procura apenas propostas.


Procura pertencimento, identidade e reconhecimento.


Quer sentir que faz parte de uma causa maior do que si mesmo.


Nesse ambiente, argumentos cuidadosamente construídos muitas vezes perdem terreno para frases de efeito, vídeos curtos e narrativas capazes de provocar indignação, esperança ou medo em poucos segundos.


Não surpreende, então, que os políticos se adaptem à lógica vigente.


Se a arena pública recompensa visibilidade, surgem os políticos-influencers.


Se a paixão mobiliza mais do que a ponderação, multiplica-se a encenação da paixão.


O resultado é uma dinâmica medonha em que representantes e representados passam a se retroalimentar emocionalmente, cada grupo incentivando no outro exatamente aquilo que mais dificulta o diálogo.


Mas há um risco evidente nessa simetria.


Quando a política se transforma em um espelho de afetos intensificados, a mediação perde valor.


A dúvida vira fraqueza.


A complexidade vira obstáculo.


A prudência passa a parecer falta de convicção.


E a própria atividade política, que deveria lidar com interesses conflitantes e problemas multifacetados, é pressionada a se comportar como entretenimento permanente.


E daí nasce a política do espetáculo.


Talvez a questão não seja apenas a existência de eleitores apaixonados ou de políticos-influencers.


Paixões sempre estiveram presentes na vida pública.


O problema surge quando a paixão deixa de ser combustível para a participação e passa a ser critério único para julgar a realidade.


Nesse ponto, a intensidade do sentimento substitui a qualidade do argumento.


A democracia depende de entusiasmo, mas também de freios.


Depende de convicções, mas igualmente de disposição para revisar certezas.


Se a resposta para uma enxurrada de eleitores apaixonados for apenas uma enxurrada de políticos-influencers igualmente apaixonados, talvez estejamos apenas aumentando o volume da correnteza, sem perguntar para onde ela está nos levando.


E correntes muito fortes têm uma característica bastante curiosa: arrastam não apenas aqueles que desejam avançar, mas também aqueles que já deixaram de distinguir movimento de direção.

⁠Os mais perigosos não são os políticos, são os eleitores apaixonados que alugam as próprias cabeças
e continuam acreditando que pensam com elas.


A democracia não é ameaçada apenas por maus governantes.


Muitas vezes, ela é enfraquecida por cidadãos que transformam a política em devoção e os políticos em objetos de fé.


Quando a paixão substitui a reflexão, o senso crítico se torna um incômodo e a verdade passa a valer menos do que a conveniência.


O eleitor apaixonado não analisa; ele defende.


Não questiona; justifica.


Nem cobra; protege.


Sua identidade passa a estar tão ligada a um partido, a uma ideologia ou a uma liderança que qualquer crítica é recebida como um ataque pessoal.


Nesse momento, deixa de ser um cidadão consciente para se tornar um torcedor político.


O perigo não está em ter convicções.


Convicções são necessárias.


O perigo está em abrir mão da própria capacidade de pensar.


É quando alguém terceiriza suas opiniões, repete discursos prontos, compartilha argumentos sem verificá-los e acredita estar exercendo autonomia justamente no instante em que se tornou dependente de narrativas alheias.


Nenhum líder deveria ser maior que os princípios que diz defender.


Nenhum partido deveria estar acima da verdade.


Nenhuma ideologia deveria dispensar o direito de duvidar.


A dúvida honesta é um sinal de inteligência; a certeza absoluta costuma ser o abrigo mais confortável da manipulação.


Sociedades evoluem quando seus cidadãos aprendem a discordar dos adversários sem odiá-los e a cobrar dos aliados sem protegê-los cegamente.


A maturidade política nasce quando o voto deixa de ser um ato de paixão e se torna um compromisso com valores, responsabilidade e consciência.


Talvez o maior ato de liberdade política não seja escolher um lado, mas preservar a capacidade de pensar por conta própria depois de escolhê-lo.


Porque, no fim, os verdadeiramente perigosos não são aqueles que possuem opiniões diferentes das nossas, mas aqueles que desistiram de raciocinar e passaram a chamar subserviência de pensamento.

Só os Apaixonados conseguem defender o Projeto de Poder que sempre existiu, em detrimento de suas Próprias Demandas.

Há algo de muito fascinante — e ao mesmo tempo, muito inquietante — na capacidade humana de se apegar a narrativas que a prejudicam.

A paixão, quando direcionada a uma causa, a um líder ou a uma ideologia, pode produzir coragem, lealdade e perseverança.

Mas também pode obscurecer a percepção da realidade, tornando aceitável aquilo que, sob um olhar mais racional, seria claramente contrário aos próprios interesses.

Ao longo da história, projetos de poder muito raramente se sustentaram apenas pela força.

Eles dependem da adesão sincera de pessoas que acreditam estar defendendo algo maior até do que a si mesmas.

O paradoxo surge quando essa defesa exige o abandono das próprias necessidades, dos próprios direitos ou das próprias expectativas de melhoria de vida.

Nesse ínterim, a identidade passa a valer mais do que a experiência concreta, e a fidelidade ao grupo se sobrepõe à análise dos resultados.

Não se trata apenas de política…

Esse fenômeno se manifesta em diferentes esferas da vida: no trabalho, nas instituições, nas relações sociais e até nas crenças pessoais.

Muitas vezes, admitir que fomos enganados, manipulados ou simplesmente que apostamos na direção errada é mais doloroso do que continuar defendendo aquilo que nos frustra.

O orgulho se torna uma prisão bastante confortável, e a coerência com o passado parece muito mais importante do que a honestidade com o presente.

Talvez a grande questão não seja por que as pessoas defendem projetos de poder, mas por que tantas vezes confundem pertencimento com consciência crítica.

A verdadeira maturidade política e social não está em abandonar convicções ao primeiro sinal de dificuldade, mas em preservar a capacidade de questioná-las quando elas deixam de servir aos princípios que as justificavam.

A paixão tem um papel importante na construção de mudanças.

Contudo, quando ela substitui a reflexão, transforma cidadãos em torcedores, debates em disputas de identidade e interesses coletivos em instrumentos de manutenção de poder.

Nesse cenário, o mais revolucionário não é defender um lado a qualquer custo, mas ter coragem de perguntar, repetidamente: quem está sendo beneficiado e quem está pagando a conta?

Afinal, nenhuma causa deveria exigir que alguém renunciasse — permanentemente — à própria realidade para sustentar a narrativa de quem já ocupa ou pretende ocupar o poder.

A paixão pode até mobilizar, mas somente a consciência crítica pode libertar.

Fingir preocupação com asseclas apaixonados deve ser tão fácil quanto pregar para convertidos.

Afinal, quem já entregou a própria consciência a uma causa não precisa de argumentos — precisa apenas de viés de confirmação.

Basta oferecer a eles uma narrativa em que seus ídolos continuam virtuosos, seus adversários continuam monstruosos e qualquer contradição pode ser convenientemente rebatizada de “perseguição”.

O problema começa quando a preocupação deixa de ser genuína e passa a ser estratégica.

Quando o sofrimento dos outros só importa se puder ser convertido em combustível para a própria narrativa.

Quando a indignação é seletiva, a compaixão tem lado e a verdade precisa primeiro passar pelo filtro da conveniência.

Há algo profundamente confortável em pregar para convertidos: ninguém ali quer ser realmente convencido de nada…

Quer apenas ouvir, mais uma vez, aquilo em que já decidiu acreditar.

Talvez por isso seja tão difícil reconhecer a manipulação quando ela vem embalada em preocupação.

Porque o discurso não precisa mais conquistar a razão — basta acariciar a paixão.

E quando a paixão assume o lugar da consciência, qualquer um pode se apresentar como salvador, inclusive aquele que ajudou a construir o cativeiro do qual agora promete libertar os seus.

Eu me apaixonaria por vc mil vezes...
E todas as vezes te olharia com os mesmos olhos..
Sentiria o mesmo frio na barriga... quando ouvisse sua voz....
Eu me apaixonaria por vc mil vezes e mil vezes mais se precisasse... porque meu dia sem vc é sem graça.... meu mundo sem vc não tem cor...
E mesmo que nunca tenha te beijado ou sentido seu toque... sua pele, sua respiracao na minha...
Tenho certeza que é de verdade...

Coração


Ah! Meu coração acelerado! tão intenso, forte e apaixonado Guarda todos os meus sonhos aí dentro Faz pulsar cada sentimento inesperado.


Ah! Meu coração bondoso e solidário! Seja sempre verdadeiro e não muito frágil, Quero te contar vários segredos Compartilhar todos os meus medos E te fazer amar a vida com entusiasmo.


Ah! Meu coração alegre e impulsivo! Brinca as vezes comigo e prega peças Mas é sempre tão lindo e grato, Viaja comigo para tantos caminhos E me faz vencer cada obstáculo.


Ah, Meu coração guerreiro! Já chorou pela dor da saudade Passou por algumas dificuldades Mas segue firme e inabalável.

⁠Para os Apaixonados qualquer meia dúzia de prosopopeia flácida para acalentar bovinos é o bastante.


Quando a paixão toma o lugar da razão, até o vazio ganha aparência de profundidade.


Basta enfileirar palavras pomposas, vestir uma ideia pobre com alguma solenidade e oferecer ao ouvinte aquilo que ele já deseja crer.


Não é preciso convencer: basta afagar.


Os apaixonados muito raramente procuram argumentos; quase sempre procuram confirmação.


Querem discursos que não perturbem suas certezas, metáforas que embalem suas convicções e frases de efeito que possam repetir como se fossem pensamentos próprios.


Nesse ambiente medonho, a eloquência não precisa ser consistente — basta ser confortável.


É assim que a prosopopeia flácida prospera: atribui grandeza ao que é medíocre, profundidade ao que é raso e coragem ao que muitas vezes não passa de conveniência.


E quanto mais apaixonados os asseclas, menor parece ser a exigência por substância.


Talvez o perigo não esteja apenas em quem fabrica o discurso, mas sobretudo em quem voluntariamente se dispõe a ser acalentado por ele.


Porque, quando alguém prefere uma bela mentira a uma verdade incômoda, já não é necessário sequestrar sua razão.


Ela mesma se entrega.


No fim, há discursos que não foram feitos para despertar ninguém.


Foram cuidadosamente construídos para manter o rebanho dormindo — tranquilo, satisfeito e, sobretudo, convencido de que está pensando por conta própria.

⁠Poema

Um poema no sentido
figurado serve de elogio
sobre tudo aquilo que
faz o olhar apaixonado,
Os versos constroem
cordilheiras de estrofes
capazes de unir universos,
As rimas são as canoas
postas no rio do ritmo
capazes de trazer tudo
aquilo que engrandece
e põem o espírito, o coração
e a inspiração para transbordar.

Levo na tez o aroma
exato de uvaias frescas,
o sintoma de paixão
capaz de causar anelação
a cada nova realização.


Com refinamento sáfaro
sou capaz de colocá-lo
em priapismo sicalíptico,
e fazer com que continue
todos os dias mais vivo.


Entre o quê há de mais
lúbrico e o mais lúdico
com arrebatamento ocupo
todos os espaços porque
sou o teu amor profundo.

Colher Morango-da-costa
acompanhada da sua companhia
é mais alta imagem de desejo
cheia paixão e poesias,
É por isso que por dois escrevo
os mais doces Versos Intimistas.


...


Para que nada distraia,
para o amor vou dar
é Morango-da-praia,
Para fazer se orgulhar
deste rabo-de-praia
e dos Versos Intimistas
escritos para quando
ele chegar se entregar
com todas as malícias
daqui para frente ser vividas.


...


A tua boca é endereço
para colocar Morango de praia
com todo o maior apreço,
Por isso em ti escrevo
os mais lindos Versos Intimistas
sem nenhum adereço.

O teu perfume alucinógeno
tem inteira me alcançado,
Causa trêmula e voluptuosa
desta paixão inescrupulosa
que em sossego não tem deixado.


Mergulho no segredo de verão
ardente que leva a marca
dos teus olhos preciosos,
Que são os meus sonhos
extravagantes e deliciosos.


Ondulante o apelo de prazer,
e a luxúria sussurra onírica
neste envolvente alvorecer
que saúda o Jequitibá-rosa,
Onde partilho as confissões
femininas de tanto te querer
ser a melhor notícia que está
no caminho para acontecer.

Tua aura silenciosa e magnética
pouco a pouco tem me colocado
na direção dos teus passos,
Do teu encanto todo sensual
não consigo prever o quê
não seja diferente do perenal.


Desconfio que estou em delírio
porque sussurros crepitantes
neste instante ouvi que parecia
a realidade de néctar consentido,
Que até parecia que tu estava
absolutamente atado comigo.


Tomada pelo calor abrasador
do desejo deste brilho sedutor
na chegada da noite de poemas,
este fascínio não tão oculto assim,
Que nas entrelinhas tenho evocado
que te quero inteiramente para mim.

Com a extravagância de corpos
enlaçados e apaixonados,
Com os nossos olhos fechados
e corações abertos temos
a urgência do próximo ato,
Porque deixamos nos seduzir
pela brincadeira e o perfume
natural do amor que viciados
nós estamos sem volta
e sem tédio totalmente gamados.


Embalados pelos voluptuosos
sons dos nossos ais deliciados
por alternâncias quentíssimas
e ondas divertidas de total prazer,
A luxúria evidenciada nos pertence
com aura magnética e todo o poder.


O caos amável que te trouxe é que
desde o dia que me conheceu a tua
régua romântica nunca mais foi,
e nem será mais a mesma por ter
conhecido de perto e ter nas mãos
o domínio do meu encanto sem igual
de tocá-lo inteiro por dentro do meu
jeito por ninguém conhecido e genial.


Envolvidos pelo sabor do amor,
e do doce de Araticum-açu
nos lábios para declamar tudo
o que é cabido para ser eternizado,
E para que seja recordado
nos meus Versos Intimistas
escritos da gente ter se encontrado.