Textos de Paixão
Só os Apaixonados conseguem defender o Projeto de Poder que sempre existiu, em detrimento de suas Próprias Demandas.
Há algo de muito fascinante — e ao mesmo tempo, muito inquietante — na capacidade humana de se apegar a narrativas que a prejudicam.
A paixão, quando direcionada a uma causa, a um líder ou a uma ideologia, pode produzir coragem, lealdade e perseverança.
Mas também pode obscurecer a percepção da realidade, tornando aceitável aquilo que, sob um olhar mais racional, seria claramente contrário aos próprios interesses.
Ao longo da história, projetos de poder muito raramente se sustentaram apenas pela força.
Eles dependem da adesão sincera de pessoas que acreditam estar defendendo algo maior até do que a si mesmas.
O paradoxo surge quando essa defesa exige o abandono das próprias necessidades, dos próprios direitos ou das próprias expectativas de melhoria de vida.
Nesse ínterim, a identidade passa a valer mais do que a experiência concreta, e a fidelidade ao grupo se sobrepõe à análise dos resultados.
Não se trata apenas de política…
Esse fenômeno se manifesta em diferentes esferas da vida: no trabalho, nas instituições, nas relações sociais e até nas crenças pessoais.
Muitas vezes, admitir que fomos enganados, manipulados ou simplesmente que apostamos na direção errada é mais doloroso do que continuar defendendo aquilo que nos frustra.
O orgulho se torna uma prisão bastante confortável, e a coerência com o passado parece muito mais importante do que a honestidade com o presente.
Talvez a grande questão não seja por que as pessoas defendem projetos de poder, mas por que tantas vezes confundem pertencimento com consciência crítica.
A verdadeira maturidade política e social não está em abandonar convicções ao primeiro sinal de dificuldade, mas em preservar a capacidade de questioná-las quando elas deixam de servir aos princípios que as justificavam.
A paixão tem um papel importante na construção de mudanças.
Contudo, quando ela substitui a reflexão, transforma cidadãos em torcedores, debates em disputas de identidade e interesses coletivos em instrumentos de manutenção de poder.
Nesse cenário, o mais revolucionário não é defender um lado a qualquer custo, mas ter coragem de perguntar, repetidamente: quem está sendo beneficiado e quem está pagando a conta?
Afinal, nenhuma causa deveria exigir que alguém renunciasse — permanentemente — à própria realidade para sustentar a narrativa de quem já ocupa ou pretende ocupar o poder.
A paixão pode até mobilizar, mas somente a consciência crítica pode libertar.
Fingir preocupação com asseclas apaixonados deve ser tão fácil quanto pregar para convertidos.
Afinal, quem já entregou a própria consciência a uma causa não precisa de argumentos — precisa apenas de viés de confirmação.
Basta oferecer a eles uma narrativa em que seus ídolos continuam virtuosos, seus adversários continuam monstruosos e qualquer contradição pode ser convenientemente rebatizada de “perseguição”.
O problema começa quando a preocupação deixa de ser genuína e passa a ser estratégica.
Quando o sofrimento dos outros só importa se puder ser convertido em combustível para a própria narrativa.
Quando a indignação é seletiva, a compaixão tem lado e a verdade precisa primeiro passar pelo filtro da conveniência.
Há algo profundamente confortável em pregar para convertidos: ninguém ali quer ser realmente convencido de nada…
Quer apenas ouvir, mais uma vez, aquilo em que já decidiu acreditar.
Talvez por isso seja tão difícil reconhecer a manipulação quando ela vem embalada em preocupação.
Porque o discurso não precisa mais conquistar a razão — basta acariciar a paixão.
E quando a paixão assume o lugar da consciência, qualquer um pode se apresentar como salvador, inclusive aquele que ajudou a construir o cativeiro do qual agora promete libertar os seus.
A quantidade de Salvadores da Pátria de última hora é quase proporcional aos Eleitores Apaixonados.
Em ano de Eleições — especialmente as gerais —, o Brasil, quiçá o mundo, costuma assistir a um curioso fenômeno: quanto mais apaixonados os eleitores, maior parece ser a produção de salvadores da pátria.
Alguns surgem de última hora, outros são requentados, e há ainda os que passam anos criticando o messianismo alheio para, na primeira oportunidade, vestir a própria capa de herói.
É compreensível, ou ao menos deveria ser.
A paixão política tem pouca paciência para soluções complexas.
Ela prefere personagens…
Precisa de alguém para encarnar a esperança, concentrar a indignação e, de preferência, carregar sozinho a “responsabilidade” por aquilo que deveria ser uma tarefa coletiva.
O problema é que democracia não combina muito bem com Salvadores.
Combina com instituições, limites, fiscalização, alternância de poder e, sobretudo, cidadãos capazes de desconfiar também de quem diz estar lutando exatamente por aquilo em que acreditam.
O Eleitor Apaixonado costuma enxergar a eleição como uma batalha entre o bem e o mal.
E, quando a política se transforma em guerra moral, o candidato deixa de ser alguém a ser avaliado e passa a ser alguém a ser defendido.
Seus erros viram justificativas; suas contradições, estratégias; seus aliados inconvenientes, males necessários.
Enquanto isso, o adversário deixa de ser apenas um adversário: torna-se uma ameaça existencial.
É nesse ambiente medonho que prospera o Salvador da Pátria, especialmente o de última hora.
Ele não precisa necessariamente apresentar um grande projeto.
Basta oferecer uma narrativa — suficientemente convincente ou não — para que seus seguidores possam acreditar que, desta vez, finalmente apareceu alguém capaz de consertar tudo.
Talvez a reflexão mais incômoda e necessária seja justamente esta: o problema não está apenas em quem se oferece para salvar a pátria, mas também em quem continua procurando alguém para fazê-lo.
Uma Democracia madura talvez comece quando o eleitor troque a pergunta “quem vai nos salvar?” por outra, bem menos sedutora e muito mais importante: “quem merece receber uma parcela limitada do poder — e como faremos para continuar cobrando essa pessoa depois da eleição?”
Porque Salvadores costumam pedir fidelidade e fé.
Governantes deveriam receber votos — e fiscalização.
Para os Apaixonados qualquer meia-dúzia de prosopopeia flácida para acalentar bovinos é o bastante.
Quando a paixão toma o lugar da razão, até o vazio ganha aparência de profundidade.
Basta enfileirar palavras pomposas, vestir uma ideia pobre — para não dizer miserável — com alguma solenidade e oferecer ao ouvinte aquilo que ele já deseja crer.
Não é preciso convencer: basta afagar.
Os apaixonados muito raramente procuram argumentos; quase sempre procuram confirmação.
Querem discursos que não perturbem suas certezas, metáforas que embalem suas convicções e frases de efeito que possam repetir como se fossem pensamentos próprios.
Nesse ambiente medonho, a eloquência não precisa ser consistente — basta ser confortável.
É assim que a prosopopeia flácida prospera: atribui grandeza ao que é medíocre, profundidade ao que é raso e coragem ao que muitas vezes não passa de conveniência.
E quanto mais apaixonados os asseclas, menor parece ser a exigência por substância.
Talvez o perigo não esteja apenas em quem fabrica o discurso, quiçá a guerra palavrosa, mas sobretudo em quem voluntariamente se dispõe a ser acalentado por ele.
Porque, quando alguém prefere uma bela mentira a uma verdade incômoda, já não é necessário sequestrar sua razão.
Ela mesma se entrega.
No fim, há discursos que não foram feitos para despertar ninguém.
Foram cuidadosamente construídos para manter o rebanho dormindo — tranquilo, satisfeito e, sobretudo, convencido de que está pensando por conta própria.
Os Apaixonados não reivindicam mais as Pautas Próprias, só defendem as Pautas dos Políticos de Estimação.
É muito curioso como, em tempos de paixões políticas exacerbadas, tanta gente parece ter terceirizado até a própria indignação.
O que antes era uma luta por melhores condições de vida, mais justiça, liberdade ou dignidade passou, em muitos casos, a ser apenas torcida organizada por quem ocupa o poder — ou por quem se deseja ver ocupando-o.
O problema é que, quando o político de estimação se torna mais importante que a própria pauta, o cidadão deixa de ser sujeito e passa a ser escudo.
Defende o indefensável, relativiza o erro, justifica o abuso e transforma qualquer crítica ao seu escolhido em uma ofensa pessoal.
Já não importa tanto se a promessa foi cumprida, se a política pública funcionou ou se o discurso contradiz a prática.
Importa que “o meu lado” esteja vencendo.
E, assim, aquilo que deveria ser consciência política transforma-se em fidelidade emocional.
É uma inversão muito perigosa: o representante, que deveria prestar contas ao cidadão, passa a contar com a sua devoção.
A pauta, que deveria sobreviver aos governos, passa a depender deles.
E o eleitor, que deveria cobrar seus representantes, acaba trabalhando voluntariamente para protegê-los.
Talvez seja hora de recuperar uma velha máxima, cada vez mais esquecida: “Político não é Ídolo, Partido não é Religião e Eleitor não é Torcedor.”
Quem realmente tem convicções não abandona seus princípios quando muda o candidato.
Se uma pauta é justa hoje, continua sendo justa quando beneficia o adversário.
Se um abuso é condenável de um lado, também deve ser do outro.
Porque maturidade política não é encontrar um político para admirar.
Mas ter princípios suficientemente fortes para contrariar até aquele em quem se votou.
No fim, talvez a verdadeira liberdade política comece justamente quando deixamos de perguntar: “o que meu político pensa sobre isso?”
E voltamos a perguntar: “o que eu penso, e por que ainda defendo isso?”
A maior Desgraça de muitos que têm a Caneta ao alcance das mãos é se apaixonar por Dinheiro.
Porque a Caneta, quando colocada a serviço do interesse próprio, deixa de ser instrumento de trabalho e passa a ser arma contra o bem comum.
Com ela, assinam-se decisões, autorizam-se gastos, criam-se regras, distribuem-se oportunidades e, muitas vezes, silenciam-se consciências.
O problema nunca foi — apenas — o dinheiro.
É aquilo que o dinheiro consegue comprar quando encontra uma consciência disposta a se vender: princípios, lealdades, convicções e até o silêncio diante da injustiça.
Quem se apaixona pelo dinheiro começa, quase sempre, justificando pequenos desvios.
Depois aprende a chamar privilégio de direito, favorecimento de competência e corrupção de oportunidade.
Aos poucos, aquilo que deveria causar vergonha passa a parecer apenas parte do jogo.
E talvez essa seja uma das formas mais perigosas de pobreza: ter a caneta nas mãos, mas não ter mais caráter suficiente para decidir onde colocá-la.
Dinheiro pode comprar conforto, mas não compra dignidade.
Pode comprar influência, mas não compra respeito verdadeiro.
Pode construir muros, mas não consegue impedir que, um dia, a própria consciência cobre a conta.
Porque toda canetada deixa marcas…
Algumas ficam nos papéis; outras, na história.
E, quando alguém recebe o poder de escrever o destino de muitos, deveria lembrar que nenhuma assinatura é tão valiosa quanto a tranquilidade de saber que não precisou trair seus princípios para colocá-la no papel.
Para acariciar o ego de tantos Políticos Apaixonados, só a enxurrada de Eleitores igualmente Apaixonados.
Há uma curiosa relação entre o Poder e a Paixão.
O Político Apaixonado por si mesmo precisa, quase sempre, de uma multidão igualmente Apaixonada por sua imagem.
Não basta governar: é preciso ser Admirado.
Não basta apresentar propostas: é preciso ser Aplaudido.
Não basta ocupar um cargo: é preciso transformar o cargo em palco e o eleitor em plateia.
E assim se estabelece uma espécie de romance coletivo, no qual a razão frequentemente perde espaço para a devoção.
O eleitor deixa de perguntar “o que ele fez?” e passa a perguntar “como alguém pode falar mal dele?”.
A crítica vira ofensa, a discordância vira traição e o político deixa de ser um representante temporário da sociedade para se tornar, aos olhos de alguns, uma espécie de personagem infalível.
O problema é que a democracia não foi feita para produzir fãs.
Foi feita para produzir cidadãos.
Político não precisa de amor incondicional; precisa de cobrança.
Não precisa de seguidores dispostos a justificar todos os seus erros; precisa de eleitores capazes de reconhecer acertos sem fechar os olhos para os abusos.
Afinal, quando a paixão política se torna maior que o compromisso com a verdade, o cidadão corre o risco de defender aquilo que, em qualquer outra circunstância, condenaria.
Talvez o maior perigo não esteja apenas no político que alimenta o próprio ego, mas no eleitor que entrega voluntariamente a própria capacidade de questionar.
Porque o poder se torna realmente perigoso quando encontra não apenas quem queira mandar, mas quem esteja disposto a acreditar em tudo.
No fim, a enxurrada de eleitores apaixonados pode até acariciar o ego de um político.
Mas somente uma sociedade consciente, crítica e disposta a pensar por conta própria consegue impedir que essa paixão transforme a política em culto — e o cidadão, em devoto.
Porque votar é escolher representantes.
Não é entregar a eles a nossa consciência.
Com tantos Apaixonados disputando uma Eleição, só um eleitorado igualmente Apaixonado para suportar tanta confusão.
Talvez o maior espetáculo de uma eleição não esteja nos palanques, nos discursos inflamados ou nas promessas meticulosamente embaladas para conquistar votos.
Está quase sempre no modo como nós, eleitores, transformamos políticos em personagens de uma paixão quase pessoal.
De repente, discordar de um candidato passa a ser interpretado como ofensa a quem o apoia.
Questionar uma proposta parece traição.
Admitir um acerto do adversário soa como fraqueza.
E, assim, a política deixa de ser um espaço de ideias para se transformar em uma disputa de identidades, afetos e certezas fabricadas.
O problema é que paixão, quando ocupa o lugar da reflexão, nos faz enxergar apenas aquilo que confirma o nosso viés.
O candidato de nossa preferência ganha justificativas para seus erros; o adversário, condenações até para seus acertos.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior confusão: não são apenas os candidatos que disputam uma eleição.
Nós também disputamos narrativas, brigamos por versões variadas da realidade e, muitas vezes, esquecemos que nenhum político merece de nós uma devoção que deveria ser reservada aos nossos próprios princípios.
Eleição não deveria exigir apaixonados.
Deveria exigir cidadãos atentos.
Porque políticos passam, mandatos terminam, partidos mudam e promessas se perdem no tempo.
O que permanece é a responsabilidade de cada eleitor pelas escolhas que faz — e, principalmente, pela capacidade de continuar pensando depois que a paixão termina.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja “de que lado você está?”, mas “o que você consegue enxergar quando deixa o seu lado de fora por alguns instantes?”
Talvez seja nesse ínterim entre a paixão e a reflexão que comece, de fato, a Liberdade de Escolher.
Talvez um dos maiores riscos da Preguiça de Pensar seja nos apaixonarmos pelos que fingem fazê-lo.
Há algo perigosamente sedutor em quem fala com muita convicção sobre aquilo que não compreende.
A voz firme, a frase de efeito e a certeza absoluta muitas vezes ocupam o espaço que deveria pertencer à dúvida, à reflexão e ao esforço de compreender.
Pensar dá muito trabalho…
Exige tempo, confronto com as próprias certezas e, sobretudo, humildade intelectual para admitir que podemos estar errados.
Por isso, é tentador terceirizar o pensamento para alguém que nos ofereça respostas prontas, inimigos convenientes e explicações simplistas para problemas complexos.
É nesse terreno medonho que prosperam os Falsos Pensadores: aqueles que não nos convidam a pensar, mas a concordar.
Não ampliam nossa compreensão; apenas organizam nossos preconceitos em discursos aparentemente sofisticados.
Não desafiam nossas convicções; oferecem argumentos para permanecermos confortavelmente presos a elas.
E talvez o perigo maior não esteja em sermos enganados por quem finge pensar, mas em desejarmos ardentemente que ele pense por nós.
Quando isso acontece, deixamos de admirar ideias e passamos a venerar pessoas.
Trocamos a Liberdade Intelectual pela segurança de pertencer a uma certeza coletiva.
Já não perguntamos se algo é verdadeiro; perguntamos apenas se foi dito por alguém de quem gostamos.
Pensar, entretanto, é justamente preservar a capacidade de discordar até de quem admiramos.
Porque uma mente verdadeiramente livre não precisa de Idolos Intelectuais.
Precisa de inquietação.
Precisa de perguntas.
Precisa da coragem de mudar de opinião quando os fatos exigirem.
Afinal, quem pensa por conta própria pode até errar sozinho.
Mas quem entrega o próprio pensamento a alguém, corre o risco muito maior de errar apaixonadamente — acreditando, ainda por cima, que finalmente encontrou quem pensa por ele.
Por muito tempo, confundi paixão com salvação. Descobri que, quando o nosso coração passa fome de cuidado e atenção, qualquer gesto genuíno de carinho vira um oásis.
Não me apaixono pela pessoa em si; apaixono-me pela sensação de, finalmente, ser tratada com a gentileza que sempre mereci. É dopamina, é carência de afeto guardado, é o eco de um vazio antigo. E quando alguém nos dá isso, a tendência é entregar o peito inteiro, com medo de que acabe
Mas o verdadeiro amor não deveria ser um resgate de emergência. Amar de verdade exige ver o outro por quem ele é, e não apenas pelo alívio que a sua presença traz para as nossas feridas.
Momentos de outubro
Era noite eu te vi,
te olhei, me apaixonei e percebi,
que meu coração te queria,
mas eu não quis...
Coração brigou comigo,
me fez te procurar,
me deu um sorriso,
acabei de me apaixonar...
De repente,
de um olhar não correspondido,
te vejo em minha frente,
amando um amor bandido...
Numa praça cheia de flores,
pra esquecer eu luto,
me lembrei ontem e hoje,
aqueles momentos de outubro!
Poema
Um poema no sentido
figurado serve de elogio
sobre tudo aquilo que
faz o olhar apaixonado,
Os versos constroem
cordilheiras de estrofes
capazes de unir universos,
As rimas são as canoas
postas no rio do ritmo
capazes de trazer tudo
aquilo que engrandece
e põem o espírito, o coração
e a inspiração para transbordar.
Levo na tez o aroma
exato de uvaias frescas,
o sintoma de paixão
capaz de causar anelação
a cada nova realização.
Com refinamento sáfaro
sou capaz de colocá-lo
em priapismo sicalíptico,
e fazer com que continue
todos os dias mais vivo.
Entre o quê há de mais
lúbrico e o mais lúdico
com arrebatamento ocupo
todos os espaços porque
sou o teu amor profundo.
Colher Morango-da-costa
acompanhada da sua companhia
é mais alta imagem de desejo
cheia paixão e poesias,
É por isso que por dois escrevo
os mais doces Versos Intimistas.
...
Para que nada distraia,
para o amor vou dar
é Morango-da-praia,
Para fazer se orgulhar
deste rabo-de-praia
e dos Versos Intimistas
escritos para quando
ele chegar se entregar
com todas as malícias
daqui para frente ser vividas.
...
A tua boca é endereço
para colocar Morango de praia
com todo o maior apreço,
Por isso em ti escrevo
os mais lindos Versos Intimistas
sem nenhum adereço.
O teu perfume alucinógeno
tem inteira me alcançado,
Causa trêmula e voluptuosa
desta paixão inescrupulosa
que em sossego não tem deixado.
Mergulho no segredo de verão
ardente que leva a marca
dos teus olhos preciosos,
Que são os meus sonhos
extravagantes e deliciosos.
Ondulante o apelo de prazer,
e a luxúria sussurra onírica
neste envolvente alvorecer
que saúda o Jequitibá-rosa,
Onde partilho as confissões
femininas de tanto te querer
ser a melhor notícia que está
no caminho para acontecer.
Tua aura silenciosa e magnética
pouco a pouco tem me colocado
na direção dos teus passos,
Do teu encanto todo sensual
não consigo prever o quê
não seja diferente do perenal.
Desconfio que estou em delírio
porque sussurros crepitantes
neste instante ouvi que parecia
a realidade de néctar consentido,
Que até parecia que tu estava
absolutamente atado comigo.
Tomada pelo calor abrasador
do desejo deste brilho sedutor
na chegada da noite de poemas,
este fascínio não tão oculto assim,
Que nas entrelinhas tenho evocado
que te quero inteiramente para mim.
Com a extravagância de corpos
enlaçados e apaixonados,
Com os nossos olhos fechados
e corações abertos temos
a urgência do próximo ato,
Porque deixamos nos seduzir
pela brincadeira e o perfume
natural do amor que viciados
nós estamos sem volta
e sem tédio totalmente gamados.
Embalados pelos voluptuosos
sons dos nossos ais deliciados
por alternâncias quentíssimas
e ondas divertidas de total prazer,
A luxúria evidenciada nos pertence
com aura magnética e todo o poder.
O caos amável que te trouxe é que
desde o dia que me conheceu a tua
régua romântica nunca mais foi,
e nem será mais a mesma por ter
conhecido de perto e ter nas mãos
o domínio do meu encanto sem igual
de tocá-lo inteiro por dentro do meu
jeito por ninguém conhecido e genial.
Envolvidos pelo sabor do amor,
e do doce de Araticum-açu
nos lábios para declamar tudo
o que é cabido para ser eternizado,
E para que seja recordado
nos meus Versos Intimistas
escritos da gente ter se encontrado.
Enroscar-me no trono perfumado,
mergulhar no teu olhar apaixonado,
Sentir o teu respirar entrecortado
com o meu entregue pacificado.
No silêncio carregado de emoção,
nas trocas de toques demorados,
Na proximidade repleta de sedução
e atração potente e sinestésica.
Não é preciso manter o desejo velado,
e sim cultuar espaços irreprimíveis,
Doces alternâncias de submissão
e de poder - pitangas íntimas secretas.
Com trocas de mimos e segredos
profundos entre pele com pele,
Não existem vestes edênicas melhores
do que as nossas e o que ferve.
Adstritos pela atração fatal latente,
pela paixão como idioma influente.
O coração nos põe em gravitação
evidente sem nenhuma explicação.
Envolvidos na mútua imantação,
crescente e imparável e a atração.
A geometria do contato no espaço
aproxima e o cria para ser destinado.
Para adjacentes assumir o domínio
a sedução, a proximidade e o destino.
Encontrar e nos confiar à concavidade
primaveral do jardim em plena liberdade.
Assim embalados pela reciprocidade
saborear os guabijus da sensualidade.
Sou apaixonada pelos escritos de Simón Bolívar e do General San Martín, mas temos também os nossos próprios heróis profundamente anti-imperialistas que merecem ser lembrados pelas contribuições literárias e pelas lutas: o Padre Roma e seu filho, José Inácio de Abreu e Lima, o "General das Massas". Eles fundaram o pan-americanismo como uma doutrina que dialoga diretamente com o Bolivarianismo.
O General Abreu e Lima, inclusive, juntou-se a Bolívar para lutar na Batalha de Carabobo, na Venezuela.
As bolhas políticas atuais não vão contar, mas não havia "esquerda" ou "direita" na época deles— o que existia era o anseio absoluto de se livrar do Colonialismo.
Os escritos desses homens são maravilhosos e dignos de releituras atuais. São fundamentais para a necessidade fortalecimento da nossa identidade nacional, sem permitir que percamos a nossa identidade maior que está ancorada neste continente, o mais bonito e rico do mundo, que por séculos tem carregado várias nações nas costas.
No mesmo fogo quero
que entre comigo,
Com paixão, mistério e conexão,
evoco ser o seu destino,
Para uns a Copa do Mundo
começa com a festa inaugural,
para mim ela só começa
quando o time da minha
Nação entra em campo,
por isso tenho razões
para esperar-te tanto.
Em matéria de amar,
para mim não é diferente,
Como escrevo poesia
falar de amor para mim é fácil,
mesmo que encontrar
o amor verdadeiro seja feito
encontrar agulha no palheiro
neste mundo de gente difícil.
Mas para o amor acontecer,
é preciso que a gente
deixe que entre realmente,
e faça em nós o que
tem que fazer do amanhecer
ao anoitecer como deve ser.
Por saber que você existe,
e por você ser a personificação
de cada impulso selvagem,
Entreguei pistas e dez vezes
mais sem dizer uma só palavra,
decidida ser o teu paraíso,
e que não haja mais a próxima;
mesmo que leve tempo,
porque pacto com o relógio
eu nunca terei mesmo.
