Textos de Jardim
Luminárias De Cachos Verdes
Encontro pela manhã a relva nas folhas do jardim,
Caem frias as águas e o vapor,
E há um passaro em tons de dourado, roxo e preto bebendo na fonte central.
Vi ali parada em um banco uma dama com um broche dourado que segurava sua túnica branca.
Ela escrevia em um pergaminho com uma pena.
A tinta para meu espanto era de sangue de passarinho e alcatrão.
Haviam penas e sangue em volta do pote encostado aos seus pés.
Ela em nem um momento olhou na minha direção quando me aproximei.
Haviam espécies de estrofes de poesia e rúnicas feitas com a tinta,
Ela deslizava com a mão hábil e aparentemente costumeira.
Quando voltei a noite ela ainda estava ali.
Uma taça de vinho ao seu lado e ela ainda escrevia.
Tomei de um pomar de luz um cacho de uva luminária.
Espremi o sumo e a luz no seu copo.
Ela finalmente olhou pra mim com seus olhos de lanterna.
Quando fui puxada em redemoinho para dentro deles.
- Ramile Godon
FLORES DO JARDIM
Composição: Góis Del Valle
O amor não nasce em vão.
Paixão ou solidão dentro do peito,
palavras lá no chão são frases,
Como rosas no jardim.
Se eu não abro mão
das coisas que criei
aqui por dentro...
Razões pra chorar,
razões pra sorrir:
são coisas que o coração faz.
Momentos assim,
pra mim, são sem fim:
são coisas que o coração faz.
E quando a ilusão
enche o peito e dilacera o coração,
se eu não me amasse, o que seria dos
meus sentimentos?
Razões pra chorar,
razões pra sorrir:
são coisas que o coração faz.
Momentos assim,
pra mim, são sem fim:
são coisas que o coração faz.
Parte 2
A Voz que Mora no Silêncio — de encontro ao Jardim de O Pensador
(Aqui a voz se manifesta, encontra morada, floresce no coletivo.)
Há momentos em que a vida parece um campo vazio, estendido até onde o olhar não alcança.
Mas basta um gesto — pequeno, sincero — para que a terra desperte.
Toda semente nasce de um silêncio assim: humilde, quase invisível, mas teimosa como quem conhece o próprio destino.
A comunidade O Pensador é esse jardim raro onde cada palavra vira raiz.
Onde a dúvida floresce em entendimento,
e a esperança, mesmo cansada, encontra um canto para descansar e renascer.
Quem caminha por aqui descobre que a colheita não chega no grito.
Ela vem no tempo exato em que o coração aprende a esperar sem medo.
Vem quando a alma, enfim, entende que nada é em vão —
nem a queda, nem a travessia, nem o sonho que insiste em permanecer.
Que cada passo seja poesia,
cada escolha seja semente,
e cada amanhecer lembre:
o que é plantado com verdade jamais deixa de florescer.
Existe uma velha parábola sobre um jardim lindo por fora, cheio de flores coloridas na entrada, mas com as raízes completamente podres por baixo da terra. De longe, impressiona. De perto, desmorona ao primeiro vento forte. O Brasil, muitas vezes, parece exatamente esse jardim.
Na superfície, discursos bonitos, propaganda colorida, promessas de campanha. Mas embaixo da terra, a realidade é outra: violência gratuita tirando vidas todos os dias, como se sangue nas ruas já fosse paisagem normal. Guerras urbanas travadas entre facções enquanto o poder público assiste de longe, fingindo não perceber.
A educação, que deveria ser raiz forte, está sucateada, professores mal pagos tentando florescer em solo seco. A saúde vive eternamente em sala vermelha, emergência constante, sem estrutura para cuidar de quem mais precisa. O judiciário, que deveria julgar com justiça, muitas vezes emperra, decide tarde, protege quem tem poder e esquece quem tem fome.
E ainda assim, mesmo diante desse caos visível e doloroso, uma parte do povo insiste em acreditar que o Brasil tem jeito. Talvez essa teimosia seja exatamente o que sustenta o país de pé: não é o governo que salva, é o povo mesmo que resiste, planta de novo, mesmo sabendo que a colheita ainda está distante.
O Teu Olhar Bendito
Disseram-me que a vida passa e voa,
Que murcham as rosas no jardim do Mundo,
Mas neste peito, em êxtase profundo,
Alguém me disse que o Amor ressoa!
Se a dor me rasga a alma e a magoa,
E o tempo corre como um rio fundo,
Vem dar-me a mão neste clamor segundo,
Que a tua posse tudo me perdoa.
Dizem que a dita está ao nosso alcance,
Vem, morde a noite, acende o meu instante,
No cio escuro onde te desejei!
Prende-me os braços, rasga o Infinito,
No osso e na carne o meu gemido é rito,
Sendo a devassa desse Amor que inventei!
A PELEJA DA ABELHA COM A MOSCA
I
Num jardim nasceu a peleja,
Que o destino foi traçando;
Abelha, rainha das flores,
Seu trabalho cultivando.
Mosca vinha do outro lado,
Cada qual seu rumo andando.
II
Disse a Abelha, muito altiva:
— Eu vivo do puro mel,
Faço cera, gero vida,
Cumpro um nobre e bom papel.
Quem visita flor perfumada
Nunca perde seu troféu.
III
Respondeu logo a Mosca,
Sem baixar sua cabeça:
— Cada ser tem seu caminho,
Sua sina e sua peça.
Não escolhi meu destino,
Nem a vida que me cerca.
IV
A Abelha retrucou ligeiro:
— Gosto bom é o da flor!
Quem procura coisa limpa
Leva paz, perfume e cor.
Quem vive entre imundícies
Não conhece o verdadeiro amor.
V
A Mosca falou sorrindo:
— Prazer muda de pessoa;
O que é doce para uns,
Pra outros não se entoa.
Cada qual segue o costume
Que a existência lhe abençoa.
VI
A Abelha fez ferrão,
Defendendo seu reinado;
A Mosca bateu as asas,
Sem mudar de seu traçado.
Cada qual julgando a outra,
No seu mundo fechado.
VII
Uma buscava o néctar
Nas campinas coloridas;
Outra rondava os caminhos
Das sobras já esquecidas.
Duas formas de viver,
Duas rotas tão distintas.
VIII
Mas o tempo, velho mestre,
Ensinou sem humilhar:
Nem só flores dão sustento,
Nem só lixo há de ficar.
Toda vida tem seu ciclo,
Seu nascer e seu findar.
IX
Disse então a Natureza:
— Parem já de discutir!
Cada qual cumpre um serviço
Que não pode se medir.
Quem condena a escolha alheia
Pouco aprende a refletir.
X
Abelha produz o mel,
Mosca limpa o que apodrece;
Uma encanta os jardins,
Outra evita o que fenece.
Mesmo sendo tão diferentes,
Cada qual à vida tece.
XI
Gosto, hábito e costume
Nem sempre são iguais;
Cada um faz sua estrada
Entre erros e ideais.
Não existe um só caminho
Para todos os mortais.
XII
Terminou-se a velha peleja
Com lição de igualdade:
Quem despreza o semelhante
Só cultiva a vaidade.
Abelha e Mosca, no fim,
São iguais nas diferenças da humanidade.
O Jardim de Mim
Meu tempo se finda nos
braços da solidão,
mas meus pés ainda
saberm o caminho de
volta.
Deixo que o escuro me
ensine a paciência,
porque sei que nenhuma
noite é eterna.
A escuridão assusta, mas
não é o fim,
È só o espaço onde a
semente cresce,
Há um jardim inteiro
brotando dentro de mim.
Abro as janelas que o
medo fechou
e deixoo primeiro raio de
sol
avisar ao coração
que o tempo de
reccomeçar chegou.
Memórias de um Jardim
Raízes que Florescem
Dizem que a flor de lótus
nasce da lama,
mas escolhe florescer.
Eu também.
Minhas raízes foram profundas,
regadas por uma infância cheia de histórias —
entre risos, quedas, travessuras
e o amor firme da minha família.
Houve dias difíceis,
momentos de dor e confusão,
mas como a lótus,
aprendi a permanecer.
E havia aquela casa…
Não era só uma casa,
era um mundo inteiro guardado em paredes simples
e um jardim cheio de vida.
Ali, o tempo desacelerava,
as memórias nasciam sem pressa,
e o amor se escondia
nos pequenos detalhes.
Foi ali que aprendi sobre cuidado.
Minha tia…
com mãos já cansadas,
mas com um coração que nunca desistia de amar,
olhava o jardim como quem conversa com Deus.
Havia ervas, havia frutos,
mas faltava uma rosa vermelha.
E então, um dia, ela plantou.
Com dificuldade, com esforço,
mas com fé.
Naquele momento,
eu já sabia…
o tempo estava se despedindo.
Mas o amor não.
Porque um ano depois,
quando a saudade ainda morava forte,
a rosa floresceu.
Silenciosa, firme,
como uma resposta do céu.
E ali eu entendi:
algumas despedidas não são fim —
são sementes.
Hoje, voltei àquela casa.
Os portões são outros,
os passos já não são os mesmos,
e o tempo levou o que era nosso.
Mas não levou tudo.
Porque o que foi vivido ali
criou raízes em mim.
E hoje eu sei…
Sou feita de tudo isso:
da menina que caiu e levantou,
da fé que permaneceu,
do amor que ficou,
e das flores que insistem em nascer
mesmo depois da dor.
Como a lótus,
como a rosa…
eu floresci. 🌹
Ela e o Jardim
Ela tinha mãos de cuidado
e um sorriso que abraçava sem dizer palavra.
Amava o jardim
como quem conversa com a vida,
entre ervas, frutos e silêncio.
Faltava uma rosa vermelha…
e mesmo com o corpo cansado,
foi com coragem que ela plantou esperança na terra.
O tempo levou sua presença,
mas não levou seu amor.
Porque um ano depois,
a rosa floresceu —
como ela sempre foi:
forte, bonita
e impossível de esquecer.
O nome dela era Irma.
Jardim das Emoções
Quando Flávia Encontrou Bruna
Na sala havia muitas crianças, vozes, movimentos e descobertas acontecendo ao mesmo tempo.
Algumas delas tinham desafios maiores para se comunicar, para compreender ou para se acalmar.
Nem sempre o adulto conseguia estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
Flávia era uma dessas crianças.
Autista e não verbal, começava, aos poucos, a dizer algumas palavras.
Em casa, a mãe se dedicava com amor, reforçando cada conquista, cada som, cada tentativa.
O jardim era agitado.
A turma era grande, e os desafios também.
Não era falta de cuidado — era a realidade.
E foi ali que a inclusão aconteceu de verdade.
Bruna percebeu Flávia.
Entendeu seus gestos, esperou seu tempo, segurou sua mão quando o barulho era demais.
Sem precisar que alguém mandasse, ela ajudava.
Enquanto os adultos organizavam o possível, as crianças faziam o essencial:
cuidavam umas das outras.
Com Bruna por perto, Flávia se sentia mais segura.
Arriscava novos sons, novos olhares, novas tentativas.
Pequenos passos, grandes conquistas.
Flávia não estava sozinha.
Ela tinha uma amiga.
E, naquele espaço cheio de desafios, a amizade também ensinava.
"A inclusão não pode ser feita apenas de boa vontade; ela precisa de profissionais, recursos e políticas públicas reais."
A criança não deve carregar a responsabilidade que é do sistema.
Finalizo minha apresentação com este apelo. A educação inclusiva não pode ser feita apenas de boa vontade; ela precisa de recursos e respeito à diversidade. Que nosso olhar atento se transforme em ação e luta por uma escola verdadeiramente acolhedora e equitativa."
— Olhar de Vidro: Uma Jornada de Descoberta no Jardim Botânico
Rafa é um menino que enxerga a natureza de forma técnica e distante, como algo a ser estudado e analisado. Durante um passeio escolar, ele conhece Raione, um menino indígena que o convida a olhar o mundo com mais sensibilidade. Ao observar pequenos detalhes da vida natural, Rafa aprende que a verdadeira riqueza da natureza não está em dominá-la, mas em respeitá-la e cuidar dela. Essa experiência transforma seu jeito de ver o mundo, despertando nele empatia e conexão com a vida ao seu redor.
Essência da história: aprender a sentir a natureza é tão importante quanto entendê-la. 🌿
A Flor da Bondade.
No jardim sereno da alma,
nasce, em silêncio, a bondade:
uma flor rara e delicada,
que floresce em cada gesto de verdade.
Suas pétalas são feitas de ternura,
seu perfume espalha paz e calor;
floresce ao dar, ao acolher, ao cuidar,
e se fortalece quando oferece amor.
Não precisa de sol o tempo inteiro,
basta um coração disposto a regar;
pois a bondade é uma flor generosa
que, quanto mais se dá, mais volta a desabrochar.
E assim, entre gestos simples e sinceros,
ela transforma caminhos e corações;
porque onde a bondade encontra espaço,
nascem esperança, carinho e novas flores.
Tudo o que eu poderia te dar!
Eu poderia te dar um buquê de flores, mas você merece o jardim inteiro.
Poderia te dar mil joias, mas você merece um diamante roxo — daqueles raros, quase impossíveis de encontrar, porque algumas pessoas também são assim: raras demais para caber em qualquer presente.
Poderia te oferecer coisas caras,
mas te ofereço algo mais caro do que qualquer riqueza: o meu coração.
Não porque ele seja perfeito, mas porque é verdadeiro, e porque, de algum jeito, você conseguiu morar nele sem pedir licença.
Pode até ser clichê dizer que você iluminou partes de mim que já estavam esquecidas no fundo do baú... mas talvez alguns clichês existam porque certas verdades não encontram palavras novas.
Você chegou devagar, quase sem perceber, e foi acendendo pequenas luzes onde eu já tinha me acostumado com o escuro.
E se eu pudesse te dar o mundo,
talvez ainda fosse pouco.
Porque o mundo é enorme,
mas o que você despertou em mim
é maior do que qualquer lugar
que minhas mãos poderiam alcançar.
Então não quero te dar apenas flores,
quero te dar motivos para florescer.
Não quero te dar apenas joias,
quero te lembrar do quanto você é preciosa. Não quero te dar apenas o meu coração, quero te entregar tudo aquilo que existe nele e que, de alguma forma, aprendeu a bater diferente depois de você.
E talvez esse seja o meu presente mais sincero: não aquilo que eu posso comprar para você, mas aquilo que ninguém jamais conseguiria comprar de mim — a parte de mim que, sem perceber, eu descobri que queria dividir com você.
Me sinto como um jardim sem flores.
O mais esquisito é que esse jardim já foi florido um dia.
Já teve cores, perfumes e vida.
Mas depois que você se foi, percebi que alguma coisa mudou.
O jardim continua no mesmo lugar,
mas já não é o mesmo.
E talvez o mais difícil não seja olhar para as flores que morreram,
mas lembrar de como era bonito quando elas estavam aqui.
O Jardim Secreto da Sua Essencialidade
A viveza de um jardim secreto para aqueles que não sabem amar;
cultivado pelo amor divino.
No seu âmago, uma flora verdejante
e a flor mais bela em destaque
e a luz do sol iluminando as suas pétalas.
Assim descrevo a sua essencialidade,
revestida pela arte da sua natureza —
atração feita de romantismo e intensidade
na composição da bênção que é a sua integridade.
Bons Tempos e Maus Tempos
Nos bons tempos, o amor floresce como um jardim iluminado pelo sol. Cada sorriso parece eterno, cada abraço aquece a alma, e o coração encontra paz ao lado de quem ama. Nesses momentos, a vida ganha mais cor e os sonhos parecem possíveis.
Mas os maus tempos também chegam, trazendo saudade, silêncio e lágrimas. As dificuldades colocam o amor à prova, fazendo o coração sentir o peso da distância, das dúvidas e das despedidas. Ainda assim, é nesses dias que descobrimos a verdadeira força dos sentimentos.
Quem ama de verdade aprende que bons e maus tempos fazem parte da mesma história. O amor não é apenas alegria, mas também coragem para permanecer, perdoar e acreditar. No fim, cada dificuldade vencida torna o sentimento ainda mais forte e mais bonito.
No Jardim do Entardecer
No cair da tarde, meu coração desperta como um jardim sedento pela chuva.
As flores inclinam suas pétalas ao vento, esperando o som dos teus passos. Há um perfume que nenhuma estação consegue apagar, porque nasceu no dia em que tua voz
encontrou a minha e fez do
silêncio um lugar de encontro.
Procurei-te entre as sombras das árvores, onde a luz beija a terra antes de desaparecer. Chamei-te pelo nome que só a alma conhece, e o vento levou meu clamor pelos caminhos do jardim. Meus olhos buscavam tua presença como a terra seca espera o orvalho, porque uma única palavra tua vale mais que todos os tesouros escondidos sob o sol.
Se tua voz voltar a atravessar o entardecer, as figueiras florescerão outra vez e os rios cantarão o teu nome. Meu coração correrá ao teu encontro como quem reencontra a própria vida, pois teus passos transformam desertos em pomares e teu olhar faz renascer tudo o que parecia perdido.
Enquanto o dia se despede, permanecerei junto ao portão do jardim, guardando o lugar onde um dia caminhamos. Não deixarei que a esperança adormeça, porque sei que o Amado visita aqueles que o esperam.
E quando tua voz romper o silêncio da tarde, saberei que o jardim nunca deixou de ser teu...
apenas aguardava o dia do nosso reencontro.
Encontrei a flor do jardim,
A mais bela que eu já vi,
Meu coração reacendeu em fogo
Quando teus olhos brilharam pra mim.
Teu beijo é névoa constante,
Que cobre a alma devagar,
Um toque doce e distante
Que me faz querer ficar.
E mesmo quando a noite cai,
Teu perfume ainda vem me encontrar,
Como um sonho que nunca se vai,
Como um amor que nasceu pra durar.
MANDACARUS DO MEU JARDIM
Agilson Cerqueira
Quando o mandacaru floresce,
Todos nós ficamos cheios de alegria,
Pois há poesia no nordeste.
É uma flor de um dia,
Mas é a certeza da beleza por um dia!
A flor do mandacaru
Desafia a todos por um sorriso,
Ainda que seja timido,
Pois, o mandacaru em flor,
É a flor da alegria, com sua flor de um dia.
Os mandacarus do meu jardim
Vão florescer por mais dias,
Não sei se sorrirei,
Mas os mandacarus do meu jardim
Vão florescer por mais tempo,
Aguardando o meu
Tempo de sorrir!
*Jardim Sem Volta*
As rosas colhidas
não encantam o beija-flor.
Perfume em vaso é exílio,
beleza sem sabor.
Meu jardim não mais floriu
pra que ele voltasse.
Calei a primavera em mim,
Bateu assa, sumiu no vento, sem rancor.
Beija-flor não pousa em dor,
nem bebe de flor cortada,
só de haste enraizada.
Agora entendo a lei cruel:
quem colhe o encanto por querer prender,
vê o encanto ir embora.
E o jardim? Só aprende a florescer
quando deixa de ser espera
e vira morada.
(Saul Beleza)
