Textos de Jardim
O Jardim dos Nossos Encontros
Hoje acordei contigo, lembro de agradecer e me entregar a Ti, Senhor.
Antes que eu despertasse para o dia,
Tu já velavas por mim.
Antes que eu pronunciasse qualquer palavra,
teu amor já me sustentava.
Por isso agradeço.
Faço planos para o caminho,
mas descanso o coração,
pois aprendi que os teus pensamentos são mais altos que os meus
e que teus caminhos sempre me conduzem ao que é melhor.
Durante o dia, Tu caminhas comigo.
Nas tarefas simples,
nas alegrias discretas,
nas lutas que ninguém vê.
E, quando a noite chega,
descanso em teus braços,
certo de que continuas cuidando de tudo.
Nossos encontros são passeios pelo jardim.
Ali o tempo perde a pressa.
Caminhamos entre árvores e flores,
ouvindo os pássaros cantarem louvores ao Criador.
O vento suave atravessa os caminhos,
e tua voz encontra abrigo no silêncio da minha alma.
Às margens da fonte,
vejo o reflexo do meu rosto sobre o brilho das águas
e me recordo de quem sou:
obra das tuas mãos,
alvo da tua graça,
filho do teu amor.
Nossas conversas são como água fresca para a alma sedenta,
como sombra em um dia de calor,
como brisa que acalma o coração cansado.
Então seguimos caminhando,
pelos montes e pelos vales,
sem ansiedade,
sem medo,
porque tua presença transforma qualquer caminho em lar.
E quanto mais caminho contigo,
mais compreendo que a verdadeira paz
não é a ausência das tempestades,
mas a certeza de que nunca caminho sozinho.
Por isso continuo contando os dias.
Não porque estejas distante,
mas porque aguardo o grande encontro,
quando toda lágrima será enxugada
e caminharemos para sempre
no jardim restaurado da tua presença.
Até lá,
cada amanhecer será um reencontro,
cada oração será uma caminhada,
e cada passo ao teu lado será uma lembrança
de que a eternidade já começou no coração
daquele que aprende a andar com Deus.
Cuide do seu coração como quem rega um jardim que ainda acredita na primavera.
Deixe o perdão abrir espaço onde a dor insistiu em ficar. Abra as janelas da alma para que a luz encontre o caminho de volta.
Escolha pensamentos que façam bem, acolha com ternura o que você sente e tenha paciência com aquilo que ainda está aprendendo a florescer dentro de você.
Edna de Andrade @coisasqueeusei.edna
Se eu morrer de amor, não chorem por mim. Diga apenas que encontrei no teu sorriso o meu jardim.
Que vivi cada instante como quem toca o céu, guardando teu nome em silêncio nas páginas do destino meu.
Se eu morrer de amor, que seja em teus braços, perdido no calor dos teus olhos e na paz dos teus abraços...estou escrevendo...ele não co segue esperar...porque aqui estou, sem medo de me entregar, sabendo que uma vida inteira ainda seria pouco para te amar...e se o amor for meu último suspiro, que o vento possa contar: que morri feliz, por ter aprendido a amar. ❤️
DeBrunoParaCarla
A gente estava lá
éramos um jardim recheado de suores
de entranhas vencidas
de focos apaixonados
éramos sim pseudos donos da vida
inebriantes, perfumes raros
pardos corações entrelaçados
nós, namorados
entretanto, entre tantos desejos, fez-se noturno
as placas sumiram
foram-se os nós
ficamos a sós
diante das dúvidas e falsas previsões
poucas emoções
quando não dá certo
melhor esquecer
perder?
mas como lembrar de esquecer
quando se chama, quando se quer
quando pelo nome a alma grita
quando pelo cheiro vem a saudade
ao lembrar, melhor à dor...
*“Uma flor no jardim chamado céu”*
És tu, delicada como o amanhecer que toca devagar as janelas da alma.
No infinito jardim chamado céu, florescer, entre estrelas silenciosas, como quem nasceu do próprio brilho da lua e aprendeu com o vento a amar.
Teu olhar tem perfume de primavera, teu sorriso acalma tempestades, e quando tua voz encontra a minha, o mundo inteiro parece caber
num simples instante de paz.
Se o céu cultiva as mais belas flores, foi porque sonhou contigo primeiro.
E eu, mero viajante do amor,
te admiro em silêncio,
como quem contempla
a mais rara flor no jardim eterno do universo.
Venho do jardim da babilônia para ver os teus sorrisos e transformar a tua vida pelo que trago para você, muita experiência, carinho e infinitamente um amor verdadeiro;
Eu vi o tempo passar e busquei a felicidade para compartilhar com você que tanto amo e tanto quero para lhe honrar e dignificar;
Queria ser rico e te dar a lua... Para você ter um jardim florido de estrelas;
Mas como eu não sou rico, a minha escolha é de lhe dar o meu coração, transbordado de sentimentos que poucos reparavam que se tratava de paixão;
Mas hoje, venho lhe desejar uma noite imensuravelmente maravilhosa e sonhos que me lembre à você, recitando-te carinhos verdadeiros;
E no silêncio da noite quero balbuciar em teus ouvidos segredos que a faca sorrir e que confunda com um início de uma relação...
Quando na verdade sempre se tratou sobre o nosso coração;
Jardim de Pragas Antigas
Era uma quinta feira normal, fui pra escola como sempre, sentei-me em minha carteira e esperei a aula começar. Tudo estava ocorrendo normal como todos os dias, conversas sem pausa, professores pedindo por respeito e alunos que não fechavam a boca por nada. Até que chegou a aula de sociologia, a professora estava lecionando sobre cultura, e entre uma palavra e outra trouxe o exemplo do carnaval, uma cultura muito forte no Brasil. Quando que do nada percebi os diversos comentários horríveis: ‘O povo que vai pro carnaval deve ir pro inferno’, ‘esse povo da Bahia, que cultua a macumba, é do demônio’. Isso e muito mais foi o que alguns meninos falaram. O clima ficou pesado, senti como se tivesse caído uma tempestade em cima de mim, a umbanda faz parte de mim, e escutar aquilo colocou-me no tão temido inferno que eles acreditam.
Fiquei pensando naqueles meninos, esses atos não são de agora, remetem ao passado, são como ervas daninhas em um jardim florido, mas que apesar de destruir todos os diferentes à sua volta, tem raízes profundas, tão fundas que remetem ao descobrimento das terras que conhecemos hoje. São plantas tão bem estruturadas que não são mortas com qualquer veneno, a cada novo ser que nasce nesse jardim, ele é brutalmente infectado, fazendo-o proferir a mesma praga de seus antecessores. Aqueles que não são contaminados, sofrem com essa praga, combatem-na com toda a sua força, são pessoas que ainda acreditam na salvação desse canteiro. Esses novos seres que nascem, são os únicos que podem acabar com o padrão de contaminação, já que estas plantas jovens têm seus caules mais puros e se olhassem para outro lado, poderiam se agarrar em vegetações firmes, assim seriam livres dessas ervas daninhas.
O silêncio ecoava pelos corredores, era uma quietude que doía e ao mesmo tempo ardia na alma, tudo aquilo estava sem controle, nenhuma palavra vinha para acalmar aquela tempestade, e nem se quer uma tentativa de segurar aquelas pragas. Tudo estava já danificado, eu teria de ser forte, já que ninguém estava lá para arrancar as ervas daninhas. Mas mesmo que calassem-nas, não adiantava mais, raízes profundas não morrem com o corte do caule, devem ser tratadas em essência.
Quando bateu o sinal para finalmente ir para casa, fechei a mochila e fui caminhando para casa. O peso da mochila era gigante, o silêncio amedrontador da escola misturado com todas aquelas ervas daninhas ao meu redor, e aquela tempestade imensa em cima da minha cabeça. Refleti o caminho todo, não sou como eles, pensei, e é isso que importa. Enquanto mergulham em águas turbulentas, eu vivo a minha fé, e caminho por jardins límpidos. Claro, tenho muita vontade de curar suas pragas, mas não sou capaz, só eles próprios podem acabar com um padrão imposto em seu interior. Só sei de uma coisa, algum dia a própria terra em que estão plantadas, cobrará o preço, o inverno chega e só fica quem é verdadeiro e saudável por dentro.
Este feliz
Ah! Minha amada,
Quem resistirá aos teus encantos?
És flor nova posta ao jardim...
Exultante e de beleza sem fim.
Se em mim jaz o meu coração
Já derramado em prantos,
Não me resta consolo
De vê-la acolhida longe de mim.
Muito se alegra quem se apaixona,
É feliz quem hoje te ama.
Fosse eu a tua alegria,
Seria eu mais que este feliz...
Edney Valentim Araújo
Deus proibiu que Adão voltasse ao jardim, no éden todos nós vivemos. Para que paraíso maior que esse onde as árvores crescem e produz fruto por conta própria, onde a chuva cai na estação certa, onde o nascer do sol tem hora marcada em cada canto da Terra, onde o pôr do sol embeleza o azul do céu, onde a água passeia pelo Interior da terra formando minas de águas, grandes e enormes reservas, onde o homem colhe o que planta, onde a essência da palavra percorre a veia de todos que se deixam ser conduzidos por ela. Se o homem não vê o éden, com todas essas maravilhas, vai querer ver o éden aonde?
Sabe o jardim de uma casa? Se vc sair da área do jardim, vc ainda assim continua na sua casa. A diferença é que o jardim tem flores, já dentro da sua casa não. Ou seja, o que Adão tinha disponível e sem esforço, passou a ter que adquirir com sacrifício.
Perturbador e puro
A tua voz ainda é música, ela preenchi,
Se esconder no jardim do talvez foi uma doce mentira de outras próximas vezes,
O intenso é perverso e se deixa escapar quando o impossível repousa,
O tentar desistir apenas ensina "que aquilo que não volta é porque nunca foi seu",
sendo assim, no amor a confiança tem um ritmo perturbador e puro.
Ah, deixa-me entrar nessa alma tua,
Nesse jardim de espinhos e de rosas!
Sei que choraste noites dolorosas
Sozinha, à espera de uma luz que flua.
Foste sempre a que ama e que se entrega,
A que dá tudo e fica com o nada,
Três vezes desposada, e nenhuma amada
Como o teu peito, ardente, o exigia e nega.
E se não fosse assim tão fundo o teu tormento,
Se Apeles não te houvesse ido roubar
Metade do teu ser, do teu alento,
Talvez pudesses hoje, devagar,
Trocar o Veronal por um lamento
Dito em verso, e ficar, só para amar.
O Espinho da Alma
Você olha o jardim e só vê o que fere,
Julga a rosa tão linda por ter proteção.
Aponta o espinho, diz que não tolera,
Mas esquece que a flor não tem má intenção.
É fácil culpar a defesa do outro,
Quando o seu próprio peito é um campo de dor.
Você rasga as pétalas, faz tanto alvoroço,
Mas no fundo, o espinho é o seu próprio temor.
Quem fala mal do espinho da rosa,
Só quer arrancar o que fere por dentro!
Disfarça a ferida, a alma espinhosa,
E joga na flor o seu próprio tormento!
A rosa não ataca, ela só se defende,
Faz parte do ciclo, do jeito que é.
Mas quem tem espinhos na alma não entende,
E tenta cortar pela raiz, pelo pé.
Olhe no espelho, encare a verdade,
A flor não tem culpa da sua tempestade.
Abrace os espinhos que moram em ti,
E deixe a rosa florescer por aí!
Quem fala mal do espinho da rosa,
Só quer arrancar o que fere por dentro!
Disfarça a ferida, a alma espinhosa,
E joga na flor o seu próprio tormento!
Aqui está a poesia e a música que você pediu!
A Flor e o Espelho
A flor encanta, o toque fere,
O dedo aponta, o medo insere.
Critica o espinho que a rosa sustenta,
Esquecendo a dor que na alma aumenta.
Quer podar o outro, arrancar o perigo,
Mas é seu próprio ego seu maior castigo.
O que te espeta no alheio jardim,
É o seu espinho, brotando em mim.
Quem fala mal do espinho da rosa!
Quer arrancar o que em si repousa!
Quer tirar de si, a ponta afiada!
Numa busca em vão, por estrada errada!
O espelho reflete, a mão se recolhe,
O que o peito esconde, o olhar não acolhe.
Aceite a ferida que a flor traz consigo,
Antes que o espinho se torne o abrigo.
Ontem invadiram meus canteiros,
Espezinharam minhas flores,
Partiram todos os vasos
Do meu jardim
Rasgaram minhas vestes
Ultrajaram meu nome,
Alagaram de sangue
Os meus olhos.
Apedrejaram meu rosto
Ainda de menina
Onde resplandeciam quimeras
Numa rua com nome de poeta
Defronte a tanta gente…
E gritaram urros de vitória,
Zombaram,
Rebolando álcool, chapinhando
No sangue da imbecilidade,
Ocos estes crânios de gente.
Hoje bem tentam devastar
No absurdo da existência
As sementes que guardei
Daquele anoitecer
Parido de Primavera.
Mas eles não sonham,
Nunca o fizeram
Eles não podem pensar,
Foi-lhes vedada a lucidez.
Agora tenho tulipas, cravos,
Roseirais, girassóis
E até ervas do campo a crescer
Num coração que continua a bombear
O mesmo sangue outrora profanado
Numa rua com nome de poeta.
Célia Moura, in "Terra de Lavra"
O seu ego joga maus dizeres a minha pessoa que se tornam flores no meu jardim.
Meus sentimentos e pensamentos são uma vasta floresta o sois diante do ecossistema.
Nos valores da moral e a ética ganhamos uma divisão de valores.
O psicológico do ser humano está abalado pelo stress diário e alienação social é um triunfo da tecnologia...
Flores e Cosmos
Flores no jardim,
Sentimentos ao vento frio.
Meros atrozes artificiais...
Portais da imensidão.
Me vejo em teu nu, na vastidão.
Flores que morrem no inverno,
Flores mortas no vaso...
Tantas possibilidades no universo,
Sois a poeira que o vento levou,
Mas a saudade inflamou.
Nos níveis mais profundos estás viva,
Nas obras do destino te encontrei...
Aonde o espaço e o tempo dobram a realidade.
Rosas do galho seco voltam à vida.
Na luz cálida da lua, suas pétalas caem
Sobre o mar remanescente da vida.
No brilho das estrelas, vejo o fogo da sua paixão.
*O Uniforme da Virtude*
O jornal apareceu no meu jardim numa manhã em que eu não estava esperando por notícias.
Não era assinante. Nunca fui muito chegado a jornais, principalmente depois que descobri que as tragédias do mundo chegavam mais rápido pela internet e as mentiras continuavam chegando no mesmo ritmo.
Peguei o jornal pela ponta, como quem recolhe alguma coisa suspeita.
Levei para a varanda.
Sentei na cadeira velha e coloquei os pés sobre o parapeito. O gato estava deitado no degrau. Olhou para mim. Miou.
Parecia perguntar:
— Você vai realmente ler isso?
Não respondi.
Ele se espreguiçou, virou de costas e foi cuidar de assuntos mais importantes. Provavelmente dormir.
Abri o jornal.
Na primeira página havia um cidadão sorrindo.
Era um dos homens que ocupavam um dos cargos eletivos daquela nova cidade. O sorriso tinha aquela medida exata que os fotógrafos gostam. Nem alegria demais, nem preocupação demais. Apenas o suficiente para parecer humano.
Ao lado da fotografia, um título falava sobre dignidade humana.
Li.
O homem defendia respeito, inclusão, empatia, tolerância e todas aquelas palavras que hoje aparecem juntas com a mesma facilidade com que antigamente se escrevia “atenciosamente” no fim de uma carta.
Continuei lendo.
Não havia nada errado com o que ele dizia.
Esse era justamente o problema.
O sujeito tinha aprendido a dizer tudo certo.
Fiquei alguns minutos olhando para o papel.
Pensei que talvez eu estivesse ficando velho demais para certas coisas. Talvez o problema fosse comigo. Talvez fosse apenas implicância de um homem que já viu muita gente falar bonito antes de fazer alguma coisa feia.
Mas então lembrei que tratar alguém com respeito nunca foi o problema.
O problema começa quando a virtude vira uniforme e a consciência passa a usar crachá.
Parei de ler.
O gato voltou.
Sentou ao meu lado.
Olhou para o jornal.
Depois olhou para mim.
— É — eu disse. — Também achei estranho.
Voltei ao texto.
O homem falava sobre uma sociedade mais humana. Era uma boa ideia. Quase bonita.
Só que eu conhecia aquele tipo de discurso.
A cidade continuava cheia de gente que passava por moradores de rua sem enxergá-los. Velhos continuavam conversando sozinhos dentro de apartamentos silenciosos. Crianças aprendiam cedo que certas coisas eram vendidas antes mesmo de serem compreendidas.
E nós continuávamos medindo pessoas.
Pelo salário.
Pela aparência.
Pelos seguidores.
Pela utilidade.
Pela capacidade de nos servir.
Depois chamávamos aquilo de sociedade civilizada.
Talvez fosse por isso que a expressão “politicamente correto” tivesse adquirido tanta importância.
Não porque respeito fosse ruim.
Respeito é necessário.
O problema é quando a palavra passa a substituir o comportamento.
Trocaram a ética pela etiqueta.
É mais fácil.
Etiqueta exige apenas que você saiba onde colocar o garfo.
Ética exige que você saiba onde colocar a própria crueldade.
E isso dá trabalho.
Continuei lendo.
O político falava sobre empatia.
Eu pensei em quantas pessoas conhecia que publicavam frases sobre empatia e não conseguiam ouvir cinco minutos de alguém que discordasse delas.
Era uma coisa curiosa.
A crueldade havia aprendido gramática.
A hipocrisia descobrira o vocabulário da inclusão.
A mentira tinha feito faculdade.
E eu não estava completamente fora disso.
Foi aí que a leitura começou a ficar desagradável.
Porque é fácil apontar o dedo para o sujeito da fotografia.
Mais difícil é olhar para a própria mão.
Eu também já fui injusto.
Já tratei pessoas como inconvenientes porque estavam atrapalhando meu dia.
Já concordei com alguém em público e pensei o contrário em silêncio.
Já me calei diante de uma covardia porque falar custaria alguma coisa.
Já fui educado quando deveria ter sido honesto.
E talvez essa seja uma das formas mais discretas da hipocrisia.
Não mentir para os outros.
Mentir para si mesmo com boas maneiras.
Fechei o jornal.
Fiquei olhando para o jardim.
O gato tinha encontrado uma sombra e dormia dentro dela.
Ele não precisava escrever sobre dignidade.
Não precisava defender ninguém.
Não precisava publicar uma frase bonita.
Se alguém o incomodasse, ele simplesmente iria embora.
Talvez houvesse alguma sabedoria nisso.
A verdadeira decência nunca precisou de cartilha.
Ela aparece quando ninguém está olhando.
Quando você poderia humilhar alguém e decide não fazê-lo.
Quando poderia esmagar e prefere não usar a força.
Quando discorda sem precisar transformar o outro em inimigo.
Quando ninguém está fotografando.
Quando não existe plateia.
Quando não existe recompensa.
Talvez seja aí que começa o caráter.
Todo o resto pode ser teatro.
E o teatro sempre foi um esconderijo confortável para quem tem medo de ser visto sem maquiagem.
Voltei a abrir o jornal.
A fotografia continuava ali.
O sorriso também.
Pensei que talvez o homem da fotografia acreditasse sinceramente no que havia escrito.
Isso também me incomodou.
Porque seria mais fácil se ele fosse apenas um canalha.
Mas ninguém é apenas uma coisa.
Nem eu.
Nem ele.
Nem o sujeito que fala sobre moral enquanto pisa no outro.
Talvez o maior escândalo do nosso tempo não seja a existência de pessoas ruins.
Elas sempre existiram.
O problema é outro.
Aprendemos a vestir a roupa da virtude.
Aprendemos quais palavras provocam aplausos.
Aprendemos quais indignações rendem aprovação.
Aprendemos a parecer bons.
E, em algum momento, esquecemos de perguntar se ainda somos.
Olhei novamente para o gato.
Ele abriu um olho.
— Você tem alguma opinião sobre isso?
Ele fechou o olho.
Justo.
Talvez a humanidade pudesse aprender alguma coisa com os animais.
Eles não costumam fingir que são melhores do que são.
Nós fazemos o contrário.
Construímos discursos para esconder nossos dentes.
Chamamos isso de civilização.
Chamamos de progresso.
Chamamos de consciência.
Às vezes, talvez seja apenas medo de admitir que continuamos sendo animais assustados, egoístas e famintos por aprovação.
A diferença é que agora sabemos escrever sobre isso.
E escrever bem sobre humanidade não torna ninguém humano.
Fechei o jornal de vez.
Coloquei-o sobre a mesa.
O gato continuava dormindo.
Fiquei ali, olhando para ele e pensando que talvez eu tivesse passado a manhã inteira procurando hipocrisia nos outros para não precisar encontrá-la em mim.
Essa foi a parte que mais me incomodou.
Porque a consciência também sabe usar uniforme.
E, quando quer, sabe até sorrir para a fotografia.
Companheira
Tu és a flor mais linda do jardim de Deus.
Isto tudo se comprova, no meio dos teus.
Mulher dedicada,
Digna de ser amada.
Não somente por sua dedicação
Mas sim pelo amor dentro deste coração.
Companheira e grande amiga
Sempre juntos achamos saída.
Seja na hora da luta e dificuldade
Vencemos unindo forças e vontade.
Nós e as Flores 🌹
Se o amor fosse jardim, o nosso teria seu nome.
Você seria a rosa que desabrocha devagar,
e eu o sol teimoso que insiste em te aquecer
até a noite virar dia no seu olhar.
A gente briga igual chuva de verão:
molha, bagunça, mas faz florir depois.
A gente se perdoa igual perfume:
chega quieto e fica na pele um do outro.
Me dá sua mão que eu planto promessas.
Me dá seu tempo que eu cuido das pétalas.
Pra gente ser casa, ser colo, ser chão...
e todo dia, escolher se regar.
Porque nós dois, amor,
somos raiz e flor no mesmo vaso.
Um sentimento avassalador é como um jardim em plena primavera. Cada batida é um florescer, uma nova cor que se revela e uma fragrância doce que permeia o ar. Quando alguém se apaixona, o mundo parece se transformar; as cores ficam mais vivas, os sons mais melodiosos e até o ar parece mais leve.
Esse estado de alma não conhece barreiras. Ele é corajoso, disposto a enfrentar qualquer tempestade, pois sabe que, ao final, haverá um arco-íris de emoções esperando. Ele se entrega de corpo e alma, sem reservas, porque acredita no poder transformador do amor.
A paixão traz um brilho novo ao olhar e um sorriso constante aos lábios. Cada encontro é aguardado com ansiedade, e cada despedida deixa um vazio que só o reencontro pode preencher. O apaixonado vive intensamente, aproveitando cada segundo como se fosse o último, saboreando cada momento compartilhado, cada palavra sussurrada.
Na serenidade da noite, quando o mundo parece se aquietar, o apaixonado se perde em sonhos, revivendo cada detalhe do toque amado, da voz querida. O peito bate forte, ora acelerado, ora suave, ao ritmo das lembranças e das expectativas.
Esse sentimento é, acima de tudo, esperançoso. Acredita no amor e na possibilidade de um futuro juntos, não importa quão incerto possa parecer. Encontra força nas pequenas coisas, nas promessas sussurradas ao pé do ouvido, nos gestos silenciosos de carinho.
A paixão é um mistério belo e complexo, capaz de suportar dores imensas, mas também de experimentar uma felicidade avassaladora. Em sua essência, ser apaixonado é a expressão mais pura e intensa do ser humano, um testemunho da capacidade infinita de amar e ser amado.
