J.K.A.L
Desculpe meus erros ortográficos.
É que eu ainda estou aprendendo a escrever e já quero saber ler.
Desculpe se sou meio desengonçado.
É que eu ainda não sei me sentar direito e já quero ficar de pé.
Desculpe se estou cansado.
É que ainda estou aprendendo a caminhar e já quero correr.
Aprendi que o tempo passa depressa e que a nossa vida é um fio.
E esse fio, entrelaçado a tantos outros fios, forma a teia da nossa existência.
Mas o tempo não espera.
E amanhã, quem sabe, talvez eu já não esteja aqui.
Por isso, me desculpe se tenho pressa.
É que, no fundo, tenho medo de passar a vida inteira aprendendo a viver e não ter tempo de viver tudo aquilo que aprendi.
O ÔNIBUS
Me sinto perdido no fundo deste ônibus, sem saber para onde ele vai. Acho que passei da minha parada e, agora, já nem sei onde quero estar.
Olho pela janela, mas não reconheço nada ao meu redor. Não desço, porque sinto que aqui dentro existem várias pessoas iguais a mim, que também não sabem onde estão indo e simplesmente deixam o condutor nos guiar.
Talvez tenhamos medo de descer, de ficar sozinhos, de precisar escolher uma direção sem saber se estamos no caminho certo.
E assim seguimos viagem, esperando que o condutor nos leve a algum lugar.
Mas, às vezes, fico pensando: será que estamos realmente perdidos ou apenas temos medo de assumir o controle da nossa própria viagem?
Talvez o mais assustador não seja estar perdido dentro de um ônibus, mas perceber que podemos descer a qualquer momento e, ainda assim, escolher continuar nele.
Ó, saudade leviana, que chega assim, do nada, sem se explicar.
Que entra rasgando meu peito de uma forma diferente. Só que quem já passou por isso sabe o quanto é difícil segurar.
Saudade com S maiúsculo, do tamanho do mundo, que insiste em não me deixar.
Mas, quando vier, traga boas lembranças, daquelas que me dão esperança e me fazem querer continuar.
Me sinto como um jardim sem flores.
O mais esquisito é que esse jardim já foi florido um dia.
Já teve cores, perfumes e vida.
Mas depois que você se foi, percebi que alguma coisa mudou.
O jardim continua no mesmo lugar,
mas já não é o mesmo.
E talvez o mais difícil não seja olhar para as flores que morreram,
mas lembrar de como era bonito quando elas estavam aqui.
