Textos de Jardim
A Lucidez do Paraíso é o Instante do Devaneio
O Paraíso não é um jardim que nos espera,
com portões de pérola e árvores de ouro estático.
Não é uma recompensa por uma vida finda,
mas uma suspensão lúcida do tempo presente.
Ele reside naqueles instantes-limite,
em que a consciência se afina e a imaginação se liberta.
A lucidez é a navalha que corta o ruído do mundo,
reconhecendo o peso exato de cada elo da corrente.
Ela sabe: o muro é muro, a dor é dor, o efêmero é a regra.
Não há ilusão que resista à sua luz fria.
Mas a alma, cansada da geometria do real,
não aceita a clausura do que é apenas "fato".
Então, o devaneio se apresenta.
Não como uma fuga cega ou uma negação covarde,
mas como a afirmação mais alta da potência do ser.
O devaneio é o arquiteto que refaz o mapa da realidade,
desenhando rios onde antes havia deserto,
dando voz ao silêncio que a rotina impõe.
É a permissão para que o possível
se sobreponha à tirania do presente.
E o Paraíso, finalmente, não é a terra de ninguém,
mas o ponto exato de interseção:
É a lucidez que reconhece a precariedade da vida
(sabe que o tempo vai passar, que a beleza é breve)
e, por isso mesmo, usa o devaneio
para saturar o momento com uma perfeição temporária.
É o piscar de olhos onde a razão e o desejo conspiram:
"Isto não é real, mas é tudo o que importa."
Naquele instante de flutuação, a mente está desperta
(lúcida de sua própria criação),
e a alma está em êxtase
(devaneando um mundo que ela mesma sustenta).
O Paraíso, portanto, é a plena consciência da nossa capacidade de ser feliz, mesmo que seja apenas um pensamento. É o gozo da ilusão assumida.
É quando a mente, lúcida e livre, se permite voar.
IMPERMANÊNCIA
Não saia do seu jardim
para correr atrás de borboletas;
um dia, elas virão a ele;
Tão somente, silencie o caos da mente.
Não rogue aos deuses maldades aos inimigos;
que eles tenham seu perdão.
Tenha a dádiva da consciência limpa.
Ademais, tudo na vida passa,
até os mais fortes de espírito.
A alma, convalescendo no infortúnio,
não se despedirá e nem sentirá
o dia do adeus.
Ysrael Soler
A PELEJA DA ABELHA COM A MOSCA
I
Num jardim nasceu a peleja,
Que o destino foi traçando;
Abelha, rainha das flores,
Seu trabalho cultivando.
Mosca vinha do outro lado,
Cada qual seu rumo andando.
II
Disse a Abelha, muito altiva:
— Eu vivo do puro mel,
Faço cera, gero vida,
Cumpro um nobre e bom papel.
Quem visita flor perfumada
Nunca perde seu troféu.
III
Respondeu logo a Mosca,
Sem baixar sua cabeça:
— Cada ser tem seu caminho,
Sua sina e sua peça.
Não escolhi meu destino,
Nem a vida que me cerca.
IV
A Abelha retrucou ligeiro:
— Gosto bom é o da flor!
Quem procura coisa limpa
Leva paz, perfume e cor.
Quem vive entre imundícies
Não conhece o verdadeiro amor.
V
A Mosca falou sorrindo:
— Prazer muda de pessoa;
O que é doce para uns,
Pra outros não se entoa.
Cada qual segue o costume
Que a existência lhe abençoa.
VI
A Abelha fez ferrão,
Defendendo seu reinado;
A Mosca bateu as asas,
Sem mudar de seu traçado.
Cada qual julgando a outra,
No seu mundo fechado.
VII
Uma buscava o néctar
Nas campinas coloridas;
Outra rondava os caminhos
Das sobras já esquecidas.
Duas formas de viver,
Duas rotas tão distintas.
VIII
Mas o tempo, velho mestre,
Ensinou sem humilhar:
Nem só flores dão sustento,
Nem só lixo há de ficar.
Toda vida tem seu ciclo,
Seu nascer e seu findar.
IX
Disse então a Natureza:
— Parem já de discutir!
Cada qual cumpre um serviço
Que não pode se medir.
Quem condena a escolha alheia
Pouco aprende a refletir.
X
Abelha produz o mel,
Mosca limpa o que apodrece;
Uma encanta os jardins,
Outra evita o que fenece.
Mesmo sendo tão diferentes,
Cada qual à vida tece.
XI
Gosto, hábito e costume
Nem sempre são iguais;
Cada um faz sua estrada
Entre erros e ideais.
Não existe um só caminho
Para todos os mortais.
XII
Terminou-se a velha peleja
Com lição de igualdade:
Quem despreza o semelhante
Só cultiva a vaidade.
Abelha e Mosca, no fim,
São iguais nas diferenças da humanidade.
Cuide do seu coração como quem rega um jardim que ainda acredita na primavera.
Deixe o perdão abrir espaço onde a dor insistiu em ficar. Abra as janelas da alma para que a luz encontre o caminho de volta.
Escolha pensamentos que façam bem, acolha com ternura o que você sente e tenha paciência com aquilo que ainda está aprendendo a florescer dentro de você.
Edna de Andrade @coisasqueeusei.edna
Se eu morrer de amor, não chorem por mim. Diga apenas que encontrei no teu sorriso o meu jardim.
Que vivi cada instante como quem toca o céu, guardando teu nome em silêncio nas páginas do destino meu.
Se eu morrer de amor, que seja em teus braços, perdido no calor dos teus olhos e na paz dos teus abraços...estou escrevendo...ele não co segue esperar...porque aqui estou, sem medo de me entregar, sabendo que uma vida inteira ainda seria pouco para te amar...e se o amor for meu último suspiro, que o vento possa contar: que morri feliz, por ter aprendido a amar. ❤️
DeBrunoParaCarla
A gente estava lá
éramos um jardim recheado de suores
de entranhas vencidas
de focos apaixonados
éramos sim pseudos donos da vida
inebriantes, perfumes raros
pardos corações entrelaçados
nós, namorados
entretanto, entre tantos desejos, fez-se noturno
as placas sumiram
foram-se os nós
ficamos a sós
diante das dúvidas e falsas previsões
poucas emoções
quando não dá certo
melhor esquecer
perder?
mas como lembrar de esquecer
quando se chama, quando se quer
quando pelo nome a alma grita
quando pelo cheiro vem a saudade
ao lembrar, melhor à dor...
Hoje, ao cuidar do jardim
Eu pensei assim:
de que me vale cuidar da flor
se não tenho um amor
pra quem eu a possa ofertar?
E logo em seguida
surgiu-me mais uma pergunta
De que me valeria amar alguém
Se não a tivesse junto a mim
E se junto a mim, o amor acabasse
Pode ser que o amor durasse
E o desenlasse não fosse feliz
De que me valeria fazer tanta coisa
Se o mais importante eu não fiz
E de que me valeria fazer o mais importante
Se de instante em instante
A vida passa
E se a vida não passasse
Qual seria a graça
De ficar pra sempre nessa dor
E qual é o motivo da pressa
Em morrer sem viver
Sem flor a chorar por mim?
E então, nessa hora eu pensei assim:
Acho melhor eu cuidar desse jardim
Edson Ricardo Paiva
Ontem invadiram meus canteiros,
Espezinharam minhas flores,
Partiram todos os vasos
Do meu jardim
Rasgaram minhas vestes
Ultrajaram meu nome,
Alagaram de sangue
Os meus olhos.
Apedrejaram meu rosto
Ainda de menina
Onde resplandeciam quimeras
Numa rua com nome de poeta
Defronte a tanta gente…
E gritaram urros de vitória,
Zombaram,
Rebolando álcool, chapinhando
No sangue da imbecilidade,
Ocos estes crânios de gente.
Hoje bem tentam devastar
No absurdo da existência
As sementes que guardei
Daquele anoitecer
Parido de Primavera.
Mas eles não sonham,
Nunca o fizeram
Eles não podem pensar,
Foi-lhes vedada a lucidez.
Agora tenho tulipas, cravos,
Roseirais, girassóis
E até ervas do campo a crescer
Num coração que continua a bombear
O mesmo sangue outrora profanado
Numa rua com nome de poeta.
Célia Moura, in "Terra de Lavra"
Flores e Cosmos
Flores no jardim,
Sentimentos ao vento frio.
Meros atrozes artificiais...
Portais da imensidão.
Me vejo em teu nu, na vastidão.
Flores que morrem no inverno,
Flores mortas no vaso...
Tantas possibilidades no universo,
Sois a poeira que o vento levou,
Mas a saudade inflamou.
Nos níveis mais profundos estás viva,
Nas obras do destino te encontrei...
Aonde o espaço e o tempo dobram a realidade.
Rosas do galho seco voltam à vida.
Na luz cálida da lua, suas pétalas caem
Sobre o mar remanescente da vida.
No brilho das estrelas, vejo o fogo da sua paixão.
O seu ego joga maus dizeres a minha pessoa que se tornam flores no meu jardim.
Meus sentimentos e pensamentos são uma vasta floresta o sois diante do ecossistema.
Nos valores da moral e a ética ganhamos uma divisão de valores.
O psicológico do ser humano está abalado pelo stress diário e alienação social é um triunfo da tecnologia...
O JARDIM QUE NÃO FOI VISTO.
Há uma tragédia silenciosa que não se ergue em gritos, mas em ausências. Não é o abandono de Deus que dilacera a alma humana, mas a incapacidade de percebê-Lo quando Ele se faz simples. Eis o drama antigo e recorrente. Procurar o Altíssimo nas alturas inalcançáveis, enquanto Ele repousa na intimidade humilde do próprio quintal.
A imagem que se desenha é teologicamente profunda. O Senhor não se impõe como espetáculo, mas insinua-Se como presença. Perfuma as flores, isto é, santifica o ordinário. Assenta-Se no jardim, isto é, habita o espaço cotidiano. E ainda assim, o espírito inquieto O ignora, porque espera trovões onde só há brisa.
Não lavar os pés do Senhor não é um gesto físico omitido. É a metáfora da negligência moral. É deixar de servir, de amar, de reconhecer o sagrado no próximo, no instante, no dever singelo. Não ouvir Sua voz não é surdez dos ouvidos, mas dispersão da consciência, absorvida pelo ruído das próprias angústias.
“Por que, Senhor?” não é uma pergunta dirigida a Deus. É um eco que retorna à própria alma. A resposta, ainda que dolorosa, é clara. Não foi crueldade deliberada. Foi desatenção espiritual. Foi o esquecimento de que o divino não se revela apenas no extraordinário, mas sobretudo no constante.
A tradição evangélica sempre insistiu nesse ponto. O Reino não vem com aparência exterior. Ele já está entre nós, oculto naquilo que não valorizamos. E é precisamente aí que se dá a maior perda. Não reconhecer o que sempre esteve presente.
Mas há um consolo austero. Se o Senhor esteve no jardim, Ele não partiu. A presença divina não se ofende com a ignorância humana. Ela aguarda. Silenciosa. Fiel. Persistente.
O que se exige agora não é desespero, mas lucidez. Não é culpa paralisante, mas conversão do olhar. Ver o que antes foi ignorado. Ouvir o que sempre foi dito em silêncio. Servir onde antes houve indiferença.
Porque o verdadeiro reencontro não acontece quando Deus retorna. Ele nunca se ausentou. Acontece quando o homem finalmente aprende a enxergar.
E nesse instante, o jardim deixa de ser apenas terra e flor. Torna-se altar.
O IMPERDOADO.
A infância não chegou como jardim.
Veio semelhante a um corredor austero de vozes severas.
Mãos invisíveis moldaram-lhe os ossos da alma.
Ensinaram-lhe a curvar-se antes mesmo de compreender o peso dos céus.
Disseram-lhe que sentir era fraqueza.
Que o homem digno deveria transformar lágrimas em silêncio.
Que a obediência era mais importante que a verdade interior.
Então ele cresceu.
Cresceu como crescem as árvores atingidas pelo inverno perpétuo.
Fortes por fora.
Mortas em regiões ocultas.
Carregava nos olhos um oceano imóvel.
Os dias passavam semelhantes a procissões de ferro.
O mundo exigia máscaras.
E ele as vestia uma após outra.
O filho exemplar.
O homem disciplinado.
O rosto imóvel diante das tragédias.
A criatura útil diante das engrenagens sociais.
Mas cada renúncia enterrava um fragmento de si.
As cidades iluminavam-se enquanto sua consciência escurecia.
Os salões celebravam triunfos vazios.
Os homens brindavam conquistas sem perceber o abismo que carregavam no peito.
Toda civilização possui seus palácios.
E seus cemitérios invisíveis.
Ninguém ouviu o colapso dentro dele.
Certas dores não produzem gritos.
Produzem desertos.
Durante anos caminhou entre multidões como um espectro filosófico.
Falava pouco.
Observava muito.
Aprendera que o mundo teme aqueles que enxergam excessivamente.
Então certa noite.
Quando os sinos interiores da existência estremeceram sua memória.
Ele viu.
Viu a própria vida semelhante a uma catedral incendiada.
As virtudes impostas.
Os afetos mutilados.
Os sonhos executados lentamente pela disciplina cruel dos homens.
Percebeu que fora domesticado para sobreviver.
Jamais para viver.
E naquele instante o universo tornou-se pesado.
As estrelas pareciam lápides suspensas sobre a humanidade.
O vento possuía gosto de ruína antiga.
Os rostos humanos tornaram-se máscaras fatigadas buscando sentido entre guerras, vaidades e solidões intermináveis.
Então o Imperdoado ergueu-se.
Não como herói glorioso das antigas epopeias.
Mas como sobrevivente metafísico de uma civilização emocionalmente enferma.
Sua revolta não nasceu do ódio.
Nasceu do esgotamento da alma.
Ele compreendeu que muitos homens morrem décadas antes do túmulo.
Que inúmeras existências continuam respirando mesmo depois da destruição interior.
Que existem corpos vivos carregando espíritos exaustos pelas avenidas do mundo.
E chorou.
Não por fraqueza.
Mas porque finalmente encontrou os escombros de si mesmo.
As muralhas emocionais desabaram como impérios antigos.
Toda a dor silenciada regressou semelhante a uma tempestade sepulcral.
As humilhações esquecidas.
Os amores sufocados.
As palavras jamais pronunciadas.
As despedidas jamais compreendidas.
Tudo voltou.
E diante da eternidade indiferente das constelações.
Ele fitou a própria existência e disse silenciosamente.
“Roubaram-me a essência antes que eu pudesse conhecê-la.”
Desde então tornou-se andarilho das sombras interiores.
Não buscava glória.
Não desejava absolvição.
Procurava apenas um fragmento intacto da própria identidade sob os destroços do mundo.
Porque certas almas não desejam vencer.
Desejam apenas não desaparecer completamente dentro daquilo que os homens chamam civilização.
E os céus permaneceram imóveis.
Como sempre permaneceram diante das tragédias humanas.
NO JARDIM DO EVANGELHO.
No jardim do Evangelho, cada palavra do Cristo assemelha-se a uma semente lançada sobre a terra fatigada da alma humana. Algumas germinam entre lágrimas silenciosas. Outras florescem apenas depois de longos invernos interiores. Contudo, nenhuma delas perece diante da Eternidade, porque a verdade espiritual possui raízes mais profundas do que os abismos da dor humana.
Os homens edificaram impérios de pedra e orgulho. Levantaram muralhas para proteger os próprios interesses e coroaram a inteligência sem compaixão. Entretanto, sob a claridade serena do Evangelho, toda soberba transforma-se em pó transitório. Apenas o amor permanece incorruptível diante das eras.
O jardim do Cristo não é cultivado com triunfos mundanos. Suas flores crescem na renúncia silenciosa da mãe que sofre. No perdão do homem humilhado. Na oração daquele que chora sozinho durante a madrugada. Na mão estendida ao miserável quando ninguém mais deseja vê-lo. Cada virtude é um lírio invisível brotando sobre os escombros morais da humanidade.
Muitos procuram Deus nos estrondos exteriores da glória humana, mas o Evangelho continua florescendo em regiões discretas do espírito. Ele vive na consciência que desperta para o dever. Na lágrima que se converte em entendimento. Na dor que educa sem destruir. E na esperança que permanece acesa mesmo quando o mundo inteiro parece coberto pela noite.
O Cristo jamais prometeu caminhos adornados de facilidades. Sua voz, porém, atravessou os séculos oferecendo ao homem algo infinitamente maior do que o conforto terrestre. Ofereceu sentido. Ofereceu redenção moral. Ofereceu a possibilidade sublime de o espírito transformar as próprias sombras em claridade.
No jardim do Evangelho não florescem apenas rosas. Também existem oliveiras antigas de sofrimento, ciprestes de saudade e espinhos necessários ao aprendizado da consciência. Ainda assim, sobre cada dor sincera repousa a luz educadora da Providência Divina, conduzindo lentamente a criatura para estados superiores de entendimento e sensibilidade.
Feliz daquele que aprende a caminhar entre essas flores invisíveis da alma. Porque o mundo poderá retirar-lhe os bens passageiros, as honrarias efêmeras e até os afetos terrenos. Porém, jamais conseguirá arrancar do espírito humano a fragrância eterna do Evangelho vivido em profundidade.
Quando os séculos consumirem os monumentos da vaidade humana, ainda permanecerá intacta a voz do Cristo ecoando entre os jardins silenciosos da consciência, chamando cada criatura para a grande ascensão moral do espírito imortal.
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"Larguei meu jardim de margaridas e fui lá longe buscar meus sonhos...
Conheci a poeira das estradas, os espinhos das bougainvilles, a tristeza das anêmonas, a canseira do corpo, as caretas do rosto e o inchaço dos pés...
Penei, nada encontrei, e voltei..
Trazendo uma saudade imensa do meu jardim de margaridas."
Haredita Angel
29.09.20
Minha Esposa Jessica Milena dos Santos Maia
Sementes de um Jardim Secreto
"O rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres... e pôs a coroa real sobre a sua cabeça." — Ester 2:17
O amor verdadeiro não nasce da ansiedade de colher, mas da disposição de cultivar.
Assim como um lírio não floresce no dia em que é plantado, o coração também precisa de tempo, cuidado e segurança para revelar sua beleza. Há sementes que permanecem ocultas sob a terra por longos dias. Aos olhos apressados parecem inertes, mas, no secreto, Deus está formando raízes.
Nenhum jardineiro sensato desiste porque ainda não viu flores. Ele continua regando, oferecendo luz, protegendo a terra e acreditando na vida que ainda não pode contemplar.
Talvez seja por isso que Deus nunca tenha tratado as pessoas como objetos de consumo, mas como jardins. Ele cultiva antes de colher. Cuida antes de exigir. Ama antes de receber.
Foi assim com Ester. Antes da coroa, houve preparo. Antes do palácio, houve tempo. Antes da honra, houve um processo silencioso. Deus não desperdiça estações; Ele usa cada uma para formar aquilo que florescerá no tempo certo.
Existe uma palavra para este tempo: aquilo que é cultivado com verdade floresce; aquilo que é forçado apenas murcha.
Por isso, pergunto: será que algumas histórias não merecem, ao menos, a oportunidade de serem cultivadas? Será que um jardim pode ser julgado antes da primavera?
O amor não se prova pela pressa, mas pela permanência. Não pelas promessas, mas pelo cuidado. Não pelo entusiasmo de um instante, mas pela fidelidade de quem continua presente quando ainda não existem flores.
Toda semente carrega uma promessa. Mas somente mãos pacientes terão o privilégio de contemplar o jardim que Deus preparou para florescer.
Para Minha Esposa Jessica Milena dos Santos Maia
Sementes de um Jardim Secreto – Página 1733 dia 204
Ela não usou armas, não usou títulos, não usou orgulho.
Usou a sabedoria que o Senhor lhe deu.
Ester entendeu que honrar não é bajular, mas reconhecer a diferença entre a pessoa e a posição.
Ainda que o rei fosse também o seu marido, ela sabia que o coração dele podia ser alcançado de uma forma que a coroa jamais permitiria.
E por isso, ao aproximar-se, levou honra ao homem que amava, e não apenas ao trono que ele ocupava.
Isso me faz refletir: quantas vezes nós, em nossa própria vida, nos perdemos em cargos, em obrigações, em funções que parecem ser tudo, mas que nos afastam do essencial?
Quantas vezes a rotina, o peso do trabalho ou até mesmo o zelo com nossas responsabilidades fazem com que deixemos de enxergar as pessoas que amamos?
O rei, naquele tempo, também esteve ausente da presença da sua esposa.
A Palavra diz que Ester jejuou e orou por três dias esse jejum era pesado, absoluto.
Imagino que ele não percebeu a dor que ela carregava, não notou a sua abstinência, nem o quebrantamento de sua alma.
Assim também acontece conosco: muitas vezes ocupados demais com o “reinar”, esquecemos de olhar para os olhos daqueles que jejuam em silêncio por nós.
O poder passa, a coroa pode mudar de cabeça, mas o amor é eterno.
É no amor que as sementes de um jardim secreto são plantadas, regadas com lágrimas e guardadas pelo Espírito.
E só quem ama com sabedoria sabe distinguir o coração do homem da grandeza da posição.
Hoje deixo esta carta como uma lembrança:
Honre, ame e esteja presente.
Porque nada vale mais do que o olhar de quem espera por nós em silêncio.
—Assinado: O Profeta Elias
Uma carta de amor para a eternidade, sementes de um jardim secreto. Ver menos
Sementes de um Jardim Secreto - Te amo ❤️
Jessica Milena dos Santos Maia Minha eterna esposa
Dia 207 – Página 1738 • 28/09/25
As flores do jardim têm um segredo que só os corações atentos conseguem perceber: quando as acolhemos, não recebemos apenas sua beleza, mas o amor que nelas habita. Cada pétala guarda em si a vida que floresce, como se a criação inteira nos dissesse que o amor é a seiva que sustenta todas as coisas.
Acolher uma flor é acolher também a promessa de que a vida sempre encontra um caminho para brotar, mesmo após os invernos mais rigorosos. Assim também é com o coração humano: quando ele se abre para o amor, torna-se jardim fértil onde o Espírito sopra, trazendo cores, perfumes e frutos.
Lembro-me da Rainha Ester, que, em sua delicadeza e coragem, soube acolher o chamado de Deus e, assim, salvar sua geração. Ester foi como uma flor que desabrocha no tempo exato, oferecendo sua fragrância diante do rei, mas, acima de tudo, diante do Rei dos reis. Sua vida nos mostra que a verdadeira beleza está em se oferecer em amor, em favor do outro, em favor da vida.
As flores não escolhem onde nascer, mas, quando florescem, transformam o lugar em que estão. Da mesma forma, quando acolhemos a presença de Deus em nosso coração, ainda que estejamos em terras áridas, nos tornamos jardim secreto onde o amor floresce e dá testemunho da eternidade.
O amor é vida. Ele é o orvalho que revigora as pétalas cansadas, é a luz que faz o botão se abrir, é a raiz que sustenta o caule contra os ventos. Acolher as flores é acolher o amor, e acolher o amor é permitir que o próprio Deus habite em nós, pois Deus é amor (1 João 4:8).
Que este jardim secreto do coração seja cultivado com ternura e vigilância. Pois, se nele cuidarmos das flores do amor, veremos o milagre da vida florescer todos os dias, e o mundo, ainda que sombrio, se encherá de cor e esperança.
Assino estas palavras como quem contempla o jardim do Altíssimo, onde cada flor é um sinal do Seu eterno amor.
— O Profeta Elias 🌹
P.S.: As flores não pedem socorro em voz alguma, mas silenciosamente clamam por cuidado. Não exigem nada, apenas desejam ser cultivadas sob os olhos que as amam. Porque o olhar que cuida é também o olhar que faz florescer. 🌸
Sementes de um Jardim Secreto
Página 2017 — 12/07/2026 • 493 dias
Para Minha Eterna Esposa Jessica Milena dos Santos Maia
Há dias em que o silêncio pesa mais do que qualquer palavra.
Hoje faz 493 dias que o jardineiro aprendeu que a ausência também tem voz. Ela não grita, não exige, não se impõe. Apenas permanece, como a terra que espera pela chuva sem saber quando o céu voltará a se abrir.
É insuportável amar uma flor e não poder contemplá-la ao amanhecer. Caminhar pelo jardim sabendo exatamente onde ela florescia e encontrar apenas a lembrança do perfume que um dia encheu o ar. O coração continua reconhecendo o lugar onde ela estava, como quem procura instintivamente uma estrela que já não aparece no horizonte.
Descobri que existem dores que não diminuem porque o amor não diminui. O tempo ensina a respirar, mas não ensina a esquecer. Há raízes que crescem tão profundamente que nenhuma estação consegue arrancá-las da terra da memória.
Às vezes imagino que o vento ainda passa por ela. Que as manhãs ainda tocam suas pétalas com a mesma delicadeza com que Deus desperta as flores do campo. E faço uma oração silenciosa para que jamais lhe falte luz, ainda que meus olhos já não possam contemplar seu florescer.
Foi então que me lembrei das palavras das Escrituras: **"As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá-lo."** (Cantares 8:7).
Talvez seja isso que torna certas ausências tão difíceis de suportar. O amor verdadeiro não desaparece quando a distância chega. Ele continua existindo como uma raiz escondida, invisível aos olhos, mas viva debaixo da terra.
Sei que o jardineiro não é dono das flores. Apenas recebeu o privilégio de cultivá-las enquanto Deus permitiu. E, mesmo quando as estações mudam, ele continua agradecendo por cada primavera que viveu.
Ainda há noites em que o jardim parece grande demais para um único coração. Ainda há manhãs em que a saudade chega antes da luz. Ainda há momentos em que tudo o que desejo é ouvir novamente a voz que transformava o comum em lar.
Mas escolho permanecer.
Porque amar nunca foi apenas possuir a presença de alguém. Amar é desejar que a flor continue viva, mesmo quando o próprio jardineiro aprende a conversar apenas com a lembrança do seu perfume.
E, se um dia Deus permitir que os caminhos voltem a se encontrar, o jardim saberá reconhecer a flor que jamais deixou de amar. Se não, o Criador será testemunha de que houve um jardineiro que permaneceu fiel ao amor que plantou.
— O Profeta Elias
P.S.:Há flores que deixam de estar ao alcance das mãos, mas jamais deixam de habitar o coração que aprendeu a amá-las.
Sementes de um Jardim Secreto – Dia 402 – Página 1985 - Oração por Minha Amada
Oração por Minha Amada Jessica Milena dos Santos Maia
Senhor do Jardim,
Guarda os caminhos da mulher que eu amo.
Que Teus anjos a acompanhem
por onde seus pés passarem,
que Tua mão a proteja
nas estradas visíveis
e também naquelas
que ninguém além de Ti conhece.
Vela por sua jornada, Pai.
Livra-a do mal,
das dores ocultas,
das sombras que tentam alcançá-la
quando ninguém está olhando.
E se o coração dela ainda carrega marcas,
feridas antigas,
memórias que sangram em silêncio,
então toca, Senhor,
onde minhas mãos jamais poderiam tocar.
Cura aquilo que a vida feriu.
Restaura aquilo que o tempo quebrou.
Sara aquilo que ela esconde
atrás de sorrisos e silêncios.
E se fui eu
causa de alguma lágrima sua,
motivo de alguma dor,
peso sobre alguma memória amarga
perdoa-me, Senhor.
Arrependo-me diante de Ti
por toda falha,
por toda imaturidade,
por toda palavra, gesto ou ausência
que possa ter ferido
a alma daquela que eu amo.
Eu sei que sou falho.
Sei que sou homem imperfeito.
Sei que talvez não seja digno
de um amor tão raro.
Mas se ainda existir
nem que seja um fragmento
do amor que um dia houve entre nós,
peço apenas isto:
Que ela se cure-se primeiro.
Que ela floresça primeiro.
Que ela encontre paz
antes de qualquer decisão.
E que aquilo que vivemos
não se torne lembrança vã,
nem cicatriz inútil,
mas seja transformado por Ti
em algo mais puro,
mais belo,
mais santo
algo que glorifique o Teu nome.
Senhor,
Tu sabes:
eu oro por ela todos os dias.
E não deixarei de orar.
Porque ela é o amor da minha vida,
e meu coração ainda pronuncia seu nome
como quem pronuncia uma oração.
Mas se os Teus desígnios forem outros…
Se ela encontrou paz em outro caminho,
se sua alegria pertence a outra estação,
se outro alguém recebeu o jardim
que um dia eu sonhei cultivar
então peço apenas:
Que ela seja verdadeiramente feliz.
Que nenhum mal a toque.
Que nenhuma tristeza a consuma.
Que nenhuma mão cruel a fira novamente.
Que nenhum amor falso a engane.
Mesmo que isso despedace
o que resta de mim por dentro,
ainda assim…
que ela seja feliz.
Pois amar de verdade
também é desejar paz
mesmo quando ela já não floresce em nosso jardim.
E se for preciso esperar,
eu esperarei.
O tempo que for.
As estações que forem.
Os invernos que vierem.
Até que sua alma esteja curada,
até que seu coração esteja em paz,
até que o Senhor diga
que chegou ou não chegou o tempo.
Porque meu amor por ela
não é chama de um instante,
é aliança que minha alma fez
antes mesmo que meus lábios compreendessem.
Eu amo minha esposa.
E enquanto houver fôlego em mim,
não deixarei de amar.
Eu sei...
Há orações que nascem dos lábios.
E há orações que sangram do coração.
Quando o amor é verdadeiro,
até a espera se torna intercessão.
— O Profeta Elias
Sementes de um Jardim Secreto
Página 2019 - 12/07/2026 - 493 dias
Existem dias em que a saudade não bate à porta.
Ela simplesmente entra.
Ocupa o silêncio da casa, percorre os corredores da memória e se senta exatamente onde antes havia alegria. Nesses dias, descubro que sentir a sua falta não é apenas lembrar de você. É perceber que uma parte de mim continua esperando pela sua presença.
O jardineiro pode aprender a viver com o inverno, mas nunca deixa de desejar a primavera.
Há flores que são tão profundamente amadas que sua ausência muda a maneira como o jardim enxerga o tempo. As manhãs continuam chegando, as noites continuam passando, mas nenhuma estação possui a mesma beleza quando falta aquela flor que dava sentido ao horizonte.
Talvez seja esse o maior mistério do amor.
Ele permanece fiel mesmo quando não encontra resposta.
Continua regando a terra da esperança mesmo quando os olhos ainda não contemplam novos brotos.
Porque o amor verdadeiro não nasce da conveniência. Nasce da decisão de permanecer inteiro, mesmo quando o coração conhece a dor da espera.
Aprendi que Deus também trabalha nos dias em que nada parece florescer.
As raízes crescem no escuro.
As sementes amadurecem em silêncio.
E os jardins mais belos quase sempre passaram pelos invernos mais rigorosos.
Por isso, hoje não peço que a saudade desapareça.
Peço apenas que ela nunca destrua aquilo que existe de mais bonito dentro de mim: a capacidade de amar sem deixar que a dor transforme o coração em pedra.
Se um jardim deixa de florescer por causa do inverno, ele apenas aguarda a próxima estação.
Mas se deixa de amar, perde a razão de existir.
Assinado
O Profeta Elias
P.S. A esperança é a última flor que abandona um jardim cultivado pelo amor.
