Textos de Jardim

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Bom dia!!!


A vida é um jardim e nós somos as flores que dão vida e embelezam este jardim.


Mas, antes de sermos vida, somos a semente que, para florescer, precisa ser cuidada com muito amor e zelo, pois só assim seremos flores belas e perfumadas, irradiando vida pela vida afora!


É preciso viver e não apenas existir.
É preciso florescer, apesar das condições nem sempre favoráveis, mas florescer sempre, para que o jardim da nossa existência atraia as mais lindas borboletas, pois o Criador nos criou para a vida e vida em plenitude!

Clair de Lune
(Paul Verlaine)

Tua alma é um jardim escolhido
onde andam mascarados e bergamascos
tocando alaúdes e dançando,
meio tristes sob seus disfarces.

Cantando ao tom menor do amor vitorioso
e da vida em tom maior,
eles não parecem crer em sua própria felicidade,
e suas canções se misturam com o luar,

com o tranquilo luar triste e belo,
que faz sonhar os pássaros nas árvores
e chorar de êxtase os jatos d’água,
os grandes jatos d’água esguios entre as mármores.

Jardim de Luz...


Meu jardim, apaixonado jardim
Chegou em minha casa
Vindo de trem de algum lugar
De um rincão ou de uma ribeira sem fim


Dele, brotavam versos
Construindo silenciosas poesias
Como embarcá-lo de volta
Se nem sei onde nasceu e floresceu


Sem cor, sem flor, sábio das coisas do amor
Se admirava com si e as estrelas
Que flutuavam no negro que foi azul


Quantas vozes ouviu em cada morada
Quantas vezes se apaixonou
Se deleitando no arrepio do vento vindo do sul
Nada era longe, nem roça nem céu


Não conhecia geleiras ou fogueiras
Não temia o que sabia e nem o que desconhecia
Era jardim de alma alva
Dessas que floresce luz em sua raiz

O Jardim


Minha vida é como uma rosa que, quando tudo parece dar errado encontra forças para desabrochar.
As pessoas são como borboletas
chegam, pegam um pouco do meu pólen e vão embora com pressa.
Meu sentimento é o jardim onde tudo acontece.
As pessoas entram nele sem saber o que podem causar.
Algumas deixam coisas boas, outras deixam um estrago profundo.
Às vezes fico com marcas que ninguém consegue enxergar.
Mesmo assim continuo tentando cuidar do meu jardim.
Porque apesar de tudo que já aconteceu, eu ainda consigo florescer.
No fim talvez essa seja a minha forma de sobrevive continuar sendo rosa, mesmo depois dos espinhos.

Girassol do meu quintal

Girassol ,meu girassol
girassol do meu jardim
girassol antes tão delicado
Anda um pouco destratado
tanta chuva o deixou prejudicado

girassol gosta de água
não suporta solo seco
mas também tanto aguaceiro
deixou o solo encharcado

Finalmente volta o sol
a beijar pétalas caídas
girassol, pobre coitado
leva tempo a ficar recuperado


Outros botões se abrem
Um pouco fragilizados
mas vem agradecer ao sol
O presente tão esperado !

No quintal volta a alegria
borboletas e abelhinhas
no canteiro vem e vão
pousando de flor em flor
fazendo polinização

by Edite / Junho 2016

O Jardim Interior: Uma Jornada Pessoal de Autoconhecimento e Transformação
(Inspirado por quem vive e aprende a cada instante)


Raízes da Existência
Ao refletir sobre minhas origens, percebo que cada ser abriga um terreno fecundo – um espaço repleto de memórias, emoções e aprendizados, muitos dos quais residem além da consciência imediata.
Não somos meramente os produtos de um passado fixo; somos, simultaneamente, artesãos do presente e do futuro.




Será que as cicatrizes do passado moldam nosso ser de forma irrevogável?


Embora as sombras da história deixem marcas duradouras, cada nova escolha nos permite revisitar e integrar o que foi esquecido – um trabalho contínuo, frequentemente auxiliado por momentos de reflexão (e, por vezes, apoio terapêutico).


Cultivo dos Pensamentos
Imagine a vida como um vasto jardim, onde selecionamos cuidadosamente as sementes a serem lançadas ao solo.
Em momentos íntimos, aprendi que semear afeição, empatia e curiosidade pode transformar relações e abrir novas perspectivas.




Nem toda semente, porém, surge da nossa vontade consciente, pois impulsos e conflitos internos podem emergir de recantos ocultos.


Será que o poder de transformar reside somente na nossa decisão consciente?


A verdade revela que, embora nossas escolhas informadas sejam fundamentais, é igualmente necessário explorar e compreender os aspectos submersos do inconsciente, permitindo que, ao serem integrados, desenhem um caminho mais autêntico.


A Dança com a Incerteza
A natureza ensina que nem todos os ventos sopram em favor dos nossos planos.


Em minha jornada, já me deparei com surpresas que alteraram o curso dos meus dias – momentos em que o inesperado se tornou professor.


Como manter o equilíbrio quando a vida se mostra tão imprevisível?
Ao aceitar a incerteza como parte integrante da existência e ao nos dispor a explorar os recantos desconhecidos do nosso eu, transformamos cada revés em oportunidade de amadurecimento e resiliência.


Renovação e Crescimento
Cada ciclo da natureza é uma lição sobre recomeços. Assim como podar um galho seco permite que novos brotos surjam, reconhecer e trabalhar os conflitos internos é crucial para o crescimento.


Em longas conversas com mentores e em momentos de autoanálise, descobri que até o solo mais infértil pode revelar um potencial surpreendente com o devido cuidado.


Será possível reinventar-se diante das adversidades?


Embora a transformação seja um processo gradual – permeado de recaídas e desafios –, a dedicação à autocompreensão e, quando necessário, o apoio de um terapeuta abrem caminhos para um florescimento verdadeiro.


O Despertar do Cuidador
Mais do que meros espectadores, somos responsáveis por cultivar o nosso universo interior.


Esse reconhecimento implica encarar as resistências e os recônditos do inconsciente, muitas vezes exigindo coragem para buscar auxílio quando necessário.


Como saber o momento certo de tomar as rédeas e, às vezes, pedir apoio?


Quando cada experiência – seja de dor ou de alegria – nos convida à aprendizagem, percebemos que assumir a responsabilidade pelo nosso crescimento é um ato de coragem e autenticidade, que pode florescer melhor com o suporte de quem compreende os meandros da mente.


A Jornada que Transforma
Ao final, somos simultaneamente o jardim, o jardineiro e o próprio ciclo que se renova. A verdadeira beleza da vida reside justamente na complexidade dos nossos ciclos, nos tropeços e nos triunfos que se entrelaçam de maneira surpreendente.


Existe um ponto final para a transformação?


Cada nova estação nos ensina que nosso potencial de mudança é infinito; ao converter desafios em pontes, construímos um futuro pleno e autêntico – uma viagem interior que, como disse Rilke, é a única que realmente vale a pena.


Marco Arawak

⁠No jardim dos sentimentos floresceu,
Um amor nasceu, tão puro e verdadeiro,
Entre risos e olhares, o coração se aqueceu,
Numa dança de ternura, num doce roteiro.

Teus olhos, duas estrelas a brilhar,
Guiam-me pelos caminhos do encanto,
Teu sorriso, um sol a me iluminar,
Em teus braços, encontro meu porto, meu manto.

Como um rio que corre sereno ao mar,
Nosso amor flui, sem pressa, sem fim,
És a melodia que em minha alma faz ecoar,
A canção mais doce, o mais belo jardim.

Em teus abraços encontro meu lar,
Nossos corações em harmonia a pulsar,
Neste eterno presente, neste doce lugar,
Nosso amor floresce, sem jamais cessar.

Raphael Denizart * 08/04/2024 * ReJ

A beleza das Flores

Caminhando por um florido jardim,
Encontrei muita cor e muito encanto,
Deparando-me com um lindo jasmim,
Pouco mais adiante com o amaranto.

Como da natureza sou um amante,
Adoro apreciar os aromas e as cores,
Caminhar pela manhã bem lentamente,
Entre a contagiante beleza das flores.

Poder observar o vai e vem das borboletas,
O revoar dos beija-flores e das abelhas,
Pelas mais lindas pétalas das violetas,
E das belíssimas rosas vermelhas.

Senti-me num lugar por muitos desejado,
Com a aparência de castelo colonial,
A sua volta a coloração do cravo rosado,
E no portão de entrada a coroa imperial.


Du’Art 02/02/2015

Beleza Inigualável

Caminhando pelo jardim da imaginação,
Deparei-me com uma surpresa agradável,
Encontrando com algo de causar emoção,
Estando diante de uma beleza inigualável.

Ao ver as flores sem vento movimentar,
Imaginei que seria fruto da minha mente,
Mas realmente algo veio a me encantar,
Naquele instante percebi algo diferente.

Diante da mais nobre e natural beleza,
Com o brilho reluzente de um diamante,
Mesmo dentro de um sonho tive a certeza,
Que estava diante de uma pessoa elegante.

É maravilhoso poder sonhar e descrever,
Um fato resultante de um pensamento,
Sendo tão maravilhoso poder nos envolver,
Marcando a vida com um lindo sentimento.

Diante de um profundo requinte de beleza,
Vejo a anatomia de seu rosto em harmonia,
Unindo sabedoria com estilo e delicadeza,
Esboçando um lindo corpo em total sintonia.



Du’Art 09/04/2015

No jardim onde todas as flores pareciam conhecer o seu lugar, havia uma Tulipa que gostava de olhar o céu e uma Rosa que tinha medo de deixar alguém se aproximar de seus espinhos.

Elas eram diferentes em quase tudo.

A Tulipa era leve, inquieta, dessas que dançam quando o vento sopra. A Rosa era intensa, perfumada e silenciosa, guardando dentro de si uma delicadeza que poucos conseguiam enxergar.

Foi numa manhã de primavera que se conheceram.

— Você sempre fica tão longe das outras flores — perguntou a Tulipa.

A Rosa sorriu.

— Talvez porque nem todo mundo saiba chegar perto sem machucar.

A Tulipa olhou para os espinhos e respondeu:

— Então eu não vou chegar correndo. Vou chegar devagar.

E foi assim que começou.

Primeiro vieram os olhares. Depois, as conversas ao nascer do sol. A Tulipa contava seus sonhos; a Rosa, seus medos. E, pouco a pouco, aquilo que parecia apenas amizade começou a ganhar outro perfume.

Um dia, a Tulipa perguntou:

— Você não tem medo de se apaixonar por alguém tão diferente de você?

A Rosa respondeu:

— Tenho. Mas tenho mais medo de passar pela vida sem descobrir até onde esse amor poderia florescer.

Naquele instante, o vento passou pelo jardim e espalhou pétalas pelo caminho.

A Tulipa se aproximou.

A Rosa não recuou.

E foi ali, entre pétalas, espinhos e promessas que ninguém ouviu, que duas flores descobriram uma coisa que o jardim inteiro ainda não sabia:

há amores que não precisam ser iguais para pertencerem um ao outro.

A Tulipa não perdeu sua leveza.

A Rosa não perdeu seus espinhos.

Elas apenas aprenderam a cuidar uma da outra exatamente como eram.

E, desde então, quando a primavera chegava, havia duas flores que nunca mais floresciam sozinhas.

Hoje, ao cuidar do jardim
Eu pensei assim:
de que me vale cuidar da flor
se não tenho um amor
pra quem eu a possa ofertar?
E logo em seguida
surgiu-me mais uma pergunta
De que me valeria amar alguém
Se não a tivesse junto a mim
E se junto a mim, o amor acabasse
Pode ser que o amor durasse
E o desenlasse não fosse feliz
De que me valeria fazer tanta coisa
Se o mais importante eu não fiz
E de que me valeria fazer o mais importante
Se de instante em instante
A vida passa
E se a vida não passasse
Qual seria a graça
De ficar pra sempre nessa dor
E qual é o motivo da pressa
Em morrer sem viver
Sem flor a chorar por mim?
E então, nessa hora eu pensei assim:
Acho melhor eu cuidar desse jardim

Edson Ricardo Paiva

Jardim do Amor


No jardim onde as flores ardentes floresciam, com a alma alimentada por histórias em livros que se liam.
A fonte cantava serena, bem no meio do jardim.
Sentada ao banco a pintar, vendo o infinito e o fim, cada pincelada era um suspiro, a cor que ia vibrar, pois ali, em silêncio e arte, sentia o seu amor pulsar.

O JARDIM QUE NÃO FOI VISTO.
Há uma tragédia silenciosa que não se ergue em gritos, mas em ausências. Não é o abandono de Deus que dilacera a alma humana, mas a incapacidade de percebê-Lo quando Ele se faz simples. Eis o drama antigo e recorrente. Procurar o Altíssimo nas alturas inalcançáveis, enquanto Ele repousa na intimidade humilde do próprio quintal.
A imagem que se desenha é teologicamente profunda. O Senhor não se impõe como espetáculo, mas insinua-Se como presença. Perfuma as flores, isto é, santifica o ordinário. Assenta-Se no jardim, isto é, habita o espaço cotidiano. E ainda assim, o espírito inquieto O ignora, porque espera trovões onde só há brisa.
Não lavar os pés do Senhor não é um gesto físico omitido. É a metáfora da negligência moral. É deixar de servir, de amar, de reconhecer o sagrado no próximo, no instante, no dever singelo. Não ouvir Sua voz não é surdez dos ouvidos, mas dispersão da consciência, absorvida pelo ruído das próprias angústias.
“Por que, Senhor?” não é uma pergunta dirigida a Deus. É um eco que retorna à própria alma. A resposta, ainda que dolorosa, é clara. Não foi crueldade deliberada. Foi desatenção espiritual. Foi o esquecimento de que o divino não se revela apenas no extraordinário, mas sobretudo no constante.
A tradição evangélica sempre insistiu nesse ponto. O Reino não vem com aparência exterior. Ele já está entre nós, oculto naquilo que não valorizamos. E é precisamente aí que se dá a maior perda. Não reconhecer o que sempre esteve presente.
Mas há um consolo austero. Se o Senhor esteve no jardim, Ele não partiu. A presença divina não se ofende com a ignorância humana. Ela aguarda. Silenciosa. Fiel. Persistente.
O que se exige agora não é desespero, mas lucidez. Não é culpa paralisante, mas conversão do olhar. Ver o que antes foi ignorado. Ouvir o que sempre foi dito em silêncio. Servir onde antes houve indiferença.
Porque o verdadeiro reencontro não acontece quando Deus retorna. Ele nunca se ausentou. Acontece quando o homem finalmente aprende a enxergar.
E nesse instante, o jardim deixa de ser apenas terra e flor. Torna-se altar.

O IMPERDOADO.
A infância não chegou como jardim.
Veio semelhante a um corredor austero de vozes severas.
Mãos invisíveis moldaram-lhe os ossos da alma.
Ensinaram-lhe a curvar-se antes mesmo de compreender o peso dos céus.
Disseram-lhe que sentir era fraqueza.
Que o homem digno deveria transformar lágrimas em silêncio.
Que a obediência era mais importante que a verdade interior.
Então ele cresceu.
Cresceu como crescem as árvores atingidas pelo inverno perpétuo.
Fortes por fora.
Mortas em regiões ocultas.
Carregava nos olhos um oceano imóvel.
Os dias passavam semelhantes a procissões de ferro.
O mundo exigia máscaras.
E ele as vestia uma após outra.
O filho exemplar.
O homem disciplinado.
O rosto imóvel diante das tragédias.
A criatura útil diante das engrenagens sociais.
Mas cada renúncia enterrava um fragmento de si.
As cidades iluminavam-se enquanto sua consciência escurecia.
Os salões celebravam triunfos vazios.
Os homens brindavam conquistas sem perceber o abismo que carregavam no peito.
Toda civilização possui seus palácios.
E seus cemitérios invisíveis.
Ninguém ouviu o colapso dentro dele.
Certas dores não produzem gritos.
Produzem desertos.
Durante anos caminhou entre multidões como um espectro filosófico.
Falava pouco.
Observava muito.
Aprendera que o mundo teme aqueles que enxergam excessivamente.
Então certa noite.
Quando os sinos interiores da existência estremeceram sua memória.
Ele viu.
Viu a própria vida semelhante a uma catedral incendiada.
As virtudes impostas.
Os afetos mutilados.
Os sonhos executados lentamente pela disciplina cruel dos homens.
Percebeu que fora domesticado para sobreviver.
Jamais para viver.
E naquele instante o universo tornou-se pesado.
As estrelas pareciam lápides suspensas sobre a humanidade.
O vento possuía gosto de ruína antiga.
Os rostos humanos tornaram-se máscaras fatigadas buscando sentido entre guerras, vaidades e solidões intermináveis.
Então o Imperdoado ergueu-se.
Não como herói glorioso das antigas epopeias.
Mas como sobrevivente metafísico de uma civilização emocionalmente enferma.
Sua revolta não nasceu do ódio.
Nasceu do esgotamento da alma.
Ele compreendeu que muitos homens morrem décadas antes do túmulo.
Que inúmeras existências continuam respirando mesmo depois da destruição interior.
Que existem corpos vivos carregando espíritos exaustos pelas avenidas do mundo.
E chorou.
Não por fraqueza.
Mas porque finalmente encontrou os escombros de si mesmo.
As muralhas emocionais desabaram como impérios antigos.
Toda a dor silenciada regressou semelhante a uma tempestade sepulcral.
As humilhações esquecidas.
Os amores sufocados.
As palavras jamais pronunciadas.
As despedidas jamais compreendidas.
Tudo voltou.
E diante da eternidade indiferente das constelações.
Ele fitou a própria existência e disse silenciosamente.
“Roubaram-me a essência antes que eu pudesse conhecê-la.”
Desde então tornou-se andarilho das sombras interiores.
Não buscava glória.
Não desejava absolvição.
Procurava apenas um fragmento intacto da própria identidade sob os destroços do mundo.
Porque certas almas não desejam vencer.
Desejam apenas não desaparecer completamente dentro daquilo que os homens chamam civilização.
E os céus permaneceram imóveis.
Como sempre permaneceram diante das tragédias humanas.

NO JARDIM DO EVANGELHO.
No jardim do Evangelho, cada palavra do Cristo assemelha-se a uma semente lançada sobre a terra fatigada da alma humana. Algumas germinam entre lágrimas silenciosas. Outras florescem apenas depois de longos invernos interiores. Contudo, nenhuma delas perece diante da Eternidade, porque a verdade espiritual possui raízes mais profundas do que os abismos da dor humana.
Os homens edificaram impérios de pedra e orgulho. Levantaram muralhas para proteger os próprios interesses e coroaram a inteligência sem compaixão. Entretanto, sob a claridade serena do Evangelho, toda soberba transforma-se em pó transitório. Apenas o amor permanece incorruptível diante das eras.
O jardim do Cristo não é cultivado com triunfos mundanos. Suas flores crescem na renúncia silenciosa da mãe que sofre. No perdão do homem humilhado. Na oração daquele que chora sozinho durante a madrugada. Na mão estendida ao miserável quando ninguém mais deseja vê-lo. Cada virtude é um lírio invisível brotando sobre os escombros morais da humanidade.
Muitos procuram Deus nos estrondos exteriores da glória humana, mas o Evangelho continua florescendo em regiões discretas do espírito. Ele vive na consciência que desperta para o dever. Na lágrima que se converte em entendimento. Na dor que educa sem destruir. E na esperança que permanece acesa mesmo quando o mundo inteiro parece coberto pela noite.
O Cristo jamais prometeu caminhos adornados de facilidades. Sua voz, porém, atravessou os séculos oferecendo ao homem algo infinitamente maior do que o conforto terrestre. Ofereceu sentido. Ofereceu redenção moral. Ofereceu a possibilidade sublime de o espírito transformar as próprias sombras em claridade.
No jardim do Evangelho não florescem apenas rosas. Também existem oliveiras antigas de sofrimento, ciprestes de saudade e espinhos necessários ao aprendizado da consciência. Ainda assim, sobre cada dor sincera repousa a luz educadora da Providência Divina, conduzindo lentamente a criatura para estados superiores de entendimento e sensibilidade.
Feliz daquele que aprende a caminhar entre essas flores invisíveis da alma. Porque o mundo poderá retirar-lhe os bens passageiros, as honrarias efêmeras e até os afetos terrenos. Porém, jamais conseguirá arrancar do espírito humano a fragrância eterna do Evangelho vivido em profundidade.
Quando os séculos consumirem os monumentos da vaidade humana, ainda permanecerá intacta a voz do Cristo ecoando entre os jardins silenciosos da consciência, chamando cada criatura para a grande ascensão moral do espírito imortal.


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Um menino inocente
Habita um jardim vazio.
O sol já não brilha,
E as estrelas perderam sua luz.


O vento sopra mansamente,
Acariciando os cachos do menino,
Enquanto o silêncio repousa
Sobre aquilo que um dia floresceu.


Mas, em seus olhos,
Ainda amanhece.
E o jardim, esquecido pelo mundo,
Desconhece a luz que abriga.


Talvez o menino não saiba
Da escuridão que o cerca.
Talvez a chama que carrega
Seja a última a se apagar.

Que tua vida seja como jardim regado, florescendo em graça, sabedoria e unção. Que o Senhor te vista com força e dignidade, e que o teu futuro seja cheio de esperança;porque o melhor de Deus ainda está por vir.


“Ainda que os montes se retirem e os outeiros sejam removidos, contudo a minha benignidade não se apartará de ti, nem a aliança da minha paz será removida, diz o Senhor que se compadece de ti.”
(Isaías 54:10)

Flor da minha ilusão


No mesmo instante que eu te conheci,
no jardim daquela praça,
um pé de planta percebi,
que uma Flor desabrochava...


Me deu um sorriso,
senti pulsar o meu coração,
a cidade parecia um paraíso,
quando toquei sua mão...


Hoje passo na mesma praça,
observo o mesmo pé se planta com emoção,
só vejo folhas mais nada
e meus olhos se perdem na multidão...


Momentos bons passam rápido demais,
mas aqueles guardei na recordação,
aquele instante de paz,
com a Flor da Minha ilusão!

Noite de domingo


Era noite de domingo,
no meio do jardim,
vi seus lábios sorrindo
e seus olhos olhando pra mim...


Tentei sair,
lutei pra fugir,
confesso que evitei,
mas me apaixonei...


Agora te observo em nossa cama,
feito um anjo dormindo,
me vem na lembrança,
aquela noite de domingo!

Como punhado de areia, neste lugar meu eu se esvai.


Neste jardim, há singular essência que supre a ausência que havia em mim.


Neste coral, ouço um canto tão encantador que até meu espírito amargo se encantou.


Amei outro amor e, por essa razão, todo meu ser, em choro, sangrou.


Fui navegador de uma solene e triste pintura, sobre a qual um navegador, sem enxergar terra à vista, por um turvo azul navegou.


Mas ouvi um assobio e fiz dele farol, tão visível como um fio de lã vermelha.


Teu cortejo, tão sedutor, fez com que o efeito do canto daquela sereia se dissipasse; nesse momento, meu afeto queima por outro desejo.


Fecho meus olhos sob as estrelas e trago longo suspiro... Sinto o vento como amigo, amigo de velha data, companheiro de ressaca.


E a lua, tão distante, tornou-se íntima amante.


Todos os dias, ao entardecer, vou àquela árvore e como dos frutos dos seus ramos; vejo restaurada minha juventude, imaculada, como a verdade, generosa como a bondade, pura como a inocência.


Torno-me, neste banquete, um com aquela singular essência.


- Miguel Espinoso