Textos de Esquecimento
Te procurei nas lembranças da solidão esquecida
Na esperança de ouvir do teu coração um acalanto
Mas o silêncio foi teu recado amargo
E no vazio fiquei aprisionado em liberdade sem direção.
O tempo ensinou que amar não é sofrer
Que nem sempre o querer faz acontecer
Minha doutrina é amar sem medida
Mesmo que doa, mesmo que fira a vida
E se o destino me fez entender
Que teu desprezo é o meu aprender
Carrego comigo essa lição
Amor não se força, é livre paixão
É egoísmo pensar que segurança é vida.
Quem se tranca no conforto das próprias certezas esquece que viver exige riscos, quedas e renascimentos.
A vida não se alimenta de muralhas — ela respira na beira do precipício, no passo ousado, no erro que vira força.
Proteger-se demais é morrer devagar, sufocado pelo medo de perder.
A segurança absoluta que muitos buscam não passa de uma prisão elegante, cheia de grades invisíveis.
Quem vive assim troca liberdade por estagnação, coragem por rotina, intensidade por silêncio.
A vida só é vida quando pulsa, quando desafia, quando arranha.
E quem entende isso sabe: o verdadeiro perigo não está lá fora, está no hábito confortável de nunca tentar nada novo.
Por que te escondes em páginas esquecidas,
viradas para o lado esquerdo do livro, o que fere inflama se eu não posso ler a tua nobreza estou do lado oposto do livro.
Como se eu não pudesse ler?
Será medo do que ainda dói,
ou sombras de um passado
que preferes não reacender.
Será uma bagagem que deseja recrutar não sei.
Eu sigo adiante, firme,
sem carregar memórias que pesam,
sem revisitar lugares
que nunca me fizeram falta.
Não guardo lembranças doces,
nem saudades que puxem meu corpo
de volta ao que já morri.
O passado não me chama —
e mesmo que chamasse,
eu não voltaria.
Porque a minha verdade está no agora,
e é para frente
que a minha alma aprendeu a caminhar.
Alma leve
Pensamento suave
Coração em paz
de repente a lembrança:
brinquedo esquecido
da criança que eu fui um dia
Sem querer algo me pesa
Uma certa tristeza
Vem sempre junto à saudade
e o tempo prosseguiu fluindo
Nesta vida da gente
Pouca coisa existe realmente
Pensamento é quase tudo
Portanto não vale a pena
Carregar lembranças que entristeçam
Quando a fruta apodrece
A semente germina
Uma coisa termina
Algo mais acontece
Pois nem sempre uma queda
Fatalmente
Quer dizer ruína
A gente pode sempre
Não lançar a pedra
Nem dizer palavra
Mas as coisas prosseguem
Estando aqui e ali
A vida rumando
A caminho de um fim
Talvez tudo simplesmente
Seja nada a caminho de nada
Porém
Ninguém afirmou, sem dúvida nenhuma
Que o nada
Realmente seja isso
Creio
Que talvez seja difícil agora
Olhar a tudo e compreender
Mas prossiga tentando
Intuitivamente a gente sabe
Que não nos cabem certas perguntas
Pois, nem todas elas
Juntas e mescladas
Poderão um dia
Responder a qualquer coisa
Pois a paz tão procurada
Quanto o brinquedo esquecido
Que a lembrança carregou na leve brisa
Continuam sempre lá
Tudo isso um dia a gente vai achar
Escondido nas dobras do tempo
Portanto
Mesmo que não sejam
Aquilo que imaginamos vazio
Precisa ser e estar
em equivalência com o Todo
O tudo e o nada
de forma a permanecerem
Perene e eternamente
Perfeitamente equilibrados
E é nisto que tudo consiste
Universo Perfeito
Alegria demais inexiste
e em contrapartida
nada pode ser assim... tão triste
Edson Ricardo Paiva
Se Deus te permitir esquecer
esqueça-se do sofrimento que te causaram
e sempre que perceber que
lhe foi permitido crescer
faça como as plantas
e cresça em direção à luz
quando te pedirem que fale
se não puder falar bem
então se cale
quando te perceberes
que lhe é dado o direito
ao silêncio
aproveite para refletir
raciocine sobre o quão é bom
não ter a função de acusar,
selecionar, praguejar e maldizer
quando te for permitido ler
leia de tudo, aproveite o que for bom
assim você vai aprender
a afastar teus ouvidos
daquilo que não vale à pena ouvir
e tua boca aprenderá
o quanto é bom dizer coisas
que resultem coisas boas
porque não existem palavras
que se pode dizer à toa
não se compra sabedoria
inteligência é como as flores
que se colhe no dia-a-dia
pense em quanto é bom
poder fazer o mal
e não fazê-lo
Com a medida que permitires
também lhe será permitido.
Edson Ricardo Paiva
Eu
Vivendo minha vida
Num mundo que não é meu
Uma lâmpada
Acendida anteontem
Esquecida
Quando amanheceu
Uma voz rouca e profunda
Fruto
De relação desarmônica
Vendo outros olhos
Que veem
Entendo
Que vendo o que veem
Não enxergam nada
Ou pouco dizem
Creio-lhes eu
Pode ser que sofrendo
Insuficiência verbal aguda
Mudas
Corações moldados
Em rocha intrusiva
Uma relação harmônica
Plutônica erosiva
Crônica, agudizada
Cínica em seu modo
Em desarmonia com o meu
Uma lâmpada acesa lá fora
Cá dentro, um lugar à mesa
Creio eu
Pode ser um dia.
Edson Ricardo Paiva.
Você amará outros homens
e eu serei obrigado a te esquecer
minhas súplicas de amor não foram o suficiente pra te convencer
parece cruel, mas é a vida.
Seu coração sempre foi muito fervente
distante do futuro e do presente
vivendo no intenso ciclo tênue
era essa sua beleza...
Ai de mim se alguma fosse assim
amei-te por culpa de meus pecados
afoguei nas palavras que nunca consegui dizer
supriu vazios de corpos viciados
mas não encontrei felicidade em tua alma
porque só o corpo entende outro corpo
e só Deus pode trazer a calma...
Havia um miúdinho,
sem nome nem passado,
nu, esquecido,
andava sozinho pela rua,
escaldante de tão gelada,
como sombra sem dono.
Tinha um corpo
feito de cortes e pedras,
parecia ter sido mastigado
por calçadas com dentes.
Era um pobre coitado,
seguido sempre
por um cão magro,
tão sofrido,
igual a ele.
Sentavam-se no pedregulho duro
à espera de um fim.
O miúdo, paciente,
esperava que o cão partisse,
descansasse no reino dos cães,
para então poder matá-la —
a fome.
O cão, por sua vez,
até aprendera a contar horas,
de tanto esperar que o miúdo,
vermelho de dor,
fechasse os olhos
e dormisse de vez.
Assim, ele saciaria a fome
com lógica cruel,
mas destino cego.
O cão não ladrava,
e não sabia truques,
era inútil.
O miúdo, por sua vez,
também não sabia nada,
nada lhe ensinaram.
Era inocente,
imprestável,
invisível ao mundo.
Ambos só serviam um ao outro,
à ninguém mais.
Certo momento...
o miúdo, já derrotado,
deitou a cabeça no granito
para poder descansar o seu corpo cansado,
o cão, desesperado,
cravou como os seus dentes podres
no peito nu do miúdo,
com dó e piedade,
pois isso ainda lhe restava.
Mas morreu também,
porque o miúdo,
coitado,
não tinha carne sequer
para alimentar um cão.
Ilusão do tempo.
Ocupa-se com o futuro
e esquece do presente.
Coisas boas passaram.
Olhou para trás — perdeu.
O momento é agora.
A estrela apagou,
mas você viu o brilho?
A religião promete futuro após a morte.
A ciência tenta garantir futuro até a morte.
Adiar o fim
ou correr para o paraíso?
O que vivemos é real?
A realidade é amanhã
ou já foi ontem?
Ah… os planos do amanhã.
Por qual razão você está aqui, agora?
Viver para o futuro
é cegar o presente.
Viver no passado
é enganar-se eternamente.
Há segurança no passado fixo, conhecido.
É confortável.
Mas você está no meio do novo,
do desconhecido.
Desconhecido
inerente à existência.
Onde está sua existência
sem a imputação da mente?
Uma mente que ecoa o passado
e se agarra, esperançosa, ao futuro.
Ilusão do tempo.
Memórias?
Expectativas?
Nunca houve.
Nunca há.
Nunca haverá.
Lembrar.
Prever.
E agora?
Agora
eu só queria dormir.
Paro um pouco neste momento para prestar-te o meu olhar atencioso sem esquecer do devido respeito, admirando cada parte do teu ser, uma mulher cativante, merecedora do meu apreço.
O teu rosto delicado é uma visão muito graciosa com um sorriso acalorado que nem uma linda flor que desabrocha e um brilho amável nos olhos, portanto, um primor incomparável que logo se nota.
Francamente, estás maravilhosa sob este amarelo radiante no tom de um girassol, apresentando um esplendor belo e emocionante como se a essencialidade do sol estivesse visitando esta noite.
A atenção que presto agora a ti, é um gesto de amor a mim mesmo, tendo em vista a sensação agradável que posso sentir ao ponto de ficar profusamente inspirado, então, por teu existir, também ao Senhor, sou grato.
Nunca iremos esquecer desta noite,
finalmente, estamos juntos
neste momento tão esperado,
estás maravilhosa,
adoro este teu perfume,
a maciez da tua boca,
tua pele suave,
a intensidade dos teus olhos,
este teu lindo rosto macio e delicado
e agora que estás nos meus braços,
consigo sentir as batidas do teu coração
num ritmo acelerado
e a tua profunda respiração,
claro, também estou emocionado,
és uma mulher incrível
de um jeito intenso e gracioso,
um corpo tão belo e divino,
um fogo insaciável muito adequado
pra meu desejo audacioso e irresistível,
então, já que o tempo pra nós,está favorável,
desfrutemos deste sentimento recíproco.
A tua companhia é tão prazerosa que a madrugada consegue chegar discretamente, pois esqueço das horas quando estou contigo,
partilhando uma boa conversa,
alguns risos, algumas carícias
sem pressa, usando todo o tempo que for preciso.
Para mim, éss linda, bem humorada e bastante intensa,
por isso que és tão aguardada
nem que seja nos meus pensamentos
com toda tua essência
e ardentes sentimentos.
A soberba
O indivíduo que se vê no cume, se torna arrogante, insensato e insensível. Esquece que a vida é cíclica, e que os ciclos não são uniformes. O sabor da vitória deve ser intenso num dado momento, mas comedido posteriormente. Senão enquanto o soberba comemora de modo exacerbado, seu oponente planeja, executa e vence.
310722
Por que o amor nunca se esquece?
Porque o amor verdadeiro não é apenas memória, é marca. Ele se imprime nos gestos mais simples, nos silêncios cheios de significado, nas músicas que surgem sem aviso e nos cheiros que atravessam o tempo, fazendo o coração reconhecer antes mesmo que a razão consiga explicar.
O amor nunca se esquece porque não habita somente a mente. Ele mora no que fomos enquanto amamos e no que nos tornamos depois disso. Mesmo quando termina, permanece. Às vezes como saudade mansa, às vezes como aprendizado duro, às vezes como um sorriso que aparece sem pedir licença.
Aquilo que tocou a alma não se apaga. O amor não desaparece com o tempo... ele se transforma, muda de forma, mas continua ali, silencioso e eterno, lembrando que houve verdade, entrega e sentimento.
Eu cheguei a pensar tanto por você que quase esqueci de mim.
Perdi-me em mapas de desejo, tracei rotas onde só havia silêncio,
fiz do teu nome um refrão que batia no peito como maré.
Um sentimento louco, desbravado, sem porto nem retorno,
criou jardins onde não havia promessa, acendeu faróis em noites vazias.
A cada passo eu inventava um abrigo, mesmo sabendo que o vento não trazia teu cheiro.
Afinal você não ofereceu nada, e ainda assim me dei inteiro,
como quem planta flores na beira do abismo esperando que cresçam.
Doei-me em versos, em esperas, em pequenas rendições ao teu olhar ausente.
Mas há força no que sobra quando o tempo não chega:
aprendi a colher a minha própria luz, a regar o que pulsa dentro de mim.
Transformei saudade em coragem, silêncio em canção, ausência em caminho.
Hoje guardo o que fui por você como um livro que me ensinou a ler,
e não mais como prisão. O amor que me fez esquecer-me virou lição e ternura.
Com a doçura de quem sabe que merece ser verdadeiro.
Tem caminho que não volta, vai encontrar alguém que se escolheu primeiro,
um coração que ama sem se perder, que oferece afeto sem se anular.
Seguirei amando-me, doce e forte, com a paz de quem se reencontrou.
Olinda no coração
Como poderia esquecer
tuas ruas rumo ao céu,
tua brisa em carrossel,
patrimônio em cordel.
Fostes caminho para holandeses,
abrigo para os portugueses,
e para todos, muitas vezes,
lugar de belos prazeres.
Com palavras te lembrar:
praia, orla, sol e mar,
praças, casas, se hospedar,
ladeiras, igrejas, passear.
Bonecos gigantes de montão
no carnaval de tradição,
Olinda tu és o meu pendão,
também estás no meu coração.
Quem olha para trás vê o passado esquecido.
Um tempo que já não vive em nós, mas permanece vivo na memória dos outros.
O que foi deixado de lado, o que não quisemos carregar, encontra abrigo em lembranças alheias.
O passado não desaparece — ele se transforma em silêncio, em cicatriz, em história contada por quem ainda se lembra.
E é nesse contraste que mora a verdade: aquilo que esquecemos não deixa de existir, apenas muda de dono.
O esquecimento é escolha.
A lembrança é resistência.
E entre os dois, o tempo constrói sua própria justiça.
A palavra de ordem hoje é perseverança. Esqueça o será que vai acontecer? Em cez disso, acredite que já está acontecendo, os sonhos nada mais são que uma seta te direcionando qual rumo tomar para a realidade. A única verdade é que sonhos podem sim torna-se em realidade depende apenas de você em acreditar
Feliz Natal
Fabio Alexandre
Estudante
ABISMO
Demétrio Sena - Magé
É amar esquecido, feito inexistente;
aguardando a centelha de alguma saudade;
crendo numa verdade afetiva sem fundo,
na semente que um dia julguei tornar fértil...
Definhar no meu sonho de ler nos teus olhos
a menor sintonia; um carinho disperso;
não achar um só verso daquele poema
que julguei ter composto em nossa construção...
Um amor dado inteiro sem pedir migalha
começou a sentir a solidão inteira
sob a falha da força que devia ter...
Eu te amo sem fim, entretanto me sinto
encolher feito folha e me desidratar
sem saber me tratar desse abismo profundo...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
“Vive o hoje, acolhe o amanhã.
Mas não te esqueças de que o maior princípio da vida é o amor à família,
um amor que não se mede pelas circunstâncias
nem se fragiliza nas provações que ela atravessa.
Porque é na família, mesmo ferida ou incompleta,
que o ser humano aprende o sentido do cuidado,
da renúncia e da permanência.
Tudo passa: o tempo muda, as dores transformam-se,
mas o amor que se escolhe preservar
torna-se raiz, abrigo e eternidade.”
Furucuto, 2026
