Coleção pessoal de wikney

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"Eu te odeio, mas não por ter me deixado, mas por ter feito ser tão difícil largar.
Te odeio, não pelo ódio em si, mas por ter me feito amar.
Odiá-la é como odiar o ar.
E dia após dia, viver sabendo que posso odiar, mas não posso parar de vivê-la, parar de lhe adorar.
Eu te odeio, pois em cada beijo, em cada abraço, até mesmo no castanho do outono, seus olhos estão lá.
Quando o Sol se põe e a noite vem me abraçar.
Você está lá.
Quando rogo para a escuridão me abandonar e a Lua vem me iluminar.
Eu te odeio, pois até mesmo no brilho dela e na pálida tez, você está lá.
Pela ida eu relevo, posso lhe desculpar, mas essa insistência na permanência, isso não posso perdoar.
Até quando me prostro e me ponho a orar.
Te odeio, e por sobre os céus, odeio ao Deus, por outra de ti, para meu eu egoísta, não criar.
Odeio ele por me fazer amar.
E eu te odeio, não por ter me deixado, mas por ter feito ser tão difícil largar..."

"Amaldiçoar o maldito.
Amar-te, daqui ao infinito.
Eu grito, eu xingo.
Eu finjo.
Eu minto.
Largado na rua, eu rosno, ladro à Lua coisas sem sentido.
Sou o crime, a lei, sou o bandido.
Sou o que rouba o coração, por ter o meu ferido.
É mais fácil te odiar do que admitir: ainda te amo, ainda te preciso.
Difícil admitir que também errei, queria poder fazer voltar tudo o que fora cuspido e dizer o que deveria ter sido dito.
Tudo aquilo.
Que consome, que dentro mata, externalizado, faz vivo.
Cansei de esperar o cupido.
Ser sem alma? Sou; eter, espírito.
Sou a razão e a loucura em uma frase sem sentido.
Será a vida um sonho? Delírio?
Se sim, invejo-os por viver em sonho onde o meu eu sobrevive em um pesadelo infinito.
Sou a linha tortuosa em que Deus ousou ter escrito.
Cansei de olhar-me no espelho e amaldiçoar o maldito..."

"Eu nunca te dei flor, dei amor.
Será que aquela rosa, uma pétala, foi o que faltou?
Eu nunca te dei flor, mas dei amor.
Não lhe recitei, por não ser escritor.
Não lhe cantei, pois não sou cantor.
Fiz-lhe serenata em meus braços, o brilho em meus olhos ao lhe vislumbrar era o trovador.
Cada lágrima, que escorrera quando você se foi, caíram como as pétalas daquela rosa, que jamais lhe encontrou.
O beijo que lhe desnudou a tez foi uma arte abstrata que lhe pintou.
Todo aquele que lhe recita bodas e na noite lhe da flor.
Sinto em dizer-lhe, amor, mas é um enganador.
Sei que Deus me castiga por ser pecador.
Mas o castigo da sua ausência é demais pra alguém que demais amou.
Mas sei o que ao inferno da solidão me condenou.
Por ser extremamente apaixonado por ti, eu falhei, pois lhe dei amor.
Mas nunca te dei flor..."

"Hoje eu vi o diabo e não fiquei surpreso.
Ele me lembrou o quanto roguei ao Deus por seu abraço, seu aconchego.
Recordou-me, também, que ofereci minh'alma para simplesmente olvidar seu cheiro.
Chamou-me tolo por pensar que o inferno é um lago fervente, com enxofre e feio.
Disse me ele: 'O inferno é a memória, a lembrança; o inferno é viver no paraíso do sorriso e no doce do beijo.
O inferno é o veludo da tez, o fervor e o baile dos corpos, a maciez do seio.
O inferno é ter um anjo dos céus nos seus braços e ter de esquecê-lo.
Após isso somente sobreviver, pois sua vida, quando com ele, era vivê-lo.
E eu que sou mau? Indagou-me ele. Foi o seu Deus que criou o sentimento que te mata por dentro.
Sou somente, da vontade d'Ele, um instrumento.'.
E no fim da conversa ele me disse que eu sabia onde encontrá-lo, fitou-me com desprezo.
Sei onde encontrá-lo, e, por bem saber, desfiz-me do espelho..."

"As palavras já chegaram, e o sentimento não veio.
Talvez amá-la seja apenas um sonho de verão, um devaneio.
O que sei? Meu amor não é de veraneio.
Meu joelho ainda se recorda de cada prece, cada oração; minha boca ainda roga por um beijo.
A madrugada ainda me açoita a alma, o vento frio ainda tem seu cheiro.
Vejo sua foto; na memória ainda fantasio-nos um futuro, meu algoz ainda me açoita o peito.
Minhas mãos almejam o aveludar da tez e do sedoso cabelo.
Vultuoso e negro.
Volúpia, meu eu em ti, desejo.
Anseio.
Aconchego.
No taciturno seio.
Se n'outro plano, eu vejo.
Meu reflexo em seus olhos, como em espelho.
A memória me trai, mas de ti não me esqueço.
Recordo-me das juras, das promessas, de cada letra a ti escrita, cada texto.
As palavras já chegaram, e o sentimento não veio.
Talvez amá-la seja apenas um sonho de verão, minha cela, em devaneio..."

"Certa vez, ela me indagou se tudo que escrevo é sobre ela.
Respondi que não, mas tudo tem um pouco dela.
Escrevo sobre as dores, decepções, dos amores, as mazelas.
E sempre reflito; não existiriam amarguras em meus escritos, se ela fosse minha e eu dela.
O que escrevo são gotas, para narrar um oceano, o que sinto é todo um universo, o que pode ser expressado, quirela.
Se a amo, eu a escrevo, e por isso tudo tem um pouco dela.
E é 'Tutto Per Ella'.
Ela transita livremente por meus escritos, enquanto me pego escondido, no amor que sinto, minha eterna cela.
Palavras para umas e outras, paixão a algumas poucas, fé ao Cristo, amor e devoção somente a ela.
Se meus escritos são o céu, o azul é ela.
Se meus escritos são os mares, cada gota é ela.
Se escrevo o Sol, cada raio é ela.
Se escrevo a praia, cada grão de areia é ela.
Se escrevo sobre as árvores, pomares, as flores; é ela, toda folha e cada pétala.
Quando escrevo sobre a morte, percebo: a minha vida é ela.
Certa vez, ela me indagou se tudo que escrevo é sobre ela.
Respondi que não, mas tudo tem um pouco, mas bem pouco, acerca dela..."

"She looked me deep into the eyes.
And lied.
All the words, the promises, lies.
Her kisses, that i believed, were a lie.
Her love, that i loved so much, was a lie.
Everything was a lie.
Her eyes? A lie.
Even every tear, when she said 'I'm sorry' and i said 'Goodbye'.
Her body, the sweat, the whispers, lies.
And in her words, where i dug my grave, my heart lies.
And now i look in the mirror, say to myself 'i can live without her', i know, i lied..."

"Hoje houve mais um daqueles fins de tarde do céu roxo e alaranjado.
Mais um fim de tarde, onde os tons de azul davam tela ao início de um céu estrelado.
Um fim de tarde quase perfeito, amor, se não fosse a ausência de ti ao meu lado.
Tenho certeza que senti seu cheiro, seu toque, até seu abraço.
Maldição minha, jamais ser capaz de sentir teu lábio.
Sei que essa noite não dormirei, pois quando sua ausência recai sobre mim, devaneio por toda madrugada, acordado.
Pena de mim, da falta, amaldiçoado.
De causar pena do próprio Deus, ao diabo.
O tempo passa, as coisas mudam, mas o peito continua apaixonado.
Eu só queria uma única mudança, sei que não poderei tê-la, já é fato consumado.
Então que Deus não me faça lembrá-la nos fins de tarde de céu roxo e alaranjado..."

"É o que faço, amor, eu escrevo.
Para cada sentimento, um verso, e para cada verso, um enlevo.
Sorte sua foi ter me conquistado, não existe trevo.
É o que faço, amor, eu bebo.
Para cada verso, um gole, e a cada gole eu te vejo.
Eu sou ninguém, e quando sou alguém, sou de um todo seu amor, aos céus, agradeço.
Por ser capaz de amar, mesmo ferido, amargurado, ébrio, em devaneio.
Agradeço.
Obrigado, Pai, pela tal dádiva do amor, obrigado pela não correspondência, o rancor, a indiferença, o anseio.
É o que faço, amor, eu escrevo.
Pois quando tu fores de mim, serão minha companhia a solidão, a pena e o tinteiro.
Penso em você o dia inteiro.
Eu queria tanto um abraço, o doce do beijo.
Caso não, que seja somente do abraço o aconchego.
Sem ar eu voo, e mesmo sem mar, em ti, meu amor, eu velejo.
E quando as lágrimas, que afogam minha existência, me permitem enxergar, nem que seja um pouco, amor, acerca de ti, eu escrevo..."

"'Amor, estou morrendo de saudades.'
Ah, meu bem, saudade foi feita pra ser sentida.
O engano foi feito para aperfeiçoar a vida.
Ledo engano deste que há muito lhe ama, achei que você fosse feita pra ser minha.
Infelizmente, meu amor, o seu beijo, seu abraço, a nudez do seu corpo serão incapazes de curar as minhas feridas.
Mas sou grato pela tentativa.
Mas é o seu 'morrer' que me drena a vida.
Sei que não tem inocência, és um todo de malícia.
Lascívia.
Pronta para novamente destruir a minha vida.
Agora vens e me dizes algo que há muito eu queria.
'Amor, estou morrendo de saudades.'
Quisera eu ser capaz de novamente afogar-me em seu poço de leviandades e resolver a minha vida.
Eu sei, você sabe, perdão não cura ferida.
E a saudade, amor, foi feita para ser sentida..."

"Talvez eu já tenha sentido falta, mas nunca saudade.
Sentir falta é ausência, saudade é um futuro não realizado, com nossa metade.
Eu amo tanto aquela mulher, que até evito pensá-la, pois ao fazê-lo, meu peito arde.
Eu achava que só sentiria falta de você no fim de tarde.
Mas olha eu aqui, pela madrugada, lembrando você, minha beldade.
Já disse que te amo, já disse te quero, já disse que almejo você como mãe dos meus filhos, me chame de tolo a sábio, mas nunca covarde.
Dizem que incomensurável é o amor, então por que o meu para ti nada vale?
Meu coração pertence a ti, o desavergonhado, sarnento, algoz deste que lhe escreve, não bate.
Ele ladra, late.
Jogado na rua, tentando apagar toda memória sua, umas e outras rogando-me pragas, “cafajeste”, “traste”.
Deus, que fase!
É uma miríade de sensações, sinto seu cheiro ao vento, o apertar do abraço, te vejo em cada penumbra que envolve meu eu no fim de tarde.
Te sinto em todo perfume, te vejo em todo rosto, que parecem-me ser um todo de sua face.
Sinto você no frio da chuva, e no Sol do meio-dia, que me assola a fronte, também esta la você, minha beldade.
Eu sinto tanto ao lhe sentir, descrever-lhe, escrever-te, que chega a faltar-me ao âmago serenidade.
Amada minha, sinto tanto sua falta, indago-me: Será saudade?"

"É verdade que cicatrizes na vida de um homem vêm e vão.
Uma ferida, um corte, profundo arranhão.
Faz do homem que as obtém mais sábio e, quando criança, mais perto do amadurecimento, da consolidação.
Mas, mesmo quando provectos, não entendemos as cicatrizes do coração e pensamos que fora tudo em vão.
Eu trocaria qualquer ferida em meu corpo por aquela paixão.
Preferiria um corte, um rasgo em minha face, que ter lhe entregue sequer uma única batida de meu coração.
Tolo é o homem feito, a criança é somente ingênua e a esta lhe cabe perdão.
Amaldiçoo cada lembrança que recai sobre mim como chuva do Sul, monção.
Ao nome dela não farei menção.
Ela não merece, mas ela sabe que me tem, o castanho dos olhos de um quase negro, de morena tez, minha perdição.
Queria que viesse e jamais fosse, mas sei que cicatrizes na vida de um homem vêm e vão..."

"Quando sonho contigo, o meu pesadelo é acordar.
Despertar-me de mim, olhar ao meu lado e ver que você não está lá.
Vivendo você, meu pesadelo é amar.
Sim, pois, viver sem quem se ama é o próprio ser amaldiçoar.
Odeio todo sonho, pois eles nos mostram que tudo àquilo que poderíamos viver é impossível alcançar.
Por vezes, parece-me, o próprio Deus priva-me de contigo sonhar.
Ao meu ver, é o mais terrível dos pecados, a felicidade de contigo, mesmo em noutra realidade, almejar.
Hoje sonhei contigo, mas quando desperto, senti todo o meu paraíso, em segundos, desvanear.
Só me recordo os lampejos, um seio, um beijo, o macio aconchego e da tez morena, o aveludar.
Maldição do homem, ter coração e poder amar.
Me amaldiçoa aquele ósculo, que jamais pude lhe dar.
O amor é ópio, é preferível ódio, por ser mais fácil de lidar.
Ter quem se ama, tentá-lo, não importa a gana, é demasiado mais fácil secar o mar.
Cada estrela do céu, por cem vezes e mais uma contar.
O próprio Sol, o invejoso de sua luz, amada minha, se apagar.
Quem sabe até o próprio firmamento despencar.
Hoje eu tive um pesadelo, sonhei que nos amávamos e eu lhe dava um beijo, só pude percebê-lo, ao acordar..."

"Se muito antes de Abraão Ele é, então, muito antes d’Ele eu te amo.
O amor d’Ele por ti é infinito, mas é gota onde o meu é oceano.
Se é pecado amá-la mais que Ele, então, morrerei pecando.
Sou eu, blasfemo, apaixonado e insano.
Se 70 vezes 7 eu devo perdoar o irmão que contra mim peca, então, por 70 vezes 7 e mais uma, seguirei te amando.
Não sei o que escrevo, tampouco o que ando falando.
Não sei o que penso, não sei os pecados que venho cometendo, o quanto ando blasfemando.
Eu me olho no espelho e não me reconheço, mas sei que Ele, o Deus, o criador de minh’alma mater, conhece o meu âmago.
Ao me criar, ele se enganou, achou que eu poderia existir sem minha metade, um meio homem, mas sou um todo de sofrimento; a quem estou enganando?
Ele sabe, sabe, sei que sabe: parei de sorrir, parei de chorar, é só indiferença, Ele sabe que nem mesmo por ela venho orando.
Punição, Pai, sem ser amado, seguir amando.
É como sem ar, continuar respirando.
É como se em meu corpo não houvesse sangue e, ainda assim, meu coração continuasse palpitando.
É como se em meus olhos não houvessem mais lágrimas e, ainda assim, eu continuasse chorando.
Que existência miserável, Pai! Por sobre os céus, eu lhe amaldiçoo, pois tens tudo o que queres e me fizeste um ser de paixão e servidão ao seu mais belo anjo.
Que existência pífia, o homem que olha no espelho e sabe que viver sem aquela mulher é somente existir, definhando.
Se és onipotente, me tire esse amor que, no deserto da solidão, por tanto tempo vem me tentando.
Caso não, tudo bem, continuarei olhando para o chão e o olhar dela imaginando.
Não olharei mais aos céus; de minh’alma não merece nem mais um lampejo, um vislumbre, a ti, Deus Pai, não abrirei meu flanco.
Digo e repito, seja blasfêmia ou não, venho falando.
Se muito antes de Abraão Ele é, então, muito antes d’Ele, meu amor, eu te amo..."

"Eu não tenho talento, só amor.
Não sou poeta, escritor.
Nem músico, trovador.
Só tenho saudades e dor.
Tenho sonhos de contigo e, no pesadelo da sua ausência, horror.
Eu não tenho talento, amor.
Tenho só um coração que bate por ti e, se tivesse um outro e mais um, bateriam por você até quando o universo se for.
Eu não tenho talento, só amor.
Tento ser o que sou por ti, meu amor: a lágrima que lhe banha o rosto; sou de sua face, quando tímida, o rubor.
Sou marinheiro sem porto, sem mar, Arpoador.
Para cada noite fria, para cada tormenta em sua cercania, lhe serei abrigo, lhe serei calor.
Para a sua infelicidade, quando o âmago do seu ser for gris, eu serei cor.
De tudo o que há no mundo, só posso te oferecer amor.
Perdão, minha religião: hei de abster-me, cessarei meu clamor.
Tentando afastar minhas agruras, louca paixão, minha eterna labuta, percebi algo que me causara torpor.
Escrevendo e relendo, jogado ao relento, sofrendo com o vento, percebi que: eu não tenho sequer um único talento, só amor..."

"In the night, i feel the cold, i feel you, and i still alone.
To conquer you, it's just brake my back, to make a couple bones.
Ice heart, heart of stone.
I'm still hearing your voice, even after i turn off the phone.
I love you my queen, before you, i bend my knee, my head are prone.
To have you, i would kill a hundred kings, conquer a thousand thrones.
I don't know what to do, i don't know what you've done.
You vanished, destroied my soul, and gone.
I gaved you shelter, you take it, and leave me without no home.
I begged you, i tried, God knows i've; and now, i'm done.
I fought like a hell, to live in your Paradise, but i realize, i'm not the one.
You have to many kisses, so many hugs, give me some.
And in the night, praying for you, nothing changes, i'm still here, all alone..."

"Você pode o quiser, meu amor, quem não pode sou eu.
Você pode ser de quem quiser, eu não posso, pois sou seu.
Você pode errar o quanto quiser, quem não pode errar sou eu.
Tudo o quanto quiseres um outro alguém pode lhe dar, quem pode me dar o que eu quero é só eu.
Bem da verdade, o que eu quero é você, então é só Deus.
Você pode ser feliz, radiante; tudo o que almejo, parece-me, morreu.
Você pode desfilar sob o Sol, você é luz, é brilho; pra mim, restou somente o breu.
Podendo ser o que quiser, você escolheu ser tudo, menos o amor meu.
Na sua vida repleta de prazeres, jamais imaginara que na minha, a sua ausência, fora o que mais doeu.
Você pode ser a Santa, devota, fiel, mas na madrugada, ninguém ouviu minhas orações, restou-me ser ateu.
Na injustiça da vida percebi que: você pode o quiser, meu amor, quem não pode sou eu..."

"Que vergonha, amor, confesso, hoje deixei a embriaguez me vencer.
Em meu âmago, ou vencia ela ou vencia você.
Quando o álcool vence, é só vergonha, por vezes prazer; mas quando és tu, é sempre o sofrer.
Mas foi só hoje, amor, amanhã não vai acontecer.
Não vai, só peço que não me faça prometer.
Mazelas que em nada dependem de mim, somente de você.
Mais um dia, enfim, que esqueço de mim para lembrar de você.
Questão de existência, minha eterna penitência, o meu 'ser ou não ser'.
É coisa do ser.
Amar, viver.
Sem lhe ter.
Melhor morrer.
Batalha aguerrida, vida sofrida, será possível vencer?
Falando em derrotas, vidas opostas, já não me recordo o que eu iria dizer.
De antemão, amor, lhe peço perdão pelas palavras, eu confesso, hoje eu deixei a embriaguez me vencer..."

"Pai, eu não quero paz, não quero sossego; eu quero guerra.
Não quero algo melhor, Pai; eu quero é ela.
Dê-me, atenda meu único pedido, e deixe recair sobre mim tudo que me livrais até agora. Se tê-la for um erro, então me dê todas as mazelas.
Jamais entrarei em uma igreja, Pai, sem a certeza de que sairei de lá casado com ela.
Se respiro, se vivo, sei: tu és o motivo, mas eu vivo é por ela.
Não existe nós, não existe louvor na capela, só existe eu amando-a à capela.
Se amá-la for uma prisão, então, Pai, leve minha liberdade, e por toda uma eternidade e mais uma me aprisione na dela os braços, a cela.
Perdão, Pai, não consigo adorá-lo, não consigo amá-lo. Seja Deus para os meros mortais, para os que não amam, pois minha divindade, meu amor, minha adoração é ela.
Muito antes do verbo, de Abraão, muito antes de sê-lo, muito antes das águas, do vazio, eu amava ela.
Sei, Pai, que amas os teus filhos, sei que amas o Cristo, e nem mesmo o amor do Crucificado chega aos pés do meu amor por ela.
Se blasfêmia, pequei; se amar for um erro, errei; que me condene ao inferno, mas de lá, aos céus, entre anjos e demônios, deuses e reis; lhe afirmo, YHWH, eu fui único, eu amei, graças a ela.
A trombeta soa, não ouço, ficarei por aqui, viverei uma nova era.
Meu pecado? Mais do que o próprio Deus, amar ela.
Perdão, Pai, mas eu não quero paz, sou um soldado, eu quero do amar e não ser amado, a guerra..."

"Meu amor, eu não te quero de volta.
Roguei tanto para que não fosse; hoje, aos céus clamo para que nunca mais bata em minha porta.
Perdão, amor, mas eu não te quero de volta.
Meu peito, no seu aconchego, era um todo de alegria; hoje, ao pensar em ti, minh’alma chora.
Ouvi, entendi, mas, amor, por favor, eu não te quero de volta.
Lembra das juras, dos pedidos, a mudança que nunca veio, as brigas fora de hora?
Então, amor, sei que lembras, e é por isso que não te quero de volta.
A vida é sofrida, a solidão aguerrida; por um dia ter lhe amado, eu queria ter arrancado o meu coração fora.
Amor, por favor, sem beijos; o seu corpo me atiça, é tão difícil resistir. Nem mais um passo: eu não te quero de volta.
A pele arde, os olhares se cruzam, sou incapaz de resistir, mas hoje, sim, as recaídas se tornaram histórias.
Memórias, só memórias, amor, pois hoje não te quero de volta.
Por favor, amor, não chora.
Você sabia o que viria, sabia o que haveria quando decidiu sair por aquela porta.
Obrigado por vir, tentar um beijo, um ardir; obrigado pelo cheiro doce e o vislumbre ao se despir, mas agora vá embora.
Amor, eu não te esqueci, mas resolvi lembrar de mim e, com lágrimas nos olhos, te digo: — Eu não te quero de volta..."