Textos
Existem histórias que as pessoas escutam e têm dificuldade de acreditar. Não porque sejam impossíveis, mas porque ninguém deveria precisar viver algo assim.
Parte da minha história começou antes mesmo de eu ter idade para formar lembranças. Minha mãe me contou que, quando eu ainda era um bebê, fui amarrada e submetida a maus-tratos durante horas pelo homem que deveria ter me protegido. Ela dizia que assistiu a tudo tomada pelo medo. Ao longo dos anos, ela me contou diversos episódios da minha infância que eu jamais poderia recordar sozinha, mas que ajudaram a explicar muitas marcas que carrego até hoje.
As primeiras lembranças que tenho são de medo.
Lembro de acordar muito pequena, com cerca de três anos de idade, ouvindo uma briga dentro de casa. Havia gritos, desespero e violência. Em meio àquela confusão, fui puxada de um lado para outro enquanto minha mãe tentava escapar. Naquele momento, senti um medo que uma criança não deveria conhecer.
Curiosamente, a única coisa que me lembro de ter pensado foi uma frase que eu ouvia minha mãe repetir quando passava por situações difíceis:
"Deus, me ajuda."
Eu nem compreendia completamente o significado daquelas palavras. Apenas as repeti dentro de mim.
Essa lembrança me acompanha até hoje porque foi uma das primeiras vezes em que senti que precisava me agarrar a algo maior do que eu para continuar.
Anos depois, já com oito anos de idade, vivi outro episódio que jamais esqueci. Eu costumava levar uma menina menor para a escola. Certo dia, almocei na casa dela e acabei chegando mais tarde em casa. Lembro de sentar em uma cadeira depois de voltar. O que aconteceu em seguida desapareceu da minha memória. O próximo momento de que me recordo foi despertar assustada em meio a uma situação de agressão e punição.
Foi uma das primeiras vezes em que percebi como o medo podia surgir sem aviso e transformar um dia comum em um dia inesquecível.
Também me recordo de outra situação envolvendo meu tio, que tinha idade parecida com a minha. Nós éramos apenas crianças. Havíamos sido encarregados de uma tarefa, mas acabamos nos distraindo brincando. O resultado foi uma punição extremamente severa.
Naquela época, eu não entendia por que crianças eram responsabilizadas daquela forma por comportamentos que eram próprios da infância.
O que ficou em mim não foi apenas a dor daquele momento, mas a sensação de injustiça. Eu era apenas uma menina tentando viver a infância que toda criança merece viver.
Outra lembrança marcante aconteceu quando cheguei da escola e encontrei meus irmãos reunidos em um ambiente tomado pelo medo. Recordo do clima de tensão, das palavras assustadoras, das ameaças e da sensação de impotência. Naquela noite, quase não consegui descansar. O medo parecia ocupar todos os espaços da casa.
Durante muitos anos, essa foi a realidade que conhecemos.
Minha mãe fugia.
Depois voltava.
Nós fugíamos.
Depois éramos levados de volta.
O ciclo parecia não ter fim.
Uma das lembranças mais fortes que guardo aconteceu durante a adolescência. Eu já trabalhava como estagiária e havia recebido meu primeiro salário. Cheguei em casa feliz, trazendo comida para a família e entregando parte do dinheiro para minha mãe.
Eu queria ajudar.
Queria construir algo melhor.
Mas aquela noite se transformou em mais um capítulo de sofrimento.
Foi a partir daquele momento que compreendi que, se eu quisesse sobreviver emocionalmente, precisaria partir.
Saí levando apenas o essencial. Algumas peças de roupa, minha coragem e a esperança de construir uma vida diferente.
Eu tinha apenas dezesseis anos.
Mesmo sendo tão jovem, sentia que precisava tentar salvar não apenas a mim mesma, mas também meus irmãos.
Conseguimos sair juntos. Encontramos um lugar para recomeçar. Durante alguns dias, acreditei que finalmente estávamos livres.
Mas, pouco tempo depois, minha mãe decidiu retornar para aquele ambiente.
Foi nesse momento que compreendi uma das lições mais difíceis da minha vida: nem sempre conseguimos salvar quem não está preparado para romper com aquilo que o machuca.
Hoje, quando olho para trás, percebo que muitas lembranças se perderam no tempo. Existem acontecimentos que já não consigo recordar com clareza. Existem cicatrizes cujo momento exato de origem desapareceu da minha memória.
Mas as marcas permaneceram.
E, de certa forma, elas contam uma história.
Não apenas a história da dor.
Mas a história da sobrevivência.
Porque apesar de tudo o que vivi, eu continuei caminhando.
Apesar do medo, continuei acreditando.
Apesar das feridas, continuei amando.
Apesar de todas as tentativas de me destruir, construí minha própria liberdade.
E talvez essa seja a maior vitória de todas.
Eles marcaram partes da minha história.
Mas não conseguiram definir quem eu me tornaria.
Hoje, eu não sou a criança assustada que vivia esperando a próxima tragédia.
Sou a mulher que sobreviveu a ela.
Os desejos podem ser ilusórios, pois nos fazem amar aquilo que ainda não temos, acreditar que a conquista nos trará a felicidade definitiva e imaginar que, depois de alcançarmos o que tanto queremos, finalmente estaremos satisfeitos.
Entretanto, muitas vezes, mal conquistamos aquilo que desejávamos, já começamos a desejar algo novo. E, nessa busca incessante pelo que nos falta, corremos o risco de não valorizar aquilo que já faz parte da nossa vida.
Aprenda a apreciar o que você tem, a reconhecer o valor das pessoas que caminham ao seu lado e a encontrar beleza nas coisas simples que, tantas vezes, passam despercebidas.
Isso não significa abandonar seus sonhos ou deixar de buscar novas conquistas, mas compreender que a felicidade não precisa ser adiada até que você consiga tudo o que deseja.
Antes de desejar mais, aprenda a valorizar o que já tem. Talvez a leveza da vida não esteja em conquistar tudo o que queremos, mas em descobrir o quanto já temos para agradecer.
Falar de Deus, acreditar em Deus, é fácil. Começou Perdiz, agora viver com Deus o tempo todo, caminhar com Deus pelos jardins do tempo, e obedecer a Deus a todo momento, a ponto de não se deixar cair na tentação de comer do fruto proibido, isso é difícil. Aliás, muitos diriam que é quase impossível.
Eu mesmo me recordo de inúmeras tentações que não consegui resistir, a tentação do alcoolismo, da infidelidade no casamento, da luxúria por consequência, da tentação irresistível de assistir àquele vídeo pornográfico que me enviavam pelo watzap.
Depois da conversão em Cristo, eu acreditava que estava tomando consciência espiritual das coisas e fui me libertando de muitas tentações, mas estava livre delas? Não!
Perdiz continua... Agora eu usava roupas mais discretas e sempre tinha uma bíblia comigo, aliás tinha várias...no carro, na mesa do escritório, no quarto, na sala bem à vista das visitas. E...então percebi que estava alimentando uma tentação que se não for a maior está entre as maiores de todas. Que é a tentação do orgulho, simmmm. Eu passei a me achar melhor que as outras pessoas, passei a julgá-las e criticá-las por fazerem tudo aquilo que eu fazia antes de escolher a vida Cristã. E hoje, perante todos vocês e do Nosso Senhor Jesus Cristo eu quero pedir perdão por ter caído nessas tentações e ter me esquecido das suas palavras que determina: "Ame a Deus sobre todas as coisas e o Próximo como eu vos Amei"
Amém???
Reticências
Será que sou muito esperançosa?
Por esperar o inalcançável,
acreditar no impossível?
Ou apenas sou corajosa
ao sonhar com um futuro tangível?
Não entra na cabeça
a ideia de te perder,
de te ver com outra,
de deixar de te amar.
E pensar que, quando te tive,
não soube lidar.
Mas me entenda:
você foi tudo,
foi tanto
que transbordei.
Peço perdão pela última vez
pelo amor que desperdicei.
Agora, luto ao ver seu sorriso,
luto, pois ele já não é causado por mim.
Ainda insisto em nós,
pois ainda vejo algo em seu olhar,
algo que percebo desde a paixão.
E desde então,
as pessoas ao seu redor
vêm mudando,
e você se reinventando,
mas isso em ti permanece,
mantendo uma pequena brasa
que, pouco a pouco, nos aquece.
Insisto, pois sei que ainda existe algo,
algo profundo, não tão visível como antes.
Mas, se reparar um pouco demais,
como eu reparo,
notará que, mesmo com outro alguém ao seu lado,
nossa conexão permanece imutável.
Notará que o brilho em seu olhar sobre mim nunca deixou de existir.
Notará que não é infidelidade,
mas uma involuntária sensação de não querer partir.
Não nego:
ainda te amo,
ainda te espero.
Mas me calo.
Demonstro em sorrisos contidos,
em olhares desviados,
ocupando discretamente
teus espaços.
Se estivesse no meu lugar,
saberia como é fácil te amar.
Você torna a paixão simples,
a poesia inevitável.
É a perfeição humana,
vislumbrada
num instante raro,
que tive o privilégio de ver
sem qualquer amparo.
Falo de você para todos,
não como algo que passou,
mas como algo a se perpetuar,
pois acredito que não chegou ao fim.
Dizem que as mais belas histórias de amor têm um ponto final.
A nossa, porém,
teve sua pertinência.
E, ao invés de um ponto,
escolhemos
as mais honestas e dolorosas
reticências.
Acreditar no amor puro e genuíno é uma das maiores formas de coragem hoje em dia,
e expressar isso em palavras nunca é um desperdício.
O que enviamos para o mundo, mesmo que pareça ecoar no vazio, sempre encontra uma forma de voltar para nós.
Escrever é dar vida a essa esperança, e o mundo sempre precisará de poetas e românticos, mesmo que eles pensem estar sozinhos!
Amparo Invisível
Muitas vezes,
No ápice da queda,
A mente tenta nos
Fazer acreditar que
Deus nos abandonou.
Na verdade, em silêncio,
Ele está nos cuidando, amparando,
Guiando e impedindo que o
Inimigo nos vença pelo medo.
Então, nos ergue em Tua Luz,
Curando o corpo, iluminando
A mente e perfumando o nosso espírito
Na vitória sobre a Tua Glória;
Somos a Tua promessa viva.
ℳ𝒶𝓇𝒸ℯ𝓁ℴ ℋℬ
Ainda sinto saudade daquela criança.
Da pureza de acreditar que ser bom bastava.
De vestir uma capa imaginária
e sair pelo mundo acreditando
que ninguém deveria ficar sozinho.
Hoje eu sei que heróis também cansam.
E talvez eu não queira mais salvar ninguém.
Talvez eu só queira, pela primeira vez,
que alguém olhe para mim
e diga:
“Agora deixa.
Dessa vez,
eu salvo você.”
Talvez acreditar que mais ninguém esteja Ferido — seja só outra forma medonha de Ferir.
Porque a dor, quando não ouvida, vira eco.
E quando presumimos que o mundo está inteiro, deixamos de perceber os cacos que alguém tenta segurar com as próprias mãos.
A verdade é que ninguém sai ileso da travessia — enquanto uns sangram por dentro, outros tentam esconder os cortes com sorrisos.
Estamos quase todos lutando com dores, dificuldades e problemas…
Ainda que diferentes.
Mas ignorar o sofrimento alheio é como esbarrar em uma ferida aberta fingindo ser só o vento.
Empatia não é diagnóstico — é presença.
É a coragem de admitir que talvez o outro também esteja lutando uma guerra que não machuca e apavora somente você.
E que às vezes, só de reconhecer a batalha, já deixamos de ser um potencial inimigo sem perceber.
Se não soubermos enxergar a dor do outro, a nossa também ficará sem testemunha.
E nada fere ainda mais do que sofrer sozinho num mundo que insiste em parecer inteiro.
A vulnerabilidade compartilhada e o reconhecimento mútuo do sofrimento são, talvez, os caminhos mais curtos para nos sentirmos menos frágeis em um mundo tão quebrado.
Em meio a tantas dores, dificuldades e problemas, quem presume não tê-los — ou imagina que o resto do mundo segue ileso — acaba sendo, sem perceber, a parte mais perigosa deles.
Qualquer político-influencer pode até acreditar que seus “asseclas mais apaixonados” sejam tão idiotas quanto ele.
A arrogância — especialmente a que se traja de bravura — costuma precisar desse autoengano para sobreviver.
O que não lhe cabe, jamais, é estender tão medonho juízo de valor a todo um povo.
O povo não é rebanho permanente, nem plateia cativa de narrativas requentadas.
Ele erra, sim, — mas também aprende, desperta, compara e aprende a cobrar.
Subestimá-lo é confissão de covardia: medo da lucidez alheia, temor do dia em que o encantamento se rompe e a máscara cai.
No fim, quem trata o povo como idiota útil, revela menos sobre o povo e muito mais sobre a própria pequenez.
E, como são pequenos os políticos-influencers, e qualquer da vida pública, que fingem zelar pelo povo, produzindo conteúdos fragmentados.
Às vezes, a Justiça resolve dar o ar da graça no Brasil só para o povo insistir em acreditar que ela ainda existe.
E, quando isso acontece, vira quase um evento.
Um alívio coletivo, uma fagulha de esperança em meio a um cotidiano marcado por descrédito, morosidade e seletividade.
A sensação é de que algo finalmente funcionou — não como exceção deveria ser, mas como regra que raramente se cumpre.
O problema é que a Justiça não deveria surpreender.
Não deveria soar como milagre, nem como concessão ocasional de um sistema que parece escolher quando agir e, principalmente, contra quem agir.
Quando o básico vira motivo de espanto, é sinal de que o alicerce já não sustenta com a firmeza que deveria.
Essa aparição esporádica da Justiça cumpre um papel curioso: alimenta a esperança ao mesmo tempo em que mascara a falha estrutural.
Porque basta um caso emblemático, uma decisão firme, para reacender no imaginário coletivo a crença de que “agora vai”.
Mas o “agora” quase nunca se sustenta no depois.
E assim o povo segue — oscilando entre o fio da navalha da descrença e da necessidade de acreditar.
Porque desacreditar completamente é admitir um vazio perigoso demais.
A fé na Justiça, ainda que ferida, funciona como último fio que impede a normalização total do absurdo.
No fundo, não é que a Justiça não exista…
É que, muitas vezes, ela parece muito distante, intermitente — quase como uma visita muito mal-educada, daquelas que chega sem aviso, resolve algo muito pontual e vai embora antes de explicar por que demorou tanto.
E enquanto ela aparece apenas “às vezes”, o que se consolida no restante do tempo não é a ordem, mas a dúvida.
E um país que duvida constantemente da sua própria Justiça — aprende, aos poucos, a conviver com aquilo que jamais deveria aceitar.
Quem precisa subir o tom para invalidar ou sustentar opinião, pode acreditar em qualquer coisa, menos que tenha opinião para sustentar.
Talvez porque a verdadeira convicção não precise gritar — ela se sustenta no silêncio firme de quem compreende o que diz.
O volume, muitas vezes, não é força: é disfarce.
É a tentativa desesperada de preencher, com intensidade, aquilo que falta em consistência.
Curioso como, em tempos tão saturados de certezas, o diálogo se tornou território hostil.
Não por faltar palavras, mas por sobrar imposição.
Há uma diferença muito profunda entre compartilhar uma ideia e defendê-la como se fosse uma identidade.
Quando alguém se confunde com a própria opinião, qualquer discordância deixa de ser debate e passa a ser ataque.
E é nesse ponto que o tom sobe.
Não para esclarecer, mas para proteger.
Não para construir, mas para vencer.
Como se uma conversa fosse uma disputa, e não um encontro.
Quem se atreve a dizer que o outro “não está preparado para uma conversa” muitas vezes diz muito mais de si do que do outro.
Talvez essa seja a forma mais nojenta e sorrateira de se apoderar da razão.
Porque conversar de verdade exige algo raro: disposição para ouvir sem imediatamente reagir.
Exige maturidade para admitir que talvez — só talvez — exista algo fora do nosso campo de visão.
Quem sustenta uma ideia com honestidade e serenidade jamais precisa calar o outro.
Não precisa desqualificar, rotular ou elevar a voz.
Porque entende que uma opinião forte não é aquela que se impõe, mas aquela que resiste ao confronto sem perder a coerência.
No fim, talvez a questão nunca tenha sido sobre estar ou não preparado para a conversa — mas sobre estar disposto a ela.
E isso implica um risco que muitos evitam: o de perceber que não sabemos tanto quanto imaginamos.
E, ironicamente, é justamente aí que começa qualquer opinião que realmente valha a pena ser sustentada.
O mais trágico da Manipulação é o manipulador alugar as cabeças vazias e ainda acreditar que o mérito é todo dele.
Há algo de profundamente irônico nesse processo tão medonho.
Quem manipula costuma enxergar a si mesmo como alguém muito inteligente, estratégico, sagaz e capaz de mover pessoas como peças em um tabuleiro.
No entanto, muito raramente percebe que sua suposta força depende justamente da fragilidade alheia.
Sem a credulidade, o medo, a carência ou a falta de criticidade dos outros, sua influência teria alcance muito ínfimo.
O manipulador se alimenta da ilusão de controle.
Confunde obediência com admiração, silêncio com concordância e dependência com lealdade.
Quando suas ideias são repetidas por muitas vozes, acredita ter construído uma verdade, quando, na realidade, apenas espalhou uma narrativa conveniente.
O aplauso que recebe nem sempre é fruto de respeito; muitas vezes é resultado de pressão, conveniência ou pura e simples incapacidade de questionar.
Mas existe uma tragédia ainda muito maior: a de quem entrega a própria consciência para que outros pensem por ela e continua acreditando que pensa por conta própria.
Toda vez que alguém abdica do pensamento crítico, abre espaço para que interesses externos ocupem o lugar de suas convicções.
E uma mente ocupada pela vontade alheia dificilmente consegue reconhecer as correntes que a prendem.
Por isso, a manipulação não é apenas um problema de quem exerce poder, mas também de quem renuncia à responsabilidade de refletir.
Onde faltam perguntas, sobram certezas impostas.
E onde falta discernimento, prosperam os discursos que prometem respostas fáceis para questões complexas.
No fim, o manipulador pode até acreditar que venceu.
Pode contar seguidores, influenciar decisões e colher benefícios imediatos.
Mas seu poder é tão sólido quanto a ignorância que o sustenta.
E a história mostra que nenhuma construção erguida sobre a ausência de consciência permanece de pé para sempre.
A verdadeira força não está em controlar mentes, mas em despertar pensamentos.
Porque quem aprende a pensar por si mesmo deixa de ser propriedade das narrativas alheias e passa a ser autor da própria história.
O mais trágico não é ser insensível, é acreditar que todos ao redor
também são.
A insensibilidade, por si só, já empobrece as relações humanas.
Ela nos torna menos atentos à dor, às necessidades e às alegrias de quem compartilha o caminho conosco.
Mas existe algo ainda mais perigoso: transformar a própria frieza em uma régua para medir o coração de todos os outros.
Quando alguém acredita que ninguém se importa, passa a agir como se a empatia fosse uma ilusão.
Desconfia dos gestos de bondade, interpreta o silêncio como indiferença e a gentileza como interesse.
Aos poucos, deixa de enxergar pessoas e passa a enxergar apenas intenções ocultas.
O mundo certamente abriga egoísmo, vaidade e indiferença.
No entanto, também está repleto de gente que ajuda sem esperar reconhecimento, que sofre com a dor alheia, que estende a mão quando ninguém está olhando.
Essas pessoas existem, mas se tornam invisíveis para quem já decidiu que todo coração bate no mesmo ritmo da própria insensibilidade.
Projetamos nos outros aquilo que carregamos dentro de nós.
Quem cultiva compaixão costuma perceber mais humanidade ao seu redor.
Quem alimenta apenas o cinismo acaba encontrando razões para confirmá-lo em toda parte.
Talvez a maior demonstração de maturidade seja compreender que as nossas limitações não definem a natureza humana.
O mundo não é um espelho perfeito de quem somos.
E, felizmente, ainda existem pessoas capazes de sentir o que muitos insistem em negar: que a empatia continua sendo uma das forças mais transformadoras da vida.
Brincar de ser Cristão também é um Direito — acreditar que o Encardido faça o mesmo é só outra Tolice.
Há quem vista a camisa da fé como se veste uma fantasia: para impressionar os outros, para parecer melhor do que é, para esconder contradições que, à luz de uma consciência honesta, seriam difíceis de sustentar.
Fala-se muito de Deus com a boca, mas nem sempre se permite que Ele alcance aquilo que realmente precisa ser transformado.
Ser Cristão, porém, nunca foi um concurso de aparências.
Não está nos gestos ensaiados, nas palavras decoradas, na quantidade de correntes e versículos publicados ou na facilidade com que alguém aponta o pecado alheio.
A Fé verdadeira costuma ser muito menos barulhenta e muito mais exigente: começa quando ninguém está olhando.
Porque é fácil parecer bondoso diante de uma plateia.
Difícil é ser misericordioso sem esperar a recompensa do aplauso.
É muito fácil defender a Verdade quando ela nos favorece.
Difícil é reconhecê-la quando nos confronta.
É fácil falar sobre perdão; difícil é abandonar o prazer mórbido de permanecer ressentido.
Talvez por isso exista tanta confusão entre professar uma fé e vivê-la.
O Discurso Religioso pode ser usado para esconder vaidades muito pouco religiosas.
O que não falta são pessoas se valendo do Santo Nome de Deus e da Igreja para se esconder, aparecer e se promover.
E há uma ironia quase sutil nisso: quanto mais alguém precisa provar aos outros que é Cristão, talvez menos tempo esteja encontrando para examinar o próprio coração.
Também não deixa de ser curioso esperar que o “encardido” respeite aquilo que nós mesmos transformamos quase sempre em espetáculo.
O mal não precisa necessariamente destruir uma crença; às vezes basta torná-la superficial, transformando convicção em aparência, espiritualidade em vaidade e religião em instrumento de julgamento.
No fim, a fé não deveria servir para nos colocar acima de ninguém, mas para nos lembrar de quem somos quando tiramos as máscaras.
O verdadeiro Cristianismo talvez comece justamente nesse ínterim desconfortável em que deixamos de representar e admitimos nossas próprias Misérias.
Porque brincar de ser Cristão pode até ser um Direito.
Mas viver como um — exige-nos muita coragem para deixar de brincar.
Despertai-vos!
Acreditar
em quase tudo
é tão fácil quanto não Praticar
quase nada.
Afinal, entre o Discurso e a Atitude existe um abismo que muita gente atravessa diariamente sem sequer perceber.
Somos excelentes em defender ideias que não vivemos, em aconselhar caminhos que não percorremos e em professar verdades que desmentimos com nossas próprias escolhas.
A teoria nos torna sábios aos olhos dos outros; a prática nos revela quem realmente somos quando ninguém está olhando.
É muito confortável acreditar.
A crença não exige — necessariamente — transformação.
Podemos acreditar no amor sem amar de verdade, na justiça sem renunciar aos privilégios, na humildade enquanto alimentamos a arrogância e na empatia enquanto ignoramos a dor alheia.
Podemos defender a paz com palavras e promover guerras silenciosas com atitudes.
O pensamento aceita quase tudo, mas o caráter não se sustenta apenas com intenções.
Talvez seja por isso que existam tantas pessoas cheias de convicções e tão poucas dispostas a assumir as consequências daquilo que dizem acreditar.
Porque acreditar é, muitas vezes, apenas uma posição; praticar é um compromisso.
O primeiro pode ser declarado em público, enquanto o segundo se revela nos pequenos gestos, nas renúncias necessárias e nas escolhas que fazemos quando agir corretamente nos custa alguma coisa.
Há uma diferença enorme entre admirar uma virtude e incorporá-la à própria existência.
Uma coisa é reconhecer a importância da honestidade; outra é permanecer honesto quando a mentira parece mais vantajosa.
Uma coisa é falar sobre lealdade; outra é não abandonar ninguém quando a conveniência sugere o contrário.
É justamente nos momentos em que nossos princípios são colocados à prova que descobrimos se eles são genuínos ou apenas ornamentos.
No fundo, talvez não sejamos definidos por aquilo em que acreditamos, mas pelo quanto estamos dispostos a viver de acordo com nossas crenças.
Afinal, convicções sem atitudes são apenas pensamentos bem vestidos, e discursos sem coerência são promessas que nunca encontraram coragem para sair do papel.
A maturidade começa quando deixamos de perguntar apenas no que acreditamos e passamos a questionar o que nossas atitudes estão comprovando.
Porque não basta ter fé naquilo que é bom, justo ou verdadeiro; é preciso permitir que essa fé transforme a maneira como tratamos as pessoas, enfrentamos os conflitos e conduzimos a própria vida.
No fim das contas, não é a quantidade de verdades que falamos da boca para fora que revela a nossa essência, mas a presença delas em nossas ações; da boca para dentro.
Afinal, o mundo não precisa de mais pessoas que saibam explicar o que é certo.
Precisa de pessoas que tenham coragem de praticá-lo, sobretudo quando ninguém aplaude, quando ninguém observa e quando fazer o certo deixa de ser conveniente.
Porque acreditar pode ser uma escolha íntima, mas praticar é a prova pública, ainda que silenciosa, daquilo que realmente somos.
Quem precisa subir o tom para sustentar uma Ideia pode acreditar em qualquer coisa, menos que tenha Ideia Própria para sustentar.
Afinal, convicção não se mede pelo volume da voz, mas pela consistência dos argumentos.
Quem realmente compreende aquilo em que acredita não precisa transformar o diálogo em disputa, nem a discordância em afronta pessoal.
Sabe que uma ideia bem fundamentada não perde sua validade diante de uma pergunta, assim como uma verdade não se torna mais verdadeira porque alguém a grita.
Há uma diferença muito profunda entre ter uma opinião e apenas reproduzir certezas que nunca foram submetidas ao julgamento da própria consciência.
Ter opinião exige pensar, questionar, confrontar ideias, reconhecer contradições e, sobretudo, possuir a Humildade Intelectual de admitir que se pode estar errado.
Repetir o que se ouviu, defender o que se aprendeu sem jamais questionar ou atacar quem pensa diferente não é sinal de Autonomia Intelectual, mas, muitas vezes, de uma dependência disfarçada de convicção.
O indivíduo que não suporta ser contrariado frequentemente não está defendendo uma ideia, mas protegendo a própria insegurança.
Confunde discordância com desrespeito, questionamento com provocação e revisão de pensamento com derrota.
Por isso, eleva a voz: quando lhe faltam argumentos para sustentar a razão, tenta usar a força da imposição para produzir a aparência de autoridade.
Mas o pensamento verdadeiramente livre não teme o confronto de ideias.
Ao contrário, encontra nele uma oportunidade de amadurecimento.
Quem pensa por si mesmo não precisa concordar com todos, nem tampouco convencê-los.
Compreende que a Liberdade de Pensar pressupõe também a Liberdade de Discordar — inclusive daquilo que se considera correto.
Existe, portanto, uma espécie de Pobreza Intelectual — para não dizer miséria — que se manifesta não na ausência de conhecimento, mas na incapacidade de conviver com perspectivas diferentes.
É quando o orgulho se sobrepõe à razão, o ego ocupa o lugar da reflexão e a necessidade de vencer uma discussão se torna maior do que o compromisso com a verdade.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja quem está falando mais alto, mas quem está disposto a pensar mais profundamente.
Porque levantar a voz pode até silenciar o outro, mas jamais transforma opinião frágil em ideia sólida.
A arrogância pode impor silêncio, intimidar consciências e conquistar aplausos, mas não é capaz de produzir lucidez.
Ter opinião própria não é ter resposta para tudo, nem acreditar cegamente em alguma coisa.
É ter coragem de pensar, maturidade para questionar e honestidade para mudar de ideia quando os argumentos assim exigirem.
Afinal, quem precisa gritar para parecer dono da razão talvez não esteja tentando defender uma verdade, mas apenas impedir que alguém perceba o quanto suas certezas dependem da ausência de questionamentos.
E há uma grande ironia nisso tudo: quanto mais alguém precisa impor aquilo em que acredita, mais revela o quanto teme que suas crenças sejam colocadas à prova.
Ninguém vai acreditar, mas eu vou dizer;
espero que não me levem a mal.
Mas, ao analisar certas coisas e bloqueios naturais de forma adulta e civilizada, e tomando por base os meus conhecimentos, estudos e pesquisas realizados via Google, Yahoo, e recomendações da NASA...
Cheguei a seguinte conclusão:
- NADA PARA NADA É NADA!
Agradeço a todos os amigos que leram essa minha bestagem até o fim....😄
Haredita Angel
09.07.23
A despedida
Afinal tudo aconteceu como eu previa, só não podia acreditar. Aquela mesma história triste se repetiu. Bastou que eu fexasse os olhos por um único instante pra ver você partir assim tão fácil, da mesma forma como apareceu. Foi só eu soltar tuas mãos por um segundo pra ter que te ver caminhando em outra direção. Naquele dia eu ia te dizer como você era perfeito, mas não havia mais tempo. Não, eu não estou triste, eu sei que você também me quis, talvez não com tanta intensidade, mas quis. Eu queria te falar como as coisas passaram a ser tão claras depois que você surgiu, mas você não pôde me ouvir. Não se preocupe, todas as palavras que eu falei naquele dia com certeza serão esquecidas. E eu não estou falando de amnésia. Só vão restar as cicatrizes, estas nunca somem. Você não terá mais que ouvir minhas palavras, no final não vai restar mais nada. Eu só queria uma história diferente pra construir.
Não podemos provar a existência ou a não existência de um Deus
então prefiro acreditar do que desacreditar
assim como prefiro viver do que morrer.
Decido me por um mundo onde tudo tem seu sentido
do que estar sentindo sempre que estou perdido.
Me apego ao otimismo em vez do pessimismo
escolhendo a esperança em vez da descrença.
Eu tentei acreditar. Mais sabe, é impossível.
Fui machucada&Iludida demaiis pra passar por tudo denovo.
Não pode ser assim, eu não quero que seja.
Me machucar denovo, insistir no mesmo erro, só que com outra pessoa.
Não existe isso pra mim. Nunca mais.
Eu cresci e aprendi. Que depois que perdem, dão valor.
Que fingem que não tem sentimentos, e acabam te perdendo.
Que nada gira em torno de mim. Mais eu conquisto o que quero, e giro em torno disso.
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