Acreditar em quase tudo é tão... Alessandro Teodoro

Acreditar
em quase tudo
é tão fácil quanto não Praticar
quase nada.
Afinal, entre o Discurso e a Atitude existe um abismo que muita gente atravessa diariamente sem sequer perceber.
Somos excelentes em defender ideias que não vivemos, em aconselhar caminhos que não percorremos e em professar verdades que desmentimos com nossas próprias escolhas.
A teoria nos torna sábios aos olhos dos outros; a prática nos revela quem realmente somos quando ninguém está olhando.
É muito confortável acreditar.
A crença não exige — necessariamente — transformação.
Podemos acreditar no amor sem amar de verdade, na justiça sem renunciar aos privilégios, na humildade enquanto alimentamos a arrogância e na empatia enquanto ignoramos a dor alheia.
Podemos defender a paz com palavras e promover guerras silenciosas com atitudes.
O pensamento aceita quase tudo, mas o caráter não se sustenta apenas com intenções.
Talvez seja por isso que existam tantas pessoas cheias de convicções e tão poucas dispostas a assumir as consequências daquilo que dizem acreditar.
Porque acreditar é, muitas vezes, apenas uma posição; praticar é um compromisso.
O primeiro pode ser declarado em público, enquanto o segundo se revela nos pequenos gestos, nas renúncias necessárias e nas escolhas que fazemos quando agir corretamente nos custa alguma coisa.
Há uma diferença enorme entre admirar uma virtude e incorporá-la à própria existência.
Uma coisa é reconhecer a importância da honestidade; outra é permanecer honesto quando a mentira parece mais vantajosa.
Uma coisa é falar sobre lealdade; outra é não abandonar ninguém quando a conveniência sugere o contrário.
É justamente nos momentos em que nossos princípios são colocados à prova que descobrimos se eles são genuínos ou apenas ornamentos.
No fundo, talvez não sejamos definidos por aquilo em que acreditamos, mas pelo quanto estamos dispostos a viver de acordo com nossas crenças.
Afinal, convicções sem atitudes são apenas pensamentos bem vestidos, e discursos sem coerência são promessas que nunca encontraram coragem para sair do papel.
A maturidade começa quando deixamos de perguntar apenas no que acreditamos e passamos a questionar o que nossas atitudes estão comprovando.
Porque não basta ter fé naquilo que é bom, justo ou verdadeiro; é preciso permitir que essa fé transforme a maneira como tratamos as pessoas, enfrentamos os conflitos e conduzimos a própria vida.
No fim das contas, não é a quantidade de verdades que falamos da boca para fora que revela a nossa essência, mas a presença delas em nossas ações; da boca para dentro.
Afinal, o mundo não precisa de mais pessoas que saibam explicar o que é certo.
Precisa de pessoas que tenham coragem de praticá-lo, sobretudo quando ninguém aplaude, quando ninguém observa e quando fazer o certo deixa de ser conveniente.
Porque acreditar pode ser uma escolha íntima, mas praticar é a prova pública, ainda que silenciosa, daquilo que realmente somos.
