Texto sobre Sol
Todo dia eu sabia
Que a tua Alma viria
Me encontrar quando o sol saía
E a noite caia
A lua me visitava
E eu dizia que te amava
Cada vez que eu falava
Uma estrela passava
Em noite de lua cheia
A chuva acompanhava
O rumo da estrela
E do poema que eu recitava
Os versos do vento
E as rimas da brisa
Chamavam a sua Alma
Para a leve dança da vida
DEBAIXO DO SOL
De sol a sol
Tem-se os dias contados.
Aprende-se viver sob raios solares...
Gente escaldadas...
Descansa sob a luz do luar.
De sol a sol
Busca-se prazer
Evita-se sofrer
Quer-se que o dia termine...
Quer -se o amanhecer.
De sol a sol
Quer-se esquecer o dia que findou
Quer-se esquecer aonde errou
Quer-se aprender viver.
Aproveitar o tempo que resta.
Pela chuva que cai.
Pelo sol que brilha.
Pelo dia que vem, e o dia que se vai.
Pela nossa liberdade, pela nossa amizade.
Pela nossa união e pela nossa salvação.
Pelos meus amigos e os seus, glória a Deus.
Que todas as gentes, de todos continentes,
se alimentem de Deus; de corpo alma e mente.
O ETERNO NO TEMPO
“O mundo avança.
Sim, respondi, avança, mas dando voltas ao redor do sol.”- Gabriel García Marquez
Os gregos usavam pelo menos três palavras para designar tempo:
Aion indicava o tempo de longo prazo, na verdade, de longuíssimo prazo, como infinito de tempo vindouro. (tempo do eterno)
Kairós indicava um bloco de tempo, uma ocasião adequada ou uma oportunidade: o tempo das "águas de março que fecham o verão", a estação da sua fruta predileta, o período da adolescência ou a hora certa de pedir a moça em casamento.
(um momento especifico dentro do tempo)
Kronos é o tempo medido pelo relógio: segundos, minutos e horas
(Tempo do homem)
O Tempo pode te fazer curvar-se , o Tempo pode partir seu coração , ele pode te fazer implorar por favor, mais além do escuro há paz ..
mais estou certo que não haverá mais lagrimas no Paraíso
Erick Clapton
Há momentos de eternidade dentro do tempo, mas como algo superior pode coexistir em algo inferior ?
A quase 10 anos escrevi:
"O único lugar que o eterno não está é o presente"
Pois o passado já foi e continuará a ser, eternamente.
E o futuro não é ainda, mais vai ser, mais tudo quanto não é para o eterno, é eternamente, está vindo sempre e nunca chega.
O Presente, seria o único instante que não é eterno.
O presente pra ser sendo, ele seria eterno então não é !
Assim aquilo que está e permanece também é eterno.
Seria o tempo um instante após outro instante?
Mas um instante para deixar de existir ele precisa de outro instante, mas se dois instantes se encontrar-se, então estão dentro do mesmo tempo, e estando no mesmo então também não seria um instante, mais o próprio instante em si mesmo.
Refletindo muito sobre isso, cheguei à conclusão que para o eterno ser eterno ele não poderia deixar de estar no presente, mas se o presente não é eterno como seria isso possível?
Sabe a única maneira do eterno passar pelo presente, tornando temporal, precisa de um corpo temporal, enquanto tempo, mas eterno em essência.
Isso é muito importante!
E bem legal! E pode provar que Deus existe, pode explicar concluir a teoria da relatividade, dentro de outros contextos também se aplica completamente.
Deus como um todo, ser divino, para ter legalidade ele habita em um corpo físico, temporal, Não perdendo sua essência, A eternidade.
Isso refutaria o filosofo que diz "DEUS ESTA MORTO "
Friedrich Nietzsche
E definimos morte como a ruptura de um estado para condução a outro.
O presente é a ruptura do eterno, durante um espaço de tempo chamado vida, e quando morrer, rompe com a vida para eternidade!
"O único lugar que o eterno não está é o presente"
Essa minha primeira afirmação está errada!
Então o eterno está presente no temporal.
Qual são as três características de Deus?
Ele está em todo lugar, Onipresença.
Ele pode todas as coisa, Onipotência.
E sabe todas as coisas, Onisciente.
Necessariamente Deus é eterno .
Deus é o eterno, o infinito e o todo.
Vamos usar a ideia de energia
Que é em função do tempo, segundo as leis da física.
Energia muda de forma, mais não de essência...
É uma Lei calor é energia, movimento é energia, a luz é energia.
É uma lei universal
Se o passado é eterno, e o futuro também é, E o presente é o único instante de tempo, na eternidade!
Enquanto o eterno é, o tempo não é o que o eterno é,
É o alinhamento do "ser no ente".
Ele não é devido à ausência de forma, mais forma enquanto tempo é.
Se tudo está em função de tempo, tempo está em função de que ?
Se digo nada, então nego a existência.
Se digo tudo, como pode algo ficar em função de tudo e em função dele tudo ficar?
Se tempo passa então tempo não pode ser eterno, pois para ser, precisa permanecer, mais tempo não permanece.
Então tempo é a sucessão de um instante, após outro instante ? tempo após tempo ?
Mas para isso acontecer, dois instantes precisariam habitar mesmo espaço, mas dois corpos de tempo, não seria tempo .
Então albert einstein, previu a teoria do multivetor mais não há explicou.
Tudo que foi vai continuar no passado eternamente, tudo que é não é pois deixará de ser, ao que logo virá, e tudo que virá ainda não é mais virá a ser.
Então tempo, é eterno e temporal, mudando de forma sem perder a essência, assim podemos dizer que todas as coisas também o são, muda a forma mais sua essência permanece, a priori tempo e espaço são relativos, percepções de movimentos de rotação e transação que faz o corpo celeste "planeta" girar, então a mesma percepção de hora na terra, não é no espaço, nem muito menos é em saturno, nem plutão, pois tempo é a percepção de uma mudança de estado rotativo de percepções.
Então para ficar mais simples agora traduzirei, tempo é uma variável, como toda variável possui diversa possibilidade, está ai...
Tempo está em função de possibilidade, da criação de escolhas de universos possíveis de percepção, tempo que ainda não veio são infinitos "universos" de possibilidade, o tempo que é , é tempo de decisão e escolha, seja racional ou não racional, consciente ou inconsciente da escolha tomada, e o tempo que foi estão todas as possibilidades que já foram escolhidas.
No silêncio do fim do dia
Silenciosamente o sol desaparece numa fenda no horizonte
Tento...não consigo... não consigo meu amor confessar
parece que só o silêncio torna possível,
possível exprimir....
só o silêncio consegue esse amor traduzir.
É tão difícil...
Vencer o silêncio?
Não... não é um silêncio pra ser vencido...
O silêncio entre nós é audível,
é todo o nosso dizível....
é visível e todo colorido.
É tão silencioso....
Entre nós tudo,
tudo é tão intensamente silencioso.
Sabe o que é tão difícil?
... a tristeza que o fim do silêncio pode causar,
estou achando mais fácil
suportar um silêncio que não para de falar...
um silêncio que não cala
porque tem medo de ouvir e não suportar.
só pra me alegrar....
Quem sabe?! No silêncio do fim do dia ouço você me dizer que pra sempre irá me amar?
... e todo meu medo dessa escuridão apagar?
Minha vida tem tantas portas...
Tem vias retas... tem vias tortas.
Toda manhã ao sol nascer...
qual delas quero trilhar...
tranquilamente posso escolher.
Vou seguindo nesse espaço infinito.
Num compasso tão bonito...
Dois pra cá... dois pra lá...
Fazendo meus dias formosos.
Gravando na alma tudo em que acredito...
Tenho força, tenho entusiasmo, tenho ânimo...
Tenho fé... acima de tudo
Um futuro leve e cheio de paz.
Para qualquer dor, tenho um escudo.
Todavia...
As vias nem sempre como quero se desenham...
Apesar de todo meu empenho...
Lá vem nuvens pesadas devagarinho...
Seu intuito: fazer sombras pelo meu caminho.
Tenho toda a força do mundo...
Luto... esmurro... grito... rujo como um leão...
Mas o mundo tem-me feito muitas vezes um frio e insensível vagabundo.
Luto, sim... mas, às vezes, esmorece meu coração.
E tá tudo bem 😉
Quantos amores perdidos.
Num canto da sala esquecidos.
Um pouquinho mais de sol os teria aquecido...
Tristes e frios não teriam morrido.
Hoje seu presente é só saudade.
Melancolia noite e dia.
A lua brilha fracamente por um instante.
Uma sombra no mar... tudo torna tão distante.
Quanto silêncio ao redor.
As ondas que batem no costão...
Batem fracamente.
Não querem machucar mais esse coração... que de falta de amor morre lentamente.
Uma taça de vinho transbordante.
Um perfume no ar dançante.
Uma neblina que desanuvia...
Um tempo que queria ser como tudo era antes.
O sol de novo apareceu.
Como consequência a escuridão desapareceu...
Rasgam o céu os raios luminosos...
Abrolha mais um dia maravilhoso.
Cantam as aves alegremente.
Balançam seus galhos as árvores tão contentes...
A chuva de ontem seu caminho seguiu...
foi-se pra outras paragens... passou.
O vento as nuvens sombrias pra longe levou.
Retorne, oh esperança, à minha alma...
Devolve-me a serenidade, a paz e a calma.
Virá um novo amor com o novo dia...
Não ficará mais minha alma vazia.
Sina Nordestina
Sou nordestino,
feito de sol e poeira,
de mãos calejadas
e alma verdadeira.
Querem me afogar
em águas de secas,
mas sou raiz que resiste,
sou chão que não se entrega.
Minha sina é estrada,
vento que corta o rosto,
é lágrima engolida
no silêncio do desgosto.
Garota, se soubesse
o que carrego no olhar,
entenderia que o sertão
não se curva ao queimar.
Povo sem sensibilidade,
que julga sem conhecer,
não sabe que na seca
aprendi a florescer.
Canção da Alma Brasileira
Minha terra é sol que arde,
É o vento a dançar nos campos,
É o rio que corta as pedras,
É a brisa em doces cantos.
Minha terra é verde infinda,
Mata densa, céu sem fim,
Onde o tempo se faz vida
E a vida é forte em mim.
O ouro nasce do solo,
Mas gigante é seu fulgor
No olhar de um povo audaz,
Que luta com fé e amor.
Cada palma que se ergue,
Cada rio que se entrega,
Traz no peito a voz do mundo,
Ecoando nossa terra.
Oh, Brasil de mil batalhas,
De mil sonhos, mil tambores,
Onde a dor se faz coragem,
Onde a guerra gera flores.
Não permita Deus que eu deixe
De cantar essa grandeza,
Pois sou filho desse chão
E sou parte da beleza.
Se um dia o exílio vier,
Se um dia a saudade chamar,
Que meu peito nunca esqueça
Que é Brasil meu lar, meu mar.
JOOAKINA E SERAFIM
O sol já brilha à pino
Porque ainda dormes Serafim?
Lembro-me de ti, madrugador,
Falavas em pegar o sol com a mão,
Hipérbole ou não, mas tinhas tudo sob controle...
Era bom ouvir teus passos e o som da tua voz
Entre as plantações de café...
Cantarolavas canções que embalavam nossos sonhos...
Vieram crises, mas eras incansável, forte,
voluntarioso...
Foram tempos de lutas, mas eras um guerreiro.
Agora o teu olhar longínquo, alem do que, não podemos ir,
Alem dos nossos limites,
Será a pressão, a labirintite?
Letícia telefonou, mas não mencionei a queda,
Pra que preocupá-la? Tiras de letra...
Esquece os meninos, nem meninos são mais...
Cresceram... se foram... também tenho saudades
Suas risadas, suas brincadeiras ao redor da casa
Enchia tudo de vida...
Foram tempos inesquecíveis.
Agora temos o rex, o golias, as galinhas...
Temos um ao outro, me prometeste seria pra sempre...
Queria te confessar algo que nunca te disse:
Sempre te amei
Sempre amei esse teu jeito ousado
Tinhas o olhar insistente, a mão quente...
Agora o teu olhar parado... atua mão... fria...
Acorda Serafim! Serafim!
Serafim! Serafim! Serafiiiiiimmm!!!
PREFÊRENCIAS
Gosto muito de você...
Gosto tanto de você...
Gosto mais de você
Do que o sol se pondo...
Gosto mais de você
Do que ficar compondo...
Gosto mais de você
Do que fla x flu em decisão no maracanã
Do que das manhãs
Ensolaradas de Nova Iguaçu,
Do que sorvete de cupuaçu...
Gosto mais de você
Do que mocinha de minissaia
Gosto mais de você do que banho de praia
Gosto mais de você
Do que das lembranças de Del Castilho,
Do que do shopping lá do Iguatemi
Do que um mergulho lá no piscinão
Gosto mais de você
Do que domingo na Quinta
Do que do fantástico de antigamente
Do que da Ana Paula Padrão
Gosto mais de você
Do que doce de jaca
Do que soltar pipa
Do que lingüiça na feijoada
Gosto mais de você do que das letras do Chico
Do que dos poemas de Drummond
Do que da sensibilidade pungente de Cecília
gosto mais de você do que pensar que eu sou uma ilha...
RAÍZES
Sei de mandioca,
Batata-doce e beterraba
Sei de raízes...
Até que o sol se encolha
Atrás da serra
Até que a boiada atravesse o riacho
Até que a tarde fique morna
E a passarada se aquiete,
Sei que o espantalho vigia o milharal
E que Guilhermina,
Moça velha encalhada,
Sonha com um marido,
Sei que é um perigo
Atravessar o rio na parte mais funda
Pro mode piranhas,
Sei que no canavial
Tem espírito de porco...
Ali morreu meu cunhado
Picado por uma serpente...
Ali conheci beatriz,
Com quem aprendi a gostar de raiz...
Aprendi a colher beterraba,
Batata-doce e mandioca...
Aprendi a contemplar o céu estrelado,
A me proteger de lobisomem e Ets,
A enganar saci pererê
Aprendi que a enxadada
faz a terra girar
Proporcionando madrugadas e auroras
E faz a gente envelhecer...
Mas beatriz também se foi
E hoje olho o gado, o riacho, a serra,
Castigo a terra com a enxada
E a terra gira, gira, gira...
E floresce a vida...
AVESSO
Depois do horizonte
tem outro horizonte,
tem uma fonte,
tem outros verbos,
então o sol se põe
e repousa preguiçosamente...
Esperando Ícaro
e a sinfonia da tarde
arde nas penas
dos que são passarinhos
outros versos,
displicentes, dolentes, incandescentes...
a tarde desfalece,
alguns poucos raios,
um aceno, um ensaio de luz
e de cores quentes...
depois das tardes,
tem outras auroras
no outro lado do planeta,
que é o avesso do crepúsculo...
outros Ícaros outras sinfonias...
Criar novos verbos,
alimentar novos crédulos...
inventar novos deuses...
Antes que o sol se pusesse,
Ela se despiu e luziu
Mais que novecentas
e noventa e nove auroras,
Fascinou mais que o crepúsculo,
E meus nervos e músculos
Se contraíram...
Aprendi a ser super herói e fazer poesia,
Porque ela fascinava quando sorria
E eu tinha que lutar pra conquistar o território,
Porque todo poeta tem que ter a sua caneta
E todo herói tem que ter seu arco e flexa...
Antes que o sol se pusesse...
ela galopou pelos horizontes
catando os sonhos
e escondendo os medos,
ela espantou os espectros
e compartilhou segredos...
POR ELAS
Por elas o sol se põe espetacularmente, dourando o horizonte, bronzeando as nuvens, mas seus olhares melancólicos não abandonam suas faces. Elas precisam saber o que é felicidade, elas precisam saber o que é sonhar; elas precisam saber o que é o bem e o mal; o que é ruim e o que é bom. Por elas o mar se revolta e se acalma; por elas chove e faz sol e o arco-iris surge sublime, divino, cheio de cores. Deus apaixonado fez as flores, os pássaros e as cachoeiras, inventou a noite cheia de estrelas e de luzes; mas seus olhares melancólicos... elas são felizes e não sabem, são irresistíveis e não percebem, são donas de tudo e negligenciam... por elas o sol nasce pela manhã, num milagre único que jamais se repetirá da mesma forma, e a brisa sopra nas suas peles de cetim, acariciando seus cabelos e lhes fazendo lacrimejar, mas no final da tarde, alheias ao crepúsculo e às promessas de uma noite, elas se pintam, se vestem, e se adereçam para uma batalha em busca da felicidade que está ali ao comando de suas vozes, alcance de suas mãos, mas elas não percebem e vão em busca da paixão...
Eu tenho um verso na mão
e um poema no coração
mulheres despidas na mente
sol a pino, vivo perigosamente...
Na caatinga
rimas de despedidas
feridas abertas
é minha sina
penso que sou poeta
tenho um firmamento
a dois metros de altura
durmo com as estrelas
conheço suas ternuras
tenho deus como amigo
ludibrio o inimigo
reformulo o paraíso
não há fruto proibido...
O TIGRE E O SOL
Uma deusa pintou o mundo de amarelo e preto
pôs duas presas, muitas surpresas então surgiu o tigre
quando o sol se punha
a tigresa era o punhal no peito do pensador
seus beijos eram as unhas
que arranhavam o amor
e quando o sol se nivelava com a floresta
o tigre pulava pros trópicos em chamas
o tigre urge e o tempo ruge,
quem diz o contrário se engana.
Nas noites os olhos do tigre iluminava as savanas
predador sem igual ele caça o sol
ou o calor que emana no sangue
o tigre e o sol viram as florestas arderem em chamas
viram as árvores tombarem
ante a violência humana
e a solidão felina aderiu a noite como caminho,
a solidão como ninho
e o crepúsculo como o carinho da diva solar...
ESTRADAS EMPOEIRADAS
Dos pardais cigarras e morcegos são os finais de tardes
O sol de verão bronzeia a solidão
De silhuetas anônimas nas colinas
E entre os nascentes e os ocasos adolescem as meninas.
Eu sei que o amor é pertinente a todos os sonhares,
Quem não se amou um dia se amará
E o que é solidão além do chalé branco sobre a duna,
Além da vela encardida que se aventura na imensidão domar
O que me faz pensar que a solidão até faz bem
É perceber que as coisas mais profundas
Afloram nos momentos solitários...
Penso que algum dia todos tiveram
Suas estradas empoeiradas com zumbis e ETs;
Suas fobias e inseguranças,
Mas um herói, uma oração, um talismã,
Qualquer crendice que nos protegesse
Todos tivemos; eu tinha uma sobrinha,
Meio tia por ser mais velha
Acho que ela foi o meu maior carinho de infância
Juntávamos latas ou apenas perambulávamos
Porque não é fácil ser anjo sem ruas de brilhantes,
Pétalas de estrelas
E ter apenas barracões com tetos de zinco para nos abrigar,
Mas eu tinha seu poder
Que suponho vinha da sua franja caindo nos seus olhos;
Não tinha ainda a idade do tempo,
Nem tempo de idade, nenhuma outra noção
Eu só tinha a sua presença e a sua mão;
Talvez eu tivesse algum poder,
Talvez o poder de não poder nada,
Talvez o catarro escorrendo do meu nariz lhe protegesse do mundo,
As minhas unhas sujas, os meus dentes proeminentes
Eu era um anjo, ainda não me encantava com dunas
E brancas casas de praia avarandadas,
Ainda não me encantava pelo que ostenta ou pelo que seduz;
Um saco, algumas latas, chicletes e amendoins,
sua franja e seu sorriso, sua mão; que viesse os zumbis e ETs...
Ele desenhou um hamburguer como se fosse o sol
Pipocas como se fosse ondas de espumas
E refrigerantes como se fosse o mar,
Antes de tudo que sabia ,
Antes de tudo que pensava que sabia,
A lua seria uma imensa tapioca
E as mentiras de dietas era poeira de farinha...
Estava obeso feito o peso de sua solidão
Comia por carência, por compulsão...
O peso dos problemas pesava sobre o seu peso,
Ele desenhou um cuscuz como objeto de desejo,
Nada relativo a bundinha empinada da vizinha,
Não era mais uma fantasia ,
Era uma desilusão;
Trocara aquele desejo
Pelo prazer de pão de queijo,
Pelo frango assado, sem nenhuma metáfora,
Nada a ver com nenhuma posição...
Há tempos nenhuma ereção
Ele desenhou um beiju como se fosse a lua cheia,
O pão de açúcar, literalmente um pão doce,
Algo que adoçasse a sua vida, a sua desilusão;
Algo que não doesse ou não ameaçasse
Como aquela dor no coração...
