Tédio
"A vida é um seguir em frente sem retornos. O tédio dos efêmeros momentos de parada revelam o quanto nossas almas são apaixonadas pelo frenesi do viajar em plena liberdade". (O Mentor Virtual)
"A vida é um seguir em frente sem retornos. O tédio dos efêmeros momentos de parada revelam o quanto nossas almas são apaixonadas pelo frenesi do viajar em plena liberdade". (O Mentor Virtual)
Voltando de Barretos. Sem esporas nem poláinas. Na estrada apenas buracos e o tédio verde dos canaviais infinitos..
Na minha vida fui o figurante.
O seu protagonista foi outro, não eu.
Talvez a abdicação, o tédio, o sonho infante!
Velho entusiasmo que desfaleceu.
Sou aquele que esta sempre ao canto
Esperando a hora de ir embora.
E que aguarda com a avidez de um santo
O momento oportuno do abrir da porta.
Uma nova aurora, um novo ciclo;
Talvez quem sabe um nada novo!
Tudo contínua, eu inexisto,
Na hora confusa de agora há pouco.
Por isso, eu te peço, me provoque, me beije a boca, me desafie, me tire do sério, me tire do tédio, vire meu mundo do avesso, rasgue minha roupa, puxe meu cabelo, deixe minha pele arrepiada, com o estômago gelado. Me marque com quem você é e o que você faz de melhor.
E das pessoas que andam falando de mim por aí só tenho uma coisa a dizer: sua vida é um tédio ou a minha muito interessante!
Ai, meus ais! Ai que tédio!
Todos os dias são iguais, ai que tédio!
O pensamento me diz que isto não tem remédio
A noite eu vou descansar na minha cama,
de manhã tomar o meu cafezinho
Se o dia vai ser bom eu não sei,
pois eu não sou adivinho!
Ao chegar ao serviço à mesma rotina!
Na hora do almoço eu vou comer
num restaurante da esquina
Quando acabar o expediente
lá vou eu enfrentar o transito
E o nervoso que eu vou passar
não está escrito!
Chegando em casa eu vou tomar um banho demorado
Quem sabe a água quente vai aliviar este meu cansaço?
Então eu vou jantar e me enfastiar de comida
Ai meus ais! Como é chata a minha vida!
Só que eu me esqueço que a noite
alguém sempre dorme no chão!
No café da manhã talvez um pedaço de pão!
E quem sabe este alguém consiga um trabalho?
Qualquer coisa serve para quebrar o galho!
Pois sem dinheiro na hora do almoço,
quer dizer adeus refeição!
À noite o de costume, o chão!
Mas pode acreditar, eu vou falar sério!
O engraçado é que este alguém
não sente tédio!
Ele(a) reclama de fome,
e do lugar aonde ele(a) dorme!
E nesta hora ele(a) gostaria de tomar
um mero cafézinho!
Isto vai mudar? Eu não sei!
Eu não sou adivinho!
No passar do dia- a- dia,
a rotina do tédio
as vezes nos surpreende
com o nascer calmo
da amizade.
Ela que vem de um bom dia,
de um sorriso,
de um porquê.
Que faz de cada segundo
celebração de instantes
em que a presença constante
de um amigo
faz valer a pena a dureza de viver.
E transporta os sonhos
à realidade,
momentos de saudade
de não ter por perto
alguém para dar um abraço,
e simplesmente dizer
que passar os dias ao seu lado
é presente de Deus
a um mundo ingrato
que não tem assim como eu,
você.
Ainda prefiro o estresse ao tédio, o ativismo ao ócio, a frustração de não ter conseguido à de não ter sequer tentado.
As paredes do quarto seguem descascadas e não pretendo pintá-las. Tédio. Sozinho, deitado na cama de casal, miro o balde de lixo e arremesso a folha datilografada que eu lia há pouco tempo. Não foi hoje, nem ontem, muito menos anteontem que ela pensou em tomar essa atitude. Essa carta tinha sido escrita há semanas, eu pude sentir isso. Só lhe faltava um pouco de coragem para deixá-la sobre a mesinha de cabeceira — o que fez horas atrás enquanto eu dormia despreocupadamente. Bom, agora essa folha morre dentro do lixo, porém suas palavras perdurarão nesse coração descascado; coração do qual terei de pintar novamente, temendo que se deteriore por completo.
Além-tédio
Nada me expira já, nada me vive ---
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.
Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.
Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.
Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!
Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.
E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...
