Tédio
TÉDIO
Viveis em um mundo tão tedioso
Que a dor alheia, te alegra
Alegria embrulhada de exílio
Cego ao teu próprio ver
Te incomoda com o que não é teu
Faz, agora, parte de tua obrigação
Espalhar ódio de graça
Prisioneiro da tua própria infantilidade
Que te faz acreditar digno
De julgar o que não lhe convém
Só não percebe a desgraça
Que é essa tua solidão
Em que o caçador sempre foi a caça
Como numa corrida de gato e rato imaginaria
Lá, o único competidor
É tu
Quem sofre é só consequência
Da amargura escondida
Teu ego
Faz eco
Numa eternidade tediosa
E um ciclo sem fim
Que apenas bate e volta
E te consome em pedaços
E se sente impotente demais
Para pedir socorro
Em que a única solução que te resta
É tornar a desgraça rotina
E tomar controle de mentes fracas como a sua
Descontar aquilo que não sabes explicar
Que se alimenta de uma parte tua todos os dias
Porém, teus olhos já não mais veem
Sua sabotagem diária
Que te faz crer em uma fábula de constante poder
O tédio vira rei
E tu
Mero caçador
...Faço de ti um fantoche cheio de tédio e melancolia! Brinco com os teus segredos mais obscuros! Planto em teu coração uma mistura de ódio com perdão! Deixo-te em um mundo de confusão onde somente eu posso resolver qualquer problema! Torno-te dependente de mim! Eu a levo para uma outra dimensão,ainda mais escura e fria do que esta criada por tua vã filosofia...
ADEUS TÉDIO
Pra acabar com o tédio
Fui passear de canoa
Joguei meu anzol na água
Atei a rede na proa
Tomei um aperitivo
E fui pescar numa boa.
Voltei para João Pessoa
Almocei em Manaíra
Depois voltei pra Recife
Ouvi a mais bela lira
Comi um arrumadinho
No barraco da Zumira.
Quem nunca viu, se admira
Pra espantar a fobia
E para dá fim ao tédio
Me lavei com água fria
Depois fui até Olinda
Aproveitar a folia.
Quem gosta do que Deus cria
Encontra pra dor a cura
Quem procura coisa boa
Sempre encontra o que procura
O dia só amanhece
Depois de uma noite escura.
ABORRECIMENTO
“A falta total de aborrecimentos te levará ao tédio da inércia, sentimento que poderá abreviar sua vida, ou fazer de ti mais um elemento a lotar algum manicômio”.
(teorilang)
Pela minha experiência, a frustração e o tédio nos motivam a buscar outros prazeres. O ser humano é previsível.
"Diante do turbilhão do desespero, do absurdo, da idiotização por toda a parte, do tédio, da loucura e da desolação só nos restam a tragicomédia e a ironia".
Fosse o que fosse -
Fosse o que fosse não era tédio
Nas asas loucas do vento
Uma dor sem ter remédio
Um desejo ou um lamento.
Fosse o que fosse não eras tudo
Temos agora a mão fechada
Na verdade não me iludo
Eras tudo sem ser nada.
Fosse o que fosse o coração
Era mais que a dor sentida
E do tédio à solidão
Damos mais sentido à vida.
E afinal este desgosto
Nem uma lágrima me trouxe
Estava em pé mas estava morto
Fosse lá isso o que fosse.
A vida oscila entre 4 níveis.
Vontade de ter,
Tédio de possuir,
Medo de perder
e a tristeza por ter perdido...
PLASMA
Quando eu era criança, um homem fracassado possuía um sentimento de decadência, de tédio, de desilusão e melancolia. Por isso enxergava uma inutilidade e uma futilidade na sua existência, então se resignava em casa, se deprimia numa batalha interna entre a resiliência e a desistência ou adotava um comportamento boêmio no estilo "mal do século" de Chateaubriand, até encontrar a fé em Deus e se erguer. Infelizmente, muitos se suicidavam e não tinham o divino despertar.
Hoje, o homem frágil e sem êxito na sua vida pessoal, não tem humildade de aceitar a sua decadência, rejeita as soluções espirituais e se diz vítima de erros biológicos e cromossomicos.
Então se acha no direito de invadir uma das searas mais sagradas, admiradas e profícuas da vida humana, a área da mulher, a obra mais venerada, perfeita e exitosa da criação.
Emulando grosseiramente, o jeito, a voz, o andar, as vestes e a penetração social feminina, o antigo fracassado, se crer um vencedor. E celebra publicamente a suposta vitória como se fosse objeto de realidade inquestionável.
Contudo, além da consciência gritando por dentro: "É MENTIRA"!, o angustiado também enxerga nos olhares e faces da plateia censurada que o aplaude, movimentos involuntários da maioria, que refletem a confirmação de que sua verdade foi estupdamente adulterada. E embora finja não perceber o desconforto alheio e reafirmar pertencer ao "novo mundo", no intimo, sabe que será sempre, apenas um plasma. Ninguém consegue matar um Y só pela força do pensamento ou do sentimento.
Em ampla perspectiva, quiçá já estejamos participando de uma salvação eterna de um tédio. Essa ideia não apresenta um Criador que precisa corrigir sua criação daquele modo. (…) Existe vida semelhante à humana em outro planeta que desenvolveu uma religião superior ao cristianismo? Quantas religiões há no universo? Não acredito que Deus tenha apresentado planos de salvação eterna se comunicando diretamente através de linguagem mitológica.
Eu preferiria morrer de amor, mesmo que fosse amando sozinho, do que sucumbir ao tédio, perdido no labirinto escuro e gélido do meu próprio coração vazio.
Tédio dos dias
Dias que passam, lentos e iguais,
Como folhas no vento, dispersas, banais.
O tédio se arrasta em silêncio profundo,
Um eco sem fim no vazio do mundo.
Olhares perdidos, cansados de ver,
As mesmas paisagens, o mesmo viver.
É a falta de cor, é o tempo parado,
Um ciclo sem sonhos, um chão estagnado.
Amanhece sem pressa, anoitece sem cor,
E o dia se estende, sem brilho, sem dor.
São horas vazias, caladas e frias,
Na longa espera de outras vias.
Por entre as paredes, murmúrios sem som,
Ecoam desejos de um novo tom.
Mas o tempo persiste, fiel ao desdém,
De trazer só promessas que nunca vêm.
Ah, quem dera uma brisa, uma voz, um sinal,
Algo que rompesse o véu habitual.
Mas enquanto isso, o tédio se expande,
Como uma sombra que nunca se esconde.
"A vida psíquica do soberbo oscila entre o tédio e o desespero: ele se desgosta na expectativa dos bens desmedidos a que aspira, e se enfurece por não lograr alcançá-los".
Segure minhas mãos, não me deixe cair
Nesse abismo escuro chamado tédio.
Segure-me firme, não me solte daqui,
Desse alto penhasco que é o medo etéreo.
Estou à beira de um triste desabar,
Preso à rotina que fere e consome.
Acorde-me agora, ensine-me a amar,
Dê vida aos desejos que o tempo some.
Explane em meu peito os mais belos sentidos,
Pois quero você, e só seu eu sou.
Em seus braços me perco, me acho, me sigo,
No amor que em mim para sempre ficou.
Onde vivo
Vivo numa casa, rua, cidade e pais,
Mas logo mudarei pelo tédio que há ali á
a chance de prosseguir ali não há
Liberdade sem saber, é necessário procurar
Eu preciso me desvincular
Dessa forma de me enxergar
Entre esse abismo de desinteresse
Por esse lugar
Encontrar, procurar me perder sem me
Achar, acredito que em algum lugar
Longe ou perto do mar na tranquilidade
Vou me refugiar
O tédio sempre foi um privilégio das elites. O proletáriado, vivendo entre a opressão de um trabalho desumano e o medo de perdê-lo, nunca pode usufrir de semelhante luxo.
