Janete Sales (Dany)

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Você me daria um emprego? E sem sentir medo?
A minha mão novamente
está estendida a implorar...
Eu envergonho-me deste gesto,
meu Deus venha me ajudar!
Só que hoje eu senti uma fome absurda,
que doía e parecia que ia me matar
Numa atitude de desespero eu voltei a mendigar
E como resposta,
muitos me olham com o desprezo no olhar!
E dizem:
- Porque este homem não vai trabalhar?

-Eu não tenho sapatos,
só esta roupa suja e rasgada a me agasalhar!
-Não tenho nem mesmo um centavo,
nem documentos que possam me identificar!
-Será que alguém me daria um emprego,
e sem sentir medo?

-Se por acaso você conhece alguém assim,
por favor...
me dê o endereço!

“É mais fácil criticar,
é mais cômodo achar um defeito,
do que estender a mão e ajudar!”

Janete Sales (Dany)
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Tão amável avó Maria...
Meu nome é Maria como tantas outras Marias
Antes só alegria; hoje só melancolia
Viúva muito cedo com minha filha eu sempre morei
Então ela se casou e com ela na luta eu continuei

Lembro-me do nascimento do meu primeiro netinho
Emocionei-me muito quando coloquei
em meus braços aquele anjinho
Todo mundo sabe que pelos netos
as avós sentem o dobro de carinho
Eu só tive uma filha, feliz eu fiquei de ver nascer dela
aquele frágil homenzinho

Ele chorava de noite e logo diziam:
- Chamem a vovó Maria!
Eu chegava com meu amor de avó
e transformava o choro em calmaria
Enquanto a minha filha trabalhava,
todos os dias do meu neto eu cuidava
Fui a muitos passeios com eles
e sempre nos meus braços ele estava
Então o menino cresceu
e da vovó Maria ele já não mais precisava

Comecei a sentir uma estranha mudança,
antes eu era importante naquele lar
Já não me levavam aos passeios,
a razão era porque andava muito devagar
Na sala eu me sentia isolada,
ninguém do meu lado queria sentar
Até nas conversas não tinham paciência de ouvir
o que eu tinha para falar
Diziam: -Deixe a avô Maria maluca para lá,
já está caduca ou vai caducar!

Eles não entendiam que o que eu mais queria
era um pouco de atenção
Eu queria dar para eles o meu amor de avó
e de mãe que eu carregava no fundo meu coração!
Eu nunca deixei eles verem as minhas lágrimas,
eles nunca me viram chorar
Ingratidão de neto e de filha é muito triste,
não queiram imaginar

Num dia bem cedinho pegaram a minhas coisas
e levaram para um quartinho
Quarto que se guardam tranqueiras,
meu coração ficou triste e apertadinho
Não me deram se quer uma única explicação,
para eles a minha solidão seria a solução!
Foi á noite mais triste da minha vida,
doeu muito àquela separação!

Não tinha acesso mais a cozinha
e nem podia ir á sala ver televisão
Estava no quarto das tranqueiras,
das coisas velhas curtindo a minha aflição
Um dia criei coragem e do meu sofrer
para minha filha eu fui falar
Então no meu rosto ela me deu um tapa,
vi naquela hora o meu mundo desabar

Depois deste dia era normal a minha filha me agredir
Muitas vezes sentindo muito medo eu pensei até em fugir
Mas seria loucura eu não tinha para onde ir!
O meu quarto sempre foi solitário e úmido, tive então como
resultado um reumatismo que passou a me consumir
Era só o começo do pesadelo que estava por vir

A doença me jogou numa cama,
então contrataram uma mulher para cuidar da avó Maria!
Agora sim ficou muito pior,
de dia eu apanho da mulher e a noite da minha filha!
Estou num desespero, esperando a morte me levar
Mataram em mim todos os sonhos
até o direito de existir e amar!

Sou tranqueira jogada num canto,
a minha vida hoje é tão triste e vazia
Mais durmo do que acordo,
eu me entreguei a este ambiente de melancolia...
Às vezes na minha insanidade
surgem imagens antigas,
me fazendo lembrar
que um dia
eu fui para eles...
à tão amável avó Maria

Janete Sales (Dany)
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Mãos certas

Hoje a poesia escapou da minha mão
Eu tentei buscá-la dentro do meu coração,
mas foi em vão
Ficou em minha mente vagueando
e não se concretizou
É trágico porque nesta manhã,
eu não sei dizer nem quem eu sou!

Onde foram as palavras
que de tão belas fazem rima?
Fugiram,foram embora morro acima?
Foram passear na mão de um outro poeta?
Então elas foram parar nas mãos da pessoa certa!

Porém eu não me entristeço, porque eu reconheço...
Amanhã eu bem sei que será o meu dia
de escrever novamente
o amor, a dor e a alegria,
em forma de poesia!

Janete Sales (Dany)
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Pensamento de um passarinho

Deram-me a liberdade, abriram à gaiola!
Eu nem pude acreditar!
Olhei desconfiado e pensei...
-Eu não sei voar!

Acostumado com os limites de espaço,
lembrei-me de todas as vezes que eu tentei fugir
e fui vencido pelo cansaço!
Eu sempre via os meus amigos
fazendo voos rasantes pelo céu, porém eu só via
Pássaro de gaiola não voa,
de tão triste nem canta, só assovia!

Com receio e isolado do mundo eu pensei...
- A porta está aberta, será uma armadilha?
-Se eu sair o que irão fazer comigo, eu não sei!

Eu sou pássaro de gaiola
condicionado a viver uma vida sem horizontes,
eu sou desconfiado!
Gaiola aberta para mim não quer dizer nada
As horas são iguais, tanto faz ser dia ou madrugada!

Dá vontade de sair e enfrentar o meu medo
Arriscar a minha vida,
melhor do que a triste sina de viver preso
Porém encolho-me num cantinho,
como quem fica esperando a morte
Desacreditando de tudo,
até da minha própria sorte!

Janete Sales (Dany)
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A flor nasceu!

O universo está encantado
Nesta manhã tudo está transformado
Eu nem consigo acreditar
Há um brilho novo em meu olhar
Hoje eu olho o espelho de cara lavada
Abriu-se um novo caminho, uma nova estrada

Eu que sempre ocultei o melhor de mim
Hoje eu posso ser flor no jardim
Ser alguém pelo menos para mim
Eu posso viver, eu posso crer
Fazer e acontecer

Apreciar a vida de frente
Eis que a flor nasceu da semente!

Janete Sales (Dany)
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Lá adiante está você!

Correndo, subindo e descendo
Estou vendo o seu astral crescendo
Brilho de sol no seu olhar
A vontade de amar
Sim, a vida é uma festa
Não deixe a felicidade passar
A oportunidade é esta!
É só você a abraçar
Não vê? Lá adiante está você!

É só imaginar
A vida fluindo, indo
Só basta acreditar
Inventaram a tristeza só para infernizar
Esqueça, vamos rir até desmaiar
É assim que eu quero te ver
Que eu quero estar
Feliz da vida
Nós dois, o mundo, eu e você
E que se explodam os problemas!
Lá na frente está você! Não vê?

Brinque com os que não querem brincar
Sorria para os que lhe fazem chorar
Não importa, para o mal feche a porta
E depois deixe a felicidade entrar!

Janete Sales (Dany)
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Eterno Amor

Eu penso...

Tu existes ou é uma invenção da minha imaginação?

Se existe é algo inatingível

Eu te comparo com o sol atrás das nuvens,

que é tão almejado nos dias de frio!

Com miragem no deserto,

não é uma joia de vitrine; não pode ser vendida é uma relíquia!


Se eu o criei na minha cabeça, isto é complicado,

como conviver com o invisível?

É uma luta todo dia,

porque eu penso sempre no impossível!

Eu poderia ter desviado de tantos caminhos, tantas ruas

Mas andei por elas a tua procura

Errei muitas das vezes pensando ter te encontrado

E a cada passo que eu dei,

fui descobrindo que a tua distancia não se pode alcançar

Estás tão longe, mas porque eu insisto em te procurar?



Já andei por ruas iluminadas, ruas no breu

Nada disto me importa, o importante é encontrar os olhos teus!

Por tua causa eu conheci o céu;

e às vezes sem querer no desespero eu viajei para o inferno!

E não me arrependo de nada, tudo isto me fez poderosa!

Como lutar contra o que é eterno?

Janete Sales (Dany)
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A casa dos sonhos?

Eu encontrei a casa dos meus sonhos
e para lá eu fui de mudança
E naquele quintal imenso
eu plantei as flores da esperança
O meu sonho mais sonhado,
finalmente eu havia encontrado
O meu lar com muito amor eu comecei a enfeitar

Os três primeiros anos foram de muita alegria
A minha casa estava finalmente do jeito que eu queria
O jardim enfeitado com flores de todas as cores;
era lindo de se olhar!

Não faltava mais nada para a felicidade me abraçar
Mas o tempo passou e algo mudou
Eu sentia, eu percebia; mas não queria enxergar
Ouvia, mas não queria escutar
Sons e ruídos que vinham do lado de lá

E aquele pequeno transtorno, eu decidi ignorar
Quem sabe esquecendo, aquilo tudo iria passar?
E tudo o que eu mais temia me acompanhava,
e apavorada eu fugia
Só que de ruídos então passaram
a ser estrondos e isto era todo dia

As paredes falavam, porém eu fingia não escutar
Um barulho que me tirava o sono
e não me deixava pensar.
Eram as vozes do ódio com ferros e pregos a se misturar!
E para me acalmar nas claras manhãs,
só os comprimidos eram bem vindos!

E o meu pavor foi crescendo, sem dimensão
O ponteiro do relógio não andava,
aumentando a minha depressão
Quanto eu mais rezava,
aquele fantasma vinha me assombrar
E eu já não mais existia,
eu era o próprio medo a me arrastar

Nas paredes do corredor
haviam mãos que estavam prontas para me puxar
À noite pesadelos estranhos;
uma criatura agarrada no teto a me fitar
Então um dia eu decidi,
ir para rua para esquecer um pouco o tormento
Porém quando eu voltei,
a casa parecia que ia cair a qualquer momento
Tremia, ruía, balançava
e tudo naquele ambiente parecia querer me expulsar
E o susto foi tão grande que eu me ajoelhei e cheguei a vomitar!

Ali eu já não me sentia sozinha,
sombras obscuras me acompanhavam em todo o lugar
E dentro de casa com muito medo, eu andava devagar
No quintal eu ouvia as vozes dos homens
que estavam na fábrica a trabalhar
Barulho de ferros, brocas e metal;
muitas risadas e todas elas eram para me assombrar!

E enlouquecida eu havia me tornado,
em uma mulher sem nenhum horizonte
Suja, triste, sem esperança e sem fome
Pelos móveis da casa
se espalhavam os meus comprimidos
E assim se passaram sete anos,
entre prensa, martelos e ruídos
E as vozes e as risadas se transformaram em gritos!

A casa dos meus sonhos tinha se transformado no inferno
Morreram as flores, e o meu jardim com cores obscuras
só conhecia o inverno!
Como eu sobrevivi?
Hoje eu estou viva e posso lhe contar!

Eu fugi!

E a fábrica se encontra no mesmo lugar!
Janete Sales

Janete Sales (Dany)
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Quietude

Eu sempre quis ser o mar revolto com ondas gigantes...

Hoje me alegro em ser um lago parado onde o reflexo de sua água espelha o meu rosto quieto e calmo!


Eu sempre tive uma labareda querendo inflamar a tudo e a todos...

Hoje me vejo como uma pequena chama que o vento balança!

Eu sempre quis ser o céu de alguém ...

Hoje me limito a dividir espaços e já não penso em ser o céu porque tenho os meus pés no chão!


Eu sempre quis ser muito amada, eu lutei tanto por isto...

Hoje tanto faz, eu só quero a minha paz!

Talvez um dia eu volte a querer ser o mar,

e o meu fogo me inflame novamente.

Talvez eu sonhe em ser o céu de alguém

e faça de tudo para ser amada.

Porém por enquanto estou serena

e estranhando esta minha quietude

de não querer mais nada!

Janete Sales (Dany)

O poeta vive a poesia

Nunca vive a própria vida
Fala da noite quando já é dia
Tem que sentir as lágrimas da partida
E muitas vezes sorrir em versos,
mesmo tendo uma vida vazia


O poeta não tem estação,
no inverno tem que sentir o calor do verão
No outono em meio as folhas secas;
tem que ter as flores da primavera no coração
Nos dias de sol tem que sentir
as nuvens negras da solidão
Nos dias de chuva tem que ser o dia ensolarado,
a esquentar uma paixão


O poeta não tem onde ficar
Pode morar numa cabana ou a beira do mar
As vezes se encontra nas montanhas,
só basta o pensamento o levar
O sol escaldante do deserto; as vezes tem que enfrentar
Nunca tem moradia certa ;
mora perto, mora longe, em qualquer lugar


Quando está muito feliz
tem que expressar a alegria em dobro
Nos seus versos para alguns traz felicidade,
um pouco de conforto
Quando entristecido, as suas lágrimas
molham o papel onde está a escrever
As vezes borram as letras e o poeta fica a se lamentar,
pois os seus lindos versos, já não consegue mais ler!


Ser poeta é viajar todos os dias
O seu pensamento sempre está a procura de uma frase,
que preencha as suas poesias
Só é poeta quem pode amar com facilidade,
reconhecer o ódio e a falsidade


Os sentimentos se misturam na vida de um poeta sonhador,
Em letras que falam do mal e do amor
E estando com o coração transbordando de alegria,
tem que saber expressar a dor
Mesmo que chore as lágrimas da solidão,
no seu canto sozinho, o poeta escreve os seus versos
imaginando estar em meio a multidão
Chora por dentro mas por fora tem que ser outro;
esquece o que rege o seu próprio coração!

Porém quando o poeta escreve realmente,
o que sente naquele momento
Tudo ganha mais força,
porque é escrito com mais sentimento
Ao falar de si mesmo,
as palavras fluem com mais intensidade
Então o poeta chora a tristeza; ri a alegria,
a grande diferença é que nesta hora...

É de verdade!

Janete Sales (Dany)
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Triste olhar

É impossível segurar as lágrimas

que nascem do fundo de minha alma



Elas vão se aflorando igual às águas

que brotam de uma fonte

e sem piedade molham o meu rosto



Nesta hora é minha alma gritando

porque na dor está se afogando!



Denunciam o meu pesar, a falta de um amor;

uma vida de solidão



Sentimentos contidos que vão surgindo,


que descem na minha face e salgam os meus lábios



Mais tarde no espelho,

eu olho o meu olhar vermelho, tão frio e seco!



São só aparências...



Atrás desta vermelhidão

vão surgindo novas águas que no momento parecem calmas



Porém eu não sei até quando eu vou conseguir esconder

este meu novo pranto


Eu bem sei que as lágrimas estão guardadas em mim



E apesar deste meu triste olhar,

eu vou caminhando....

E mesmo contudo eu vou indo...

E sempre sorrindo e fingindo!

Janete Sales (Dany)
Inserida por JaneteSales

Oh terra ingrata!

Se a semente dentro de ti cresce...

Porque você cobriu o meu amor e ele não floresce?

Embaixo do solo a semente germina e cresce um broto e nasce uma flor!

Você cobriu alguém que eu amo; o meu maior valor!

Faz um milagre agora e dissemina com a minha dor!




Ah, como eu queria numa linda manhã,

ver surgir de novo alguém que se foi para sempre!

Ninguém então morreria e na terra todos nós seríamos sementes!

E em flor nós voltaríamos para alguém que ficou a chorar!

Terra eu lhe suplico! Faz o meu amor brotar!



Água para germinar a semente é que não vai faltar!

As minhas lágrimas encharcaram por inteiro este lugar!

Terra eu te prometo, no mesmo lugar que renascer o meu amor...

Como recompensa eu irei semear a mais linda flor!

Janete Sales (Dany)
Inserida por JaneteSales

Estado de espírito

Onde mora a felicidade, que anda solta e ninguém é dono!?
Ela não se aprisiona tem a liberdade de ir ao encontro
"de quem a merecer"!


As brincadeiras de crianças são a presença mais viva de felicidade, elas são puras, quando estão a brincar, o barulho de suas vozes é uma mistura tão linda, uma verdadeira canção de alegria!


Ela brota numa lágrima de uma mãe que por um tempo foi agasalho para seu filho e num dia sagrado passa a sentir em suas mãos, o que esteve por tantos meses dentro dela !
Vê esta vida começando agora, um fruto seu de esperança, o nascer da felicidade!
Neste momento nem chega a pensar que esta colocando esta vida tão esperada nesta terra de homens, as vezes tão cruéis!


A felicidade está no coração dos namorados, no beijo demorado, nas mãos que afagam...
Quando estamos amando, a imagem do outro é a mais bela pintura que não cansamos de olhar!
Se sentir amado nos faz muito bem, porém no amor existe uma troca, é preciso também saber amar e amor vindo dos dois lados é a felicidade que se completa!


Uma conclusão podemos ter, a felicidade não é sua, não é minha, pertence a quem esta constantemente com o seu coração doando amor, está para os que olham a vida com esperança, podemos mantê-la viva dentro de todos nós, é tudo uma questão de escolha se a procuramos por fora viveremos de ilusões, mas se a cativarmos por dentro estaremos fazendo o mais certo e como agradecimento a nossa vida vai sorrir!


A felicidade sempre foi e sempre será um estado espírito!


Eu posso, você pode, que tal dominarmos a arte de ser feliz!?

Você já sorriu hoje?

Janete Sales (Dany)
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Fuga

É hora de se olhar

De se enfrentar

Não desvie os seus olhos diante do espelho

Atravesse os bloqueios

Se enxergue de verdade

Não minta nunca mais para si

e trate a você mesmo com sinceridade

Seu momento atual é de fuga?

Um dia mais para frente

verás que fugir não trás felicidade!

Janete Sales (Dany)
Inserida por JaneteSales

Chuva, saudade, morte e vida...


A minha casa mesmo sendo feita
com os alicerces tão fortes e vindo do meu amor
Não aguentou a chuva que veio com fúria
e sem compaixão a arrastou
Tudo o que eu tinha conseguido em anos,
num instante a chuva levou
Eu fiquei ali inerte olhando o local
onde ela estava antes
e que agora só a saudade ficou

Imaginei cada ponto do lugar
e tentei montá-la de novo em pensamento
A cozinha tão pequena, mas cabia toda a família
e na mesa sorridentes nós repartíamos o nosso alimento

O meu quarto foi fácil de descobrir nas ruínas,
lá estavam os meus lençóis
e todas as minhas roupas de cama
O meu maior aconchego misturado com a terra,
todo impregnado de lama
Ali eu adormecia protegida do relento,
um lugar que sempre foi de se fazer amor
com quem se ama

A sala, quase impossível não vê-la,
a TV entre os escombros
e já não estava mais ligada
Um pouco antes da minha casa ser levada
eu assistia um noticiário dizendo
que a chuva não estava fraca,
no qual mostrava vários lugares
sendo levados pela enxurrada!
Eu nunca pensei que aconteceria comigo
o infortúnio de outros que eu vi na televisão,
que eu iria fazer parte dos que lamentavam
as perdas, a destruição!
O que eu obtive com meu empenho
em anos de dedicação,
em poucos segundos veio ao chão
Eu fiquei ali paralisada, observando
tudo e completamente sem ação!

E mais desolada eu fiquei ao ver
que além da perda material
que muito me fez chorar
Foi ver um bombeiro que no colo carregava a morte,
um amigo meu que a lama não deixou respirar
Uma imagem angustiante,
eternizada na minha memória,
tanta desventura e tanta gente a se lastimar!

Numa noite eu sonhei que tinha voltado lá,
até coloquei a chave na fechadura
e pude adentrar...
Nada me aparentou estar alterado,
as crianças estavam na sala a brincar!
Então eu vi uma imagem
que aqueceu meu coração
Meu amigo ainda estava vivo,
sorriu-me quando passava na rua e
até me acenou com a mão!
Eu pude ver a minhas fotos antigas,
abracei com ternura o meu álbum de recordação
E de tanto contentamento eu chorei e acordei...

Os sonhos não são eternos,
nós sempre temos que voltar a realidade
Viver o dia presente, renascer a todo instante
e ao mesmo tempo morrer de saudade!

Janete Sales (Dany)
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Você inteiro

Estou entre lençóis e te espero


Sim, vou te esperar


Vem me cobre, me sufoca, me faz delirar


Quero suas mãos no meu corpo a deslizar


Quero sua pele em mim, me cobrindo,


E assim meu desejo, só vai aumentar


Sente, descobre o que eu quero, só você pode me dar


Desvenda no meu corpo aonde vai me tocar


Eu te respondo num suspiro, quase delírio


-Ai sim, é o lugar...


Olhe os meus olhos agradecendo,


pedindo mais e mais , tudo tão explícito, tão intenso


Você inteiro, só meu neste momento


Eu desfruto de você, eu te recompenso...


Não há nada lá fora, tudo esqueço...você é o meu lugar


Vem esta noite amor, eu prometo me entregar


Guardei para você esta sede, esta vontade de amar!

Janete Sales (Dany)
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Os pratos vazios...


Um pai contava histórias na hora da refeição

Nos olhos atentos dos filhos, nenhuma divagação

Os pratos vazios, as bocas ávidas por uma refeição



Aquela lastimável situação ele queria abrandar

A fome de seus filhinhos

ele tentava de alguma forma disfarçar

Ele lia em voz alta com muita empolgação!

Porém os seus olhos estavam tristes,

exibiam a amargura cravada no coração



Quando viu seus pequeninos caindo no sono, parou de ler

E ficou a pensar no dia seguinte, no que iria fazer!

Quem sabe conseguiria um emprego

e diria adeus para aquele pesadelo?

Então a sonolência veio e ele procurou o sossego

E sentindo muita pena dos seus entes queridos,

adormeceu nos braços da esperança e do medo!

Janete Sales (Dany)
Inserida por JaneteSales

Nos olhos o medo...

Será que eu vou retornar?
Do que vejo, do que parece me levar?
Caminho desnorteada por uma estrada
em busca de socorro
Estão me seguindo e eu entro em becos,
eu subo em morros!


No soprar do vento eu ouço uma estranha canção
O desconhecido provoca pensamentos absurdos
na minha imaginação
Nada a frente pode se ver, será o fim do mundo?
O medo caminha pelo meu corpo,
não se afasta de mim nem por um segundo


O céu está tenebroso e eu não sei para onde ir
A minha boca quer gritar, o que ninguém pode ouvir
Um pingo de suor escorre no meu rosto
Eu posso sentir percorrendo pelos meus lábios,
o sabor do meu esforço, é de sal, eu sei o gosto!


Vultos e pessoas desconhecidas aparecem do nada
Sem rumo, eu fujo para encontrá-los de novo
em outra encruzilhada
Este lugar se parece com um labirinto,
não consigo encontrar uma solução
Ajoelho-me numa entrega,
não há mais nada a fazer, estou sem ação!


De repente aos poucos os meus olhos
vão se abrindo...
As minhas roupas de suor estão molhadas,
os meus lábios sorrindo...


As mãos frias! Nos olhos o medo!

o corpo ainda tomado pelo arrepio, pelo gelo!

Porém sorrio de mim mesma ...

Eu acordei de um pesadelo!

Janete Sales (Dany)
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"Já não lhe olho mais..."

Eu não lhe procuro mais, eu admito é verdade
Você destruiu em mim toda a vontade
Já não lhe olho mais como outrora
Eu tinha tanta necessidade de lhe ver
Sentia saudades a toda hora
Em versos uma vez o meu amor por você,
eu tentei descrever
E ao lhe mostrar os meus singelos rabiscos,
você foi tão insensível, me deu as costas e não quis ler
Matou o meu desejo e não deixou florescer
Você não destruiu só o meu amor...
o meu céu também escureceu e perdeu a cor

Muitas das vezes que os meus olhos desejavam os seus, você de mim se desviava
Agora você vive a procurar o meu olhar,
até parece que se esqueceu que não me amava!

Eu não sei para onde foi aquele amor absurdo
que eu sentia, porque hoje eu me sinto tão vazia
Eu tinha uma paixão ardente
e para você inteira eu me abria
Um amor tão carente,
que lhe desejava noite e de dia
Um amor tão quente que se esfriou,
pois estupidamente você jogou nele
um balde de água fria!

E agora os meus passos estão tão incertos
a saudade já não habita o meu coração
A minha vida ficou sem um por que!
Diga-me então, para aonde foi a minha emoção?
O que houve com aquele amor
que tanto clamava dentro mim ?
Morreu a míngua suplicando por um pouco atenção!
Eu sinto muito, mas a nossa estrada chegou ao fim!

Janete Sales (Dany)
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Você pode escolher

Felicidade é desenhar o sol no céu, num dia de chuva

Fé é quando estamos sofrendo e

aparece do nada uma força absurda

Tristeza é uma dor que faz o nosso espírito chorar

Descrença é desistir mesmo antes de tentar


Amor é um sentimento maravilhoso, de se dar e de se receber

Esperança é acreditar que lá na frente nós vamos vencer

Ódio é um veneno que corre nas veias daquele que o alimentar

Desesperança é não se dar uma chance, é se entregar!


Enfim, existem muitos sentimentos dentro do nosso interior

E você pode escolher...


Nos dias de chuva aproveite a terra molhada e semeie uma flor


Nos dias de sol aqueça o coração de todos,

com um sorriso aonde você for


Mais vale deixar de dizer mil palavras de ódio,

para dizer só uma de amor!

Janete Sales (Dany)
Inserida por JaneteSales

Você se foi...
Você se foi!
O meu coração ficou dilacerado e sangrando!
Os meus passos não estão mais
sobre o meu comando
A lua inspiradora dos namorados
perdeu todo o seu prateado
E as estrelas não cintilam mais no céu
e eu jogo as minhas palavras ao léu

Você se foi!

E eu perdi todo o meu entusiasmo em viver!
Não consigo mais distinguir
o que é manhã, tarde e anoitecer
As flores perderam todas as suas cores e fragrâncias
Pode chover, pode ventar, nada tem mais importância!

Você se foi!
Os dias estão longos e as noites nunca terminam
Os afazeres que eu tanto gostava já não me fascinam
O meu amor por você é comparável
com a imensidão do mar
Por sua causa desapareceu uma constelação inteira
e até mesmo o luar!

Você é o meu mais lindo segredo
O meu motivo para todos os dias acordar bem cedo
Você é para mim o ar que não pode faltar
O sol nas manhãs que bate na minha janela
e vem me acordar


Você é para mim a mais bela canção
A razão das batidas do meu alucinado coração

Você se foi!

Não deixou rastros para que eu possa te encontrar
Contudo isto eu cheguei à conclusão,
de que a vida só pode estar querendo me matar!

Janete Sales (Dany)
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Pedra...

Aquele que jamais volta atrás,

mesmo estando em dúvida,

é semelhante a uma pedra que nunca muda.

Resistente ao sol, resistente a chuva!

Uma pessoa rígida

que não admite qualquer mudança!

De que vale viver uma vida inteira como pedra?

Não pode haver evolução para quem não aceita

nenhuma discrepância!

Janete Sales (Dany)
Inserida por JaneteSales

Uma fenda para o passado

Às vezes nós fechamos uma enorme porta ou nos fecham
e sendo assim não podemos mais entrar

Novas portas se abrem,
mas sempre olhamos para trás com um certo pesar
E então nós tentamos deixar uma pequena fenda,
porque ali é que queríamos ficar!


E quando menos se espera,
o nosso passado nos vem visitar!
A saudade de outros tempos corrói nosso pensamento
e parece não querer findar
procuramos então por aquela estreita fenda
para podermos olhar
mesmos que por alguns instantes
e rever o que nos fez rir...
o que nos fez chorar

Janete Sales (Dany)
Inserida por JaneteSales

Um nada, um resto


Eu sou a beleza externa mais completa!

Eu nada falo e nada penso, eu não preciso...

A ninguém dou um agrado

Com a minha imagem a todos eu presenteio

Não preciso aprender, oferecer e amar...

O que eu aparento já me basta!

Aonde eu vou a minha presença

conquista e ganha qualquer um!




Eu não penso em envelhecer;

e em morrer eu nem quero pensar

o meu fim será por completo

Eu sempre fui tão vazia por dentro,

eu nunca amei!

Quem se lembrará de mim?

Depois da minha morte eu nada serei

E dentro de um caixão modesto,

só vai sobrar

a minha matéria morta...

Um nada, um resto!


Obs: Ofereço este pensamento a todos aqueles que só pensam na beleza exterior!

Janete Sales (Dany)
Inserida por JaneteSales

Anjo sem asas

Sou anjo caído na estrada
Ajoelhado, com as asas quebradas
Nos olhos a amargura da solidão
Uma flecha pontiaguda atravessou o meu coração!

Meus dias estão incertos
Eu danifiquei a máscara
Meu rosto está descoberto
Como voltar para casa?

Eu sou um vento frio!
Um pote vazio
Chuva gelada
Caminhos tortuosos na estrada

Quem passa não me vê
E quem me vê só quer me esquecer
Eu sou predestinado à solidão
Guardo os meus segredos no coração

Eu sou a canção que ninguém cantou
Restos do amor que se acabou
Eu sou a lágrima do humilhado
Um espírito cansado

Eu sou como a porta do cemitério
Todos os que entram nela, temem ir para o inferno
Eu sou o mistério que lhe tira o sono
Sou a angústia do abandono!

Anjo que não consegue e não quer voar
Sem as asas onde estão os motivos para sonhar?
A noite cai e as estrelas sumiram do céu, escureceu!
Esqueceram de mim e este destino é só meu!

Janete Sales (Dany)
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