Tag poeta
Às vezes a natureza nos rouba
as palavras e o olhar espantado sorri
diante do silêncio que vibra e toca.
Gentil o vento sussurra ao ouvido
fragmentos de sonhos perdidos
relatos de nuvens e luares
estilhaços de histórias de amor.
Atenta a memória registra
imagens aromas burburinhos
e o que fica mais tarde transforma-se
em versos que se derramam
das páginas e mais páginas do ser.
Bendita a nesga de sol
que ilumina o olhar dos poetas !
Grito (do cerrado)
Corações cerrados
devaneados
no chão vivido
torto, ressequido
árido
e empoeirado.
Que crasta
arrasta
queima
sem dilema...
Pari alarido
sofrido
num socorro
caldorro
de miseração,
num grito a destruição...
Chora o cerrado
devastado.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro, 2017
Cerrado goiano
Quando envelhecemos primeiro nossa mente engrandecemos nossa alma e a juventude tende a se perenizar, adentre os anos de sua existência desbravando o desconhecido para que na decrepitude física tenha oque recordar.
O coração acelerado
É o que sinto
É algo inexplicável
É esse seu sorriso
É esse seu olhar
É o que me desmorona
És o que me faz apaixonar
É tudo muito novo
E Eu te quero pra sempre
e depois do sempre
Te quero de novo
e novamente
Parece clichê
Mas escrevo isso
Para ansiedade de te ver
não bater
Você está significando muito
Talvez tudo
Mas vamos devagar
Eu ainda sinto
Que posso me decepcionar
Não por sua causa
Mas sem por mim
Sou daqueles que quando se entrega
É até o fim.
Pensadores só pensam,Contadores só repassam,inspirações são o centro do pensamento , a eloquência é a via que permite o fluxo ,sábios só unem tudo isso e agradecem pelo esforço alheio .
Nude
Triste do poeta que pensa estar em um altar imaculado.
Nasceu em um buraco que não tem mais tamanho.
Usa teu poema como asa e não como pá.
Faça melhor, aprenda a tecer.
UM DE JULHO (soneto)
Se sois, inverno, no cerrado se sente
De tempos frios com tal bravio vento
Que tomais a secura como elemento
E neste movimento, és inteiramente
Nuvioso,horas breves, chão sedento
Da mesma natureza, e tão diferente
Dias vão que passa no fugaz poente
Rubente o céu num encaixotamento
E desta vida em tudo ó mês valente
Sê da metade do ano, planejamento
Férias breves do docente e discente
Como do calendário és afolhamento
E teu entardecer não mais reluzente
Tudo em vós, julho, traz sentimento
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
"Quando morre um Poeta, apaga-se uma luz no luminoso celeste. No entanto os Poetas vivos garantem com suas obras, a luminosidade do Universo(CCF)"
De um poeta amargurado .
Das noites em claro passadas
Dos sussurros aos monte venho escutado
Da vida de um rei de contos passados .
Um poeta clichê , tem seu valor
Mesmo jogado e empoeirado
Do seu âmago ao leitor
Da solidão de um dia ser folheado .
Luisa
Quando vi Luisa nascer
A criança sabia que a pequena
Infante, princesa ia ser
Nasceu sob o luar de uma família de poetas, de cabelos escorridos
Como escorrem palavras pelo nosso caderno de emoção;
Olhinhos amendoados, sofisticados,
De quem nasceu para reinar absoluta nas graças dos versos
De uma menina solta, doce,
Que virou mulher forte,
Com sorriso de boneca,
Mas voz e olhares de sedução
Onde meu suspiro e o sentimento
Do mundo balançam
Por essa menina que nasceu para
Ser da lua, com a alma do sol,
Onde a discrição se desnuda
Para cobri-la com cifras e acordes
Que deixam tão poetinha
Até o mais duro coração.
(Aniversário de Luisa Ramos Martins [Drummond], em noite escorpiana de músicas e encontros)
A PORTA
De tábua és construída
ao vento e a poeira corta
marca chegada e partida
viva e morta: sou a porta
Eu abro para quimera
me fecham no temporal
sou tramelada, espera
proteção, da casa ritual
E neste abre e fecha
a escada é o meu chão
lá fora eu vejo pela brecha...
O bem, é a porta do coração.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, 27 de maio
Cerrado goiano
Um poeta escritor sempre deve agradecer ao Amigão
por te-lo aquinhoado com talento "escrivinhador", e
a seus leitores, que são a verdadeira alegria
de um poeta escritor...
AGRADECIMENTO DE UM POETA ESCRITOR
Marcial Salaverry
O poeta ao escrever,
coloca sua alma pra fora...
Manda a razão embora,
e fala pela sensibilidade...
Ora pela saudade,
ora pela felicidade...
Vê imensa beleza
até na tristeza...
Diz o que lhe vai no pensamento,
mesmo que seja um triste lamento...
De uma alegria,
faz feliz seu dia...
Assim é a alma poetal,
incapaz de querer mal,
pois sempre tem dentro de si,
a chama de um amor,
seja ele como for...
Ama a Natureza,
com seus erros e sua beleza...
Ama a vida,
vivendo-a como a quer vivida...
Principalmente, ama o Amor...
qualquer que seja sua manifestação ,
pois é o que dá vida ao coração...
Assim é o poeta escritor...
Na alegria, ou na dor...
Amante sempre amado,
sempre com um amor apaixonado...
PASSARINHO
O passarinho, pelo céu, passa
Entre galhos, voo, mansinho
Desliza toda a sua graça
És livre no seu livre caminho
Na secura do cerrado, reaça
Entre tortos galhos, seu ninho
Num canto de encanto, bocaça
Aveludando a aridez num alinho
Lá, cá, acolá, na frente, na regaça
Em bando, passarinho, sozinho
És leve, garrido, como a cassa
Em galhos macios ou de espinho
Voa deslizante, de braça em braça
No campo, praça, qualquer cantinho
O passarinho, bom prol nos faça!
Ás, lento, alto ou baixinho, passarinho...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
28 novembro, 00’25” – 2017
Cerrado goiano
Para não ser indelicado, verifique se o parlamentar não é poeta antes de dizer: sua emenda foi pior do que o soneto.
