Tag poeta
Sabe, decidi com muita raiva. Mas, o que eu queria mesmo era esquecer tudo e deitar em seu peito, enquanto olhamos para qualquer imagem na TV.
Eu era pássaro em formato de gente. Aí eu descobri que todo céu precisa de um pouco de chão. Você é meu galho favorito!
O tempo as vezes nos adoece. A vida não é uma sala de espera ou a possibilidade de um assento em um trem.
Nos descuidamos, tentando encontrar uma mistura possível para que ambos pudéssemos amadurecer em nossas fraquezas.
Descobrimos que nem toda doença adoece e nem toda a saúde cura. Descobrimos, que o amor foi inventando.
Hoje, pouco importa se você ou eu dizemos eu te amo. Nossos códigos de sentimentos são outros.
Inventamos a nossa vida a dois.
Voei bem alto, mas, nunca soltei da sua mão. Quando você me puxou para seus voos, eu fui. Contudo, quando precisamos voar sozinhos, nos permitimos, afinal, todo amor precisa de um pouco de solidão.
Nossa relação sempre se firmou em quatro pés. Às vezes, íamos para a direita, e, outras, para a esquerda. Nunca nos amarramos. Afinal, primeiramente, aprendemos andar a sós, para depois vivermos à dois.
Liberdade? Estou pintando a minha vida de todas as cores, nenhuma delas foi escolhida para te agradar.
Cansei das minhas expectativas; de criar realidades. O amor nunca foi essa cor avermelhada em formato de coração.
Liberdade? Estou pintando a minha vida de todas as cores, nenhuma delas foi escolhida para te agradar. Voei!
Você me obrigou a ficar. Estabeleceu regras para que a relação desse certo. Para quem? Vende o discurso de mudança com lágrimas nos olhos, mas, esqueceu que nessa relação quem mudou foi eu. Parto para outros caminhos, e neles, não te carregarei mais.
Me rasguei com a promessa que neste novo ano tudo seria diferente. Inocente pensar! Eu já estava mudado desde antes. Não precisei de outro dia ou outro ano para me remendar, e, as vezes ser feliz.
Passei tanto tempo procurando meu eu em você, que acabei me esquecendo... "Olá, prazer em te conhecer novamente!"
Adormeci em seus braços; descasei meu corpo dolorido pelo tempo.
Como uma chuva em manhãs de domingo, você me trouxe paz.
Eu abro meu sorriso toda vez que você abre seus braços. Ahhhhhh!!!! Se meu abraço falasse, diria que você cheira a cafuné.
Sonhos profundos
(Victor Bhering Drummond)
Lancei desejos ao mar
Eles não quiseram afundar
Mergulharam apenas e foram
Buscar meus sonhos mais profundos
Levaram-os para o altar e
Entregaram-nos à bênçãos dos deuses
Voltei tranquilo pelo caminho
Certo de que meus sonhos
Ficam apenas repousados
À espera do lugar certo para
Tornarem felizes meus meses.
•
••
•••
#sonho #dream #paraty #beach #man #homem #verao
CÉU DE BRASÍLIA
Rasgam-se as nuvens no céu do planalto
invadindo o azul anil do cerrado
E se mantém ao longe... num salto
ouvindo o som do horizonte encantado
Surge, tal algodão, no céu... a nevar
desenhando quimeras na esplanada
O sertão mantém-se calado a sonhar
na vastidão, aguardando a alvorada...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro de 2018
Brasília, DF
ROTEIRO DO SILÊNCIO
Não há silêncio assaz
Para o meu sossego
O cerrado uiva ineficaz
Não há nenhum apego
No horizonte fulgaz
E tão pouco, aconchego
No canibalizar a paz...
Perdido os cães ganem
O sino da igreja tão capaz
Tange mais, que amém
E não é bastante voraz
Pros silêncios tais, porém,
Me leva a todo silêncio audaz
Qual a solidão devaneia também.
O meu silêncio é maior
Que toda solidão, vai além.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2018, janeiro
Brasília, DF
Paráfrase Hilda Hilst
