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PONTO E VÍRGULA NO ACASO
Vamos então tentar e ver o que acontece
Pois quero encontrar apenas os que se sintam
Tocados pelo sangue, fluídos e cântico negro nos lábios
Vamos então tentar e ver o que acontece
Apenas o momento em que o velho sonho
Torna-se uma outra tempestade
Vamos somente os que carregam um peso
Que anule a eternidade imutável das coisas
Os que dizem aqui e agora
E sentem a cada passo um golpe de vento no rosto
Vamos então tentar e ver o que acontece
Aqueles que têm nas entranhas uma animalidade mutante
e são hábeis em esquivar-se
Vocês que desistiram do para sempre e desde sempre
E sem nenhum apelo às recordações
Vivem um milênio em explosões de lenta combustão
Vamos então tentar e ver o que acontece
Subir bem alto na torre de televisão
Para um olhar mais amplo nos teus estranhos lugares
Pois não dou a mínima para os que querem ser
compreendidos...
Só me venha os que se entregaram aos seus desertos
Vamos então tentar e ver o que acontece
Nós, os porta-vozes da agonia
Os que afirmam a divergência
E se esbaldam no descentramento
Os que sentem a gravidade de carcará
Aqueles que se interessam pela suculência do andar
Os que vivem de flores e pássaros
Aqueles que colocam a montanha no topo das coisas
Vamos então tentar e ver o que acontece
Somente os da chama incorporal
Os intensos em termos de afetos
Apenas os que encararam um banho frio na madrugada
E os que descem suficientemente fundo para
Alcançar a superfície veloz da alma do osso
Vamos então tentar e ver o que acontece
Alguma coisa incompreendida no que venha a ser
Vamos absolutamente ficar sobre ela
Chocá-la como a um ovo
Tentar ,um instante que seja, as torrentes
Distante dos nossos aposentos
Vamos, os que podem, num piscar de olhos...
Sem memórias, costumes e leis
Somente com as nossas pontes
Vamos de passagem...e nada de interiorizar a dor
Sair num continuum de movimento
E me traga na mochila apenas os fluxos emergentes
E novos jeitos de experimentar
Vamos logo se atirar um no outro
Dando linguadas e limpando o vazio à nossa volta
Vamos então tentar e ver o que acontece
Você que tem o espírito de fugir
Você e seu devenir ilimitado
Você que subverte as alturas
E instaura o caos no corpo
Pois quero apenas o mergulho com os que têm um segredo anárquico e romântico do lado direito do peito
E um vício inocente por destruições e abalos sísmicos
Vamos então tentar e ver o que acontece
Se teu vento se vem e se vai sem pedir licença
Vamos...apenas os que deixaram de opinar
E os que chegam atrasados e nunca vão adiante
Pois só desejo o frêmito que me causa
A incontrolável ardência de bocas cerradas
Pois só acredito nos estranhos
nas locomotivas...nos cavalos...
Nos que se cansaram das expressões e aparências
E fogem, fogem, fogem da languidez e paralisia
Naqueles em que o ódio é muito mais que uma munição vazia
Nos que desacreditam da morte
E naqueles em cuja estação dos pés...todos os alvos já foram abatidos
Nesses que agarram e se enroscam na crista da onda sem nunca olhar para trás...
Nos sedentos pelo fim de partida
Calma! Isso é apenas o começo da estrada!
Tem sempre algo mais
Não se deixe capturar facilmente
Minha loucura irá buscar esses espaços quaisquer
em que face a face estaremos rindo
e atravessando todos os vales e lágrimas...
Pois as solas de meus pés também estão sensíveis
como se fossem fios elétricos..
Por isso vamos tentar e ver o que acontece....
O ABISMO ENTRE A TUA IMAGEM E O MEU REFLEXO QUEBRANTADO
Fragmentos passageiros não matarão o que sinto tão intensamente
Apenas afastarão pequenos sotaques que já não servem
Pra isso teremos de correr altas cordilheiras
Para permanecemos no mesmo lugar
Estar no incandescente toque de mãos que só os ventos uivantes conseguem
E também sermos logo…atingidos nesse exato momento pela plenitude das cores
E quiçá…do sentimento de vibrar...
Salvaremos esse bom encontro da incompletude
Da recusa e da reatividade
Do esperar que nunca chega
Do admitir insalubre
Do enlouquecer desembestado
Do desenfrear silencioso
Do possuir e do passar
Da apatia e do sorriso de ir embora
Salvaremos a destruição de um tão lindo gostar de estar tão longe, tão perto
Justo porque você é minha libélula
E eu…um rosto suado de sangue em fim de guerra…
Depois de tudo isto e aquilo….ainda desejarei teu rosto em meus sonos
Tudo em apenas um único dia
E se você quiser ir a algum outro lugar
Que vá pelo menos duas vezes mais depressa
Pois estou na ontohistória….apenas durando na eternidade da substância
Enquanto a fagulha desses tantos amanhãs que nunca chegam explodem
Um verão de manias e lembranças intensas de nós dois se expande no ralo de Deus….
Esqueço tudo de profundo e alto
E trago essas linhas de espumas flutuantes
Para só lembrar de teus olhos de caramelo a me fitar em gelos tão calorosos
Te amar é impossível
E é isso que busquei a vida toda….
Para o poeta, há tanta beleza em flores se movendo com a brisa quanto há no movimento de toda uma galáxia.
ALGUÉM
Por muito tempo procurei pela tal poesia
falando de amor, mas, sempre esquivou
cheguei a achar que a inspiração acabou
sequer iria ter a textura, a incomum magia
E, de tanto procurá-la, na poética aportou
os encontros, os desencontros, uma folia
que nem bem surge e foge da companhia
deixando o vazio, tentando um novo voo
O tempo passa, passou, e vai passando
que leva o verso sempre a ficar buscando
quem nunca, por um amor não escreveu?
Pois, na tentativa da prosa sussurrante
cruzei com o olhar em distinto instante
e o alguém, hoje, contém no verso meu!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10 de maio, 2022, 19’19” – Araguari, MG
raiz quadrada submersa
pela terra incandescente
a visão ardendo branca
pela multiplicação de raízes
em voo e luminescência
asas que alcançam
as minhas asas negras
incorpóreas, vítreas
engolidas, trituradas,
crisálida abortada
mariposa cega
sem voo
respiração
sussurro
cessação.
(Pedro Rodrigues de Menezes, “mariposa cega”)
Eu sigo vivendo minha vida da forma que é porque se na vida gente não colhe o que planta, é uma vida muito amarga de viver.
Então prefiro não acreditar nessa opção
cascalhos da manhã
Uma criança
brilha em meus olhos
e me sacode sempre
Inda tenho sangue quente
queimando tecidos em meu corpo
Inda sinto as dores da vida
sobre os cascalhos da manhã
Inda sou moço e tenho planos
E sinto amor ao olhar a lua
(do livro "Licença Para a Vida")
JORNADA
Eis-me aqui, o que restou de mim
depois de uma jornada de trabalho,
Um resto de pessoa, um rebotalho,
cansado e consumido pelo dia.
Eis-me aqui, tal como sou, poeta,
sem tempo de viver e sem poesia,
cansado de fabricar imagens falsas
na busca pelo pão de cada dia.
Eis-me aqui, tal como sou, um trapo,
me coma, me consuma, consumido,
Vamos juntar nós dois nossos fracassos,
Ajunte o seu cansaço ao meu cansaço,
Que sou teu, comprovado e assumido.
Vamos fazer da noite o nosso dia,
O nosso mundo, a nossa fantasia,
A nossa fuga, a forma de viver.
Vamos viver a noite, lado a lado,
Idéias, mentes, corpos abraçados,
Porque amanhã o sol há de nascer
(in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )
EMOÇÕES
Quanto tempo passou e nós ficamos
assim. .. paralisados de emoção.
Quanta coisa aconteceu... enfim,
mas nada abalou o nosso coração.
Quanta coisa eu quis falar e não pude.
Quanta coisa suspensa no ar:
incertezas, verdades e confissões,
tudo quieto. .. sem se manifestar.
E agora?
Continuas assim? Só de olhares
e tempestades que hão de vir?
Não! Eu não posso mais!
Tenho que gritar a todos que te amo
e quero apenas te fazer feliz!
(in “Moleque Atrevido” )
O AMOR
O amor, mesmo quando acaba,
não morre.
O amor corre por estradas desconhecidas
e dá reviravoltas suicidas.
O amor não desaparece
mesmo quando a gente se esquece
que amou um dia.
O amor nos atropela
do outro lado da rodovia.
O amor teima, e surge, e salta
de algum lugar do passado.
O amor passa do nosso lado
e a gente nem vê.
O amor é programado
como um programa de tv.
O amor, coitado,
é uma criança que não sabe de nada.
Se machuca, é sem saber.
Se assusta, é quase sem querer.
É insistente, o amor,
e sempre se esquece
que um dia morreu.
E aparece, faceiro,
nos corredores infinitos do eu!
Palco
Para R. R. F.
Sob a luz dos refletores sinto-me
como um ator ciente do papel,
faço tagarelices, apronto um escarcéu,
vou falando verdades enquanto minto.
A roupa larga, o sapato arrebitado,
o nariz vermelho como um tomate maduro,
esqueço o palco e mergulho no escuro,
dou cambalhotas e piruetas de palhaço.
Transpiro tinta por todos os poros,
faço da máscara a triste realidade
e a criançada numa explosão palpita. . .
E eu, que faço chorar de alegria
na ilusão do brilho de um palco,
choro sozinho no camarim da vida!
in : "Momentos"
Talvez tenha que rasgar a pele, para que lhe surjam as asas, para que haja uma revelação do que se escondeu no exterior das pedras e, só então, decodificar as nervuras, o olhar duro das magnólias, por não desconhecer as feridas geradas pelo aprendizado. E entender. Porque é preciso saber do solo antes de alcançar a amplidão absoluta do céu.
Até mesmo a lua passa por breves e momentâneos eclipses sombrios - revelando em si o teu lado mais obscuro -, as vezes imerso em mistérios vagando e equilibrando-se entre a luz e as sombras, Porém singelo ,belo e sincero existente igual ao coração dos homens...
Eu preciso de uma mulher, para amolecer o meu coração.
Uma que bate de frente comigo, uma mulher com grande valor.
Uma mulher que me desafia todos os dias, toda hora, em todos os lugar.
essa guria que me fez apaixonar.
Um pouco sensível, um pouco brava.
Na hora certa, ela está certa.
Na hora certa, eu estou errado.
Ela é uma Mulher guerreira.
Escrevo drama, escrevo romance, escrevo paixão desenfreada, escrevo o amor imperfeito, escrevo sonhos perfeitos, sonhos, pois só lá säo reais, escrevo a sinceridade infeliz, escrevo os mais sinceros rascunhos, escrevo as palavras erradas que não deram certo, escrevo todas as vezes que não fui bem compreendido, escrevo o que restou mais uma vez de mim, escrevo o meu eu sem fim.
Em algum momento do crescimento
Uma espécie de deficiência auditiva
Eu ou meu filho em desatento
Gerou um relacionamento conflitivo
Esqueci os gritos e as surras que levei
Fui além, e ao invés de surrar brinquei
Me educaram com rigidez, isso eu sei
Eu eduquei olhos nos olhos, conversei
Incentivei a estudar de forma ativa
No meu tempo isso não era comum
Se não fosse o esforço e a disciplina
Talvez ainda estivesse sem rumo
As vezes me pego pensando
Onde foi que eu errei?
Se tentei fazer diferente
Tanto amor, nunca neguei
A educação que eu recebi
Era melhor e eu não notei?
Eu acreditava que sabia
Hoje entendo que nada sei
Eu penso que um dia
Ele vai compreender
E quem sabe entender
Que outro filho vai nascer
E Talvez essa seja a chave
De uma educação em conserto
Para que um dia o acerto
Me tire do peito esse aperto. JMOURAJ
"Todos os versos jamais escritos de uma história de amor, são menores que o instante em que ele acontece."
Minha filha, que o Nosso Criador.
Faça sempre parte da sua vida.
E sempre ande de cabeça erguida.
Construa uma história, a mais linda.
Antes de você ser concebida.
Eu fazia planos, eu a queria.
Imaginava com quem pareceria.
Mas para minha surpresa adivinha.
E ao nascer olhei bem de pertinho.
Tentando enxergar de mim pouquinho.
Tão inocente ao fazer um biquinho.
Eu só enxergava o meu moranguinho.
Você é um dos meus milagres da vida.
Eu a mantinha no meu colo protegida.
Dos meus braços para o berço seria movida.
Eu já morreria por você, antes da despedida.
Hoje se tornou uma mulher e amiga verdadeira.
Peço que tenha motivos para sempre tentar.
Não transforme o seu coração em uma geladeira.
E encontrar o verdadeiro significado de amar.
Pois isso eu já encontrei quando descobri vocês.
Você a primogênita e seus irmãos, mais três.
Não importa o tempo, o quanto você cresça.
Sempre será minha pequena, isso é certeza.
JMOURAJ
Apenas o próprio homem é capaz de entender verdadeiramente a si mesmo
Nem uma máquina nunca vai compreender a Verdadeira e profunda essência humana
Mais talvez precisaremos de uma para nós mostra o que significa tudo isso que somos ,
O que é isso que existe e por si só apenas é !
Nos somos o cálculo de uma equação onde a resposta já temos só não achamos o X
Arthur Rios Tupã Eu memo !
Tudo na vida tem uma função...
A dor de agora, no mínimo, é a minha inspiração.
Se, por um lado, perco um pedaço de mim; por outro, sou apresentada a um "eu" que quero deixar entrar, e acolher, e abraçar.
Sou-me empatia.
Sou-me poesia.
Em tempos de Cólera
Em tempos de fúria
É preciso ouvir
os bons corações
As boas canções
Relembrar os poemas
As mais belas histórias
Que falam de amor
De dias de sol
Daquelas noite de lua
Daquelas calçadas.
Quando tudo
Parecia
ser
Futuro."
