Tag pássaro
Corro atrás dos meus sonhos, mesmo que pareçam loucura,
Enquanto ao meu redor, a inveja se oculta na ternura.
Me desmoralizam, tentam me fazer desistir,
Querem apagar meu desejo, impedir-me de persistir.
Sonho alto, isso nunca escondi,
Minha mãe me alertou: "Filho, cuidado ao subir."
Talvez ela tenha razão, o céu pode ser cruel,
Mas prefiro a queda do que viver preso nesse véu.
Se a dor vier, que me faça acordar,
E se for para sempre, então que seja para me ensinar.
Tenho esperanças, ainda acredito,
Nos meus objetivos, continuo aflito.
As pessoas dizem que não vou conseguir,
Mas vou provar que erradas estão ao me ver insistir.
Elas não querem que eu saia do chão,
Preferem me ver acorrentado à ilusão.
Nos olhos delas, sou símbolo de fracasso,
Um conforto para que sigam no mesmo espaço.
Mas preciso me levantar, preciso voar,
Não posso me contentar em apenas ficar.
Sou como um pássaro preso numa gaiola,
Onde as correntes fui eu que pus sem demora.
Talvez a porta sempre tenha estado aberta,
Mas o medo me cegou, me manteve alerta.
Agora, sozinho, vou encarar o vasto céu,
Pois se eu não voar, será meu maior réu.
Preso em mim mesmo, clamo por alguém,
Mas sei que a chave para a liberdade vem de ninguém.
Agora, decido sair da ilusão,
A única saída é voar, com o coração na mão.
O canto do pássaro do amor traz sempre encanto para a alma,
em qualquer recanto que se esteja, e o ouça...
O PÁSSARO DO AMOR
Marcial Salaverry
O pássaro em cujo canto,
ouvido neste meu recanto,
traz todo o encanto
de uma palavra de amor...
Um amor que vem do meu coração,
transmitindo toda a emoção
de um amor verdadeiro,
que apenas quer ser vivido por inteiro...
Ouça o canto,
deixe seu coração
acompanha-lo em contra canto...
Sinta a sensação,
quando se encontra o canto
que dará mais vida a seu viver...
Sinta-se reviver,
ouça este suave canto,
que lhe traz o encanto
de um verdadeiro amor...
Marcial Salaverry
10/01/2004
Perder para ganhar.
Sorria
Que as vitrines estejam a vista
Pois nunca será que nem a pessoa
Que anda saltitante e toda boba
Sem saber quando virá o triste dia
Do seu jardim
Que estará com poça de lama
E talvez não haja mais vitrines que a deixe fama
Sem saber
A pessoa voa
Não contando com os outros pássaros
Com asas quebradas
Que a olham, ofensivos
Com almas encarceradas
Se alguém pisar na asa dela
Não fará mal
Pois mesmo com a dor
Ela não deixará tal
Olhares tiranos
Decidir o seu futuro
Que beira o instante
De acender a vela
Por isso
Ela voa, voa tão bela
Mas virá o dia da poça
Sábia uma vez ficará
E nunca esquecerá
Dos estragos que fizeram no seu jardim
De flores de laranjeira
Tanto falo sobre metáforas, talvez seja uma forma para que eu consiga entender a realidade de uma forma mais lúdica e não tão pesada. Quero falar sobre pássaros. A cada voo eles sentem a liberdade em suas asas tão leves, O vento que os leva de uma forma carinhosa para cima de tudo. Falamos, isto é liberdade. Ligamos a liberdade ao lugar a que ele pode ir. Veja só, ele voa tão alto e vê tudo, que liberdade! Veja só, ele pode sentir a brisa mais gostosa no seu corpo, isso é liberdade. Mas, e se eu contar que isto é apenas o que entendemos disfarçadamente sobre liberdade? Na verdade, a liberdade do pássaro não se encontra ali, ela está mascarada, na nossa frente. O pássaro não tem o peso de precisar retornar, ele não tem necessidade de se preocupar de até não voltar e nem para onde vai, essa é a verdadeira liberdade - ele voa sem pensar no futuro, sem pensar nas outras 500 coisas que precisa resolver depois e as outras 500 que não está fazendo agora. O pássaro simplesmente bate as suas asas e chega onde seu coração quiser.
Nós humanos, temos voos frágeis e sem segurança, por isso nunca alcançamos sequer 1% da liberdade gigantesca que aquele pássaro tem. E então, depois de pensar sobre isso, você questiona o seguinte, mas é óbvio que não consigo voar assim, tenho uma vida, tenho responsabilidades. Claro, não há nada de errado em pensar assim, contrário seria se não pensasse. Mas é o seguinte, quando digo que precisamos deixar nossas amarras para trás, não são as responsabilidades, e sim traumas, dores, sentimentos mal curados, aquelas feridas que doem até hoje, aqueles assuntos que você evita de todo jeito, as pendências de suas vontades, tudo isso te prende aqui, bem longe do céu. Se quiser mesmo saber a verdade, dificilmente enxergamos que podemos alcançar voos mais altos, achamos que está ok nesta altitude e que as nossas asas não aguentam subir mais, Mas se em um momento abrirmos essa visão para a imensidão a ser explorada nós assustamos, abaixamos a cabeça e seguimos o mesmo caminho que conhecemos desde sempre. Meu Deus, temos tanto pra voar e ainda sim ficamos tão baixo.
E assim desperdiçamos o nosso belo e único voo. O valioso voo, neste que só temos uma chance, não tem como voltar e tentar começar de novo. Então este é o questionamento que fica; você está voando alto?
Engana-se quem pensa que pássaro na gaiola canta. O que você ouve nada mais é que um lamento pela ignorância do humano que o aprisionou dentro dela.
FANTASIA
O pastor se veste de empresário.
O padre se veste de rei.
O índio se veste de pássaro.
Dentre os três, o último é o que está mais próximo do céu.
O índio (pajé) se veste de pássaro. O padre se veste de rei. E o pastor se veste de empresário.
A arquitetura de uma oca é semelhante a de um ninho. A arquitetura de uma igreja católica é semelhante a de um palácio. E a arquitetura de uma igreja evangélica protestante é semelhante à de uma empresa startup.
No Brasil, o deus que antecedeu o colonialismo foi a natureza. O deus do pós-colonialismo foi a monarquia. E o deus contemporâneo é o mercado.
O canto de um pássaro é dado ao vento do acaso, levanto na poeira notas de um espírito em glória; nesse Tempo deixo livre cada versão natural enveredar os tons na passagem sem a necessidade de entender ou questionar qualquer milagre que experimento ao nascer desse dia.
O Carubé-de-Pernambuco se foi e Ararinha-azul também não vejo mais. Lembram quando nas noites os vagalumes transitavam feito fagulhas estelares no céu?! Homens de concreto talvez não compreendam ou sintam essa ausência. Encontramos pairando nos galhos secos nenhuma explicação profunda de tudo que está ficando para trás. Adiante talvez mais tropeços de estômagos que simpatizam com mais grama; respirando qualquer porção de meias verdades que embrulham de ânsia todas páginas corridas no dedo e barcos navegando o lixo deixado para as gaivotas recolherem. Ah, os ursos clamam por uma história não soterrada; os macacos optam por não conversarem um idioma conhecido; do contrário, além de extintos poderiam ser escravizados, enquanto governos esclerosados empilham vagões até mesmo sem trilhos (como se isso fosse alguma vantagem em justificar outros meios) para nenhuma direção real, verdadeiramente alimentada. E na satisfação de caminhar por uma cultura consciente a Araucária mirabilis secou, como tantos outros nomes de uma lista que não será lembrada por nenhum acelerado atraso estúpido de um sinal verde dizendo: pare!
O líder inestimável é como um pássaro que almeja ver seus filhotes voarem. O líder que impede o voo dos seus liderados é porque ele nunca voou.
José Guaracir
Dar educação é igual a dar a um pássaro uma gaiola maior só pra ele poder esticar a asa.
Liberdade
Livre como um pássaro
Que voa a cantar
Estarei eu um dia
Melodias a entoar
Livre de verdade
Sem amarras a prender
Será que se sabe
Voar sem retroceder
Livre pelos ares
Sem medo de cair
Ou então pelos mares
Sem medo de submergir
Livre para sempre
Estarei eu a andar
Não importa se de repente
O coração venha a falhar
O amor e a amizade são pássaros: a amizade nos oferece o aconchego e a segurança do ninho e o amor a liberdade das asas.
Chora o vento num acorde monótono... E vai adiante e leva as palavras e cala-se... E de repente não fica mais do que o silêncio... Assim também chora a triste Lola por coisas distantes. E tudo vira um horizonte sem luz por um instante! Em teus devaneios febris uma vaga lembrança parece querer sorrir ao longe. - Mas parece que esta são tardes sem manhãs! Outrora o mundo era pequeno e o coração imenso. O tempo passa e chega a noite sem avisar...Vendo passar diminuto em seus olhos, como vultos ligeiros, amores antigos... Olhando pela janela aberta na madrugada, ouvindo o barulho das águas do mar, tentando superar amarguras tão fundas que lentamente querem ceifar a luz de fogo em que um dia à sua morna esperança o amor acendeu... Palpitam seus doirados seios entre leves e doloridos suspiro...E de repente, não mais que de repente um pálido sorriso!... E da varanda de seu dormitório atira o mal fadado anel às águas ondulantes e frias! Então uma lágrima perdida rola sobre a sua perfumada face e a bela e sofrida moça salta desesperada e aflita como um pássaro louco, cego e sem asas fazendo flutuar pelo ar seus ecos no instante fatal da queda bruta ao chocar-se com os cruéis rochedos!... - Heis que jaz debaixo do céu nu e tranquilo sob a luz do luar a formosa moça que um dia ousou sonhar!...
O sabor vital torna-se mais vivo quando o sol baixando convida pássaros num pôr-de-sol a cantarem mais uma vez antes de dormirem estrelas todo engano do mundo.
Situação de Rua II
Uma águia trocando o bico a garrido
Além da alta montanha o reclama,
Esperando sozinha, sem alarido,
Aquém seu instinto o proclama.
Alguém pedindo a outrem um ouvido
Sussurra sobre o ombro um problema,
Tentando sozinho, sem ter um abrigo,
Por um diálogo, para esquecer um dilema.
Como aliviar as dores na solicitude
Dos passos da vida, se em atitude,
Uma criança quer mais que um abraço??
Na escuridão de um rua sozinho,
Um andarilho, menino sem ninho,
Como a solidão de um grande pássaro!!
Dor é como pássaro: depois que fez ninho em nós ela pode até voar pra longe e ficar um longo tempo sem aparecer, mas vira e mexe volta. A gente só sabe que se curou, quando ela volta, revoa nossos pensamentos, mas não dói mais.
Gaiola
Fico só a imaginar
Pássaros que vêm e vão…
Quanto a mim, aprisionado,
Há anos nesta gaiola
Não sei mais sequer voar
E nem se um dia irei embora
Sinto as asas já ceifadas
Sem forças para mais nada
Só me resta, no momento,
Suportar tal punição
Com os restos do coração
E as sobras do pensamento
Meu crime foi ser tão belo
Além de ter suaves penas
E ser tão bom cantador
Enquanto cumpro a dura pena
Eu entoo este poema
Pra amenizar tamanha dor.
Bem-te-vi
O teu canto, bem-te-vi,
Bem que vi quanto me aquece!
O teu canto é mais que um canto…
O teu canto é um encanto!
É teu canto uma prece!
Querido passarinho
Um bosque, tão belo que não parecia real
Os meus pés andam sem uma direção correta
Nenhuma parte do meu corpo me obedece
Tão vivo que nem o que fazer
Distraído, trombo em uma árvore e ouço um estranho som
Olho para cima e vejo um pássaro em seu ninho
Tão azul quanto o céu, e tão belo quanto o seu bosque
- Olá! - Eu digo em alto tom para o pássaro me ouvir.
Ele não me respondeu, mas o vejo recuar.
- Eu te assustei? Perdão.
-- Não estou acostumado com pessoas. - Disse o pássaro.
- Podemos virar amigos e explorar juntos o bosque!
-- Não posso sair daqui.
- Por quê?
Ele não respondeu, imagino que está pensando na resposta.
- Bem, se isso te alivia, podemos brincar aqui mesmo.
-- Não tenho coragem de sair.
- Mas as suas asas são tão belas.
-- Asas? Que asas?
O pássaro começa a procura-las.
- As que estão em você.
-- Eu realmente não as vejo.
- Por quê?
Consigo ver nitidamente as suas belas asas, algo que ainda é estranho para mim.
-- Provavelmente porque elas não são mais úteis para mim.
Trânsito No Céu
No céu também tem caos.
Dia desses, observei cerca de 25 passarinhos
disputando árvores e territórios privilegiados.
25.
Será que sempre é assim ou se só aquele dia
que eu consegui enxergar os passarinhos?
Ainda assim, eles resolvem seus problemas cantando.
Também notei;
Que não é impossível
Uma forte flor
Estufar o concreto
E nascer amarela
Mesmo debaixo de todos os paralelepípedos.
Será que aquele foi o único dia que de fato olhei
para a natureza que invadia meu caminho?
E a flor vencendo as mais, literalmente concretas, adversidades.
Não tarde percebi que quem invadia o caminho da natureza era eu.
Uma mulher cativante
Teu rosto fala, tuas necessidades me cativam,
carente e fogosa,
formada no que faz bem,
fornalha de sentimentos explosivos,
cheia de razões e vontades,
recheada de desejos, possuída pela proximidade,
prestigiada por sua bela presença física, impaciente com a saudade,
Um doce meio amargo que faz bem ao coração.
Um pássaro levantou voo sem medo...
A tua sinceridade abriu o meu coração,
o teu amor abrilhantou o meu horizonte,
a felicidade não tem limites...
E se depois daquela noite acontecermos a vida toda?
E se todos os meus repetitivos pedidos feitos aos olhos da lua e das estrelas começarem a nascer, a se materializar?
Será que eu estou dormindo e morando dentro de um sonho lindo e depois quando eu acordar descobrirei que era ilusão?
Quer saber?
Deixa pra lá! Eu vou é viver intensamente e sem medo pra ver o que acontece a cada pingo de segundo dessa paixão.
Um pássaro levantou voo sem medo...
A tua sinceridade abriu o meu coração,
o teu amor abrilhantou o meu horizonte,
a felicidade não tem limites...
