Coleção pessoal de pakashawomman

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⁠Barco a vela
Dentro do meu barco, começo a remar
Numa direção reta
A ignorar a vela que estava presente no mesmo

Manusear um barco é mais difícil do que eu pensava
Perco o meu equilíbrio e o meu barco vira
Caio na água, que surpreendentemente não estava gelada

Puxo o meu barco e retorno a uma superfície
Subo nele de novo e volto a remar
Mas não tem progresso, a correnteza está puxando o meu remo

Luto contra ela, mas depois de tanto tempo, minhas mãos enfraquecem e soltam o meu remo
Entro em desespero, agora não tenho como controlar o meu barco

Então o vento vem e movimenta aquela vela do barco que antes não me tinha utilidade
Começa a ir em uma direção que eu desconhecia
Mas não deixa de ser linda

Ilhas que eu nunca vi
E provavelmente nunca veria
Se eu não tivesse largado
Aquilo que me prendia.

⁠Anjo
Pego a minha lâmpada, agora apagada
Vou em direção a minha janela, encarando o céu
E dele desce um ser com uma luz branca ardente, mas ainda consigo enxergar as suas magníficas asas

Ele me entrega uma nova lâmpada, acessa
Eu a pego e agradeço, e ele vai embora

No dia seguinte, eu faço a mesma coisa
No outro também
E mais outro dia

Novamente, vou a minha janela com minha lâmpada esgotada
Passa um tempo e o meu anjo não vem
Esperei toda a madrugada por ele

Cansado, me sentei no chão e abri a minha lâmpada, buscando acende-la
Se passa várias madrugadas
E eu finalmente consigo acende-la
Sem precisar da ajuda daquele ser divino
Posso acender as minhas lâmpadas eu mesmo agora.

⁠Vaso de girassol

Pego o meu regador e vou em direção a minha janela
É onde está o meu vaso de girassol
Ele me deixa feliz

Alimento-o com o meu regador
Lhe entrego metade da minha água, mas ele não está saciado
Então eu derramo toda a minha água nele

Mas ele pede mais e mais
Me desespero, não tenho mais água para ele
Viro o meu regador e deixo todas as gotas caírem
Não tenho mais, mas ele quer mais

Me ajoelho e peço seu perdão
Eu cuido dele, adubo, dou todo o meu amor e minha água
Mas ele não dá nada em troca
Nenhuma flor ou um sorriso

Não importa o que eu faça
A culpa é minha

Será que toda a minha atenção não é o suficiente?
A minha água é pouca?
Lhe dou amor em excesso?
O seu solo é ruim?

Ainda ajoelhado, começo a chorar dentro do vaso
Ele parece estar feliz com o meu sofrimento
Se chorar é o requisito necessário para deixa-lo feliz, então é isso que irei fazer daqui em diante.

⁠Querido passarinho
Um bosque, tão belo que não parecia real
Os meus pés andam sem uma direção correta
Nenhuma parte do meu corpo me obedece
Tão vivo que nem o que fazer

Distraído, trombo em uma árvore e ouço um estranho som
Olho para cima e vejo um pássaro em seu ninho
Tão azul quanto o céu, e tão belo quanto o seu bosque

- Olá! - Eu digo em alto tom para o pássaro me ouvir.
Ele não me respondeu, mas o vejo recuar.
- Eu te assustei? Perdão.

-- Não estou acostumado com pessoas. - Disse o pássaro.

- Podemos virar amigos e explorar juntos o bosque!

-- Não posso sair daqui.

- Por quê?
Ele não respondeu, imagino que está pensando na resposta.

- Bem, se isso te alivia, podemos brincar aqui mesmo.

-- Não tenho coragem de sair.

- Mas as suas asas são tão belas.

-- Asas? Que asas?
O pássaro começa a procura-las.

- As que estão em você.

-- Eu realmente não as vejo.

- Por quê?
Consigo ver nitidamente as suas belas asas, algo que ainda é estranho para mim.

-- Provavelmente porque elas não são mais úteis para mim.

⁠Uma bela rosa caiu, pousando em meu nariz
Consegui sentir a brisa daquele antigo verão
A rosa que estava parada no meu nariz foi arrancada por uma ave que havia o dobro do meu tamanho

Não consegui ver, mas ele era maior do que eu conseguia imaginar
Comecei a me debater , pois a ave agora estava mordendo o meu olho
Desisti, ele era mais forte que eu
Lentamente, ele me consumiu por completo

Mesmo não estando lá, eu via sua presença
Ela estava em todos os lugares que eu ia, o que eu pensava ou falava
Mal sabia eu que ela estaria comigo até posteriormente o dia da minha morte.

⁠Filmes
De repente, eu acordo
Olho ao meu redor e vejo em um cinema vazio
Apenas e unicamente com a minha presença
Olho pra frente e vejo o telão

Está passando um filme estranho
Após alguns minutos assistindo, eu o reconheço
É aquele filme que eu queria assistir á muito tempo

Mas ele está tão diferente do cartaz e do trailer
Agora ele parece tão ruim, por que eu queria vê-lo?
Não consigo me lembrar o motivo

Está tão insuportável, quero trocar de filme
Me sinto uma pessoa má, mas não aguento mais ficar aqui
Vou trocar de filme.

⁠Estrelas
São as que iluminam o céu noturno
Com o seu brilho inabalável
Sempre me encontro pensando
Vale mesmo a pena comparar o seu brilho?

E quem se importa se uma brilha mais
Se sempre existirá algo para brilhar mais do que todas
Independentemente de seu esforço ou natureza
Sempre existirá algo maior do que elas

Não precisa ver nem existir
Vai continuar a existir
Mas isso não é motivo para desistir

Um dia elas explodirão
Isso pode ser amanhã ou depois
Com esforço ou não,
Todos sucumbirão.

⁠Praia

A água gelada me faz arrepiar
O ar é rígido, vejo ele entrar nos meus pulmões
Dificilmente, respiro fundo e o ar arranha o interior do meu nariz
Sem precisar segurar a minha respiração, mergulho

Começo a vagar pelo vasto e imenso oceano
Descobrindo mistérios que a humanidade nem chegou a imaginar
O mistério do oceano o torna mais belo

Há coisas demais para eu retornar para a superfície
Há tantas coisas que eu esqueço como o ar é estranho
Há milhares de coisas que eu esqueço que há vida lá fora

A sensação da água correndo na minha pele
A sensação de ver coisas novas
A sensação da correnteza me seguindo

Me faz relaxar, relaxar e relaxar mais
Começo a cair, repentinamente, até o fundo daquele local onde eu achava que era seguro

A maré me largou, e eu larguei ela também
Aceito o meu destino
Todas aquelas sensações já vívidas me fazem permanecer aqui

Elas me fazem viver, mesmo que eu esteja no fundo do poço
Não quero sair, nem acordar, vou continuar infinitamente aqui.

Caneta

É o objeto que sua única função é escrever a história de outras pessoas
Com variações diferentes,
Uma hora elas se esgotam

Ela não é capaz de escrever sua própria história
E provavelmente nunca será

Não importa quantas você compre
Não importa se você usa elas para escrever ou desenhar

Depois de tanto escrever pra você

Ela explode
Ela se esgota
Ela acaba.⁠

⁠Girassol
Tão amarelo quanto o Sol
Apontando para o Sol nascente
Sua cor lembra um ipê em seu ápice

Os sábios dizem que ele simboliza esperança
A esperança de um novo dia, de um novo nascer
A luz do Sol nos traz a vida, o calor, a esperança
Além de nos acordar todos os dias, dizendo que é hora de tentar novamente

São poucas que escutam a sua canção
E despertam com a emoção
Como se estivessem desabrochando após longos meses de frio e solidão

Aguardando o Sol nascer
A Lua descer
E a vontade de viver.