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As pessoas mais traiçoeiras são aquelas que normalmente aparentam altruísmo e benevolência ao extremo, sempre estando prontas a ajudar em tudo, mas que na primeira oportunidade, cobra cada mínima atitude tomada. Jogam em nossa cara os atos, que em tese, deveriam ter sido praticados com amor e sem qualquer tipo de troca. Essas “boas” pessoas acreditam que, assim, conseguem exercer controle sobre as outras. Mas conseguem, na verdade, desprezo.
Abafa um protesto com um sorriso, uma agonia com uma gargalhada, um estertor com uma praga. Sê polido, meu amigo. Encobre a raiva sob o riso, e o riso sob o pesar.
Deixem-me ser claro: não há nada nobre ou impressionante em ser cínico. É fácil ser cínico; qualquer um consegue. É a vida fiel que requer força moral, dedicação e coragem.
Sabem qual a principal diferença entre um bandido oportunista – que entrou no esquema por uma vantagem imediata – e o pulha de carteirinha, contumaz e consciente? É que o primeiro treme nas bases quando é apanhado, morre de vergonha de ter sua foto nos jornais e depois entrega o jogo todo em que foi envolvido. O segundo jamais! Vai subir na tribuna, desafiar todo mundo a apresentar as provas, aparecer na TV, dar entrevistas e continuar segurando seu cargo até o último instante, e mesmo quando já estiver na cadeia com tudo provado, vai erguer o punho triunfante e se posicionar perante a sua gangue como um paladino da coragem frente à corja de "justiceiros" que "armaram" para o deixarem fora do front de batalha! De admirável mesmo, só possuem o cinismo inabalável e a obstinação para sustentar o insustentável!
O cinismo (filosófico) sugere enorme vantagem de superação na resiliência e nas convenções cotidianas, quando se desnutre a ideia de vida confortável pela aquisição, ou na perda da capacidade de domínio materialista, ou quando quase tudo externamente se torna fora de seu controle. Porém abster-se da vontade de poder, aquisição, e controle de utilidades é quase como dar adeus à felicidade é quase uma utopia. Talvez o cinismo seja o modelo ideal como prática das virtudes.
VIRTUOSO CINISMO
Muitos são incisivos
Sobre o que é preciso
Num conceito nocivo
Refletindo Narciso
Em vaidoso sorriso
Ao herói consumismo
Vão jogando no abismo
A virtude de amigo
Só pensando no umbigo
Egoísmo esculpido
Coração raquitismo
Em honesto otimismo
Não se julgue o cinismo.
Bajuladores são cínicos, envoltos pela túnica da falsa gentileza e pelas sandálias de uma falsa humildade
O comportamento das pessoas cínicas é muito curioso, quando confrontadas com a verdade são capazes de ainda sim afirmar terem encontrado com sua melhor amiga: a mentira
A "arte" da inversão…
Manipulação é a dança velada da sombra, onde a culpa, disfarçada, se impõe e assombra.
É o espelho quebrado da razão alheia, que reflete o erro como se fosse cadeia.
Teu grito, nascido do corte profundo, é moldado em silêncio por quem rege o mundo.
Teu lamento, legítimo, é transfigurado, num teatro cínico, ao algoz dedicado.
Quem desrespeita finge ser ferido, torcendo a verdade num laço distorcido.
E, assim, o carrasco se veste de vítima, invertendo a lógica, tornando-a enigma.
Leia de novo, até o véu cair, até que o ciclo não possa mais se repetir.
Pois quem usa teu pranto como argumento, te prende num labirinto de tormento.
A manipulação é a arte da inversão, um veneno sutil que invade o coração.
Mas quem enxerga além da neblina espessa, rompe o jogo e resgata a própria promessa.
Pode um poeta ao peso de uma dor compor versos de amor e alegria? Pode outro vate festejando o amor cantar em verso a dor e a nostalgia? Eu sei que a história do palhaço existe; o grande artista e mestre no fingir; que ao peso de uma dor pungente e triste, ainda sim faz a plateia rir. Mas o palhaço sim, o poeta não.. Não creio que um poeta de verdade seja capaz de tanta falsidade dizer em verso o que não está sentindo. Deixar de lado a pura inspiração, narrar em verso a falsa sensação, embora ciente de que está mentindo...
Louvo agora as núpcias do sarcasmo. Torno a minha dor, um fruto fiel do cinismo, convertendo minha vilania em versos, episódios célebres das vidas alheias.
