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CEGUEIRA
“Não há razão que ilumine nem olhos que penetrem a cegueira do coração!”
António da Cunha Duarte Justo
in Poesia e Aforismos
Às vezes o que você interpreta como máscara, na verdade são faces do mesmo rosto que você "não consegue" ver.
Não "pensar" é se tornar um ser robotizado. Por fora, a aparência de um ser humano, por dentro, um ser vazio, sem conteúdo, sem vida.
A consequência disso é bem nitida: pessoas programadas a irem atrás de uma busca pela felicidade para gerar lucro para um grupo de pessoas, tornando se cegos de si mesmo.
Com isso é gerado o sofrimento e as variadas doenças, físicas e psicológicas que impulsionam o comércio mundial, alimentando empresas e industrias de diversos ramos.
É um assunto tão profundo que poucos conseguem entender a gravidade disso, muito menos enxergar a própria cegueira.
Abre, surdo
Suas cordas vocais,
Do tempo fugaz,
Que almejaste a paz
Arda na fogueira,
Sua dívida corriqueira,
De abandonar-se a cegueira,
Certeira em seu olhar
Turvo,
Curto
Surto!
Há dois tipos de pessoas que usam óculos, as que precisam e as que vivem na escuridão da ignorância.
Estamos esquecendo o que é, e o que representa o amor em todos os aspectos de nossa existência. Estamos ficando afetivamente cegos devido a ganância que move o mundo moderno.
Quando a verdade penetra o âmago do ser, a cegueira é revelada e um modo sublime de abrir os olhos é descoberto.
Mundo Cego
O tempo arrasta o mundo,
Qual um trem desgovernado
Vai sem rumo, moribundo,
Leva o homem flagelado
Pro buraco que é sem fundo.
Já não pensa toda a gente
Que só de futilidades
Vem alimentando a mente:
Não enxergam mais as grades
Por viver tão livremente.
São sutis, subliminares,
As mensagens das novelas
E as músicas populares,
Que nem são assim tão belas
Mas enganam, sim, milhares.
É materialista a era,
Este tempo que é moderno,
Onde muito se venera
O que pinta bem o inferno…
E onde Deus é só quimera.
Existe três tipos de cegueira: A moral, a física e a espiritual.Tem pessoas que estão no erro e não querem enxergar.
"Já dizia o ditado "O que os olhos não vêem o coração não sente". Embora isso pareça fazer sentido, pergunto a você: O que os olhos vêem? O que acontece quando um olhar não é suficiente para que vejamos a pureza na alma de uma pessoa ou mesmo a crueldade entrelaçada em seu coração? O que acontece, por exemplo, quando os olhos vêem apenas o que nossa mente racional quer que ele veja, deixando de lado toda emoção guardada em nossos corações? Sim, o que os olhos não vêem o coração não sente, mas a pergunta persiste: O que os olhos realmente vêem?"
Tem pessoas que enxergam muito bem os erros e os defeitos dos outros, porém para os próprios equívocos e falhas, são completamente cegos.
Cegueira espiritual dentre vários exemplos, é também quando somos cegos para os nossos próprios erros e pecados, mas que no entanto, se tem uma ótima vista para julgar erros do próximo.
DVS
A cegueira resultante do engano gerado pela mentira, pode ser em qualquer área da vida, a começar pelas relações pessoais e familiares, e indo até as relações profissionais, políticas e religiosas.
Existem olhos que nada enxergam, enquanto outros vêem tudo e um pouco mais, mas por covardia ou medo são obrigados a simular cegueira.
A cura real é a restauração do estado de pureza e integridade. Ela é a lembrança de que tudo é perfeito, e isso só acontece depois que um milagre é testemunhado. Um exemplo de milagre que precisa ser criado é a cura da cegueira, especialmente daqueles que escolhem não enxergar.
SERÁ QUE SÓ VC NÃO VÊ?
No livro Ensaio sobre a cegueira, escrito pelo português José Saramago, uma pandemia aflige o mundo. De repente, todos perdem a visão. Sofrem uma cegueira branca. No começo, parecia que as pessoas iriam se ajudar, ser solidárias, melhores. No entanto, os problemas da sociedade logo ressurgem e são potencializados, já que ninguém “enxerga” a mudança necessária para o bem coletivo. Com essa cegueira moral, o instinto de sobrevivência prevalece, sobrepuja a razão, o ódio subjuga sentimentos altruístas. Impera o egoísmo, enfim.
A palavra instinto nunca foi tão presente na contemporaneidade.
Analogamente à obra literária, vivemos também uma pandemia, só que da Covid-19 em franca mutação. Quando ela começou muitos gestos maravilhosos aconteceram. Alguns foram divulgados nas mídias sociais. As pessoas pareciam que aprenderiam alguma lição sobre fraternidade e comunhão. Todo dia, às 18h, um vizinho ancião tocava a Ave Maria em sua flauta doce, da sacada da janela. Ao término, todos os vizinhos aplaudiam de suas janelas.
Até então não havia vacina, nós éramos a cura.
Com o tempo, a cegueira moral se abateu sobre muitos. Indivíduos sem máscara. Outros em aglomerações. Uns tantos negando a pandemia. Outrem oferecendo pseudofármacos. Dois médicos, renomados, minimizavam a gravidade do patógeno e vieram a óbito por causa dele. E tudo isso envolto em informações, contrainformações, falsas informações. Enfim, uma cegueira moral despencou sobre nós. A nossa cegueira branca.
Mas aí chegou a vacina. De vários grupos científicos. A britânica Oxford-AstraZeneca, a estadunidense Moderna, a germano-estadunidense Pfizer BioNTech, a russa Gamaleya Sputnik V, a sino-brasileira CoronaVac. Infelizmente, o imunizador – não importa qual – poderá a longo prazo reduzir os efeitos dessa silenciosa e sufocante enfermidade viral, contudo a corrupção humana ainda levará tempo longínquo para ser publicizada como a mais letal e senecta doença entre os humanos.
Autoridades que deveriam dar o exemplo nesse momento tão triste da história do homo sapiens furam a fila do imunizante para se beneficiarem, como se fossem capitães de um navio a fugir no primeiro bote salva-vidas. No nordeste brasileiro, os prefeitos de Antas(BA), Candiba(BA), Itabi(SE), Guaribas(PI) adotaram a máxima: “Farinha pouca, meu CoronaVac primeiro”. Além deles, há vários... filhos e filhas de sicrano, queridinhos de beltrano, os amores de fulano.
Eis que o norte do Brasil se asfixia e tenta clamar por socorro. Na Bíblia, há o livro de Salmos cujo capítulo 42, no versículo 7, traz a mensagem “Abyssus abyssum invocat”, ou seja, um abismo chama o outro. No norte do país, os estados do Amazonas (Falta de oxigênio em Manaus), Amapá (apagão e colapso dos hospitais) e Rondônia (falta de leitos e médicos) mostram o extremo a que podem chegar as más gestões e desvios de verba em solo pátrio.
Enquanto isso, na fantástica terra do leite condensado, o mandatário da nação vai a uma churrascaria na companhia da matilha política, além de artistas, como Naiara Azevedo, Amado Batista e Sorocaba. De mórbida praxe, ao final, o mascarado presidente sem máscara deleita-se em selfies e aglomerações contagiantes...
No livro Ensaio sobre cegueira, aos poucos, a cegueira branca se foi. Abriu-se uma perspectiva de o mundo ser um lugar melhor, no qual as pessoas agora percebam que quando enxergavam eram cegas de amor. E, como se o universo ou Deus, permitisse uma segunda chance, o homem então mais racional poderia compreender finalmente a relevância das emoções, principalmente aquelas que nos fazem querer abraçar o outro em qualquer sentido benevolente da palavra.
O Brasil anseia por um final tal qual o da ficção. Todavia, na catarata dos sonhos, está tudo branco ainda, ainda está tudo escuro, então.
"[...] quem cega mais que o ódio, distorcendo as lentes dos olhos, fabricando realidade paralela?"
(trecho de "O Conde de Santo Amaro")
