Soneto da Saudade
Nem Shakespeare seria capaz de criar contos mais ardentes que uma simples recordação de uma noite nossa.
Até nos acostumamos com a perda de alguém, mas é fato que isso leva um tiquinho de nós junto com quem partiu.
Minha transparência não permite joguinhos, minha maturidade não permite infantilidade... Meu amor não se restringe, não se cala. Ele é demonstrado em cada detalhe. Talvez, seja tarde demais para você notar isso. Um dia quem sabe, sinta minha falta. Eu sigo, entregando-me por inteiro, de bandeja. Sou muito, sou intenso e tenho uma imensidão que em mim não cabe. Alguém saberá receber isso, reconhecendo tudo que há de melhor aqui.
O último abraço, a última risada, a última conversa. A gente nunca sabe quando um momento se tornará uma despedida, e talvez seja isso que torne a saudade tão intensa. Ela é o rastro do que foi bonito demais para ser esquecido.
Se ele não sente nem a sua presença, menina, imagina se vai sentir a sua falta... Se para ele não faz diferença você estar perto ou não, o melhor mesmo é deixar pra lá. É bobagem sentir saudade sozinha.
Algumas pessoas passam por nossas vidas e são iguais a um cometa e quando vão embora deixam um rastro de saudade!
"E assim, amei você... Não como queria, não como sonhei, mas da única forma que me foi permitida: em silêncio, na saudade e para sempre."
Na maioria das vezes, só saberemos o quanto a presença de alguém era importante, quando na sua ausência ela fizer uma grande falta.
"Meu sentimento tornou-se como o vento, um impulso encarcerado em gestos imperfeitos. É um sentimento que se desfaz em pó... Havia tanto para ser vivido, mas em um faz-de-conta persistente que não encontra sobrevivência; que começa, mas nunca alcança o fim! Como podemos viver algo que se desfaz a cada palavra impensada, a cada silêncio profundo, a cada fuga de si mesmo? E como se pode extinguir o que é tão vivo por dentro e se transforma em apenas poeira por fora? Nessa busca incessante e inerte, continuo ensaiando sonhos para não te recordar, treinando fantasias para te esquecer... Saudades!"
Quisera roubar um pedaço do crepúsculo e assim tocar o infinito, pois ele sempre existiu e existirá. Sigo então à procura desse âmbar intocável em mais uma tarde que esmorece em direção à noite. Nesses momentos sou uma sombra, perco-me e preciso cantar para saber por onde anda meu coração, pois ao crepúsculo de cada dia - mais um pedaço se vai. Sou finita, jamais saberei as verdades todas. Quem toca-me é a mão de veludo desse entardecer. Junto a ele faço uma prece, agradecendo mais um dia, mesmo que não tenha sido tão bom, mesmo que a esperança tenha vacilado ou que a saudade tenha dado o ar da graça dentro do coração, mas este é forte e tem lugar para muito mais ainda.
Algo não deu certo e foi ruim? Não chore pelo que passou, apenas siga em frente, pois tudo passa e novos caminhos virão.
Vem com dedo de veludo e cutuca a alma, não dói, mas incomoda e não quer parar. De vez em quando chega como espinho açoitando sem dó. O que seria essa sensação estranha? Vai junto a qualquer lugar, não desgruda, impele, as vezes irrita. Se sair um segundo, vem a saudade, o medo de perder, o arrependimento por não ter-lhe dado atenção. Simplesmente tem um nome: inspiração...
O poeta sempre conseguirá captar a voz do vento, seja num murmúrio de amor ou num grito rouco de saudade...
Quando uma lágrima solitária e teimosa,cisma em descerpelo meu rosto, ignoro-a, porque já não tenho mais a ansiedade da espera e nem o temor da ausência !
Queria que em todas as manhãs ao me despedir de você, pudesse dar um abraço forte, um beijo com gostinho de amor verdadeiro, um sorriso traduzindo: logo mais volte amor, pois, minha saudade já começa agora.
Não há redenção sem culpa, nem luz sem as trevas do que deixamos para trás. E o homem que nega a saudade é um cadáver ambulante; o que se rende a ela, um fantasma. Resta-nos, pois, o caminho estreito: amar o passado como se ama um morto — com devoção, mas sepultando-o. Pois só na aceitação do efêmero descobrimos que a eternidade não está no que perdemos, mas no que ainda podemos perder... e, mesmo assim, seguir.
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