Solitário
PERNAMBUCO RURAL
Sempre que escuto o barulho dos guizos de um caboclo do maracatu, solitário entre as gentes modernas da cidade, caminhando de um jeito que só Euclides da Cunha saberia descrever; eu penso que aquele som, vindo dos antigos engenhos de cana-de-açúcar, é o som da cultura resistindo.
Aniversário
No dia do aniversário
Com o passar dos anos
Pensa-se estar solitário
Então, a vida, frusta seus planos
Com beijos, palavras em cortejos e abraços
Tirando este dia do cotidiano
Reatando o viço dos laços
Para nos fazer soberanos
Unindo a felicidade em pedaços
Num todo, nos fazendo vários
Numa corrente de amor e regaço
De lembranças e gestos solidários
Nesta mais uma comemoração
Da vida, de um novo itinerário
De afago e olhares do coração
Em coro desejando Feliz Aniversário!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Fevereiro, 27 – 2016 - Cerrado goiano
Nessa viagem saí sem rumo
Viajei pra outro mundo
Solitário, fui pra frente, mas não para o futuro
Olhei pra frente e dei um pulo no escuro
Almejava um destino não só para descansar
Corria e pulava pra tentar alcançar
No caminho, percebi que descanso na verdade, é caminhar
Caminhar cada vez mais com a mente a pensar
Não sei por que decidi ir a pé, só quero chegar
chegar logo pra poder te encontrar
Com as malas desfeitas, resolvi ficar
Viagem boa, é aquela que rende histórias pra contar
Agora que cheguei, me acomodei, em seu coração vou morar
A vida de um alguém solitário. De pensar em uma pessoa ao invés de pensar em si mesmo, de ter a necessidade de fazer alguém sorrir ao invés de si mesmo, de querer que essa pessoa não passe ou sinta o mesmo que você passou e sentiu...
Poucos entenderão, mas muitos compreenderão.
Me abraço nesse combate solitário
Eu até vejo a multidão, vejo entes queridos, também umbigos, vejo minha questão, reclamação, talvez, uma suposição, o fato que esse mundo é uma incontável dimensão, somos produtos da criação, um pouco menor que Deus, pode não acreditar os ateus, fomos criados como solução, de manusear, persuadir, dirigir e conduzir nação e nação, deveras arrepender, Deus veio dizer, pela miserabilidade pecaminosa do caráter humano, sórdido e profano, faz uma ao outro semelhante entrar pelo cano, eu pequeno, eu incapaz, eu impotente, eu falho, eu essa criatura de engano, quando me prontifico a manifestar meu umbigo, pela natureza carnal e vulgar, ganância, orgulho, ambição, esquecendo da pureza, da palavra, da verdade, da eternidade, eu sei que o amor não me abandona, mas por pertencer a esse cenário zona, vejo a navegação que seria para profecia de uma promessa hilária, teimoso eu pobre otário, me abraço nesse combate solitário.
Giovane Silva Santos
Acreditei do eu não via, se iludir no que não viria, avistei eu tão cego, acordei no solitário da luz.
Ela não existia, resolvi me esvair no fechar dos olhos, me refazer é forte, me desmontei no solitário de tudo, deixe o tempo acontecer.
Numa tarde fria, as gotas de chuva lambiam as lágrimas de um pequeno filhote solitário. Esperançoso pelo afeto de sua mãe que já não acariciava mais seu pequenino sorriso. Mal sabia que neste momento de confiança não encontraria mais o acalento de sua maior protetora. Pois havia sido alimentada pelo veneno da maldade humana, que destruiu a única esperança da sobrevivência daquele pequeno felino. Antes de qualquer desumanidade proferida ao seu próximo, mesmo que seja para seu semelhante humano ou de outra espécime, é da sua livre escolha, a única oportunidade de semear a fraternidade. Não maltrate, não mate os animais, pois quão felino não proferira injúria a alguém... Mas te digo que, se existe o mal, lembro-te que você é o seu maior inimigo. Não se esqueça disso quando você estiver no lado de lá!🖤
Século XXI
É um grito solitário
O presente é loucura
O amor sem amor
O egoísmo em primeiro
O dinheiro falso e calado
O pobre morrendo sem ele
O rico guardando e matando
Então vamos no mesmo barco
Salve-se quem puder
Com medo de falar
O castigo vem logo
Então vamos no mesmo barco
Salve-se quem puder
O melhor é me calar
Sabe o que eu vejo quando tento dormir?
Eu vejo um barco solitário em uma mar negro e sujo.
Por que isso me tira o sono?
Eu não sei nadar.
Quanto mais você estuda, mais tende a ficar solitário, porque o conhecimento liberta, e também pode afastar de você, pessoas com ideias medíocres.
Alucinação
Apiedei-me solitário
enraizado em limo e pecado;
até mesmo a fé distraiu-se de mim
e os sonhos não mais se exibiram.
Abatido, acastelei-me aflito
entregue à cruz do tétrico legado.
Porém, ocupei-me apenas de amor
e devaneio não mais me faltou...
A noite ofereceu-me às estrelas e à lua
e o vento drogou-me com teu beijo suave;
eu, alucinado, doei-me todo a ti,
e o amar proclamou-se no ar!
O PESCADOR SOLITÁRIO
Aqui estou eu novamente
Dentro e na margem do lago
Estou só, observando o rio
Os igapós, os aningais, os murerus
Olhos com os olhos de águia
A procura da presa.
Assim procuro ver
Qualquer maresia
No boiar dos peixes
Onde estarão os peixes?
Porque onde bóia um, há muitos.
Eles andam em cardumes.
É pegar o caniço e lançar o anzol.
E pegar, um, dois... muitos peixes.
Venho pescar, porque gosto de pescar
Contemplar toda essa beleza.
O silencio da natureza
O barulho e o voar dos pássaros.
Dos peixes boiando, os jacarés secando.
Das formigas mordendo, das muriçocas ferrando
Tudo isso é belo
Faz parte desse lugar agreste.
Se chega a chuva
Protejo-me debaixo do Japa
Sou um pescador da antiga
Pesco de caniço e anzol
Isso é mais excitante para mim.
Pego o meu chapéu, casco e o remo
E me lanço em direção do lago.
Quando chega a hora do almoço.
Trato os peixes, preparo o fogo
Asso na beira do lago.
Levo a farinha, pimenta e sal.
Quando aparece algum companheiro.
Este é bem vindo ao banquete.
Com muito gosto e prazer
Compartilhamos desta maravilha
Que a natureza nos oferece.
FIM.
Autor: José Gomes Paes
Enviado por José Gomes Paes em 11/01/2012
Código do texto: T3435526
